The Wicker Man (1973)
The Wicker Man é um filme de terror britânico do subgênero folk horror lançado em 1973 dirigido por Robin Hardy e estrelado por Edward Woodward, Britt Ekland, Diane Cilento, Ingrid Pitt e Christopher Lee. O roteiro é de Anthony Shaffer inspirado no romance Ritual de David Pinner publicado em 1967. A trilha sonora pertence ao compositor Paul Giovanni. A trama gira em torno da visita de um policial, o sargento Neil Howie, à fictícia e isolada ilha escocesa de Summerisle em busca de uma garota desaparecida. Howie, um cristão devoto, fica horrorizado ao descobrir que os habitantes da ilha abandonaram o cristianismo e agora praticam uma forma de paganismo celta.
Em 29 de abril, o sargento Neil Howie (Edward Woodward), da Polícia de West Highlands, viaja de hidroavião para a remota e verdejante ilha de Summerisle nas Hébridas, para investigar o desaparecimento de uma jovem, Rowan Morrison (Geraldine Cowper), sobre a qual recebeu uma carta anônima. Howie sendo um cristão devoto fica perturbado ao encontrar os habitantes da ilha prestando homenagem aos deuses celtas de seus ancestrais, com as igrejas cristãs em desuso. Eles copulam abertamente nos campos, incluem crianças nas celebrações do Dia de Maio e as ensinam sobre a associação fálica do mastro, e um deles coloca um sapo na boca de uma criança para curar sua dor de garganta. Os ilhéus parecem estar tentando frustrar sua investigação alegando que Rowan nunca existiu. Enquanto Howie está hospedado na Pousada Green Man a filha do senhorio tenta seduzi-lo, mas ele resiste, explicando que está noivo e deve reservar sexo para o casamento. O protagonista nota uma série de fotografias celebrando a colheita anual, cada uma retratando uma jovem como a Rainha de Maio. A fotografia da celebração mais recente desapareceu e o senhorio lhe diz que estava quebrada. Na escola local, Howie pergunta aos alunos sobre Rowan, mas todos negam sua existência. Ele verifica o registro da escola e encontra o nome de Rowan e então questiona a professora, que o direciona ao túmulo de Rowan.
Antecedentes
No início da década de 1970, Christopher Lee era um ator regular da Hammer Horror mais conhecido por seus papéis em uma série de filmes de sucesso, começando com The Curse of Frankenstein (1957). Lee queria se libertar dessa imagem e assumir papéis de atuação mais interessantes. A ideia para The Wicker Man começou em 1971, quando o intérprete se encontrou com o roteirista Anthony Shaffer e eles concordaram em trabalhar juntos. O diretor de cinema Robin Hardy e o chefe da British Lion, Peter Snell se envolveram no projeto. Shaffer teve uma série de conversas com Hardy, e os dois decidiram que fazer um filme de terror centrado na "velha religião" seria divertido, em nítido contraste com os filmes da Hammer que ambos tinham visto como horror comum.
Escolha de Elenco
O ator de televisão Edward Woodward foi escalado para o papel do sargento Neil Howie depois que o papel foi recusado por Michael York e David Hemmings. Na Grã-Bretanha, Woodward era mais conhecido por sua interpretação no seriado Callan que interpretou de 1967 a 1972. Depois de The Wicker Man o ator ganharia atenção internacional por seus papéis no filme Breaker Morant de 1980 e na série de TV dos anos 80, The Equalizer. Depois que Shaffer a viu no palco, ele conseguiu retirar Diane Cilento da aposentadoria para interpretar a professora da cidade. Ingrid Pitt, outra veterana do cinema de terror britânico, foi escalada como a bibliotecária e registradora da cidade. A atriz sueca Britt Ekland foi escolhida para ser a filha lasciva do estalajadeiro, embora duas dublês de corpo tenham sido usadas para suas cenas nuas abaixo da cintura. Ekland descobriu que estava grávida de três meses de seu filho Nic duas semanas após o início das filmagens. Stuart Hopps (o coreógrafo do filme) chamou Lorraine Peters, uma dançarina de boate de Glasgow, que girou na porta e contra a parede de um quarto nas cenas de "parede" totalmente nua. As vozes faladas e cantadas de Ekland foram dubladas por Annie Ross e Rachel Verney, respectivamente.
Filmagem
O filme foi produzido em um momento de crise para a indústria cinematográfica britânica. O estúdio responsável pela produção, British Lion Films, estava com problemas financeiros e foi comprado pelo rico empresário John Bentley. Para convencer os sindicatos de que não estava disposto a desfazer-se dos ativos da empresa, Bentley precisava colocar o filme em produção rapidamente. Isso significava que, embora The Wicker Man fosse ambientado na primavera, as filmagens começaram em outubro de 1972; folhas e flores artificiais tiveram que ser coladas às árvores em muitas cenas. A produção foi mantida em um orçamento pequeno. Christopher Lee estava extremamente ansioso; ele e outros trabalharam na produção sem remuneração. Enquanto as filmagens aconteciam, a British Lion foi comprada pela EMI Films.
A trilha sonora foi arranjada, gravada e parcialmente composta por Paul Giovanni. De acordo com Seamus Flannery em um documentário subsequente, o diretor Robin Hardy surpreendeu o elenco ao anunciar repentinamente no meio das filmagens que eles estavam fazendo um "musical". Toda a soundtrack de The Wicker Man é baseada em grande parte no trabalho de Cecil Sharp um "pai fundador" do movimento de renascimento folclórico do início do século XX. Usando as coleções de Sharp como modelo, Shaffer relatou a Giovanni quais cenas deveriam ter música e, em alguns casos, forneceu letras que seriam apropriadas para festivais pagãos de primavera. Outras canções vêm de uma tradição folclórica posterior; por exemplo, "Corn Riggs", dos bardos da Escócia, Robert Burns, acompanha a chegada de Howie em Summerisle. A letra foi retirada diretamente da música de Burns "The Rigs of Barley", mas Giovanni usou uma melodia muito diferente sendo baseada em "Corn Riggs" e alterada para combinar com suas letras.
Recepção
Jason Nickey, ao analisar o álbum para a Allmusic escolheu "Gently Johnny", "Maypole" e "Willow's Song" como destaques. escreve ele: "[Os produtores] usam flautas, liras, gaitas e guitarras numa mistura de material original e tradicional para criar um mundo misterioso e sinistro que ganha vida à parte do filme". Chris Jones para a BBC relata que assim como o filme é cult "agora foi corretamente colocado no panteão dos grandes celuloides [...] sua trilha sonora merece os mesmos elogios". O crítico observa que as "melodias cadenciadas (como é que o folk é sempre cadenciado?) de números como "Corn Rigs", "Gently Johnny" e Willow's Song são repletas de um erotismo vagamente sinistro, refletindo o desconforto de Woodward enquanto ele arranha a superfície tranquila da comunidade da ilha para descobrir seu segredo sinistro, talvez seja preciso um estrangeiro para chegar ao cerne obscuro de grande parte da nossa música indígena", conclui, "mas é uma escuridão impregnada de beleza. Somado à música incidental original [...] este é um documento vital de uma época em que o Reino Unido ainda podia produzir cinema clássico. É também um álbum realmente excelente". TightPurpleShirt analisou a versão de 1998 do álbum para a Head Heritage e a chamou de "trilha sonora incrível", apesar de criticar a exclusão de "Gently Johnny". Ele observa que as faixas "abrangem tudo, desde música folclórica tradicional, tocada pelo MAGNET [...] Algumas sequências de efeitos sonoros surreais e um trabalho de guitarra levemente psicodélico [...] Há também uma faixa chamada Hum que, se estendida por um CD inteiro, poderia ser comercializada por qualquer número de grupos de drones como seu melhor álbum até hoje. A coisa toda é uma foda [sic] do começo ao fim e é gloriosa".
Na época da conclusão do filme, o estúdio havia sido comprado pela EMI, e a British Lion era administrada por Michael Deeley. O comentário do DVD afirma que os executivos do estúdio sugeriram um final mais "otimista" para o longa-metragem, no qual uma chuva repentina apaga as chamas do homem de vime e poupa a vida de Howie, mas essa sugestão foi recusada. Hardy posteriormente teve que remover cerca de 20 minutos de cenas, investigações iniciais e (para decepção de Lee) parte do encontro inicial de Lord Summerisle com Howie.
Lançamento original
A primeira exibição do filme foi para distribuidores comerciais e de cinema em 3 de dezembro de 1973. O primeiro lançamento público nos cinemas foi uma semana de exibições de teste no Metropole Cinema London em 6 de dezembro de 1973, antes do lançamento público oficial em janeiro de 1974. Uma cópia de uma versão finalizada de 99 minutos foi enviada ao produtor cinematográfico americano Roger Corman em Hollywood para fazer um julgamento de como comercializar o filme nos Estados Unidos. Corman recomendou que 13 minutos adicionais fossem cortados. O produtor não adquiriu os direitos de lançamento nos EUA e, eventualmente, a Warner Bros testou o filme em cinemas drive-ins. Ele foi exibido na área metropolitana de Atlanta em maio de 1974 sendo por fim restaurada e relançada em 1979.
Primeira restauração e relançamento em VHS
Em meados da década de 1970, Hardy fez perguntas sobre o filme, na esperança de restaurá-lo à sua visão original. Junto com Lee e Shaffer, Hardy procurou seu corte original, ou filmagem bruta. Ambos pareciam ter sido perdidos. O diretor Alex Cox disse em sua introdução ao Moviedrome em 1988 que o negativo "acabou nos postes que sustentam a rodovia M4". A versão original de 99 minutos estava disponível nos EUA em mídia doméstica VHS da Media Home Entertainment (e mais tarde Magnum) durante as décadas de 1980 e 1990. Este lançamento inclui cenas iniciais adicionais ambientadas dentro da delegacia de polícia de Howie, que Hardy havia deixado de fora da restauração de 1979. No ano de 2001, uma remasterização do corte de 88 minutos foi publicada em VHS, rotulada como "Theatrical Version".
David McGillivray do The Monthly Film Bulletin elogiou o filme como "uma peça imensamente agradável de bobagem, completamente bem pesquisada, executada e dirigida". A Variety escreveu que o roteiro de Anthony Shaffer é "pura imaginação e quase terror, que raramente antes foi igualado". Kevin Thomas do Los Angeles Times chamou-o de "uma obra espirituosa do macabro" com "as esplêndidas atuações típicas dos filmes britânicos". Janet Maslin do The New York Times foi mais negativa, chamando-o de "belamente fotografado" com "boas atuações", mas "algo de um uivo", embora "pareça ter sido feito com toda a seriedade". The Wicker Man teve inicialmente um sucesso moderado e ganhou o Licorne de Ouro de Melhor Filme no Festival Internacional de Cinema Fantástico e de Ficção Científica de Paris de 1974, mas caiu no esquecimento. Em 1977, a revista de cinema americana Cinefantastique dedicou uma edição comemorativa ao filme, afirmando ser o "Cidadão Kane dos filmes de terror" — uma frase frequentemente citada atribuída a esta edição.
O filme trouxe a figura do homem de vime para a cultura popular. Em sua série documental da BBC de 2010 A History of Horror o escritor e ator Mark Gatiss se referiu a The Wicker Man como um excelente exemplo de um subgênero de curta duração que ele chamou de "terror folclórico", agrupando-o com Witchfinder General de 1968 e The Blood on Satan's Claw (1971). Em 1998, a banda sueca de black metal Marduk usou uma frase deste filme na introdução da faixa "Slay the Nazarene" do álbum Nightwing. Em 2000, a banda inglesa de heavy metal Iron Maiden lançou um single chamado "The Wicker Man" em homenagem ao longa-metragem. A banda inglesa Radiohead lançou o videoclipe da música "Burn the Witch", feito em animação stop-motion e cujo enredo lembra The Wicker Man. "Willow's Song" foi sampleada na faixa "Wickerman" do Pulp. The White, um EP de 2008 da banda americana de metal extremo Agalloch incluiu três faixas com amostras de diálogos do filme: "The Isle of Summer", "Summerisle Reprise" e "Sowilo Rune".
Uma novelização que expande a história e leva o mesmo título foi lançada em 1978 sendo escrita por Hardy e Shaffer. No dia 24 de outubro de 2023, um novo livro de bastidores, The Wicker Man: The Official Story of the Film, foi publicado pela Titan Books e escrito por John Walsh contendo novas entrevistas, fotos e outros materiais do filme. Foi licenciado pelo detentor dos direitos do filme, StudioCanal. Também em 2023, dois dos filhos de Robin Hardy, Justin e Dominic, anunciaram que haviam criado um documentário sobre The Wicker Man chamado Wickermania!. Eles já haviam recebido permissão e um desconto do Canal+ para usar filmagens existentes e tinham vários documentos originais relacionados à produção. Eles buscavam financiar o lançamento do documentário, posteriormente renomeado Children of the Wicker Man via Kickstarter. Naquele mesmo ano, uma adaptação para o rádio por Anthony DP Mann foi produzida pela Bleak December Inc. em um acordo com o StudioCanal e transmitida pela BBC Radio 4 Extra em 2 de dezembro de 2023 como parte de uma noite de programas com o tema "Wicker Man", O elenco incluía Mann como Sargento Howie, Brian Blessed sendo o Lord Summerisle, e Laurence R. Harvey interpretando MacGregor.
Possível sequência
Em 1989, Shaffer escreveu um roteiro de filme de 30 páginas intitulado The Loathsome Lambton Worm uma sequência direta de The Wicker Man para o produtor Lance Reynolds. Teria sido mais inclinado para fantasia do que o antecessor e dependia mais fortemente de efeitos especiais. Nesta continuação da história, que começa imediatamente após o final do primeiro filme, o sargento Neil Howie é resgatado do homem de vime em chamas por um grupo de policiais britânicos. Howie parte para levar Lord Summerisle e seus seguidores pagãos à justiça, mas se envolve em uma série de desafios que colocam os deuses antigos contra sua própria fé cristã. O roteiro culmina em uma batalha climática entre Howie e um dragão - o titular Lambton Worm - e termina com um Howie suicida mergulhando para a morte de um penhasco enquanto é amarrado a duas grandes águias. A sequência nunca foi produzida, mas seu tratamento, completo com ilustrações, foi finalmente publicado no livro complementar Inside The Wicker Man.
Sucessor espiritual
Em 2011, um sucessor espiritual intitulado The Wicker Tree foi lançado. Foi dirigido por Hardy e contou com uma participação de Christopher Lee. Hardy publicou a história pela primeira vez como um romance, sob o nome de Cowboys for Christ. Anunciado pela primeira vez em abril de 2000, as filmagens do projeto começaram em 19 de julho de 2009, de acordo com a IMDb. Ele segue dois jovens evangelistas cristãos americanos que viajam para a Escócia; como o personagem de Edward Woodward em The Wicker Man, os dois americanos são virgens que encontram um laird pagão e seus seguidores. Os envolvidos na produção deram declarações conflitantes sobre a identidade do personagem de Christopher Lee, referido apenas como Velho Cavalheiro nos créditos. O escritor/diretor Robin Hardy disse que a ambiguidade foi intencional. Os fãs imediatamente dizem que o personagem de Lee é o Lorde Summerisle. Entretanto o intérprete contradiz isso, afirmando que os dois não deveriam ser o mesmo personagem e que The Wicker Tree não é uma sequência direta.
Um remake homônimo dirigido por Neil LaBute e estrelado por Nicolas Cage teve seu lançamento em 2006. A refilmagem recebeu análises extremamente negativas da crítica e público. Atualmente The Wicker Man de 2006 figura em listas de piores remakes de todos os tempos.


