Archaeopteryx
Archaeopteryx é um gênero fóssil de dinossauro terópode emplumado. A espécie-tipo é denominada Archaeopteryx lithographica. O gênero pode ser aportuguesado como arqueopterix ou arqueoptérix. Algumas vezes é referido pela palavra alemã Urvogel, que significa "primeira ave" ou "ave original". Viveu durante o período Jurássico em torno de há 150-148 milhões de anos, no que agora é do sul da Alemanha, quando a Europa era um arquipélago em um mar raso tropical quente, muito mais perto do equador do que é agora.
A espécie possui uma história nomenclatural complicada e disputada. Dez espécimes são conhecidos e muitos deles foram descritos como espécies distintas. Em 1861, Hermann von Meyer cunha o nome Archaeopteryx lithographica baseado em uma única pena preservada em uma placa de calcário litográfico encontrada próxima a Solnhofen. No mesmo ano, o primeiro espécime parcial foi encontrado próximo a Langenaltheim. Johann Andreas Wagner descreve o espécime apenas como Griphosaurus, sem designar um epíteto específico. O espécime é então vendido ao Museu de Londres e Henry Woodward numa nota prévia afirma que o espécime recém chegado será descrito por Richard Owen como Griphornis longicaudatus, assim como também cria o epíteto problematicus para o Griphosaurus de Wagner. Owen abandona o nome inicialmente proposto e descreve o espécime como Archeopteryx [sic] macrurus. Em 1897, Wilhelm Barnim Dames descreve um segundo espécime encontrado próximo a Eichstätt como Archaeopteryx siemensii, posteriormente em 1921, Bronislav Petronievics recombina a espécie para Archaeornis siemensii. Petronievics, no mesmo artigo, se refere ao exemplar de Londres como Archaeopteryx oweni, sem nenhuma justificativa para a criação desse novo nome.
Sinonímia e combinações
Os últimos quatro táxons podem ser considerados como gêneros e/ou espécies válidos.
Posição filogenética
A paleontologia moderna tem consistentemente posicionado o Archaeopteryx como a ave mais primitiva, mas não como um ancestral direto das aves modernas, mas um parente próximo aos ancestrais. Lowe (1935) e Thulborn (1984) questionaram o Archaeopteryx como a primeira ave verdadeira, e sugeriram que se tratava de um dinossauro que não era mais relacionado com as aves do que qualquer outro grupo de dinossauros. Kurzanov (1987) sugeriu que o Avimimus era o ancestral mais provável de todas as aves que o Archaeopteryx. Barsbold (1983) e Zweers e Van den Berge (1997) notaram que muitas linhagens de Maniraptora eram extremamente parecidos com aves, e sugeriram que diferentes grupos de aves podem ter descendido de diferentes ancestrais dinossauros. A descoberta do Xiaotingia em 2011 levou a novas análises filogenéticas que acharam o Archaeopteryx como um Deinonychosauria ao invés de um Avialae, e sendo assim não sendo uma ave, sob a definição mais comum.
Dez espécimes com variados graus de preservação e uma pena geralmente atribuída a mesma espécie são conhecidos. Todos os restos fósseis foram encontrados em depósitos calcários do Jurássico Superior próximos as cidades de Solnhofen, Eichstätt e Langenaltheim, na Baviera. A descoberta inicial, uma única pena, foi encontrada em 1860 ou 1861 nas pedreiras calcárias de Solnhofen e foi descrita por Christian Erich Hermann von Meyer em 1861. Uma das partes da impressão calcária se encontra no Museu Humboldt für Naturkunde em Berlim, e a outra metade no Museu Paleontológico de Munique. A pena, geralmente atribuída ao Archaeopteryx, foi o holótipo inicialmente proposto para a espécie. Há algumas indicações de que a pena não seja de fato do mesmo animal devido a diferenças na morfologia e preservação quando comparada com os demais exemplares, podendo pertencer a outra espécie ainda não conhecida.
Os calcários litográficos são depósitos de carbonatos formados no período Jurássico Superior do final do Kimmeridgiano ao Tithoniano. Esse tipo de calcário pode ser encontrado em três formações geológicas, na formação Rögling do Kimmeridgiano Superior, e nas formações Solnhofen e Mörnsheim, ambas do Tithoniano Inferior. Os calcários litográficos de Solnhofen situam-se no estado alemão da Baviera, entre as cidades de Nuremberg e Munique. A denominação "fóssil de Solnhofen" indica qualquer espécime proveniente dos calcários do Jurássico Superior do sul da Baviera, podendo ser de afloramentos diferentes e ter idade geológica ligeiramente diferente. Os espécimes de Archaeopteryx foram descobertos principalmente na formação Solnhofen, com apenas um espécime proveniente da formação Mörnsheim. A longa extração de calcário na formação Solnhofen gerou uma coleção de fósseis bem conservados da flora e da fauna marinha e continental rica em diversidade.
O Doutor Alan Feduccia escreveu um artigo demonstrando que os dedos dos pássaros são muito diferentes dos dedos dos dinossauros. Feduccia demonstrou em um artigo seu que os dedos dos dinossauros possuem o padrão 123, ou seja, o polegar e os outros dois dedos próximos. Já os pássaros possuem o padrão 2,3,4 tendo o polegar elevado. Esta é uma grande dificuldade já que demonstra um sério problema para que uma espécie seja descendente da outra. O artigo dele é de abril de 1999 e Feduccia pertence ao Departamento de Biologia, University of North Carolina, Chapel Hill, NC. Allan Feduccia ainda disse em seu livro: The Origin and Evolution of Birds, Yale University Press, 1999, p. 81 – “Most recent workers who have studied various anatomical features of Archaeopteryx have found the creature to be much more birdlike than previously imagined," e ainda "the resemblance of Archaeopteryx to theropod dinosaurs has been grossly overestimated.” Ou seja, trabalhos recentes demonstraram que, ao se estudarem várias características anatômicas do Archaeopteryx, que esta criatura seria muito mais semelhante a um pássaro do que antes se imaginava. E ainda que a semelhança entre o Archaeopteryx e os dinossauros terópodes havia sido grosseiramente superestimada.


