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Henrique IV de França

Henrique III & IV, também conhecido como "o Bom Rei Henrique", foi o Rei de Navarra como Henrique III de 1572 até sua morte, e também Rei da França a partir de 1589. Era filho de António de Bourbon, Duque de Vendôme e Joana III de Navarra, sendo o primeiro monarca francês da Casa de Bourbon.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 03/07/2026
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Dados biográficos iniciais

Imagem: Marcio Cabral de Moura · BY-NC-ND · Openverse

Em 1589, quando morreu o seu primo e cunhado Henrique III de Valois, rei de França, Henrique de Bourbon, então rei da Navarra, do ramo Vendôme dos Bourbon, tornou-se Henrique IV e levou a sua Casa ao trono francês. A dinastia foi continuada no seu filho Luís XIII, que teve por sua vez dois filhos: o delfim Luís e Filipe. A Filipe foi dado o ducado d'Orléans em 1661, sendo esse o ancestral da Casa d'Orleães. O delfim Luís tornou-se o rei Luís XIV de França. Henrique IV reinou a partir de 1589. Como protestante, esteve envolvido nas Guerras religiosas na França antes de subir ao trono. Para conseguir o apoio que lhe permitisse tornar-se rei, converteu-se ao catolicismo e assinou o Édito de Nantes, que concedia liberdades religiosas aos protestantes e que na prática acabou com a guerra civil. Foi um rei dos mais populares (durante seu reinado e depois), mostrando preocupação pelo bem-estar económico dos seus súbditos, e também fazendo mostras de uma tolerância religiosa pouco comum no seu tempo. Foi assassinado por um homem com perturbações mentais, o fanático católico François Ravaillac. Em França, Henrique IV foi chamado, informalmente, de le bon roi Henri (em francês: o bom rei Henrique).

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Infância e adolescência

Nasceu no castelo de Pau em 13 de dezembro de 1553 e morreu numa sexta-feira, dia 14 de maio de 1610. Depois de 17 atentados, foi assassinado em Paris, sepultado na Basílica de Saint-Denis. O culpado foi François Ravaillac (esquartejado no dia 27 de maio do mesmo ano), que o apunhalou às 4 horas da tarde diante do número 11 da rua da Ferronnerie. O vitorioso assassino disse o motivo: A fin qu’il ne fasse pas la guerre au Pape, ou seja, para que não faça guerra ao papa. Consta que Ravaillac fez tantas e tão misteriosas confissões que foi destruído o processo inteiro. É chamado o grande por ter restaurado a prosperidade da França após 30 anos de guerra. E Le vert-galant, por suas ligações com as mulheres mais belas da época. O seu avô ameaçou deserdar a sua mãe, Joana d´Albret, caso o neto nascesse em Paris, como desejava o pai. Descendia de Luís IX pelo pai e da irmã de Francisco I pela mãe. A sua infância durou os oito anos em que viveu no Béarn, confiado a uma família local, entre pastores, nascendo a lenda do bom rei popular.

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Rei de Navarra

Imagem: Marcio Cabral de Moura · BY-NC-ND · Openverse

O pai morreu em 1562, ainda hesitante entre católicos e protestantes, em Rouen (por conta de Carlos IX), onde estava para retomar a cidade aos protestantes. Em 1566 sua mãe, a muito enérgica Joana, Rainha de Navarra, conseguiu raptá-lo e guardá-lo em Bearn, a sua terra natal. Catarina de Médici tinha organizado um giro pela França, para apresentar Carlos IX às cidades da província. Distinguiu-se na Batalha de Arnay-le-Duc, na Borgonha, em 1569. Henrique figurou resolutamente do lado da mãe, aos 17 anos, como figura representativa dos huguenotes, signatário da confissão de la Rochelle 1571, texto fundador da religião reformada. Foi rei de Navarra como Henrique III a partir de 9 de junho de 1572. Seus títulos eram: Conde de Foix, Duque de Albret, Duque de Vendôme 1562-1589. Eram seus títulos: conde de Viane, Príncipe do Béarn, duque de Bourbon, 1562. Conde de Dreux, de Gause, de Bigorra, do Périgord, de Rodez, de Armagnac, do Perche, de Fézensac, de L'Isle-Jourdain, de Porhoët, de Pardiac, Visconde de Dax, de Tartas, de Maremne, de Limoges, de Béarn, de Fézenzaguet, de Lomagne, de Brulhois, d'Auvillars; Barão de Castelnau, de Caussade, de Montmiral; senhor de Nérac, de La Flêche, de Bauzé 1572-1589.

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Rei de França

Em 1589, tornou-se o Rei da França, mas apenas nominalmente. A Liga Católica, com o apoio externo, sobretudo de Espanha, tinha influência suficiente para o obrigar a recuar para o sul. Viu-se obrigado a reconquistar território pela força militar. A liga proclamou o tio católico de Henrique, o Cardeal de Bourbon, como Carlos X, mas o próprio cardeal era um prisioneiro de Henrique. Após a morte do velho cardeal em 1590, a liga não conseguiu chegar a acordo sobre um novo candidato. Enquanto alguns apoiaram vários candidatos de fachada, o candidato mais forte era provavelmente a infanta Isabel Clara Eugénia, a filha de Filipe II de Espanha, cuja mãe, Isabel de Valois, fora a primogênita de Henrique II de França. A sua candidatura foi nefasta para a Liga, suspeita de ser agente dos interesses espanhóis. De qualquer forma, Henrique ainda não conseguia tomar Paris. Henrique derrotou Mayenne (novo chefe da liga depois do assassinato de Guise), em Arques [desambiguação necessária] em 1589, de novo em Ivry em 1590, sem conseguir recuperar Paris, abastecida pelos espanhóis apesar de um sítio que fez 45 mil vítimas do povo. Henrique converteu-se então pela segunda vez ao catolicismo, tendo entendido que a maior parte do povo não o aceitaria se fosse protestante. Com o apoio de sua amante Gabrielle d'Estrées, a 25 de julho de 1593 Henrique declarou: Paris vaut bien une messe. ("Paris vale bem uma missa") e renunciou ao protestantismo. Ao converter-se, conseguiu assegurar o apoio da vasta maioria dos seus súbditos católicos.

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Regência da viúva Maria de Médici

Imagem: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian · BY-NC-ND · Openverse

Maria de Médici fora antes nomeada regente, com conselho de 15 pessoas, quando Henrique IV, em março de 1610, preparava-se para conduzir uma expedição contra a alemães, espanhóis e imperiais. Cedendo à sua insistência, Henrique a fez coroar rainha. Duas horas depois de seu assassinato em 14 de maio de 1610, o duque de Epernon foi ao parlamento e conseguiu que Maria fosse declarada regente, pois Luís XIII não tinha ainda nove anos. A política de Henrique IV, que teria lutado cada vez mais para assegurar alianças com os estados protestantes, foi substituída por uma política católica, visando à aliança espanhola. O primeiro ato seria o noivado de Luís XIII com a infanta Ana de Áustria, e de Isabel de Valois com Filipe II. Cresceu a agitação entre os príncipes e os protestantes. A Assembleia dos Estados Gerais, convocada pela regente em 1614, como concessão aos príncipes, foi a última tentativa da velha monarquia para associar representantes da nação ao governo nacional, tentativa mal sucedida.

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Casamentos

Casou no Palácio do Louvre no domingo, 18 de agosto de 1572 (separando-se dela em 1578 e anulando o casamento em 10 de novembro de 1599 por direito, vendo-o anulado pela Santa Sé em 17 de dezembro de 1599) com Margarida de Valois (nascida em St.Germain-en-Laye em 14 de maio de 1553 e morta em 27 de março de 1615 em Paris, sepultada na Basílica de Saint-Denis), Rainha de Navarra chamada de La Reine Margot. Foi duquesa de Valois, de Senlis, de Etampes, condessa de Marle, de Agen, de Rouergue, de Auvergne, viscondessa de Carlat. Era filha do rei Henrique II e de Catarina de Médici, irmã de Francisco II, Carlos IX, e de Henrique III de Valois sem posteridade. Ela foi encerrada em 1587 no castelo de Usson, vizinho de Issoire. Após a morte de Gabrielle d'Estrées, com a qual considerou realizar um casamento que a época teria como desigual — casou-se por contrato em 26 de abril de 1600 e por procuração em Florença em 5 de outubro e em pessoa em Lyon em 17 de dezembro de 1600 com Maria de Médici e teve os sonhados descendentes. Maria nascera em Florença 26 de abril de 1573 e morreu na Alemanha, em Colônia, exilada pelo filho, em 3 de julho de 1642 estando sepultada na Basílica de Saint-Denis. Era princesa da Toscana, filha de Francisco I (1541-87) o Grande, em 1574 Grão-Duque da Toscana e de sua mulher desde 1565 Joana de Áustria ou Habsburgo (1547-78), Arquiduquesa da Áustria, Regente, filha do imperador Fernando I (1503-64) e de Ana Jaguelão, e irmã do imperador Maximiliano II (1527-76). Francisco era irmão de Fernando I (1549-1609), Grão-Duque em 1587, pai de Cosme II (1590-1621) Grão-Duque em 1609.

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Assassinato

François Ravaillac (Touvre, Charente 1578-1610 Paris), professor e depois irmão converso num convento de feuillants, assassinou o rei, que preparava a ruptura com a Casa da Áustria. Depois de confessar-se, o regicida seguiu a carruagem real que ia para o Arsenal pela rue de la Ferronerie. Aproveitou-se da confusão causada por uma carroça de feno para golpear com duas facadas o lado do corpo do soberano, que morreu sem dar um grito.

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Restos mortais

A cabeça do seu corpo embalsamado foi perdida após revolucionários saquearem a Basílica de Saint-Denis e profanarem o seu túmulo em 1793. Uma cabeça embalsamada, atribuída a Henrique IV, passou por vários colecionadores particulares desde então. O jornalista francês Stephane Gabet seguiu as pistas e encontrou a cabeça no sótão de um cobrador de impostos aposentado, Jacques Bellanger, em janeiro de 2010. De acordo com Gabet, um casal comprou a cabeça num leilão em Paris, no início de 1900, e Bellanger a comprou da esposa em 1955. Em 2010, uma equipa multidisciplinar liderada por Philippe Charlier, um examinador médico forense do Hospital da Universidade Raymond Poincaré em Garches, confirmou que era a cabeça perdida de Henrique IV, tendo utilizado uma combinação de técnicas antropológicas, paleopatológicas, radiológicas e forenses. A cabeça tinha uma cor marrom clara, em excelente estado de preservação. Uma lesão pouco acima da narina, um furo no lóbulo da orelha direita, indicando a utilização de um brinco por um longo período, e uma ferida facial cicatrizada, que Henrique IV teria sofrido depois de uma tentativa de assassinato, estavam entre as marcas que identificaram a cabeça. A datação por radiocarbono deu uma data de entre 1450 e 1650, que se encaixa no ano da morte de Henrique IV, em 1610. No entanto, a equipa não foi capaz de recuperar as sequências de DNA mitocondrial da cabeça, e por isso não foi possível fazer a comparação com outros restos do rei e com seus descendentes.

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Casamentos e Descendência

Em 18 de agosto de 1572, Henrique se casou com sua prima em segundo grau, Margarida de Valois; seu casamento sem filhos foi anulado em 1599. Seu casamento subsequente com Maria de Médici em 17 de dezembro de 1600 produziu seis filhos:

Descendência ilegítima

Teve várias amantes, tendo sido talvez o soberano mais promíscuo da história da França. Educava os filhos juntos, legítimos e bastardos, em Fontainebleau e dava-lhes a atenção negada pela rainha. Além das mães de seus bastardos, abaixo, houve ainda:

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