Antitrinitarismo
Antitrinitarismo ou Não-Trinitarismo, refere-se a uma corrente monoteísta, especialmente no contexto do cristianismo, que rejeita a doutrina na Trindade, de que Deus é um único ser composto por três pessoas distintas ou hipóstases formadas pelo Pai, Filho e Espírito Santo, e que apesar de distintas, ambas são coeternas, coiguais e indivisíveis em um ser ou essência e substância.. A formulação clássica desta crença foi estabelecida no Primeiro Concílio de Constantinopla em 381 EC. Alguns grupos religiosos que emergiram durante a Reforma Protestante são historicamente conhecidos como não-trinitários.
Igreja Primitiva
Escritos cristãos do século I, não mencionam a trindade e indicam que os primeiros cristãos acreditavam em uma fórmula divina mais parecida com a do Judaísmo. Os cristãos se viam como continuadores do monoteísmo judaico, mas reinterpretando a identidade de Deus à luz da pessoa de Jesus. A doutrina trinitária formal ainda não existia e o Pai YHWH era visto como o único Deus. (1Cor. 8:4-6 e Ef. 4:6). Entretanto, Jesus era chamado de "Senhor" (Kyrios) e colocado em posição única de autoridade e culto (Fp 2:9-11). E o espírito Santo aparece como poder/ação de Deus, às vezes personificado, mas não é descrito como uma “terceira pessoa” no mesmo nível do Pai e do Filho.
Arianismo
Ário (256-336) era um presbítero encarregado de uma paróquia na cidade de Alexandria. Alexandre (bispo de Alexandria) tentava explicar a ‘unidade da Santa Trindade’. Ário divergia dos pontos de vista expostos por Alexandre. Um tipo de sínodo dos presbíteros da cidade foi convocado, e a questão foi discutida. Ambas as partes declararam vitória, e a controvérsia se espalhou. Então Alexandre convocou um concílio de cem bispos, pela maioria dos quais os pontos de vistas de Alexandre foram endossados. Nisso, Ário foi ordenado a abandonar suas próprias opiniões, e a adotar as de Alexandre. Ário se recusou, e Alexandre o excomungou (no Concílio de Antioquia de 325 d.C) e a todos os que com ele mantinham a mesma opinião, dos quais havia um número considerável de bispos e de outros clérigos, e muitos do povo.
Os não trinitários veem o Credo Niceno e os resultados do Concílio de Calcedônia como documentos essencialmente políticos, resultantes da subordinação da verdadeira doutrina aos interesses do Estado pelos líderes da Igreja Católica , de modo que a igreja se tornou, em sua visão, uma extensão do Império Romano. Os não trinitários (tanto modalistas quanto unitaristas) afirmam que Atanásio e outros em Nicéia adotaram a filosofia e os conceitos platônicos gregos e os incorporaram em suas visões de Deus e Cristo. Foi observado pelo professor episcopal de história eclesiástica James Arthur Muller: “Esta falta de uma doutrina formulada da Trindade reflete o pensamento teológico do segundo século. Nas obras de Justino, o Mártir, que escreveu por volta de 150 A. D., enfatiza-se a pré-existência do Filho, no entanto, em relação ao Pai, fala-se Dele como estando ‘em segundo lugar’.” - Creeds and Loyalty, página 9. Mesmo perto do fim do segundo século, o destacado clérigo Ireneu fala de Cristo como estando subordinado a Deus, não igual a ele. - Veja Irenaeus Against Heresies, Livro 2, capítulo 28, seção 8. De modo que a Trindade era desconhecida aos primitivos eclesiásticos. Realmente foi uns 400 anos ou mais após a morte de Cristo que o conceito de “três pessoas em um só Deus” foi finalmente formulado por homens e introduzido na igreja.
O Credo de Nicéia (Séc. IV)
Por volta do quarto século, alguns eclesiásticos, inclusive o jovem arcediago Atanásio, argumentavam que Jesus e Deus eram a mesmíssima pessoa. Por outro lado, homens tais como o presbítero Ário apegavam-se à posição bíblica, de que Jesus fora gerado por Deus e era subordinado ao seu Pai. Em 325 d.C., reuniu-se em Nicéia, na Ásia Menor, um concílio eclesiástico convocado pelo imperador romano Constantino para resolver tais questões. Neste concílio, o imperador pagão Constantino favoreceu o lado de Atanásio. Portanto, os conceitos expressos por Ário foram declarados heréticos. “Mas os que dizem que houve tempo em que não existia; ou que não existia antes de ser gerado; ou que foi feito daquilo que não teve princípio; ou que afirmam que o Filho de Deus é de qualquer outra substância ou essência, ou criado, ou variável, ou mutável, estes são anatemizados [amaldiçoados] pela Igreja Católica e Apostólica.” - Cyclopedia de M'Clintock & Strong, Volume 2, páginas 559-563.
O Credo de Atanásio (Séc. IV)
O Símbolo de Atanásio define a Trindade: ...que adoremos um só Deus em Trindade e a Trindade na Unidade, nem confundindo as Pessoas, nem separando a Substância. Na verdade, uma é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas uma só é a Divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo; igual a glória, coeterna a majestade. Qual é o Pai, tal o Filho, tal o Espírito Santo. Incriado é o Pai, incriado o Filho, incriado o Espírito Santo. Imenso é o Pai, imenso o Filho, imenso o Espírito Santo. Eterno é o Pai, eterno o Filho, eterno o Espírito Santo. E, no entanto, não (há) três eternos, mas um só Eterno; assim como não (há) três incriados, nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso. Igualmente onipotente é o Pai, onipotente o Filho, onipotente o Espírito Santo; e, no entanto, não (há) três onipotentes, mas um só é o Onipotente. Assim, o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus; e, no entanto, não são três deuses, mas Deus é um só. Assim, o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor; e, no entanto, não são três senhores, mas um só é o Senhor. Pelo que, assim como somos obrigados, na verdade cristã, a confessar cada uma Pessoa, singularmente, como Deus e Senhor, assim nos é proibido, pela religião católica, dizer três Deuses ou três Senhores. O Pai por ninguém foi feito, nem criado, nem gerado. O Filho só pelo Pai foi: não feito, nem criado, mas gerado. O Espírito Santo, pelo Pai e pelo Filho: não foi feito, nem criado, nem gerado, mas deles procede. Um só, portanto, é o Pai; não três Pais; um só, o Filho; não três Filhos; um só, o Espírito Santo; não três Espíritos Santos. E nesta Trindade nada é primeiro ou posterior; nada maior ou menor; mas todas as três Pessoas são a si coeternas e coiguais. Portanto, por tudo, assim como acima já foi dito, deve ser adorada a Unidade na Trindade e a Trindade na Unidade. Portanto, quem quiser se salvar, assim sinta (pense) da Trindade.
Popularização do Islã (Séc. VII)
Entre os proponentes da escola revisionista de estudos islâmicos, posições que veem o islamismo primitivo como um grupo cristão unitário encontraram vários apoiadores acadêmicos, que argumentam que o Alcorão original era um texto cristão unitário oposto à trindade. Alguns historiadores acreditam que o islamismo primitivo foi um desenvolvimento dentro da seita unitária anti- nicena judaico-cristã nazarena do cristianismo. Uma tese relacionada com as acima mencionadas é avançada por Fred Donner, que argumenta que o Islão primitivo era um movimento unitário inter-religioso de crentes dirigido tanto aos cristãos como aos judeus. Em escritos pré-modernos, João de Damasco descreveu o Islão como uma heresia cristã liderada por Maomé, a quem ele considera um ariano com base na sua (presumida) negação da trindade.
Período Pós Reforma Protestante
Em 1530, após a Reforma Protestante e a Guerra dos Camponeses Alemães de 1524-1525, grandes áreas do norte da Europa eram protestantes, e formas de não trinitarismo começaram a surgir entre alguns grupos da "Reforma Radical", particularmente os Anabatistas. O primeiro antitrinitarista inglês registrado foi John Assheton (1548), um padre anglicano. O "Concílio de Veneza" anabatista italiano (1550) e o julgamento de Miguel Servet (1553) marcaram o claro surgimento de protestantes marcadamente antitrinitários. Embora as únicas igrejas não trinitárias organizadas fossem os Irmãos Poloneses, que se separaram dos calvinistas (1565, expulsos da Polônia em 1658), a Igreja Unitária da Transilvânia (fundada em 1568) e o Socinianismo (por volta de 1580). Em 1733, as Cartas de Voltaire sobre os Ingleses listaram Isaac Newton como um membro dos Antitrinitarianos.
O Unitarismo crê que apenas o Pai, Jeová, o o Deus pleno. Acreditam que Jesus é sua primeira criação, senhor, meio de salvação e líder, mas não o Deus eterno. Acreditam que o espirito santo seja impessoal, e o poder de Deus em ação. Os binitaristas creem em dois seres divinos distintos, sendo o Pai e o Filho. O Espírito Santo é entendido como força, poder ou presença de Deus, não uma pessoa. O Unicismo ou Sabelianismo crê que há um único Deus, mas que Ele se manifesta de modos diferentes: como Pai (no céu), como Filho (na encarnação de Jesus), e como Espírito Santo (atuando no mundo). Rejeitam a ideia de “três pessoas distintas”. O Adocionismo crê Jesus nasceu apenas humano e foi “adotado” por Deus como Filho em seu batismo, ressurreição ou ascensão. Os Mórmons creem no Pai, Filho e Espírito como três deuses distintos e separados, mas unidos em propósito.
Possíveis Influências Pagãs
Os que não acreditam na trindade advogam que esse dogma teve influência pagã ao longos dos anos por meio do sincretismo helenístico em que a Igreja sofreu grande influência da cultura greco-romana. Muitos séculos antes da formação da Igreja Católica e da própria comunidade cristã havia tríades, ou trindades, de deuses na antiga Babilônia e Assíria. A “Enciclopédia Larousse de Mitologia”, fala de uma dessas tríades naquela região da Mesopotâmia: “O universo era dividido em três regiões, cada qual se tornando o domínio de um deus. A parte de Anu era o céu. A terra foi dada a Enlil. E a tornou-se governante das águas. Juntos constituíam a tríade dos Grandes Deuses."
Citações das Escrituras
Grupos religiosos não trinitários usam citações das escrituras para justificar a impossibilidade da existência de três figuras divinas coeternas. Essas interpretações bíblicas costumam ser baseadas em declarações de Jesus Cristo e dos primeiros apóstolos que sugerem uma diferença entre a figura do pai e do filho, além de uma ausência de informações sobre o espirito santo.
A fórmula batismal de Mateus 28:19
Os antitrinitários também acreditam que a fórmula batismal em nome da trindade não está correta, pois apresentam diversas fontes, que elencaremos a baixo, evidenciando o enxerto dessa passagem nas Escrituras, assim como todo o contexto do livro de Atos dos Apóstolos como evidência complementar que o batismo correto deve ser ministrado apenas "... em nome de Jesus Cristo" conforme todos os textos relacionados ao batismo no Novo Testamento ao próprio ato praticado pelos apóstolos de Jesus Cristo conforme Colossenses 3:17; Tiago 5:14; Atos 16:18; Atos 2:38; 8:16; 10:48; 19:5; 22:16; Romanos 6:3; Gálatas 3:27. "A fórmula batismal foi mudada do nome de Jesus Cristo para as palavras Pai, Filho e Espírito Santo pela Igreja Católica no II século; sempre nas fontes antigas menciona que o batismo era em nome de Jesus Cristo" - Enciclopédia Britânica, 11ª ed. vol. 3. pág 82, 365-366.
Rebate a textos usados a favor da trindade
Genesis 1:1; 1:26,27; 3:22 - O uso do plural aqui apenas indica que havia mais alguém com Deus na criação. Jesus foi a primeira criação de Deus. – Col. 1:15 e Ap. 3:14. É natural que ele e outras criaturas celestiais estivessem antes da criação. (Jó 38:4-7). Afirmam também que a palavra ‘‘Elohim’’ é plural Majestático, de excelência ou intensidade. Genesis 18 e 19 - O relato dos 3 homens que aparecem a Abraão, é interpretado pelos não trinitários como sendo ‘‘anjos’’ que representavam Deus e não o próprio Deus. O 18:22, mostra Jeová permanecendo com Abraão enquanto os homens saíram para Sodoma. Isso mostra que Jeová não era os 3 homens. Anjos poderiam "assumir" serem Deus ao falarem como seus representantes, conforme Êxodo 3:2, 6.


