Pesquisa · Mapa mental

Guerra do Vietnã

A Guerra do Vietnã (português brasileiro) ou Guerra do Vietname (português europeu), também conhecida como Segunda Guerra da Indochina, chamada no Vietnã de Guerra de Resistência contra a América ou simplesmente Guerra Americana, foi um grande conflito armado que aconteceu no Vietnã, Laos e Camboja de 1 de novembro de 1955 até a queda de Saigon em 30 de abril de 1975. Foi a segunda das Guerras da Indochina e foi oficialmente travada entre o Vietnã do Norte e o governo do Vietnã do Sul. O exército norte-vietnamita era apoiado pela União Soviética, China e outros aliados comunistas, enquanto os sul-vietnamitas eram apoiados pelos Estados Unidos, Coreia do Sul, Austrália, Tailândia, e outras nações anticomunistas pelo Mundo. Neste cenário, o conflito no Vietnã é descrito como uma guerra por procuração entre Estados Unidos e União Soviética no auge da Guerra Fria.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/06/2026
01

Nomes para a guerra

Vários nomes foram aplicados ao conflito. Guerra do Vietnã é o nome mais comumente usado. Também tem sido chamado de Segunda Guerra da Indochina e Conflito do Vietnã. Como houve vários conflitos na Indochina, este conflito particular é conhecido pelos nomes de seus principais protagonistas para distingui-lo dos outros. Em vietnamita, a guerra é geralmente conhecida como Kháng chiến chống Mỹ (Guerra de Resistência Contra a América), mas menos formalmente como 'Cuộc chiến tranh Mỹ' (A Guerra Americana). É também chamado de Chiến tranh Việt Nam (A Guerra do Vietnã). As principais organizações militares envolvidas na guerra foram, de um lado, o Exército da República do Vietnã (ARVN) e as Forças Armadas dos EUA, e, por outro lado, o Exército Popular do Vietnã (PAVN) (mais comumente chamado de Exército do Vietnã do Norte), e a Frente Nacional para a Libertação do Vietnã do Sul (FNL mais conhecido como Viet Cong em fontes da língua inglesa), uma força de guerrilha comunista do Vietnã do Sul.

02

Antecedentes

França começou sua conquista da Indochina no final da década de 1850, e completou a pacificação em 1893. O Tratado de Huế de 1884 constituiu a base para o domínio colonial francês no Vietnã durante as próximas sete décadas. Apesar da resistência militar, a mais notável pelo Cần Vương de Phan Đình Phùng, em 1888 a área das nações atuais do Cambodja e do Vietnam foi feita na colônia da Indochina francesa (Laos foi adicionado mais tarde à colônia). Vários movimentos de oposição vietnamita à dominação francesa existiram durante este período, tais como o Việt Nam Quốc Dân Đảng que organizou o fracassado motim Yên Bái em 1930, mas nenhum foi finalmente tão bem sucedido quanto a frente comum Viet Minh, que foi fundada em 1941, controlada pelo Partido Comunista da Indochina, e financiado pelos EUA e pelo Partido Nacionalista Chinês na sua luta contra a ocupação imperial japonesa. Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, os franceses foram derrotados pelos alemães. O Estado francês (vulgarmente conhecido como França de Vichy) foi estabelecido como um estado fantoche da Alemanha nazista. As autoridades coloniais francesas, na Indochina Francesa, se aliaram ao regime de Vichy. Em setembro de 1940, o Japão invadiu a Indochina. Após a cessação dos combates e o início da ocupação imperial japonesa, as autoridades coloniais francesas colaboraram com os japoneses. Os franceses continuavam a dirigir negócios na Indochina, mas o poder supremo residia nas mãos dos japoneses imperiais.

03

Saída francesa (1950-54)

Em janeiro de 1950, a República Popular da China e a União Soviética reconheceram a República Democrática do Vietnam, com sede em Hanói, como o governo legítimo do Vietnã. No mês seguinte, os Estados Unidos e a Grã-Bretanha reconheceram o Estado do Vietnã apoiado pelos franceses em Saigon, liderado pelo ex-Imperador Bảo Đại, como o legítimo governo vietnamita. O surto da Guerra da Coreia, em junho de 1950, convenceu muitos políticos de Washington de que a guerra na Indochina era um exemplo de expansionismo comunista dirigido pela União Soviética. Washington, parecendo desconhecer a longa antipatia histórica entre o Vietnam e a China, temia que Hanói fosse um peão chinês e, por extensão, da União Soviética, o que era considerado impensável por analistas conhecedores da história da Indochina e seus vizinhos asiáticos. De qualquer maneira, o apoio chinês era muito importante para o sucesso do Viet Minh e os chineses deram grande apoio material e logístico aos comunistas vietnamitas durante a guerra.

04

Período de transição

Na conferência de paz de Genebra em 1954, o Vietnã foi temporariamente dividido no paralelo 17. Ho Chi Minh desejava continuar a guerra no sul, mas foi contido por seus aliados chineses que o convenceram de que ele poderia ganhar o controle por meios eleitorais. Nos termos dos Acordos de Genebra, os civis teriam a oportunidade de circular livremente entre os dois estados provisórios por um período de 300 dias. Eleições em todo o país deveriam ser realizadas em 1956 para estabelecer um governo unificado. Cerca de um milhão de habitantes do norte, principalmente católicos minoritários, fugiram para o sul, temendo perseguições pelos comunistas depois de uma campanha de propaganda americana usando slogans como "A Virgem Maria está indo para o sul", e ajudado por um fundo de US$ 93 milhões de um programa de relocação, que incluiu o uso da Sétima Frota para transportar refugiados. Até dois milhões a mais teriam sido deixados se não tivesse sido interrompido pelo Viet Minh. Os refugiados do norte, principalmente católicos, destinavam-se a dar ao regime de Ngô Đình Diệm um forte eleitorado anticomunista. Diệm mais tarde passou a empregar os cargos-chave de sua administração principalmente com católicos do norte e do centro.

05

Era de Diệm (1955-1963)

Um devoto católico, Diệm era fervorosamente anticomunista, nacionalista e socialmente conservador. O historiador Luu Doan Huynh observa que "Diệm representava o nacionalismo estreito e extremista aliado à autocracia e ao nepotismo". A maioria dos vietnamitas eram budistas, e ficaram alarmados com ações como a dedicação do Diệm ao país para a Virgem Maria. A partir do verão de 1955, Diệm lançou a campanha "Denuncie os comunistas", durante a qual os comunistas e outros elementos antigoverno foram presos, aprisionados, torturados ou executados. Ele instituiu na pena de morte contra qualquer atividade considerada comunista em agosto de 1956. De acordo com o Gabriel Kolko cerca de 12 mil suspeitos de oposição a Diệm foram mortos entre 1955 e 1957 e, no final de 1958, cerca de 40 mil presos políticos tinham sido encarcerados. Entretanto, Guenter Lewy argumenta que tais números eram exagerados e que nunca havia mais de 35 mil prisioneiros de todo tipo em todo o país.

Insurgência no Sul (1956-1960)

Um dos líderes comunistas do sul, Le Duan, retornou a Hanói para incentivar a liderança comunista no norte a tomar uma posição firme para a reunificação do país sob regime comunista, mas Hanói (então passando por uma severa crise econômica) hesitou em lançar um confronto militar em larga escala. Os comunistas nortistas temiam a intervenção dos EUA e acreditavam que as condições no Vietnã do Sul ainda não estavam prontas para uma ‘revolução do povo’. Entretanto, em dezembro de 1956, Ho autorizou que as células do Viet Minh ainda no sul começassem uma insurgência de nível moderado, chamada de propaganda armada, constando principalmente de sequestros e atentados (ver: Terrorismo comunista).

Envolvimento do Vietnã do Norte

Fontes discordam sobre se o Vietnã do Norte desempenhou um papel direto na ajuda e organização dos rebeldes sul-vietnamitas antes de 1960. Kahin e Lewis afirmam: Contrariamente aos pressupostos da política dos Estados Unidos, todas as evidências disponíveis mostram que a revolução da guerra civil no Sul em 1958 foi empreendida pelos sulistas por iniciativa própria - e não por Hanói... A atividade insurgente contra o governo de Saigon começou no sul sob liderança do sul não como consequência de qualquer ditado de Hanói, mas ao contrário das injunções de Hanói. Em contrapartida, o autor de 'War Comes to Long An' Jeffrey Race entrevistou desertores comunistas em 1967 e 1968 que consideravam essas recusas "muito divertidas" e que "comentavam humoristicamente que o Partido tinha aparentemente sido mais bem-sucedido do que se esperava em esconder seu papel". James Olson e Randy Roberts afirmam que o Vietnã do Norte autorizou uma insurgência de baixo nível em dezembro de 1956. Para contrariar a acusação de que o Vietnã do Norte estava violando o Acordo de Genebra, a independência do Viet Cong foi enfatizada na propaganda comunista.

Viet Cong

Os membros da FNL passaram a ser chamados de "Viet Congs", pelos norte-americanos e seus aliados. Este termo, abreviado para "VC", deu origem ao termo (utilizando o Alfabeto fonético militar) "Victor-Charlie" de onde surgiu o nome "Charlie" também como apelido dos membros da FNL. O termo "Viet Cong" tinha o propósito de desacreditar os guerrilheiros, aplicando-lhes a pecha de "vietnamitas comunistas". Seus criadores basearam-se no cenário vigente nos Estados Unidos, onde o termo "comunista" alarma a opinião pública e conduz, não raro, a reações histéricas. Mas naquela região da Ásia, o efeito não era o mesmo, até porque, em muitos casos, os comunistas se identificavam com movimentos nacionalistas que lutavam pela independência de povos submetidos ao domínio estrangeiro.

06

Escalada de Kennedy (1961-1963)

Quando John F. Kennedy venceu as eleições presidenciais americanas de 1960, um dos principais pontos de preocupação levantados por ele, era se a União Soviética havia ultrapassado os Estados Unidos em seus programas balístico e espacial. Apesar dos avisos de Dwight Eisenhower, seu antecessor no cargo, sobre o Vietnã e o Laos, para Kennedy a Europa e a América Latina deveriam ser os focos principais de atenção de sua administração. Seu governo permaneceria comprometido com a política da Guerra Fria, herdada dos governos anteriores de Eisenhower e Truman. Em 1961, ele enfrentou uma crise em três partes: o fracasso na Invasão da Baía dos Porcos, para depor o governo de Fidel Castro em Cuba, a construção do Muro de Berlim pelos soviéticos e alemães orientais e o acordo negociado entre o governo pró-ocidental do Laos e o movimento comunista Pathet Laos no país. Estes fatos lhe fizeram crer que uma outra falha dos Estados Unidos em deter a expansão comunista que acontecia no mundo iria fatalmente afetar a credibilidade do país como líder do mundo ocidental perante seus aliados e sua própria reputação como dirigente da nação. Kennedy estava determinado a ‘riscar uma linha na areia’ e impedir uma vitória comunista no Vietnã.

Golpes de estado e assassinatos

Analistas políticos em Washington concluíram que o presidente Ngo Dinh Diem era incapaz de derrotar os comunistas e até em conseguir algum acordo com Ho Chi Minh. Ele parecia preocupado apenas em evitar um golpe de estado contra si e seu governo. Durante o verão de 1963, autoridades norte-americanas começaram a discutir a possibilidade de uma mudança no regime. O Departamento de Estado dos Estados Unidos era a favor do encorajamento de um golpe. O Pentágono e a CIA eram mais receosos das consequências desestabilizadoras que tal ato pudesse provocar e preferiam continuar aplicando pressão pelas reformas políticas no sul. A maior das mudanças propostas pela política norte-americana era a remoção do poder do irmão mais novo do presidente, Ngo Dinh Nhu, chefe da polícia secreta do país e o homem por trás da repressão contra os monges budistas do Vietnã. Como conselheiro mais poderoso de Diem, Nhu se tornou uma figura odiada no Vietnã do Sul e sua influência contínua era inaceitável para o governo Kennedy, que acabou eventualmente concluindo que o presidente não o substituiria. Assim, a CIA entrou em contato com os comandantes militares sul-vietnamitas que planejavam depor o presidente e lhes fez saber que os Estados Unidos não se oporiam à ação. Em 1 de novembro de 1963, Diem foi deposto e executado no dia seguinte junto com seu irmão, dentro de um blindado nas ruas de Saigon, a caminho do quartel-general do exército. O embaixador norte-americano Henry Cabot Lodge, Jr., que havia sido proibido por Kennedy de qualquer encontro pessoal com os militares nas semanas antecedentes, convidou os golpistas à embaixada e os congratulou, enviando a Kennedy – chocado com um assassinato com o qual não tinha concordado – a mensagem de que agora "as possibilidades são de uma guerra curta no Vietnã".

07

Escalada de Johnson (1963-1969)

No momento em que Lyndon B. Johnson assumiu a presidência após a morte de Kennedy, ele não estava fortemente envolvido com a política em relação ao Vietnã, lembrou o assessor presidencial Jack Valenti: "O Vietnã na época não era maior do que o punhado de um homem no horizonte. Nós quase não discutimos porque não valia a pena discutir.", mais preocupado com a criação do que chamava de "Grande Sociedade" e de programas sociais progressistas. Ao se tornar presidente, no entanto, Johnson imediatamente teve que se concentrar no Vietnã: em 24 de novembro de 1963, ele disse: "A batalha contra o comunismo ... deve se juntar ... com força e determinação". Ele reuniu um grupo de conselheiros em torno do embaixador Lodge, retornado à pressa de Saigon, para ouvirem as notícias trazidas pelo embaixador e conhecer mais profundamente a situação do que ocorria no Vietnã e prometeu se empenhar em ajudar os vietnamitas do sul a vencerem a guerra contra os comunistas. Mas esta decisão veio numa ocasião em que a situação no país estava já deteriorada, especialmente em locais como o delta do Mekong, graças ao recente golpe contra Diem.

Incidente do Golfo de Tonkin

Em agosto de 1964, o destróier norte-americano USS Maddox, numa missão de espionagem ao largo da costa do Vietnã do Norte, disparou e danificou diversos barcos torpedeiros que se aproximavam dele no Golfo de Tonkin. Um segundo ataque de lanchas torpedeiras foi noticiado dois dias depois envolvendo o USS Turner Joy e o Maddox na mesma área. As circunstâncias destes ataques são obscuras. O segundo ataque levou a uma retaliação aérea dos americanos, apressou o Congresso a aprovar a Resolução do Golfo de Tonkin e deu ao presidente poderes para conduzir operações militares no Sudeste Asiático sem uma declaração de guerra formal. Em 2005, entretanto, documentos secretos liberados pela Agência Nacional de Segurança, revelaram que não houve nenhum ataque a barcos americanos no dia 4 de agosto de 1964, mas, muito antes disso, este fato já vinha sendo contestado. "O Incidente do Golfo de Tonkin", escreveu Louise Gerdes, "é um exemplo sempre citado de como Lyndon Johnson enganou o povo americano para conseguir apoio para a sua política no Vietnã". George C. Herrings afirmou: "que o Pentágono e McNamara não reconhecidamente mentiram sobre os alegados ataques, mas eles estavam obviamente com um espírito beligerante com relação aos vietnamitas e provavelmente selecionaram as evidências e relatos chegados a eles, aquilo que lhes interessava acreditar e difundir à opinião pública".

A Ofensiva de 1964

Seguindo a Resolução do Golfo de Tonkin, Hanói havia antecipado a chegada de tropas dos EUA e começado a expandir o Viet Cong, além de enviar um número crescente de pessoal do Vietnã do Norte para o sul, e nessa fase equipando e padronizando o equipamento das forças viet Congs com fuzis AK 47 e outros suprimentos, além de formar a 9ª Divisão. "De uma força de aproximadamente 5 mil no início de 1959, o número de viet Congs cresceu para cerca de 100 mil no final de 1964 ... Entre 1961 e 1964, a força do Exército aumentou de aproximadamente 850 mil para quase um milhão de homens". Os números de tropas dos EUA destacadas para o Vietnã durante o mesmo período eram bem diferentes; 2 mil em 1961, subindo rapidamente para 16 500 em 1964. Durante esta fase, o uso de equipamentos capturados diminuiu, enquanto um maior número de munições e suprimentos foram necessários para manter as unidades regulares, e o Grupo 559 foi encarregado de expandir a Trilha Ho Chi Minh, à luz do bombardeio quase constante por aviões americanos. A guerra começara a se transformar na fase final, fase de guerra convencional do modelo de guerra prolongado de três estágios de Hanói, em que eles foram encarregados de destruir o ARVN e capturar e manter áreas, no entanto, os Viet Congs ainda não eram fortes o suficiente para atacar grandes vilas e cidades.

A guerra terrestre americana

Em 8 de março de 1965, cerca de 3 500 fuzileiros navais americanos desembarcam em Da Nang, no Vietnã do Sul. Isso marcou o início da guerra terrestre americana. A opinião pública nos Estados Unidos apoiou de forma esmagadora o envio de tropas. A missão inicial dos fuzileiros navais era a defesa da Base Aérea de Da Nang. O primeiro deslocamento de 3 500 soldados em março de 1965 foi aumentado para quase 200 000 soldados americanos no Vietnã em dezembro desse mesmo ano. A doutrina militar das forças armadas dos Estados Unidos há muito focava no treinamento de suas tropas para ações ofensivas. Independentemente de política, os comandantes militares dos Estados Unidos eram institucional e psicologicamente inadequados para uma missão defensiva.

Ofensiva do Tet

Em fins de 1967, o general Giap concebeu um plano extremamente audacioso, cuja concretização viria a tornar-se o marco decisivo da guerra. Depois de atrair as forças de Westmoreland para o interior do país, e cercá-las em Khe Sahn, na província de Quang Tri, ele desfechou um ataque surpresa contra mais de cem cidades no Vietnã do Sul, inclusive Saigon, onde os guerrilheiros chegaram a ocupar, por algumas horas, o quartel-general do general Westmoreland e a embaixada dos Estados Unidos, cujos ocupantes tiveram que fugir, apressadamente.[nota 1] A ofensiva ocorreu em 30 de janeiro de 1968, no feriado do ano novo lunar chinês (Tet), e embora pagando um pesado preço em vidas,[nota 2] provou-se ter sido um enorme sucesso propagandístico, principalmente de ordem moral, na medida em que:

08

Doutrina Nixon e Vietnamização (1969–1972)

Ameaças nucleares e diplomacia

Durante a eleição presidencial de 1968 nos Estados Unidos, o presidente Richard Nixon, então o candidato republicano, havia feito uma campanha baseada no lema ‘paz com honra’ no Vietnã. Seu plano era reforçar as forças armadas sul-vietnamitas de maneira que eles pudessem levar adiante sozinhos a defesa do país. Esta política foi chamada de vietnamização e tinha muito em comum com a política de John Kennedy. Entretanto, havia uma importante diferença. Enquanto Kennedy pregava que os sul-vietnamitas deveriam lutar a guerra por si sós, ele também tentava limitar o tamanho do conflito. Nixon, ao contrário, em busca de uma retirada com honra, tinha a intenção de empregar táticas variadas para isso, inclusive aumentando o alcance geográfico da guerra.

09

Retirada das tropas e do auxílio material dos Estados Unidos (1973–1975)

Sob as condições do Acordo de Paris, os norte-americanos retiraram suas tropas do Vietnã e prisioneiros de guerra foram trocados. O Vietnã do Norte teve permissão para continuar suprindo as tropas comunistas no sul, mas apenas para fazer a reposição do que estava sendo consumido. No fim do ano, Henry Kissinger e Le Duc Tho dividiram o Prêmio Nobel da Paz, mas o negociador norte-vietnamita o recusou, dizendo que uma paz verdadeira ainda não havia sido alcançada. Os líderes comunistas esperavam usar o cessar-fogo em proveito próprio, mas Saigon, escorada por um grande aporte de armas e equipamentos feito pelos EUA pouco antes da trégua entrar em vigor, começou a empurrar os Viet Cong para o norte. Os comunistas responderam com uma nova estratégia, estabelecida em uma série de encontros da liderança norte-vietnamita realizados em Hanói, em março de 1973. Com a suspensão dos bombardeios americanos, os trabalhos na Trilha Ho Chi Minh e em outras estruturas logísticas deveriam continuar ininterruptamente, até que o norte estivesse em condições de lançar uma ofensiva em massa contra o sul, projetada para a estação seca de 1975-76. O comando militar acreditava ser esta a última oportunidade de decidir o conflito, antes que o exército sul-vietnamita estivesse completamente treinado. Um oleoduto de 3 000 milhas de extensão deveria ser construído entre o interior do Vietnã do Norte e o quartel-general dos Viet Congs em Loc Ninh, cerca de 120 km a noroeste de Saigon.

10

A Queda de Saigon

Com o cerco dos norte-vietnamitas e do Viet Cong, o caos se instalou na capital e civis e militares histéricos tentaram sair da cidade de qualquer maneira. A lei marcial foi declarada e helicópteros começaram a evacuar autoridades e civis vietnamitas, norte-americanos estrangeiros, partindo de vários pontos da cidade e do complexo da embaixada. A Operação Vento Constante (Operation Frequent Wind) havia sido adiada, porque o embaixador Graham acreditava ainda ser possível que Saigon resistisse até que algum acordo político impedisse a invasão da capital. Por outro lado, a Operação Babylift - implantada no começo de abril de 1975 - ainda persistia, trasladando órfãos de Saigon em aviões C5-A Galaxy para países mais seguros. Em 26 de abril de 1975 a Operação Babylift terminaria com um saldo de mais de 3 mil órfãos resgatados, apesar da queda desastrosa do avião no primeiro dia da operação. Pouco depois, na manhã de 29 de abril de 1975, o secretário John Schlesinger anunciou o fim daquela que foi a maior operação de resgate por helicópteros da história, e que ocorreu em meio a uma atmosfera de completo caos e medo, com multidões lutando desesperadamente por lugares limitados em helicópteros americanos. Ela correu contra o relógio, enquanto os tanques comunistas forçavam as entradas e as defesas nos subúrbios da cidade. Nas primeiras horas da manhã do dia 30, os últimos marines foram evacuados da guarda da embaixada, enquanto civis invadiam o perímetro e se espalhavam pelo gramado. Muitos deles tinham trabalhado para os norte-americanos e foram deixados para trás, entregues ao seu destino.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando