Anglicanismo evangélico
O anglicanismo evangélico, episcopalismo evangélico ou angloevangelicalismo é uma tradição ou ala dentro do Anglicanismo que partilha uma afinidade mais ampla com o Movimento evangélico. Os anglicanos evangélicos compartilham com outros evangélicos os atributos do "conversionismo, ativismo, biblicismo e crucicentrismo" identificados pelo historiador David Bebbington como centrais para a identidade evangélica. O surgimento da eclesiologia evangelicalista pode ser rastreada a partir do Primeiro Grande Despertamento, nos Estados Unidos, e no Reavivamento Evangélico na Grã-Bretanha, no século XVIII. No século XX, surgiram figuras proeminentes incluindo John Stott e J. I. Packer.
Em contraste com os anglo-católicos, os anglicanos evangélicos enfatizam a natureza reformada e protestante do Anglicanismo. Historicamente, os anglicanos evangélicos possuem origens tanto dentre os calvinistas moderados quanto entre os arminianos. Os anglicanos evangélicos enfatizam a necessidade da experiência de conversão e a importância do evangelismo; eles possuem uma visão elevada da inspiração e autoridade bíblicas; e a expiação substitutiva de Jesus Cristo é o foco da sua pregação. Os anglicanos evangélicos tem sido críticos do ritualismo e sacerdotalismo. Com relação à regeneração batismal, os angloevangélicos consideram o batismo como "parte de um processo de regeneração, um passo antes de um eventual "renascimento". Os angloevangélicos mantêm uma visão reformada do batismo, entendida à luz da teologia da aliança, na qual o batismo sela ou promete as bênçãos da Nova Aliança ao cristão individual. No entanto, a regeneração não é simultânea ao batismo. No caso do batismo infantil, o sacramento "significa e sela as graças que eles ainda precisam receber mais tarde pela fé".
Igreja da Inglaterra
O evangelicalismo emergiu dos reavivamentos religiosos do século XVIII. Embora movimentos anteriores na Igreja da Inglaterra tivessem girado em torno de questões de ordem e autoridade da igreja, os evangélicos enfatizavam o estilo de vida, a doutrina e conduta. Os evangélicos enfatizavam a religião doméstica, especialmente a oração familiar. A preocupação evangélica pela reforma moral da sociedade manifestou-se em apoio em grande escala para missões, escolas, sociedades de caridade para os pobres e a formação da Sociedade para Supressão do Vício. Também foi demonstrado por campanhas políticas no Parlamento britânico, sendo o mais importante o movimento para abolir a escravidão liderada por William Wilberforce. Wilberforce era uma figura proeminente em uma rede de reformadores sociais evangélicos apelidada de Clapham Sect.
Igreja Episcopal nos Estados Unidos
No século XIX a recém-organizada Igreja Episcopal foi dividida entre duas partes religiosas concorrentes: a ala da Igreja Alta (anglocatólica) liderada por John Henry Hobart e a ala da Igreja Baixa (angloevangélica). A ala angloevangélica foi influenciada pelos seus homólogos ingleses, incluindo os wesleyanos que escolheram permanecer na Igreja Episcopal ao invés de se unirem à Igreja Metodista Episcopal. Os angloevangélicos, no entanto, não compartilhavam da forte "ênfase sacramental" dos metodistas, que também eram angloevangélicos. Como os evangélicos de outras denominações protestantes, eles enfatizaram a necessidade de uma experiência de conversão, além de terem participado do reavivamento do Segundo Grande Despertar, realizando reuniões de reavivamento e reuniões de oração. Eles também possuíam a tendência a condenarem as diversões sociais como dançar, jogar baralho e o teatro.
Angloevangelicalismo em outras partes do mundo
Na Igreja Anglicana da Austrália, o evangelicalismo calvinista é a orientação teológica dominante dessas dioceses: Na África, o evangelicalismo é a principal orientação teológica da Igreja da Uganda e seu estilo litúrgico é o mesmo da Igreja Baixa inglesa. Em grande parte, isso se deve ao fato de que em grande parte do anglicanismo da África Oriental foi introduzido pela angloevangélica Sociedade Missionária da Igreja. O caráter evangélico da Igreja Anglicana em Uganda, bem como na Igreja Anglicana de Ruanda, foi fortalecido pelo reavivamento da África Oriental das décadas de 1930 e 1940. O crescimento do pentecostalismo na África levou a igreja a uma direção mais carismática. Não é incomum que as celebrações da igreja apresentem orações espontâneas, maior liderança dos leigos, louvor e adoração musical.


