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Antipolítica

Antipolítica é um termo usado para descrever a oposição à política tradicional ou a desconfiança em relação a ela. O conceito está intimamente ligado ao sentimento antissistema e ao afastamento do público da política formal. A antipolítica pode indicar práticas e atores que buscam remover a contestação política da arena pública, levando à apatia política entre os cidadãos; quando utilizado dessa forma, o termo é semelhante à despolitização. Alternativamente, se a política for entendida como algo que abrange todas as instituições sociais e relações de poder, a antipolítica pode significar uma atividade política decorrente da rejeição da "política de sempre".

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/07/2026
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Histórico do conceito

A ideia ganhou destaque com a publicação de The Anti-Politics Machine, do antropólogo James Ferguson, em 1990. Ferguson desenvolveu a tese de que os projetos de desenvolvimento rural financiados pelo Banco Mundial e pela Agência Canadense de Desenvolvimento Internacional no Lesoto aumentaram o poder burocrático do Estado no país e despolitizaram tanto o Estado quanto a pobreza, fazendo com que se tornassem questões apolíticas. Consequentemente, Ferguson descreveu o desenvolvimento como uma "máquina antipolítica". O modelo de Ferguson foi aplicado a outros países em desenvolvimento, como a Índia; o conceito de antipolítica também tem sido utilizado para criticar a gestão compartilhada de recursos envolvendo povos indígenas no Canadá e na América do Norte. Na primeira década dos anos 2000, estudiosos da geografia humana, como Andrew Barry, estabeleceram uma distinção entre a "política" convencional (as práticas e instituições de eleições, partidos políticos e governos) e o "político" (cenários onde a dissidência e o debate são permitidos), argumentando que algumas formas de política poderiam ser antipolíticas, na medida em que negavam a validade de alternativas. A substituição do debate público pela economia de mercado sob o neoliberalismo, ou pelo gerencialismo tecnocrático conduzido por especialistas e cientistas, ou pela liderança de figuras carismáticas, são exemplos dessa teoria. Barry argumentou que, enquanto a política convencional girava em torno da estruturação de questões, uma ênfase maior na mensuração econômica estava levando à fusão entre economia e política. Em 2009, Erik Swyngedouw argumentou que esses processos haviam tornado a política ocidental "pós-política".

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Causas

Imagem: Taliván · BY-NC-ND · Openverse

Assim como ocorre com outros fenômenos políticos, a exemplo do populismo, os cientistas políticos frequentemente dividem as possíveis causas da antipolítica em fatores relacionados à demanda (provenientes dos cidadãos) e à oferta (provenientes da política). As explicações centradas na oferta incluem a natureza restrita ou excludente das elites políticas, o uso de manipulação da narrativa política e a despolitização deliberada de questões por parte de políticos que buscam reduzir as expectativas e a capacidade de agência dos cidadãos. Estudiosas como Wendy Brown sugerem que as políticas neoliberais são antipolíticas, uma vez que elevam a economia acima da política por meio de processos como a desregulamentação e a privatização, e buscam eliminar oportunidades de contestação legítima. As explicações centradas na demanda incluem o declínio das instituições coletivas, o questionamento da ordem política por parte de ativistas e a atração dos cidadãos por líderes populistas. Em Bowling Alone (2000), o cientista político Robert D. Putnam apresentou uma explicação centrada na demanda para a insatisfação política, argumentando que o declínio da participação cívica e a crescente atomização da sociedade eram responsáveis ​​pelo desengajamento político nos Estados Unidos. Os cientistas políticos Emma Vines e David Marsh argumentaram que a distinção entre explicações baseadas na demanda e na oferta é enganosa, uma vez que o crescimento da antipolítica está relacionado a uma relação disfuncional entre cidadãos e autoridades políticas — centrada, em particular, na falta de diálogo sobre questões políticas complexas que são apresentadas como tendo soluções simples.

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Relação com o populismo

Existe uma forte ligação entre a antipolítica e o sentimento antissistema. Diversos teóricos políticos descreveram a antipolítica como uma parte fundamental da ideologia populista. Já o cientista político Blendi Kajsiu argumenta que o populismo não é a dimensão ideológica dominante da antipolítica, uma vez que a rejeição da política formal e dos políticos pode ser justificada por meio de várias ideologias, não apenas populistas, conservadoras, nacionalistas, liberais ou socialistas (ou por uma combinação destas), e que somente ao distinguir entre populismo e antipolítica é que se poderia "identificar as múltiplas dimensões ideológicas desta última". Na década de 2010, o conceito de antipolítica foi adotado por cientistas políticos que levantavam a hipótese de conexões entre as presidências de Donald Trump e Jair Bolsonaro, eventos políticos como o Brexit e o crescimento da política de extrema-direita, e um contexto de declínio da confiança e da participação nos sistemas políticos representativos. Nessas análises, a antipolítica é frequentemente associada a movimentos reacionários, nativistas e nacionalistas, apresentados como reações às desigualdades de poder geradas pela globalização e por políticas como a austeridade.

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