Arbogasto
Flávio Arbogasto foi um oficial de origem franca, ativo sob os imperadores Graciano (r. 367–383) Valentiniano II (r. 375–392) e Teodósio I (r. 378–395). Iniciou sua carreira como general de Graciano, quando foi enviado ao Oriente para ajudar Teodósio em sua luta contra os tervíngios de Fritigerno. Com o assassinato de Graciano, Arbogasto perde posição na corte ocidental, posição essa que só readquiriria com a morte de Magno Máximo (r. 383–388), quando foi enviado para executar seu filho Flávio Vitor (r. 378). Em seguida, tornar-se-ia o poder atrás do trono de Valentiniano II ao ser nomeado mestre dos soldados na presença e manteve-se assim até o assassinato ou suicídio do imperador em 392, quando nomeou meses depois Eugênio (r. 392–394) como sucessor. Manteve posição proeminente até sua morte na Batalha do Frígido.
Origens
Heinzelmann e Zöllner propuseram que Arbogasto pode ser identificado com Arogasto (em latim: Arogastes), indivíduo que participou na confecção da lei sálica, a base do direito franco. Arbogasto era um franco, sobrinho de Ricomero, e residiu dentro do domínio franco da Galácia Menor; foi erroneamente descrito por João Antioqueno como filho de Bautão. Seu nome germânico, *Arwagastiz, é conhecido; deriva de arwa- "herdeiro; herança" e gastiz "convidado, espírito". Ele ingressou no exército imperial como conde sob o imperador Graciano (r. 367–383), filho de Valentiniano I (r. 364–375) e irmão mais velho de Valentiniano II (r. 375–392). Pouco depois de sua indução no exército, fez um nome para si como extremamente comandante de campo extremamente eficiente e leal. Em 380, Graciano enviou-o com seu mestre dos soldados Bautão para ajudar Teodósio I (r. 378–395) contra os tervíngios e seu líder Fritigerno após pilharam e saquearem áreas da Macedônia e Tessália em 379-380. Os exércitos ocidentais, comandados por Bautão e Arbogasto, e os orientais comandados por Teodósio com sucesso empurraram Fritigerno para fora da Macedônia e Tessália em direção a Trácia e Mésia Inferior, onde seus raides começaram, e estabeleceram um tratado de paz com os tervíngios em 382.
Ameaça e execução de Máximo
Uma luta pelo poder eclodiu entre Graciano e Magno Máximo, o que teve como consequência o assassinato do primeiro em 383. Máximo tomou controle dos domínios do falecido imperador e enviou uma embaixada a Teodósio, que reconheceu-o coimperador. Quatro anos depois (387), Máximo invadiu a Itália procurando controle político sobre todo o império, o que incitou Teodósio a reunir seus exércitos disponíveis, incluindo godos, hunos e alanos, junto com seus comandantes Arbogasto e Ricomero para acabar com a autoridade crescente de Máximo. A campanha contra Máximo chegou ao fim apenas um ano depois quando Máximo foi derrotado em Petóvio pelos exércitos de Teodósio e retirou-se aos Alpes Julianos em direção a Aquileia, onde acreditou que estaria seguro até seus reforços chegarem. Isso não foi o caso. Máximo rendeu-se a Teodósio e foi executado em 28 de agosto com sua cabeça sendo conduzida através das províncias. Após a execução de Máximo, Arbogasto, que à época tinha o título de mestre da infantaria do Ocidente, foi enviado para Augusta dos Tréveros (atual Tréveris) por Teodósio de modo a assassinar Vitor, o filho de Máximo e herdeiro ao trono no Ocidente. Isso foi feito com facilidade em nome de Arbogasto e com a deposição de Máximo e Vitor, Teodósio foi capaz de capaz de dar o controle do Ocidente para Valentiniano. Ao mesmo tempo, contudo, Valentiniano era muito jovem para governar o Império do Ocidente a partir da Itália sozinho, então Teodósio ficou na Itália para conduzir os assuntos civis e políticos do começo de seu reinado de 388 a 391, quando partiu para Constantinopla. Nesse tempo, Arbogasto foi promovido a mestre dos soldados e deixado no Ocidente para olhar Valentiniano depois que se mudaram para Viena.
Arbogasto e Valentiniano II
Durante a regência, a relação deles logo foi alvo de controvérsia, pois logo após ser reconhecido como imperador, tornou-se títere de Arbogasto. Após ser nomeado por Teodósio o único mestre dos soldados na presença, a autoridade de Arbogasto sobre as províncias ocidentais, sobretudo Gália, Hispânia e Britânia, parece ter sido absoluta, com ele respondendo apenas Teodósio. Mas Arbogasto foi incapaz de conseguir controle daqueles territórios em seu nome e teve de fazê-lo em nome de Valentiniano devido a sua ascendência bárbara. Por volta de 391, Valentiniano estava isolado em Viena, seu estatuto foi essencialmente reduzido ao de cidadão privado, e o controle dos exércitos ocidentais pertencia aos mercenários francos leais a Arbogasto. Além disso, a corte estava cheia de homens leais a Arbogasto, pois havia colocado-os em posições favoráveis. Durante esse tempo, Arbogasto se tornou consideravelmente violento para com Valentiniano e seus conselheiros, inclusive tendo matado Harmônio, um amigo do imperador que foi acusado de aceitar propinas, aos pés de Valentiniano em 391. Nesse ponto, Valentiniano reconheceu a extensão da autoridade de Arbogasto, e com ele aparentemente expressando sua autoridade sobre Valentiniano à vontade, o imperador começou a enviar mensagens secretas para Teodósio e Ambrósio, o bispo de Mediolano, solicitando que viessem ajudá-lo, e mesmo pediu o batismo para Ambrósio pelo temor de sua morte nas mãos de Arbogasto estar mais próxima do que esperava.
Arbogasto e Eugênio
Sejam verdadeiros ou não rumores em torno da morte de Valentiniano, Eugênio foi eleito o próximo imperador em agosto de 392, uma troca de regime considerada "legítima, legal, romana e civilizada". Depois disso, um dos primeiros atos de Arbogasto foi viajar além da fronteira do Reno para vingar-se dos francos e seus régulos Sunão e Marcomero, que saquearam as regiões ao norte do Reno durante o ano anterior enquanto o Ocidente ainda estava sob controle de Valentiniano. Ao lançar essa campanha, que encontrou pouca oposição, Arbogasto foi bem-sucedido em restaurar a cidade fortaleza de Colônia, retornando à cidade sua proteção como uma localização estratégica, que em 393, foi a última vez que o exército romano ocupou a margem oriental do Reno. Além disso, Arbogasto foi capaz de concluir tratado de paz com os francos que forneceu ao exército novos recrutas francos, algo considerado uma grande realização por Arbogasto.
Segundo a Antologia Latina, Arbogasto deixou descendentes em Augusta dos Tréveros (atual Tréveris), mas a fonte não indica nomes. Segundo Paulino de Mediolano, era pagão zeloso, embora fosse amigo de Ambrósio. Segundo Zósimo, tanto Bautão como Arbogasto, eram francos, excepcionalmente bem dispostos com os romanos e completamente imunes a propinas, e notáveis quanto à guerra no cérebro e nos músculos. Além disso, "aos soldados sob seu comando parecia como um sucessor apropriado, pois era bravo e experiente na guerra e desdenhoso de dinheiro. E então chegou a grande poder, tanto que na presença do imperador falou com muita liberdade, e vetou ações que jugou estarem erradas ou impróprias [...] pois Arbogasto foi apoiado pelo boa vontade de todos os soldados." Gerard Friell afirmou que ele "era um comandante militar de primeira classe com uma bom recorde, muito popular com o exército e totalmente leal às casas de Valentiniano e Teodósio.", enquanto para Thomas Hodgkin "era [...] não somente intrigante como Máximo, mas um soldado bravo e bem treinado, provavelmente o melhor general do Império Romano".


