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Anelídeo

Anelídeos, também conhecido como vermes anelares ou vermes segmentados, é um vasto filo com mais de 17.000 espécies incluindo vermes, minhocas e sanguessugas. Estes animais podem ser encontrados tanto em ambientes terrestres quanto aquáticos. São animais com simetria bilateral, triblásticos, celomados e invertebrados. Esse filo é dividido em dois grupos, conhecidos por “Polychaeta” e Clitellata, sendo este último constituído por Oligochaeta (minhocas) e Hirudinea (sanguessugas).

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 02/07/2026
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Caracterização

O Filo Annelida é composto por animais que possuem um corpo vermiforme alongado e cilíndrico, que é dividido em segmentos ou anéis (razão do nome do filo). Algumas regiões do corpo possuem nomenclatura especial, como é o caso do prostâmio (em grego “pro-/προ-” sendo "na frente de" e “stômio/στομα”, "boca"), peristâmio (em grego “peri-/περι-” sendo "ao redor" e “stômio/στομα”, "boca") e o pigídio (em grego “πυγιδιον” sendo "cauda pequena"), os três são os únicos que não possuem celoma. Os "anéis" intermediários possuem celoma e são denominados metâmeros, por meio do aumento do números destes anéis ocorre o crescimento dos animais. A parede do corpo é formada por uma cutícula secretada pela epiderme, debaixo desta encontra-se uma camada de músculos circulares e outra de músculos longitudinais. Abaixo desta camada muscular, sendo delimitado externamente por ela, encontra-se o celoma, que é um compartimento revestido por mesoderme cheio de líquido, sendo delimitado interna e externamente, o celoma delimitado por peritânio, epitélio de origem mesodérmica, o trato digestivo e a musculatura da parede so corpo estão depois do peritânio. O celoma serve como meio de transporte de substâncias além de proporcionar sustentação e proteção para os órgãos internos, e especialmente nos anelídeos ele pode funcionar como local de armazenamento de gametas e esqueleto hidrostático. O celoma também segue a segmentação do corpo por meio de septos entre os metameros.

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Morfologia e Fisiologia

O corpo dos anelídeos tem a forma de um cilindro alongado, formado pelas regiões: protômio derivado da episfera larval; prostâmio derivado da boca; uma região com segmentos repetidos sequencialmente; e o pigídio na região posterior (não segmentado, também). A segmentação do corpo, geralmente, é visível externamente na forma de anéis (ânulos). O corpo de muitos dos anelídeos são homônimos. No entanto existem vários heterônimos, principalmente nas formas tubícolas, onde encontram-se segmentos especializados para diferentes funções, essa especialização contribuiu muito para a diversidade morfológica encontrada nesses vermes. As microvilosidades das células epidérmicas do seu corpo secretam uma cutícula fina, composta por fibras de escleroproteínas e mucopolissacarídeos. O comprimento desses animais pode variar entre menos de 0,5 mm, de algumas espécies que habitam a zona intersticial a mais de 3 m em algumas minhocas, por exemplo. Sua morfologia pode ser melhor compreendida ao dividirmos seu corpo em suas partes básicas: cabeça, tronco segmentado e pigídio. Contudo, os grupos Echiuridae, Hirudinea, Siboglinidae e Sipuncula apresentam tantas modificações nessa estrutura básica que se torna necessário, para uma melhor compreensão, descrever sua morfologia separadamente.

Sistema circulatório e Trocas gasosas

As trocas gasosas na maioria dos anelídeos ocorrem ao longo de sua superfície corporal, o que é conhecido amplamente como respiração cutânea. Algumas linhagens aquáticas podem possuir estruturas mais especializadas para esse processo, como parapódios e brânquias. Devido ao tamanho em volume corporal das espécies do grupo, o transporte seja de nutrientes e gases é feito majoritariamente por meio de um sistema circulatório fechado, isto é, não ocorre contato direto entre o fluido sanguíneo e as células. O sistema sanguíneo desse grupo consiste em dois vasos principais, que correm longitudinalmente ao longo do corpo do organismo: o dorsal e o ventral. O primeiro apresenta uma parede muscular que bombeia o sangue à parte anterior do animal. Dele, a cada metâmero irradiam capilares que banham o tubo digestivo e as diversas células do segmento e desembocam no vaso dorsal. Este, por sua vez, leva o sangue em direção posterior, e dele se originam capilares que se distribuiem pela superfície corporal, podendo conter brânquias ou parapódios, permitindo as trocas gasosas entre o pigmento respiratório, normalmente a hemoglobina, e o meio externo. Então, o sangue oxigenado retorna ao vaso dorsal, completando o ciclo.

Sistema Digestório

O trato digestivo de todos os anelídeos pode ser separado em porção anterior, mediana e posterior, no entanto o sistema de cada um dos dois grandes grupos de anelídeos, os “Polychaeta” e Clitellata, apresenta peculiaridades que serão descritas a seguir. Dentre os “Polychaeta”, temos animais sedentários suspensívoros, que se alimentam através de filtração, sedentários comedores de depósitos e animais errantes, que podem ser carnívoros, herbívoros ou comedores de depósitos seletivos. A digestão é majoritariamente extracelular, ocorrendo na luz da região mediana do tubo digestivo. Na região anterior há o estomodeu, composto pelo tubo bucal, faringe e a parte anterior do esôfago. Ele é revestido por cutícula podendo apresentar dentes e mandíbula. Quando há presença de probóscide (porção eversível da parte anterior do trato digestivo), esta é derivada do tubo bucal ou da faringe. Na porção anterior ainda é possível encontrar glândulas que podem ser esofágicas, secretar veneno ou muco.

Sistema nervoso e Órgãos dos sentidos

O sistema nervoso em anelídeos, de uma maneira geral, é composto por diversos gânglios dispostos ao longo de seu corpo, ligados por um, ou mais, cordões ventrais. Do gânglio cerebral, localizado na região da faringe, porção superior do peristômio ou prostômio (característica importante para a classificação), saem dois conectivos circum-entéricos, que passam ao redor do tubo digestivo e se encontram na parte ventral do corpo, formando o gânglio subesofágico. Então, a partir deste ponto, normalmente irradiam-se dois feixes nervosos que correm ao longo do corpo e se comunicam por neurônios transversais, numa disposição similar a uma escada de cordas. Cada metâmero tem um par de gânglios, um conectado ao seu respectivo feixe e também a uma rede neural que se ramifica à superfície corporal.

Locomoção

A locomoção nos anelídeos é um mecanismo que apresenta uma grande variedade de estratégias. Entretanto, a maior parte delas baseia-se na ação antagônica das musculaturas circular e longitudinal contra o fluído celômico. Diferentes estruturas também podem estar associadas na locomoção desses animais. Em Polychaeta, por exemplo, nota-se a presença de estruturas como parapódios e cerdas; já em Clitellata, verifica-se a ausência dos parapódios e as cerdas, quando presentes, são muito reduzidas. A segmentação do corpo dos anelídeos também apresenta valor no seu processo de locomoção. A escavação é uma forma de locomoção bastante comum em muitos invertebrados, incluindo os anelídeos. Esse processo necessita de duas âncoras, sendo uma a âncora de penetração e a outra a âncora terminal. A primeira mantém parte do corpo bem posicionado enquanto a outra adentra ao sedimento; isso auxilia o animal a empurrar o sedimento para o lado sem que escorregue para trás. Quanto a âncora terminal, essa deve estar na extremidade-guia do animal e permitir que ele puxe para dentro do sedimento sua extremidade rastejante. Para que a escavação seja bem sucedida, é fundamental que haja uma constante alternância e coordenação na atuação das duas âncoras.

Excreção e Osmorregulação

Em anelídeos há registros de metanefrídios e protonefrídios realizando função de osmorregulação. A maior parte dos anelídeos adultos apresentam metanefrídios, entretanto, fases juvenis e larvais podem apresentar protonefrídios. Há hipóteses de que, ancestralmente, os anelídeos apresentavam protonefrídios organizados em célula terminal, célula nefrópora e célula do duto. A terminação do nefrídio se dá em um nefridióporo, responsável pela liberação da urina no ambiente. Tipicamente, os nefrídios contam com duas estratégias para obter pressão. A pressão pode vir de um ou mais cílios que, a partir de movimento direcionado do interior do cilindro nefridial, gera pressão negativa movendo o fluido intercelular para dentro da matriz. Outra forma comum de direcionamento do fluido é a partir da ação de músculos da parede corpórea que pressionam o fluido intercelular forçando-o ao encontro da barreira de filtragem, levando-o para o interior do cilíndro oco.

Reprodução

A reprodução dos Annelida (anelídeos) pode se dar de forma assexual envolvendo um processo pós-embrionário de regeneração ou de forma sexual, com troca de gametas e fertilização tanto interna quanto externa, ocorrendo de forma hermafrodita ou dióica (gonocorismo) e, neste caso, algumas espécies apresentam o fenômeno de epitoquia. Os indivíduos formados por reprodução assexual são clones do indivíduo parental e não têm desenvolvimento embrionário, mas os indivíduos gerados a partir da reprodução sexual são geneticamente diferentes entre si e têm fase de desenvolvimento embrionário, podendo ser o desenvolvimento direto ou intermediário com fase larval, chamada trocófora.

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Diversidade

A diversidade do filo Annelida é vasta. Apesar de compreender apenas 17.000 espécies descritas, os anelídeos ocupam uma ampla variedade de ambientes marinhos, terrestres e de água doce. Novas espécies de anelídeos são descritas frequentemente, segundo o banco de dados Global Biodiversity Information Facility (GBIF), cerca de 100 novas espécies foram descritas em 2019. De acordo com o World Register of Marine Species (WoRMS), já foram registradas mais de 23.000 espécies de anelídeos. Complexos de espécies crípticas dentro do filo vêm sendo evidenciados por análises moleculares com frequência. A presença destes complexos, anteriormente descritos como uma única espécie cosmopolita, podem indicar a subestimação do número de espécies do filo Annelida. Os anelídeos utilizam um vasto espectro de fontes de alimento e apresentam uma grande diversidade de hábitos alimentares, que podem ser a principal razão de sua diversidade estrutural correspondente. O número de segmentos varia muito entre as espécies - de 6 ou menos (ex.: Parapodium psammophila) a mais de 1000 segmentos (ex.: Eunice aphroditois (Pallas 1788)), resultando em uma extensão corpórea de aproximadamente 600 μm e 3 m respectivamente nos exemplos citados.

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Ecologia

Devido a sua vasta diversidade, os anelídeos também possuem uma ampla variedade de papéis ecológicos. Compõem significativamente as comunidades edáficas (minhocas) e bentônicas (poliquetas). Além disso, são amplamente utilizados como bioindicadores de ação antrópica. As minhocas desempenham um papel fundamental no funcionamento do solo e na manutenção da sustentabilidade dos ecossistemas. Através da movimentação de partículas dentro e entre os horizontes do solo, elas melhoram sua estrutura e qualidade física. Além disso, promovem melhorias na porosidade, aeração, infiltração e retenção de água. As minhocas participam da mineralização de nutrientes e disponibilização destes para as plantas, além de ajudarem no processo de decomposição de matéria orgânica. Os poliquetas estão distribuídos em todos os oceanos do mundo, e em todas as profundidades da coluna de água. São encontrados em diversos habitats, especialmente em abundância no bentos, onde constituem 35-70% da população de macroinvertebrados. Alguns poliquetas desempenham o mesmo papel ecológico nos oceanos que as minhocas na terra, escavando e ingerindo sedimentos. Eles respondem cumulativamente à fatores de origem antrópica e natural, e por isso são utilizados como bioindicadores. Conhecer a composição de espécies de poliquetas de uma região é muito útil para detectar poluição doméstica e industrial. As taxas de sobrevivência, desenvolvimento e reprodução dos poliquetas, vêm sendo utilizadas para medir os efeitos tóxicos de substâncias orgânicas e inorgânicas. Combinando o conhecimento das comunidades bentônicas com o estudo toxicológico, é possível ter uma noção mais completa do estado ecológico de uma área.

Espécies exóticas e invasoras

Espécies exóticas são todas as espécies que se encontram fora da sua área de localização natural, cuja introdução e/ou disseminação a outros locais possui o potencial de ameaçar a diversidade biológica a qual foi exposta. De acordo com o grau de invasão e danos causados ao ecossistema, a espécie exótica pode receber outras denominações. Espécies exóticas podem ser chamadas de espécies invasoras quando provocam impactos negativos que são significativos ao novo ecossistema introduzido, podendo prejudicar espécies nativas por conta de interações entre elas, como competição ou predação. Podem também oferecer riscos à saúde humana, sendo essas de interesse médico, e também à economia, quando se estabelecem como pragas biológicas.

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Interesse para os humanos

Os anelídeos possuem uma relação íntima com os seres humanos, principalmente os grupos “Polychaeta” (poliquetas), Oligochaeta (minhocas) e Hirudinea (sanguessugas). As minhocas, sendo um dos principais agentes da decomposição de matéria orgânica e consequentemente fertilização dos solos, são essenciais para a prática agrícola. A minhocultura, termo utilizado para se referir a criação intensiva de minhocas, visa principalmente a reciclagem de resíduos orgânicos e produção de adubo. Este processo pode também ser chamado de vermicompostagem, e tem despertado muito interesse por ser uma tecnologia de baixo custo e facilmente adaptável a pequena produção. Até mesmo no meio urbano tem sido detectado crescente interesse no Brasil, provavelmente pois é uma prática que necessita de um espaço reduzido e supre a necessidade do homem urbano de se aproximar à natureza. As minhocas também são importantes como fonte alimentar inderita, por exemplo, na utilização de farinha de minhoca como complemento da ração animal.

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História de Classificação e Taxonomia

Os anelídeos são classificados formalmente desde Lineu. Dentre os seres vivos da Terra, anelídeos fazem parte do domínio Eukarya, sendo integrante de Metazoa. Entretanto, a posição de Annelida dentro de Metazoa ainda é bastante controvérsia. Durante o século XIX, a hipótese mais repercutida era do clado Articulata, a qual alegava que os filos Annelida e Arthropoda estavam intimamente relacionados. A sustentação do clado se dá por caracteres morfológicos, como segmentação do corpo do animal, cordão nervoso ventral organizado de forma semelhante a uma escada (ou seja, dois cordões nervosos ventrais unidos por comissuras), músculos longitudinais da parede corpórea em compartimentos separados e a presença de corpora pedunculata, uma estrutura cerebral relacionada com memória olfativa e aprendizado. Em outras análises, Annelida também foi tido como próximo de outros táxons, como Mollusca, pela clivagem espiralada no desenvolvimento embrionário, ausente em Arthropoda. Em 1997, a proximidade dos clados foi sustentada por estudos filogenéticos baseados em análises moleculares. Nessa análise, Annelida é agrupado com Mollusca, Lophophorata, Tardigrada e outros grupos, formando o táxon Lophotrochozoa. Além da similaridade molecular, como da subunidade 18S do RNA, o táxon é sustentado pelo estágio de larva trocófora entre os grupos derivados. A filogenia molecular foi portanto incapaz de sustentar a hipótese Articulata e, a partir de tais trabalhos, a comunidade científica se dividiu entre apoiar ou não a nova proposição, que desconsiderava Articulata como um grupo monofilético.

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