Armando, Príncipe de Conti
Armando de Bourbon, Príncipe de Conti, era o filho mais novo de das três crianças nascidas do casamento de Henrique II de Bourbon, príncipe de Condé, e de Carlota Margarida de Montmorency. Foi irmão de Luís II de Bourbon-Condé, chamado de le Grand Condé, e de Ana Genoveva de Bourbon-Condé, duquesa de Longueville.
Primeiros anos
Batizado a 23 de dezembro de 1630 na Igreja de São Sulpício, o menino é levado perante a pia batismal pela sua tia Maria Felicidade de Ursins, duquesa de Montmorency, e Armando João du Plessis, Cardeal de Richelieu. O título de Príncipe de Conti foi restabelecido a seu favor em 1629. De saúde delicada, ligeiramente corcunda, os seus pais destinam-no à vida eclesiástica sendo educado pelos Jesuítas no colégio de Clermont. De acordo com a primeira biografia de Molière, teria tido por condiscípulo o futuro comediante, o que seria pouco provável uma vez que Molière nascera oito anos antes. Em 12 de dezembro de 1641, recebe a comenda da abadia de Saint-Denis e, no ano seguinte, é nomeado abade de Cluny, recebendo ainda sete outras abadias e cinco priorados. A 6 de agosto de 1643, obtém o seu diploma de mestre de artes e, em 1646, o de bacharel em teologia da Universidade de Bourges. Com a morte de seu pai, nesse mesmo ano, é submetido à decisão de um conselho de família que decide de o manter mais um ano junto dos Jesuítas, para seu grande descontentamento.
A Fronda
No mês de janeiro de 1649, com o seu cunhado, Henrique II, Duque de Longueville, desejoso de obter o chapéu cardinalício, Armando toma partido pela Fronda parlamentar, da qual se torna o comandante em chefe. É vencido em Charenton a 8 de fevereiro pelo seu irmão, o Príncipe de Condé, que se mantinha fiel à Corte. Mas após a paz de Rueil, Condé adere à Fronda que passa a ser co-dirigida por Conti, Condé e Longueville. O trio é detido no Palais-Royal em 16 de janeiro de 1650 e aprisionado no Castelo de Vincennes, depois no castelo de Marcoussis e, por fim, no forte de Le Havre. O cativeiro deixa Conti louco, dada a separação de sua irmã Ana Genoveva de Bourbon-Condé, chegando mesmo a tentar contactá-la por magia. No início do cativeiro, esteve bastante doente devido a uma ferida que, voluntariamente, fizera na cabeça. Dizia-se que esse incidente ocorrera quando atirara uma tocha de prata ao ar. Contudo, essa ferida acabou por ter alguma utilidade, a quem não podiam recusar o socorro quer por médicos e cirurgiões, alguns dos quais lhe traziam secretamente cartas do exterior.
Regresso às boas graças
A partir de junho de 1654, deixou Paris e a mulher para tomar o comando o exército que invade a Catalunha. Só volta a encontrar a esposa no Languedoc em 30 de novembro de 1654, quando vem abrir a assembleia dos Estados do Languedoc, em Montpellier. Da primavera ao outono de 1655, volta a partir para comandar as forças francesas na Espanha e, a 4 de dezembro, reabre nova sessão dos Estados do Languedoc, desta vez em Pézenas. Grande parte do ano de 1656 foi passada em Paris, sofrendo duma doença venéria que, provavelmente, contraíra em Montpellier no outono de 1653 na sequência das suas escapadelas libertinas organizadas pelo conde d'Aubijoux, que era o governador da cidade. É então que, após diversos encontros com Nicolas Pavillon, bispo de Alet, ocorridas já em 1655, ele "converte-se", isto é, regressa a uma fé ardente e intransigente. Presta-se então à penitência e a mortificações, renunciando a todos os prazeres, dizendo à Companhia de Molière que não queria que usassem mais o seu nome, reaproximando-se da Companhia do Santo Sacramento, tendendo para o jansenismo. Ele tem 27 anos.
Em 1653, Conti, qui se retirara para Pézenas, submete-se ao rei e, reconcilia-se com Mazarino, casando em 21 de fevereiro de 1654 com Ana Maria Martinozzi (1639-1672), sobrinha do cardeal. Desse casamento nasceram três crianças, duas das quais atingiram a idade adulta:


