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Verbascum thapsus

Verbascum thapsus é uma espécie de verbasco endémica da Europa, Norte de África e Ásia, e introduzida nas Américas e Oceania. Tem propriedades medicinais e tóxicas, sendo usada em alguns locais para matar os peixes dos rios.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Taxonomia e nomenclatura

Na nomenclatura botânica, o verbascum thapsus foi descrito pela primeira vez por Carolus Linnaeus na sua obra Species Plantarum de 1753. O nome específico thapsus foi usado pela primeira vez por Teofrasto (por θάψος, "thapsos") para uma erva não especificada da colónia da Grécia Antiga de Thapsos, Siracusa, Sicília, embora seja frequentemente ligado à antica cidade tunisina de Tapso. Dentro dos Verbascum, está classificada na secção Bothrosperma subseita Fasciculata. Na altura, nenhum espécime tipo foi especificado, tendo surgido apenas no século XIX. Quanto um lectótipo (tipo seleccionado entre material original) foi designado, foi relacionado com o espécime 242.1 do herbário de Lineu, o único espécime de V. thapsus no herbário. A espécie tinha sido previamente designada como espécie-tipo para o Verbascum. As plantas europeias exibem considerável variação fenotípica, As populações introduzidas na América têm muito menor variação.

Subespécies e híbridos

Nestas duas últimas, o estames mais baixos são também pilosos Na subsp. crassifolium, a pilosidade é menos densa e frequentemente ausente da parte superior das anteras, e as folhas mais baixas são raramente dobradas e têm pecíolos mais longos, enquanto que na subsp. giganteum, a pilosidade é densa tomentosa e braca, e as folhas inferiores fortemente dobradas. A subsp. crassifolium difere ainda do tipo por ter flores um pouco maiores, até 15–30 mm de extensão, enquanto na espécie-tipo o diâmetro é de 12–20 mm. Ambas as subsp. giganteum e crassifolium foram originalmente descritas como espécies. Outras subspécies descritas não foram aceites globalmente e incluema subsp. martinezii (Valdés) A.Galán e J.A.V.Orellana (=V. giganteum subsp. martinezii Valdés), subsp. litigiosum (=V. litigiosum Samp.) e a subsp. langei. A planta é também cruzada em vários híbridos (ver tabela). Destes, o mais comum é o V. × semialbum Chaub. (× V. nigrum). Todos ocorrem na Eurásia, e três, V. × kerneri Fritsch, V. × pterocaulon Franch. e V. × thapsi L. (sin. V. × spurium W.D.J.Koch), têm exemplares na América do Norte.

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Descrição geral

É uma planta herbácea de forma quase arrosetada, com cerca de 30 a 250 cm de comprimento e é mais ou menos densamente acinzentada ou esbranquiçada-tomentosa. As suas folhas basilares são elípticas a obovado-oblonga, são obtusas, inteiras ou miudamente crenuladas. As folhas caulinares são distais decurrentes. A inflorescência é geralmente simples, com brácteas ovadas a lanceoladas e acuminadas. Os pedicelos encontram-se parcialmente adnados à ráquis da inflorescência. O cálice é constituído por lóbulos lanceolados. A corola é amarela e tem cinco estames, tendo os superiores filetes vilosos e os inferiores filetes nus a vilosos; as anteras são decurrentes e os pêlos dos filetes são de cor branca; o estigma é capitado. As flores são pentâmeras, quase sésseis e com pedúnculos muito pequenos (2 mm). Os cinco estames são de dois tipos: três superiores mais pequenos com filamentos cobertos de pelo amarelo ou esbranquiçado e anteras pequenas, enquanto os dois inferiores têm filamentos glabros e anteras maiores, todos eles fundidos nas pétalas. A sépala é tubular de cinco lóbulos e uma corola de cinco pétalas, a última das quais amarela clara e 2,5 cm mais estreita. Pode viver 2, 3 anos ou mais.

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Distribuição e habitat

Cresce numa grande variedade de habitats, mas prefere solos bem iluminados, onde pode surgir pouco depois da receção da luz, a partir de sementes duradouras que persistem no banco de sementes do solo. É uma planta comum que se espalha de modo prolífico por sementes, mas raramente se torna agressivamente invasiva uma vez que a semente precisa de solo aberto para germinar. É um problema pouco relevante para as colheitas agrícolas em geral pois não é uma espécie competitiva, sendo intolerante à sombra de outras plantas e incapaz de sobreviver ao corte. Alberga muitos insetos, alguns dos quais podem ser prejudiciais para outras plantas. Embora os indivíduos sejam fáceis de remover à mão, as populações são difíceis de eliminar permanentemente. Esta espécie de verbasco coloniza solos arenosos e pálidos. Isto deve-se em parte à sua intolerância à sombra e aos períodos muito longos durante os quais as sementes podem permancer inactivas antes da germinação. Não é uma erva daninha para a agricultura, embora a sua presença possa ser difícil de erradicar por completo, sendo problemática em zonas de sobrepastoreio. A espécie está listada legalmente como prejudicial no Colorado, Estados Unidos (Classe C), Havaí e Victoria (Austrália).

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Ecologia e ciclo de vida

As abelhas da família Megachilidae, em especial do género Anthidium, usam a penugem da planta para fazer os seus ninhos. As sementes são geralmente muito pequenas para que as aves se alimentem delas, embora tenha sido observado que a espécie Carduelis tristis as consuma. Outras espécies de aves consomem as folhas (Ganso-do-havaí) ou flores (Loxioides bailleui) ou o V. thapsus, ou usam a planta como fonte para insectos (Picoides albolarvatus). O verbasco é bienal e necessita em geral de dormição invernal antes de florescer. Esta vernalização é devida à degradação do amido da raiz activada pelas baixas temperaturas, que a aplicação de giberelina permite ultrapassar. As sementes germinam na Primavera e Verão quando expostas à luz, e as que germinam no Outono produzem plantes que sobrevivem ao Inverno se forem suficientemente grandes, pois as com rosetas menores que 15 cm não o conseguem. Depois de florir a planta morre geralmente no fim do segundo ano mas alguns espécimes, especialmente nas zonas mais a norte, requerem períodos mais longos e florescem no terceiro ano.

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Impacto na agricultura e formas de controlo

Uma vez que não pode competir com outras plantas em locais onde estas já existem abundantemente, o verbasco deixou de ser uma espécie com interesse agrícola exceto em áreas onde a vegetação é esparsa, como as áreas semidesérticas da parte oriental da Sierra Nevada, na Califórnia. Nestes contextos ecológicos, ultrapassa as ervas nativas; a sua tendência de surgir após os incêndios florestais causa perturbação na sucessão ecológica normal. Embora não seja uma ameaça à agricultura, a sua presença pode ser difícil de erradicar por completo, e é especialmente problemático em locais sujeitos a sobrepastoreio. A espécie está listada como erva daninha nos estados norte-americanos do Colorado (Classe C) e Havai, e no estado australiano de Victoria (é proibida localmente na região de West Gippsland e controlada em outras). É hospedeira de vários insetos, tanto prejudiciais como benéficos para a atividade agrícola. É ainda potencial hóspede de vírus e fungos que danificam a produção de espécies hortícolas. Um estudo mostrou que o V. thapsus acolhe insetos de 29 famílias diferentes, como a Frankliniella occidentalis, espécies de Lygus (Lygus lineolaris), e ácaros Tetranychidae. Tal torna a planta em habitat potencial de pestes durante a estação fria.

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Uso

Imagem: Charles de Mille-Isles · BY · Openverse

Usos medicinais

O verbasco tem sido usado desde tempos antigos como remédio para doenças de pele, da garganta e respiratórias, como amigdalite, asma, bronquite, e outras, e também diarreia e enxaquecas sendo reconhecida a sua eficácia anti-viral no caso da Influenza. Esta planta é muito usada para remédios herbais com propriedades de emoliência e adstringência. É usada para aliviar a tosse e problemas relacionados, mas também para aplicações tópicas contra uma variedade de doenças de pele. Mais recentemente uma investigação fitoquímica sobre o Verbascum conduziu ao isolamento e identificação de um composto iridoide chamado verbathasin A e dez compostos conhecidos. Dois destes onze (luteolin e 3-O-fucopyranosylsaikogenin F) revelaram resultados promissores quanto à atividade antiproliferativa com efeitos na indução de apoptose de células cancerígenas A549 (cancro do pulmão). Extreatos de Verbascum thapsus combinados com outras quatro plantas medicinais revelaram atividade antiviral no combate ao vírus da herpes.

Bruxaria

Tal como muitas outras plantas medicinais (Plínio, o Velho descreve-a na sua Naturalis Historia), o verbasco ficou ligado à bruxaria e a planta foi muito usada para alegadamente evitar maldições e espíritos malignos. Com efeito, o naturalista Arruda Furtado, chegou a relatar as crenças populares dos Açores, mais propriamente da ilha de São Miguel, que atribuiam à boliana a faculdade de conceder fortuna ao seu detentor, contanto que se plantasse junto do verbasco, do trovisco e da bela-luz. No Brasil colonial, feitiçarias que buscavam o "perdão de crimes" usavam entre seus ingredientes essa planta e Lavanda, como no caso da feiticeira Maria Padilha

Outros usos

A planta também serve para fazer tinturas e tochas e diversos tipos de extrato herbal. Pelo facto de as sementes conterem vários compostos químicos (como saponinas, rotenona, etc.) que causam problemas respiratórios aos peixes é usada como piscicida em pesca. A tintura obtida das flores é de cor amarela ou verde e pode ser usada como colorante capilar. As folhas secas e a penugem da planta podem ser usadas no fabrico de pavios, ou colocadas debaixo das palmilhas dos sapatos como isolantes. Os caules secos podem ser mergulhados em sebo para fazer tochas.

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Fontes consultadas

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