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Manuel de Araújo Porto-Alegre

Manuel José de Araújo Porto-Alegre, primeiro e único barão de Santo Ângelo, foi um escritor, político, jornalista, pintor, caricaturista, arquiteto, crítico e historiador de arte, professor e diplomata brasileiro.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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Biografia

Era filho do comerciante Francisco José de Araújo e de Francisca Antônia Viana. Seu nome de batismo era Manuel José de Araújo, modificado para Pitangueira por espírito nativista, quando da Independência e, mais tarde, chegando à forma definitiva: Manuel de Araújo Porto-Alegre. Perdeu o pai com cinco anos, e sua mãe casou com o comerciante Antônio José Teixeira de Macedo, que providenciou a primeira educação do menino. Aprendeu latim, francês, filosofia, geometria e álgebra. Começou a trabalhar como ourives, onde logo se destacou pelo seu refinado gosto artístico. Porto-Alegre estudou pintura inicialmente com o francês François Thér e com os cenógrafos Manuel José Gentil e João de Deus. Mudou para o Rio de Janeiro em janeiro de 1827, para matricular-se na Real Academia Militar. Estando, porém, a escola fechada, em férias, e como tinha noções de pintura e desenho, matricula-se na Academia Imperial de Belas Artes, na qual foi aluno de Jean Baptiste Debret. Estudou filosofia com o padre Francisco José Policarpo, anatomia e a fisiologia com o Dr. Cláudio Luís da Costa, e dissecou no Hospital de Santa Clara para o estudo do corpo humano. Em 1830 recebeu prêmios em pintura, arquitetura e escultura no primeiro Salão oficial da Academia. Um retrato que havia feito do imperador causou tão boa impressão que Porto-Alegre foi requisitado para retratar todos o membros da família imperial, mas a encomenda foi abortada pela abdicação de D. Pedro em abril de 1831.

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Arte, história e a construção da nação

Aluno dos neoclássicos Debret e Grandjean de Montigny, no entanto estudou também no atelier de Antoine-Jean Gros e frequentou o Instituto Histórico de Paris, deixando-se influenciar por esses círculos, que reuniam grande parte da geração romântica parisiense, interessando-se por filosofias idealistas, historicistas e ecléticas. Era um apreciador do gótico e desde seu retorno ao país se envolveu no processo de fundação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Incentivado por Debret, passou a pesquisar os arquivos das igrejas fluminenses em busca de documentos que pudessem embasar seu projeto de escrever uma história da arte brasileira do período colonial. A palestra sobre a arte colonial que publicou em 1832 no Journal de l'Institute Historique, sob o título de "Etat des Beaux Arts au Brésil", inaugurou a reflexão teórica sobre arte no país. Na mesma revista publicou em 1839 o "Resumo da história da literatura, das ciências e das artes no Brasil", escrito em conjunto com Gonçalves de Magalhães e Torres Homem, já publicado na Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil de Debret. Este e o artigo "Memória sobre a Antiga Escola de Pintura Fluminense", que publicou em 1841 na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, são os primeiros ensaios sobre a história das belas artes brasileiras.

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Literatura

Ajudou Gonçalves de Magalhães e Francisco de Sales Torres Homem na criação da Nitheroy, revista brasiliense, em 1836; com eles fundou a revista Minerva Brasiliense, e com Joaquim Manuel de Macedo e Gonçalves Dias fundou a revista Guanabara, em 1849, que abrigaram a primeira geração do Romantismo no Brasil. Os títulos dessas revistas evidenciam a associação entre Romantismo e nacionalismo, representando o período de tomada de consciência do que havia de peculiar nos brasileiros e de cultivo do patriotismo. Porto-Alegre escreveu em um dos editoriais: "Seremos uma nação na América, porque teremos uma fé robusta e com ela a indeclinável esperança que traz toda a convicção profunda, todo o amor de pátria e todas as virtudes da razão social". Colaborou com os jornais Reforma e o Jornal dos Debates. Ligada à sua atividade na imprensa está sua produção como caricaturista. Porto-Alegre foi o primeiro artista a publicar uma caricatura no Brasil, em 1837. Entre 1837 e 1839, de volta de sua viagem à Europa, Manuel de Araújo Porto-Alegre produziu uma série de litografias satíricas que eram vendidas em unidades separadas nas ruas do Rio de Janeiro. A primeira, intitulada A campainha e o cujo, circulou em 14 de dezembro de 1837, vendida por 160 réis, mas não fora assinada (sua autoria só seria reconhecida posteriormente) e apresentava Justiniano José da Rocha, diretor do jornal Correio Oficial, ligado ao governo, recebendo um saco de dinheiro.

Brasilianas

Brasilianas é uma coleção de poemas publicados antes na revista Minerva Brasiliense: Brasiliana, 1843; O caçador, 1843; Brasiliana, 1844; O voador, 1844; A destruição das florestas - Brasiliana em três cantos, 1845 e O Corcovado, 1847. O tema nativista/nacionalista é predominante, especialmente o canto da terra, do povo e da natureza brasileiras, sendo também uma das primeiras publicações românticas do Brasil. Para Bruno Colla, num momento histórico em que "era preciso romper com os modelos coloniais portugueses e buscar, ou mesmo criar novas formas de representação", foi com o Romantismo que os temas nacionalistas propostos pelo momento ganharam forma literária, contribuindo para legitimar o fato político recente do Império independente, onde seus cidadãos não mais podiam, como costumeiramente fizeram, considerar-se europeus ou portugueses. Dedicou a coleção a D. Pedro II, a quem reconhecia como dirigente sábio e visionário, que conduziria o país à prosperidade e à grandeza.

Colombo

Colombo é um épico nacionalista e pan-americanista, tem um prólogo e quarenta cantos e trata do descobrimento da América, tendo como protagonista o navegador Cristóvão Colombo. Seu primeiro biógrafo, Antônio Xavier Rodrigues Cordeiro, foi entusiástico na louvação de Porto-Alegre como um gênio multifacetado e autor de um legado digno de lembrança em vários domínios, mas não se furtou de observar deficiências no Colombo, e justamente porque a própria dispersão do autor entre diferentes assuntos e projetos roubava-lhe o tempo e a ponderação necessários para o amadurecimento da sua veia poética. Era uma peça longa demais; com cerca de 22.400 versos, tinha mais que o dobro que Os Lusíadas; era também "um pouco pesada; desenvolve quadros que podem considerar-se alheios ao assunto ou que o assunto dispensava; é muitas vezes um pouco metafísica e difusa no dizer", e no final o épico não correspondia completamente à grandeza do assunto de que tratava. Mesmo assim, via Colombo como sua obra-prima, colocava-o entre as grandes produções poéticas do século em língua portuguesa, hábil no domínio da palavra, capaz de extrair dela muitas belezas, e "que grandeza de plano, que talento, que erudição e que harmonia de versos!"

Outras obras

Além dessas obras, deixou uma vasta produção escrita em vários gêneros, podendo ser citadas, entre muitas outras:

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Legado

Envolvido em polêmicas diversas vezes, em sua morte seus obituários reconheciam ao mesmo tempo sua grandeza e versatilidade, e sua natureza irrequieta e inquisitiva. Em 1884 Antônio Xavier Rodrigues Cordeiro publicou um ensaio biográfico no Novo Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro, que circulou amplamente em todo o mundo lusófono e foi um marco na sua canonização na história da pintura e da literatura do Brasil. Personalidade influente em seu tempo, muito ativo nas duas mais importantes instituições culturais do Império, a Academia (professor e primeiro diretor brasileiro) e o IHGB (orador oficial por 14 anos, secretário e vice-presidente), um dos principais porta-vozes do programa de criação de uma imagem e uma identidade para o Império, intelectual multifacetado, deixou um legado que transita em múltiplas frentes, da teoria à prática da arte, da música à história, da literatura épica e apologética à sátira e à crítica, da política à economia e à educação. Para o crítico Paulo Gomes, "sua importância no desenvolvimento das artes plásticas e da literatura no Brasil Imperial é inquestionável. Intelectual de primeiríssima linha, um homem de mil instrumentos, [...] ele avulta como um empreendedor afoito e arrojado e um intelectual de visão ampla e generosa". Nas palavras de Valéria Lima,

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Distinções e homenagens

Titulado barão de Santo Ângelo, era também grande dignitário da Ordem da Rosa, cavaleiro da Ordem de Cristo, comendador supranumerário da Ordem de Carlos III de Espanha, Cruz de Ferro de segunda classe, membro honorário do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, sócio do Instituto Histórico da França, da Academia da Arcádia, da Academia de Belas Artes de Paris, do Instituto Nacional de Washington, correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa, e membro de diversas outras sociedades artísticas, científicas e literárias. Seus restos mortais foram repatriados em 2 de janeiro de 1930, sendo homenageado por cinco dias no Salão de Honra da Prefeitura de Porto Alegre, e depois sepultado definitivamente em Rio Pardo. Em 1943 o Instituto de Belas Artes batizou sua coleção artística como Pinacoteca Barão de Santo Ângelo. Em 1956, no sesquicentenário de seu nascimento, a Secretaria da Educação de Porto Alegre organizou eventos em sua homenagem. Em 1979 uma extensa programação celebrou os cem anos de sua morte.

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