António de Oliveira Salazar
António de Oliveira Salazar foi um influente nacionalista português, conhecido por liderar o regime ditatorial do Estado Novo como Presidente do Conselho de Ministros. Além de sua carreira política, foi professor catedrático de Economia Política, Ciência das Finanças e Economia Social na Universidade de Coimbra. Sua trajetória acadêmica foi marcada por um doutoramento e um grau honoris causa concedido pela Universidade de Oxford em 1940.
Pontos-chave
- Salazar foi professor de Economia e Finanças na Universidade de Coimbra.
- Assumiu a pasta das finanças em 1928, exigindo controle total sobre gastos e receitas.
- Criou a PVDE (depois PIDE/DGS), polícia política para vigilância e repressão.
- Fundou a Mocidade Portuguesa e a Legião Portuguesa para a juventude e adultos.
- Manteve Portugal neutro durante a Segunda Guerra Mundial, mas apoiou Franco na Guerra Civil Espanhola.
Aos 11 anos, Salazar ingressou no Seminário de Viseu, onde estudou por oito anos. Em 1908, vivenciou a agitação política e social do país, incluindo o assassinato do Rei D. Carlos I. Como católico, reagiu contra os republicanos jacobinos, defendendo a Igreja em artigos de jornal. Em 1910, mudou-se para Coimbra para estudar Direito, formando-se com distinção em 1914. Tornou-se assistente de Ciências Económicas em 1916 e assumiu a regência de Economia Política e Finanças em 1917, antes de se doutorar em 1918.
Em 27 de abril de 1928, Salazar reassumiu o Ministério das Finanças sob a presidência do General Óscar Carmona. Exigindo controle total sobre despesas e receitas, impôs rigorosa austeridade, aumento de impostos e congelamento salarial. Essas medidas levaram a um superávit nas contas públicas em 1928-29, sendo aclamado como "salvador da pátria" pela imprensa e reconhecido internacionalmente pela revista Time.
Em 1933, Salazar estabeleceu a PVDE (Polícia de Vigilância e Defesa do Estado), que mais tarde se tornaria PIDE e, após sua morte, DGS. Esta polícia política era responsável pela vigilância da população, expulsão de opositores, censura, controle de estrangeiros e fronteiras. Prisões políticas ocorriam em locais como Caxias e Tarrafal, com relatos de tortura. A polícia utilizava informadores civis, os "bufos". Pesquisas indicam que a formação da polícia secreta foi influenciada pelo MI5 britânico, e não pela Gestapo alemã, como se pensava.
Em 1936, foi criada a Mocidade Portuguesa, uma organização juvenil inspirada em modelos fascistas italianos e na Juventude Hitleriana, dissolvida apenas em 1974. A adesão era obrigatória dos 7 aos 14 anos, com uniforme militarizado e saudação romana. Uma milícia complementar para adultos, a Legião Portuguesa, foi criada logo depois. Apesar da estrutura, a Mocidade Portuguesa não gozava de grande popularidade entre os jovens.
Durante a Guerra Civil Espanhola (a partir de 1936), Salazar apoiou Franco desde o início, o que lhe rendeu grande prestígio junto aos franquistas. Portugal, representado por Pedro Teotónio Pereira, desempenhou um papel crucial em dissuadir a Espanha de se alinhar com as Potências do Eixo, promovendo um bloco ibérico neutro e aproximando a Espanha dos Aliados. Este papel foi elogiado por historiadores e embaixadores americanos e britânicos.
Em 4 de julho de 1937, o anarquista Emídio Santana tentou assassinar Salazar com uma bomba, que explodiu perto dele sem causar ferimentos. O atentado reforçou a imagem providencialista de Salazar e levou à substituição de seu carro oficial por um modelo blindado. A PIDE intensificou a repressão, e Santana foi preso e condenado a 16 anos de prisão. Missas de ação de graças foram realizadas em todo o país.
Após a Lei da Separação do Estado das Igrejas de 1911, Salazar assinou em 1940 a Concordata entre Portugal e a Santa Sé. Apesar da reivindicação da devolução de bens nacionalizados, Salazar recusou firmemente qualquer indenização ou devolução, impondo seus termos. A Concordata, que conferiu vantagens limitadas à Igreja em comparação com acordos em outros países, permaneceu em vigor até 2004, com uma alteração em 1975 sobre o divórcio civil para casamentos católicos.
Salazar, embora admirador do Duce, distanciou-se ideologicamente das potências do Eixo, criticando o "cesarismo pagão" de Mussolini e o paganismo e expansionismo de Hitler. Ele enfatizou que o Estado Novo possuía limitações morais e não se adaptava à violência fascista. Portugal manteve uma posição de neutralidade, o que permitiu a manutenção de canais diplomáticos e comerciais com ambos os lados, resultando em saldo comercial positivo durante a guerra e servindo de refúgio para refugiados.
Salazar e os Judeus na Guerra
Salazar posicionou-se contra o antissemitismo nazista, criticando as leis de Nuremberg e defendendo os judeus portugueses. A política portuguesa permitiu a entrada de judeus como trânsito para outros países, como EUA e Brasil, visando evitar tensões com a Alemanha e a entrada de potenciais agitadores políticos. A entrada era condicionada à sua saída rápida do país.
Papel dos Açores
As ilhas dos Açores foram consideradas vitais para a defesa atlântica. Em caso de invasão alemã, o governo planejava uma retirada estratégica para os Açores. Reforços militares foram enviados para a região, especialmente a partir de maio de 1941, para aumentar a defesa. A presença de U-boats alemães na zona dos Açores em 1943 ameaçava a navegação aliada, levando à decisão de invasão dos Açores pelos Aliados na Cimeira de Trident.
Rescaldo da Neutralidade
A neutralidade de Portugal durante a Segunda Guerra Mundial resultou em saldo comercial positivo nos anos de 1941, 1942 e 1943, com exportações superando importações. Essa gestão trouxe paz e benefícios econômicos, atenuando problemas de escassez e inflação causados pela Guerra Civil Espanhola e pela própria Segunda Guerra Mundial. Portugal serviu de refúgio para personalidades como Calouste Gulbenkian.
Após a Segunda Guerra Mundial, apesar das expectativas democráticas, as ditaduras de Salazar e Franco persistiram. Em 1945, Salazar anunciou eleições "livres", mas a oposição, organizada no M.U.D. (Movimento de Unidade Democrática), pediu o adiamento, que foi negado. A oposição absteve-se de participar, resultando na eleição de todos os candidatos da União Nacional. Posteriormente, o M.U.D. foi ilegalizado em 1948, e centenas de opositores foram presos ou demitidos.
Apesar da aversão às democracias, Salazar alinhou Portugal ao bloco ocidental, colaborando com os Aliados e cedendo a Base das Lajes. O regime Salazarista foi percebido como autocrático, mas menos repressivo que o franquista, permitindo a Portugal tornar-se membro fundador da NATO em 1949 e da EFTA em 1960. A adesão à EFTA impulsionou a economia portuguesa, com o comércio externo quadruplicando entre 1960 e 1972 e o rendimento nacional por habitante crescendo mais de 6,5% ao ano entre 1960 e 1973.
O Escândalo do Ballet Rose
Em dezembro de 1967, a imprensa britânica revelou o escândalo "Ballet Rose", envolvendo pedofilia e abuso de menores com figuras do Estado Novo. O Ministro da Justiça Antunes Varela demitiu-se em protesto contra o encobrimento. Advogados e jornalistas estrangeiros foram expulsos, e Francisco Sousa Tavares e Urbano Tavares Rodrigues foram presos. Mário Soares foi detido e deportado por espalhar notícias falsas sobre Portugal.


