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Apulcro de Castro

Apulco de Castro Na grafia original da época: "Apulcho". Ele mesmo usou Apulcho, mas nunca Apulcro. foi um jornalista brasileiro, assassinado por oficiais do Exército por supostamente atacar a honra de um deles.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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O "linchamento" por militares do Exército Brasileiro

Hermeto Lima traz um relato pontual (em domínio público) sobre os fatos que desencadearam a morte de Apulco:[nota 2] Sobre a participação de Antônio Moreira César naquilo que qualificou de "linchamento", Euclides da Cunha registrou que as críticas ao exército feitas por Apulco selaram-lhe a sentença de morte: "...e tendo respingado sobre o Exército parte das alusões indecorosas, que por igual abrangiam todas as classes, do último cidadão ao monarca, foi infelizmente resolvido por alguns oficiais, como supremo recurso, a justiça fulminante e desesperadora do linchamento. E entre os subalternos encarregados de executar a sentença — em plena rua, em pleno dia, diante da justiça armada pelos Comblains de toda a força policial em armas — figurava, mais graduado, o capitão Moreira César, ainda moço, à volta dos trinta anos, e tendo já em seus assentamentos, averbados, merecidos elogios por várias comissões exemplarmente cumpridas. E foi o mais afoito, o mais impiedoso, o primeiro talvez no esfaquear pelas costas a vítima, exatamente na ocasião em que ela, num carro, sentado ao lado de autoridade superior do próprio Exército, se acolhera ao patrocínio imediato das leis...". Como "punição", Moreira César recebeu uma mera transferência, segundo registrou Cunha: "O crime acarretou-lhe a transferência para Mato Grosso, e dessa Sibéria canicular do nosso Exército tornou somente após a proclamação da República".

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Reação popular e impunidade

A população, que adquiria o "Corsário" em peso pela curiosidade de saber os escândalos da Corte, revoltou-se; entre os dias seguintes (26 a 28 de outubro) atacou os postos policiais com paus e até armados com revólveres. No dia 27 o governo, a fim de arrefecer os ânimos, demitira o chefe de polícia, Belarmino da Gama e Melo, nomeando para seu lugar a Tito Augusto Pereira de Matos, que abriu um inquérito para apurar o crime, não conseguindo, entretanto, apontar um culpado sequer. No dia 28 fora divulgada a autópsia realizada no cadáver, constatando-se que Apulco recebera dez ferimentos punctóricos (dos quais dois penetraram a região torácica), cinco incisivos e um por arma de fogo, bem como três contusões; apenas seis dos ferimentos foram na frente da vítima, todos os demais por trás.

Relação com o abolicionismo e reação à morte de um negro

O memorialista alemão Carl von Koseritz, em sua obra "Imagens do Brasil" de 1885, registrou: "(alguns dias depois do linchamento) ao cair do crepúsculo, grandes quantidades de capoeiras (negros escravos amotinados) e semelhantes ‘indivíduos catilinários’ se reuniram na praça de São Francisco e começaram, ali e na rua do Ouvidor, a apagar os bicos de gás, e, logicamente, a destruir os lampiões, enquanto gritavam alto e bom som "Viva a Revolução" (…) o Rio tem nos seus capoeiras um mau exemplo e deles se aproveita a propaganda revolucionária dos abolicionistas, sublevando os homens de cor pela morte do negro Apulco (…)". Em 1884, oculto sob o pseudônimo de "Veritas", uma ameaça foi publicada "Aos Srs. abolicionistas"; dizia o texto indignado com o movimento abolicionista: "Todo o município neutro está estupefato de vossa «filantropia Proteção e Zelo pelos escravos» e perseguição às famílias!! (...) As famílias não sabem hoje se amanhã terão quem as sirva, vendo afastarem-lhe seus escravos" e logo profere a ameaça: "Caminhai Srs. das comissões ilegais, porque como os vossos clubes, outros se preparam para vos julgar, e a sua sentença de condenação será inevitável e cruelmente executada! Desta forma recebereis assim o prêmio a que tendes direito como recebeu o grande Apulco de Castro...".[nota 3]

Exumação e processo

O então auxiliar da Promotoria, João Baptista de Sampaio Ferraz, acusou a Polícia imperial pelo homicídio e o conselho de ministros o acusa de conspirar pela república; este então solicita nova autópsia e a exumação da qual participara o médico Barata Ribeiro, que desmaiou com o cheiro; Sampaio Ferraz então puxou o cadáver e determinou que se lhe fizesse a necrópsia, que confirma suas afirmações; o próprio Imperador Pedro II intervém, pedindo moderação aos seus ministros. O inquérito então realizado pelo segundo delegado Teodoro Macedo Sodré se faz com a colheita de bastante provas, e foram indiciados onze militares pelo crime; foram denunciados, contudo, além de Moreira César, então capitão do 19º Batalhão de Infantaria: Bento Ferraz Gonçalves, tenente do mesmo 19º BI; dois alferes do 1º Regimento de Cavalaria Ligeira; Antônio Manuel de Aguiar e Silva e Isnard Caetano Pereira do Lago.

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Opiniões primitivas

Já na época Ruy Barbosa defende o amigo e partidário junto ao Partido Liberal, o chefe do ministério Lafayette, a quem a oposição acusava de estar envolvido o seu governo com a morte de Apulco. Lafayette Rodrigues Pereira, sob pseudônimo de "Labieno" escreveu artigos no Jornal do Commercio por volta de 1898; num destes atacou ao crítico literário sergipano Sílvio Romero que, mais tarde, respondeu-lhe: "Bem se vê que não conto nesse número o miserável e torpe covarde que escreveu contra mim umas infames e imundas sandices ultimamente no Jornal do Commercio com o pseudônimo de Labieno (...) a este desgraçado cultor do pode ser que sim pode ser que não, vulgarizador do rabinismo de Granada[nota 4] e um dos responsáveis pelo assassinato de Apulco de Castro, não o respondi por o achar muito abaixo da crítica". Vários autores condenaram, ao longo do tempo, o papel de Castro na imprensa, mesmo quando narravam o crime brutal do qual fora vítima; Escragnolle Doria em 1924 escreveu: "A questão do elemento servil foi a esfinge dos presidentes do conselho Martinho Campos, Paranaguá e Lafayette, este a braços com o incidente cadaveroso de Apulco de Castro, apunhalada a lei no assassinato de um nocivo desgraçado".

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