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Ara guadeloupensis

Ara guadeloupensis é uma espécie hipotética extinta de arara que pode ter sido endêmica da ilha de Guadalupe, no Caribe. Apesar da ausência de espécimes conservados, muitos detalhes sobre a arara são conhecidos a partir de relatos de viajantes europeus que visitaram o Novo Mundo. A ave pode ainda ter sido retratada em algumas ilustrações. Com base nessas antigas descrições, o zoólogo Austin Hobart Clark descreveu cientificamente a espécie em 1905, mas devido à falta de restos físicos, bem como à possibilidade de que as menções se refiram a araras do continente levadas a Guadalupe, foram levantadas dúvidas sobre a existência desta espécie. Um osso da falange achado na ilha Marie-Galante em 2015 confirmou que uma arara de tamanho similar habitou a região antes da chegada dos seres humanos. Tal material foi apontando como pertencente a uma Ara guadeloupensis.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Taxonomia

Ara guadeloupensis é uma espécie relativamente bem documentada em comparação com a maioria das outras araras extintas do Caribe, uma vez que foi mencionada e descrita em vida por vários autores. A primeira menção foi, provavelmente, redigida pelo historiador espanhol Gonzalo Fernández de Oviedo em 1553, referindo-se a um relato de 1496 feito por Fernando Colombo, que escreveu sobre papagaios da ilha de Guadalupe que eram tão grandes quanto galinhas e que os nativos chamavam de "Guacamayas". Em 1774, o conde de Buffon também afirmou que Cristovão Colombo havia encontrado araras nessa mesma ilha. Jean-Baptiste Du Tertre forneceu as primeiras descrições detalhadas em 1654 e 1676, e ilustrou a ave e outros animais encontrados em Guadalupe, parte do arquipélago das Pequenas Antilhas. Quase um século mais tarde, em 1742, o francês Jean-Baptiste Labat também descreveu a arara. Em 1905, com a ave já extinta, o zoólogo norte-americano Austin Hobart Clark cunhou o nome científico Ara guadeloupensis, baseado nos relatos antigos, e também citou uma gravura colorida de 1765 como possivelmente retratando esta espécie. Ele escreveu que a ave encontrada em Guadalupe tinha várias características diferentes de outras araras parecidas, tais como a araracanga (Ara macao), a arara-vermelha (Ara chloropterus) e a arara-vermelha-de-cuba (Ara tricolor). O ornitólogo James Greenway afirmou que as araras vistas em Guadalupe podem ter sido importadas por indígenas para a ilha a partir de outros lugares, mas isso é impossível de se provar. De acordo com o paleontólogo Julian Hume, sua semelhança com a araracanga indica que elas são parentes próximas, e que a espécie de Guadalupe pode ter descendido da arara do continente. Greenway acredita que a araracanga e a arara-vermelha-de-cuba formaram uma superespécie com a Ara guadeloupensis e outras espécies hipotéticas extintas sugeridas para a Jamaica e a ilha Hispaniola.

Parentes extintos do Caribe

Sabe-se hoje que araras eram transportadas entre as ilhas do Caribe e o continente sul-americano, tanto em tempos históricos por europeus e nativos, como em tempos pré-históricos por paleoamericanos. Os papagaios foram importantes na cultura dos indígenas caribenhos: eram comercializados entre as ilhas e estavam entre os presentes oferecidos a Cristóvão Colombo quando ele chegou às Bahamas em 1492. Por conta disso, é difícil determinar se os numerosos registros históricos mencionam espécies distintas de araras endêmicas, uma vez que podem ter sido indivíduos ou populações selvagens de araras exóticas transportadas de seu local de origem para diversas outras ilhas. Acredita-se que cerca de treze espécies de araras extintas viveram nas ilhas caribenhas até recentemente. Além da Ara guadeloupensis, apenas outras duas espécies de araras endêmicas do Caribe são conhecidas a partir de restos físicos; a existência da arara-vermelha-de-cuba foi confirmada através de subfósseis e dezenove peles que hoje estão em museus, e a arara-de-santa-cruz graças a subfósseis. Nenhuma arara endêmica do Caribe sobreviveu até os dias atuais; elas provavelmente foram levados à extinção por seres humanos em tempos históricos e pré-históricos.

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Descrição

Ara guadeloupensis foi descrita como tendo coloração semelhante à araracanga, mas com as penas da cauda mais curtas, medindo entre 38 e 51 cm de comprimento. As penas da cauda da araracanga podem chegar a 61 cm de extensão e suas extremidades são azuis, e as penas que recobrem a cauda são quase inteiramente dessa cor. Apesar da cauda menor, não se sabe exatamente se Ara guadeloupensis era menor que a araracanga no tamanho total, pois as proporções relativas das partes do corpo variam entre as espécies de araras. As penas da cauda eram mais longas que as da arara-vermelha-de-cuba, que mediam apenas 30 cm de comprimento. A morfologia da falange fóssil encontrada na ilha Marie-Galante era mais parecida com o segundo ou terceiro ungueal da araracanga, embora ligeiramente menor, com 15,3 mm contra 15 a 17 mm. Jean-Baptiste Du Tertre descreveu a Ara guadeloupensis em 1654 da seguinte maneira: A arara é o maior de todos os papagaios da tribo; pois embora os papagaios de Guadalupe sejam maiores que todos os outros papagaios, tanto os das ilhas como os do continente, as araras são um terço maiores do que eles... A cabeça, pescoço, traseira, e dorso são da cor do fogo. As asas são uma mistura de amarelo, azul e escarlate. A cauda é totalmente vermelha, com um pé e meio de comprimento.[nota 1]

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Comportamento e ecologia

Du Tertre escreveu um relato detalhado sobre o comportamento da Ara guadeloupensis em 1654: Esta ave sobrevive com bagas, e com frutos de certas árvores, principalmente as maçãs da mancenilheira (!), que são um veneno cáustico e potente para outros animais. É a visão mais linda do mundo apreciar dez ou uma dúzia de araras numa árvore verde. Sua voz é alta e penetrante, e elas sempre gritam quando voam. Se alguém imita seu chamado, elas param. Elas têm um comportamento honrado e solene; e não chegam nem perto de se assustar com vários tiros disparados em direção a árvore onde estão empoleiradas, elas fitam suas companheiras que caem mortas no chão sem nem se incomodarem, de modo que é possível disparar cinco ou seis vezes em direção a mesma árvore sem que elas pareçam amedrontadas.[nota 4] Na sua obra de 1667, Du Tertre fez um relato semelhante, e disse também que a arara comia os frutos venenosos da mancenilheira somente quando havia escassez de alimentos. Ele também descreveu seu comportamento reprodutivo:

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Extinção

Em 1534, Johann Huttich escreveu que as florestas de Guadalupe estavam cheias desta arara, que aparentemente era tão abundante como gafanhotos, e os nativos da ilha a cozinhavam junto com carne humana e de outras aves. Em 1654, Du Tertre afirmou que a carne era ruim para comer e que alguns a consideravam intragável e até mesmo venenosa. O francês escreveu que muitas vezes ele e os outros habitantes da ilha consumiram a carne, e que ela nunca lhe trouxe problemas de saúde. Também afirmou que os nativos usavam as penas como decoração para a cabeça e atravessando o septo do nariz, como se fossem "bigodes". Ele descreveu como a ave era caçada pelos nativos: Os nativos fazem uso de um estratagema para pegá-las vivas; eles ficam esperando por uma chance de encontrá-las no chão, comendo algum fruto que tenha caído das árvores, quando se aproximam silenciosamente sob a copa das árvores, em seguida, todos ao mesmo tempo correm para a frente, batendo palmas e enchendo o ar com gritos capazes não só de confundir as aves, mas de aterrorizar a mais corajosa. Em seguida, as pobres araras, surpresas e distraídas, como se tivessem sido atingidas por um raio, perdem sua habilidade com as asas, e, fazendo da necessidade uma virtude, se jogam sobre suas costas e assumem a defesa com as armas que a natureza lhes deu - seus bicos e garras - com os quais elas se defendem tão bravamente que nenhum dos nativos se atreve a colocar sua mão sobre elas. Um dos nativos traz consigo uma vara grande e a coloca sobre a barriga da ave, que a segura com o bico e as garras; mas enquanto ela está ocupada em mordê-la, os nativos a amarram tão habilmente à vara que eles podem fazer o que quiser com ela...[nota 6]

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Fontes consultadas

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