Antônio Moreira César
Antônio Moreira César foi um militar brasileiro. Atingiu o posto de coronel no Exército Brasileiro, na arma de infantaria.
Nomeou seus pais, em sua Fé de Ofício,[nota 1] como sendo desconhecidos ou incógnitos. Sabe-se, contudo, que ele era filho do padre Antônio Moreira César de Almeida (1814 - 1860) e de Francisca Correia de Toledo (1818 - 1895), falecida solteira e irmã de Maria Bernardina Correia de Toledo, que foi casada com o capitão Bento Moreira César de Almeida, irmão do mencionado padre.
O assassinato de Apulcro de Castro (1883)
Apulcro de Castro era redator-responsável do jornal "Corsário" e foi assassinado por um grupo de militares na rua do Lavradio, no centro da cidade do Rio de Janeiro. Anos mais tarde, Euclides da Cunha registrou à página 297 de "Os sertões" (1ª ed.) o episódio, que envolveu o jovem Moreira César: Assim se fez. E entre os subalternos encarregados de executar a sentença figurava, mais graduado o capitão Moreira Cesar, ainda moço, à volta dos 30 anos, e em cujos assentamentos havia já, averbados, merecidos elogios por várias comissões exemplares cumpridas. E foi o mais afoito, o mais impiedoso, o primeiro talvez no esfaquear pelas costas a vítima, exatamente na ocasião em que ela, num carro, sentada ao lado de autoridade superior do próprio exército se acolhera ao patrocínio imediato das leis…
A sedição baiana (1891)
Em fins de 1891, no posto de tenente-coronel, Moreira César envolveu-se na derrubada do presidente da Bahia, José Gonçalves da Silva (1838 - 1911). Era então comandante do 9º Batalhão de Infantaria, em Salvador, do qual tomara posse no dia 14 de novembro daquele ano, transferido de Sergipe, onde comandara durante alguns meses o 33° Batalhão de Infantaria, estacionado em Aracaju. Como resultado da sua participação nos incidentes, veio a ocupar o cargo de chefe de polícia do Estado, função na qual se manteve de 24 de novembro a 22 de dezembro do mesmo ano.
Sublevação de Niterói (1892)
Tomou posse como comandante do 7º Batalhão de Infantaria em abril de 1892. Em dezembro do mesmo ano, o batalhão embarcou para Niterói onde se registrava uma sublevação do corpo policial, tendo sido aclamado como governador Francisco Portela, que tempos antes tinha se afastado do cargo. Os amotinados renderam-se, e o governador José Tomás de Porciúncula, reconduzido ao cargo, dissolveu a Força Pública.
A Revolta da Armada (1893 - 1894)
A Revolta da Armada foi uma rebelião iniciada por algumas unidades da Marinha do Brasil contra o governo do presidente da República, marechal Floriano Peixoto (1839 - 1895). Iniciou no Rio de Janeiro, em setembro de 1893, e estendeu-se à região Sul, debelada em março de 1894. Moreira César planejou um ataque contra a Ilha de Villegaignon e áreas ocupadas e defendidas pelos rebeldes. O 7° Batalhão de Infantaria também participou da vigilância na região do porto do Rio de Janeiro e atuou na retomada da Ilha do Governador, base logística onde os revoltosos se supriam. Tendo concluído a ocupação da Ilha do Governador, o 7° Batalhão de Infantaria ali permaneceu até 9 de fevereiro de 1894, quando recebeu ordens para regressar ao Morro de Santo Antônio, onde estava sediado. Moreira César havia passado o comando do seu batalhão ao capitão Augusto Frederico Caldwell do Couto e assumira o comando da brigada, como o faria em outras oportunidades. O batalhão ficou interinamente sob as ordens do capitão Caldwell do Couto até 19 de outubro de 1894, enquanto Moreira César permaneceu no comando das forças em operação nas ilhas de Paquetá e do Governador.
A Revolução Federalista (1893-1895)
No contexto da Revolução Federalista (Rio Grande do Sul, 1893 - 1895), o Marechal Floriano nomeou e remeteu para Santa Catarina, a 19 de abril de 1894, armado de poderes discricionários, o coronel Moreira César, que desembarcou na cidade de Desterro (atual Florianópolis) à frente de quinhentos homens do 7° e 23° Batalhões de Infantaria. No governo de Santa Catarina, Moreira César promoveu um "ajuste de contas", conforme definido pelo estudioso Oswaldo Rodrigues Cabral. Prisões e fuzilamentos sumários de militares e civis, tais como o Massacre da Ilha de Anhatomirim, foram praticados em represália à rebeldia federalista, promotora da guerra civil centralizada em Santa Catarina. Como observou o historiador catarinense Jali Meirinho "na interpretação justa forma de atos criminosos". E acrescenta: "não se concebem prisões e execuções sem julgamento". Tais execuções sumarias também ocorreram semelhantemente no Paraná (vide a morte do Barão do Cerro Azul), sugerindo que as ordens para tais vieram das altas esferas governamentais.
A campanha de Canudos (1896-1897)
No contexto à repressão ao arraial de Canudos, a chamada Campanha de Canudos, após o fracasso de duas incursões militares, o baiano Manuel Vitorino, presidente interino do Brasil, nomeou o coronel Moreira César para comandar uma terceira expedição militar. Vitorino na época era o vice-presidente da República, mas exercia interinamente a presidência no lugar de Prudente de Morais, que estava afastado por motivo de saúde. A primeira fora comandada pelo tenente Manuel da Silva Pires Ferreira (1859 - 1925), tendo sido batida em Uauá (novembro de 1896), e a segunda pelo Major-fiscal Febrônio de Brito (1850 - ?), batida, por sua vez, em Tabuleirinho (janeiro de 1897).


