Teoria da argumentação
A Teoria da Argumentação estuda como conclusões são alcançadas por meio do raciocínio lógico. Argumentar envolve apresentar afirmações com base em premissas, englobando desde o debate e a oratória até a persuasão e o diálogo. Abrange as regras de inferência, a lógica e os procedimentos aplicados em contextos artificiais e reais.
Pontos-chave
- Argumentação é o estudo de como conclusões são alcançadas através do raciocínio lógico.
- Envolve a apresentação de afirmações com base em premissas, abrangendo debate, diálogo e persuasão.
- A lógica e as regras de inferência são centrais para a argumentação.
- O estudo da argumentação é relevante em diversas áreas, como publicidade, política e direito.
- Diferentes abordagens, como a lógica informal e a análise da conversação, exploram a argumentação.
A argumentação sempre interessou áreas que envolvem a persuasão pela fala e escrita. Atualmente, ganha destaque pela influência da mídia na sociedade, que utiliza estratégias argumentativas para disseminar valores e ideias. Exemplos claros são a publicidade e o discurso político. O principal objetivo dos argumentadores é verificar a verossimilhança de um argumento, ou seja, se o objeto da argumentação está propenso a aceitá-lo.
Estrutura Interna dos Argumentos
Um argumento geralmente possui uma estrutura com pelo menos duas premissas e uma conclusão. A lógica clássica é frequentemente usada para inferir a conclusão das premissas. Um desafio surge quando as premissas são inconsistentes, pois nada pode ser logicamente inferido. Por isso, exige-se que as premissas sejam consistentes e, idealmente, o mínimo necessário para a inferência (argumentos MINCON), aplicados em direito e medicina. Outra abordagem estuda argumentos abstratos, tratando o argumento como um termo primitivo, sem analisar sua estrutura interna.
A teoria da argumentação originou-se na epistemologia (teoria do conhecimento), buscando bases para sistemas de conhecimento. Estudiosos, contudo, afastaram-se de visões filosóficas clássicas, questionando a solidez das premissas em sistemas formais. O estudo se expandiu, influenciado por Karl R. Wallace, Ray Lynn Anderson e David C. Mortensen, focando na "argumentação de mercado" (argumentos do dia a dia). Essa linha se alinhou com a sociologia do conhecimento e o pragmatismo de John Dewey e Richard Rorty, marcando a "virada linguística".
Estudiosos da comunicação (como Wayne E. Brockriede, Joseph W. Wenzel) usam o termo "argumentação", enquanto filósofos (como Ralph H. Johnson, J. Anthony Blair) preferem "lógica informal". Autores como Trudy Govier e Douglas Walton também se destacam. Conferências internacionais reúnem pesquisadores de diversas áreas. Há divergência sobre a definição de "argumento": alguns o veem estritamente como discurso escrito com premissas explícitas (Ralph H. Johnson), outros de forma mais flexível, incluindo fala e comunicação não verbal (Michael Gilbert), como em cartazes de propaganda, seguindo Stephen E. Toulmin. A maioria dos teóricos adota uma posição intermediária.
Argumentação de Conversação
Originada na sociolinguística, a Análise da Conversação, desenvolvida por Harvey Sacks, Emanuel Schegloff e Gail Jefferson, estuda o diálogo natural. Utilizando análise sequencial, suas técnicas são aplicadas por foneticistas para investigar objetivos argumentativos na linguagem falada.
Argumentação Matemática
A validade da verdade matemática é debatida. Gottlob Frege e Bertrand Russell buscaram derivar verdades matemáticas de axiomas lógicos. Um argumento matemático é válido se não puder ter premissas verdadeiras e uma conclusão falsa, testado por procedimentos de prova aceitos, como os axiomas de Peano para a Aritmética.
Argumentação Científica
Alan G. Gross, em "A Retórica da Ciência", argumenta que a ciência é fundamentalmente retórica. O conhecimento científico ganha autoridade epistêmica especial apenas quando seus métodos de verificação são confiáveis, rejeitando o fundacionalismo como base para a argumentação.
Argumentação Jurídica
Refere-se às apresentações orais de advogados a juízes ou tribunais de apelação, defendendo razões legais. Inclui resumos escritos e argumentos de encerramento, que reiteram os pontos importantes para o julgador de fato após a apresentação de provas.
Argumentação Política
Utilizada por acadêmicos, políticos e cidadãos para discutir e entender eventos políticos. A racionalidade pública é crucial, especialmente com eleitores "mal informados" que podem ser influenciados por desinformação em propaganda política. Uma pequena porcentagem de votos baseados em informações imprecisas pode alterar resultados eleitorais. Verificadores de fatos surgiram para combater essas táticas.
A psicologia investiga os aspectos não lógicos da argumentação, como a repetição de ideias, eficaz em propaganda e retórica nazista. A credibilidade e o carisma do comunicador também melhoram argumentos, conectando a argumentação à persuasão. Psicólogos como William J. McGuire estudam o silogismo como unidade básica do raciocínio, mas reconhecem a influência de variáveis psicológicas como o "wishful thinking" (pensamento desejoso), onde as pessoas tendem a acreditar no que querem ouvir ou ver, afetando a percepção de probabilidade e os resultados.
Campos de Estudo da Argumentação
Stephen E. Toulmin e Charles Arthur Willard propuseram a ideia de "campos de argumentação", expandindo a noção de jogos de linguagem de Wittgenstein. Para Toulmin, um "campo" é o contexto onde argumentos e fatos se fundamentam. Willard o vê como sinônimo de "comunidade" ou "público". G. Thomas Goodnight estudou "esferas" de argumentação. Essas teorias enfatizam que as premissas ganham significado em comunidades sociais. Os estudos de campo analisam discursos do mundo real para gerar explicações contextuais sobre argumentação, buscando teorias de "alcance médio" em vez de uma teoria única e abrangente.
Contribuições de Stephen E. Toulmin
Stephen E. Toulmin, influente filósofo, criticou o "absolutismo" (argumentos teóricos ou analíticos sem valor prático), derivado da lógica formal idealizada de Platão. Ele argumentou que muitos princípios morais tidos como universais são irrelevantes para as situações cotidianas enfrentadas pelas pessoas.


