Pesquisa · Mapa mental

Aristóbulo de Cassandreia

Aristóbulo foi um engenheiro militar, participante das campanhas de Alexandre, o Grande. Após a morte de Alexandre, em 323 a.C., Aristóbulo retornou à Macedônia e estabeleceu-se em Cassandreia, na Calcídica. Lá, já na velhice, escreveu uma obra histórica sobre Alexandre, o Grande. Embora a obra de Aristóbulo não tenha se preservado e nem mesmo seu título seja conhecido com certeza, ela serviu de base para os trabalhos de historiadores posteriores. Conforme avaliações atuais, Aristóbulo dedicou grande atenção à geografia e à etnografia dos países por onde passou o exército macedônio. Além disso, ele se esforçou para retratar Alexandre como um homem sem quaisquer traços negativos, o que era uma tarefa bastante complexa.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
01

Biografia

Aristóbulo nasceu provavelmente na Fócida. Também há versões na historiografia de que seu local de nascimento teria sido uma das cidades da Calcídica ou a ilha de Cós. Aristóbulo participou de toda a campanha oriental de Alexandre, o Grande, do início ao fim, na qualidade de engenheiro e construtor. A única menção nas fontes sobre a participação de Aristóbulo na campanha, e ainda por cima nas palavras do próprio Aristóbulo, está relacionada à ordem de Alexandre de restaurar o túmulo de Ciro saqueado em Pasárgada. Outra lenda, cuja falta de veracidade não suscita dúvidas, é relatada por Luciano de Samósata: Alexandre, quando Aristóbulo descreveu seu duelo com Poro e leu para ele exatamente esse trecho de sua obra — ele pensava em agradar ao rei, inventando novos feitos para ele e compondo feitos maiores do que os reais —, Alexandre pegou o livro e o jogou na água (eles, naquele momento, estavam justamente navegando pelo rio Jelum) com as palavras: E contigo também se deveria fazer o mesmo…

02

Obras

Segundo o historiador austríaco Fritz Schachermeyr, Aristóbulo inicialmente não planejava escrever um tratado histórico. No entanto, já na velhice, possivelmente devido à insatisfação com o surgimento de inúmeras lendas infundadas sobre Alexandre, Aristóbulo dedicou-se à redação de memórias. Luciano de Samósata afirmava que Aristóbulo “começou a escrever quando já tinha oitenta e quatro anos, como ele mesmo menciona no início de sua obra”. Além disso, o escritor antigo acrescentou que Aristóbulo morreu aos 92 anos. O estudioso clássico e escritor britânico William Woodthorpe Tarn observou que a obra de Aristóbulo, elogiosa a Alexandre, só poderia ter sido apresentada após a morte do rei Cassandro em 297 a.C., uma vez que este tinha uma visão negativa da memória de seu lendário antecessor. Segundo os historiadores, Aristóbulo escreveu suas memórias entre os anos 290 e 275 a.C. Embora a obra de Aristóbulo não tenha se preservado e nem mesmo seu título seja conhecido com certeza (na historiografia, pode-se utilizar a denominação provisória “Sobre Alexandre” (em grego clássico: Τά καί Άλέξανδρον)), ela serviu de base para os trabalhos de historiadores posteriores. Sua base eram as memórias pessoais do autor, embora, possivelmente, Aristóbulo tenha utilizado também algumas cartas de Alexandre, às quais tinha acesso, bem como os “Feitos de Alexandre” de Calístenes, a “História de Alexandre” de Clitarco e de Carés de Mitilene, as memórias de Ptolemeu I Sóter, “Sobre a Educação de Alexandre” de Onesícrito de Astipaleia, o “Períplo” de Patrocles. A avaliação de Aristóbulo como historiador depende da determinação da época em que as obras de outros autores foram escritas. Na opinião da historiadora soviética e russa Lyudmila Petrovna Marinovych, um dos principais problemas da historiografia sobre Alexandre, o Grande, é determinar qual dos autores antigos é o criador da obra original sobre Alexandre e qual é apenas um compilador das obras de seus antecessores, possivelmente com acréscimos próprios.

03

Avaliações

Eduard Schwartz descreveu Aristóbulo como um autor enfadonho e “sóbrio”, sem grande inteligência. William Woodthorpe Tarn considerava Aristóbulo um historiador veraz e bem informado. Nas obras preservadas de outros autores antigos, restaram, segundo diferentes estimativas, de 36 a 62 do livro de Aristóbulo, com base nos quais é difícil reconstruir seu conteúdo. Segundo a avaliação de historiadores contemporâneos, Aristóbulo dedicava muita atenção a digressões sobre a geografia e a etnografia dos países por onde passavam os macedônios, mais do que aos próprios acontecimentos militares. Lyudmila Petrovna Marinovych observou que Aristóbulo apresentou Alexandre como um homem digno — um jovem governante enérgico e misericordioso, que valorizava seus amigos. A imagem do “homem ideal” contrastava com a imagem de “herói” que se consolidou em torno de Alexandre. Na opinião da historiadora, “a falta de entretenimento, o estilo narrativo tranquilo, sem qualquer retórica, não atraíram para a obra de Aristóbulo, na Antiguidade, nem leitores, nem críticos, nem retóricos”.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando