Jericó
Jericó é uma cidade situada na Palestina. Fica a poucos quilômetros do rio Jordão, a 8 quilômetros da ponta norte do Mar Morto e aproximadamente a 27 km de Jerusalém. É considerada a cidade mais antiga ainda existente, habitada há 11 000 anos. Situada a cerca de 270 metros abaixo do nível do mar, é também a cidade mais baixa do planeta.
Há mais de uma teoria para a origem do nome de Jericó. O nome Jericó é conhecido pelos seus habitantes locais como Ārīḥā (em árabe: أريحا), o qual significa "perfumado" e deriva da palavra cananeia (assim como o árabe e o hebraico) Reah, de mesmo significado. Jericó também é pronunciado Yəriḥo (יְרִיחוֹⓘ) em hebraico, e uma teoria alternativa fortalece que ela é derivada da palavra "lua" (Yareah) em cananeu e hebraico, sendo que a cidade foi um antigo centro de adoração a deuses lunares.
Tempos antigos
Acredita-se que Jericó seja uma das mais antigas cidades continuamente habitadas do mundo, com evidência de assentamentos datados de antes de 9 000 a.C., provendo informações importantes sobre antigas habitações humanas no Oriente Próximo. Por volta de 8000 a.C., havia se transformado em uma pequena cidade murada, com casas em forma de colmeia, fundações de pedra e pisos rebocados, muitas das quais possuíam pátios privados e fornos. O primeiro assentamento permanente foi construído próximo a Ein as-Sultan, entre 8 000 e 7 000 a.C. por um povo desconhecido, e consistiu de um certo número de muros, um santuário e uma torre de sete metros de altura com uma escadaria interna. Após alguns séculos, foi abandonado para um segundo assentamento, estabelecido em 6 800 a.C., talvez pela invasão de um povo que absorveu os habitantes originais para dentro de sua cultura dominante. Artefatos datados desse período incluem dez crânios, engessados e pintados como para reconstituir as feituras individuais. Isso representa o primeiro exemplo de retrato na arte histórica, estes crânios foram preservados em casas populares enquanto os corpos ficaram apodrecendo. Este foi seguido por uma sucessão de assentamentos de 4 500 a.C. adiante, o maior destes foi construído em 2 600 a.C..
Antiguidade Clássica
Jericó foi desde o início um centro administrativo sob domínio persa, serviu como um estado particular de Alexandre o Grande entre 336 e 323 a.C. após a conquista da região. Em meados do século II a.C., Jericó ficou sob domínio helenista, o general sírio Báquides construiu alguns fortes para fortalecer as defesas da área ao redor de Jericó contra a invasão dos macabeus (1 Mac 9:50). Um dos seus fortes, construído na entrada do Uádi Quelte, foi posteriormente refortificado por Herodes, o Grande, que o nomeou de Cipro, em homenagem a sua mãe. Herodes inicialmente arrendou Jericó de Cleópatra depois de Marco Antônio tê-la dado a ela como um presente. Após seu suicídio coletivo em 30 a.C., Otaviano assumiu o controle do império romano e deixou Herodes reinando sobre Jericó. Herodes supervisionou a construção do hipódromo-teatro (Tel es-Samrat) para divertir seus convidados e novos aquedutos para irrigação da área abaixo dos precipícios e próximo do seu palácio de inverno construído no sítio de Tulul al-Alaiq.
Período do Califado árabe
Por volta de 661, Jericó estava sobre o domínio do Califado Omíada. O décimo califa da dinastia, Hixame ibne Abedal Maleque, construiu um complexo palacial conhecido como Khirbet al-Mafjar cerca de um quilômetro e meio a norte do Tel Sultão em 743, duas mesquitas, um pátio, mosaicos, e outros items que podem ser vistos hoje in situ, apesar de terem sido parcialmente destruídos no terremoto de 747. O domínio omíada terminou em 750 e foi seguido pelo Califado Abássida e então pelo Califado Fatímida. A agricultura irrigada foi desenvolvida sobre o domínio islâmico, reafirmando Jericó a reputação de uma fértil "Cidade das Palmeiras". Mocadaci, o geógrafo árabe, escreveu em 985 que, "a água de Jericó é considerada a maior e melhor em todo o Islã. Bananas são abundantes, também flores de fragrância aromática".
Período Otomano (1517-1918)
Nos primeiros anos do domínio Otomano, Jericó fez parte do waqf e do emirado de Jerusalém. Os aldeões transformaram índigo em uma fonte de renda, usando uma caldeirão especial para esse propósito, que foi emprestado pelas autoridades otomanas em Jerusalém. Durante a maior parte do período Otomano, Jericó foi uma pequena vila de agricultores suscetíveis a ataques de beduínos. No século XIX, estudiosos europeus, arqueólogos e missionários visitaram-na frequentemente. A primeira escavação arqueológica no Tel Sultão foi realizada em 1867, e os monastérios de São Jorge de Koziba e João Batista foram refundados e concluídos em 1901 e 1904, respectivamente.
Jericó é mencionada mais de 70 vezes na Bíblia Hebraica. Antes da morte de Moisés, Deus é descrito como mostrando-lhe a Terra Prometida no quinto livro da Torá, Deuteronômio Jericó é um ponto de referência: «Então, subiu Moisés das campinas de Moabe ao monte Nebo, ao cimo de Pisga, que está defronte de Jericó; e o Senhor lhe mostrou toda a terra de Gileade até Dã.» (Deuteronômio 34:1). O Livro de Josué narra a famosa batalha de Jericó, afirmando que ela foi rodeada por sete vezes pelos Filhos de Israel até que as paredes vieram abaixo, após a qual Josué amaldiçoa a cidade: «Naquele tempo, Josué fez o povo jurar e dizer: Maldito diante do Senhor seja o homem que se levantar e reedificar esta cidade de Jericó; com a perda do seu primogênito lhe porá os fundamentos e, à custa do mais novo, as portas". "Gritou, pois, o povo, e os sacerdotes tocaram as trombetas. Tendo ouvido o povo o sonido da trombeta e levantado grande grito, ruíram as muralhas, e o povo subiu à cidade, cada qual em frente de si, e a tomaram. Tudo quanto na cidade havia destruíram totalmente a fio de espada, tanto homens como mulheres, tanto meninos como velhos, também bois, ovelhas e jumentos» (Josué 6:26). «. -- Josué 6:20-21" Segundo o Primeiro Livro dos Reis Jericó, séculos depois, um homem chamado Hiel de Betel reconstruiu Jericó e assim como Josué havia predito, ele perdeu seus filhos como resultado. (I Reis 16:34)» (Josué 6:26).
Jericó está localizada a 258 m abaixo do nível do mar, em um oásis em Uádi Quelte, no Vale do Jordão. Este vale compreende uma região situada na parte oriental de Israel e na Cisjordânia, tratando-se, também, de uma considerável parte do chamado "Grande Vale do Rift", uma falha tectônica que se estende desde o norte da África até a Turquia. Ainda em termos de extensão, a área estende-se desde o Mar da Galileia, ao norte, até o Mar Morto, ao sul, cobrindo cerca de 2.400 quilômetros quadrados.É uma área de baixios, com altitudes que variam de cerca de 400 metros abaixo do nível do mar no ponto mais baixo, até aproximadamente 600 metros acima do nível do mar em áreas adjacentes.Em termos da geomorfologia estrutural, a região é caracterizada por uma depressão geológica, com áreas que chegam a estar abaixo do nível do mar, especialmente próximo ao Mar Morto. O clima do Vale do Jordão é árido e semiárido, com temperaturas que podem variar significativamente entre o dia e a noite, com verões quentes e secos e invernos moderadamente frios. A precipitação anual é de 160 mm, concentrada entre novembro e fevereiro. A temperatura média é de 15 °C em janeiro e 31 °C em agosto. A luz do sol é constante, o rico solo de aluvião, e a água em abundância da primavera sempre fizeram de Jericó um lugar atraente para o povoamento.
Tempos pré-históricos
Desde os tempos pré-históricos se distinguem três assentamentos distintos acerca da localização atual, que possuem mais de 11 000 anos, em uma posição noroeste a respeito do Mar Morto.
Tel Sultão
O primeiro assentamento foi localizado no atual Tel Sultão, a poucos quilômetros da cidade atual. No idioma hebraico e em árabe, tel significa ‘monte’ de estratos consecutivos que se acumularam pela habitação humana, igual aos estabelecimentos antigos no Oriente Médio e Anatólia. Jericó é um tipo de sítio classificado como Neolítico Pré-Cerâmico A (PPN A) e Neolítico Pré-Cerâmico B (PPN B). A habitação humana está classificada em várias fases:
Idade da Pedra
Epipaleolítico: se caracteriza por instalações e construções de estruturas de pedra da cultura Natufiense, que começa antes de 9 000 a.C., o real início do período holoceno na história geológica. Neolítico Pré-Cerâmico A: (8 350 a 7 370 a.C.), também chamado Sultaniense. Neste período se inicia a construção de um assentamento de 40.000 metros quadrados, rodeado por um muro de pedra, com uma torre de pedra no centro desse muro. Em seu interior há casas redondas de tijolos de barro ou adobe. A identidade e número de habitantes (algumas fontes dizem de 2 000 a 3 000 moradores) de Jericó durante o período do PPN ainda está em debate, embora seja conhecido que eles tenham domesticado farro, cevada e feijão, e caçado animais selvagens.
A demografia tem variado muito dependendo do grupo étnico e governo dominante na região nos últimos três mil anos. Em um levantamento populacional feito em 1945 por Sami Hadawi, 3 010 habitantes moravam em Jericó, dos quais 94% (2 840) eram árabes e 6% (170) eram judeus. No primeiro censo realizado pelo Escritório Central de Estatísticas Palestinas (PCBS), em 1997, a população de Jericó era de 14 674. Refugiados palestinos constituíam 43,6% de residentes ou 6 393 pessoas. O género sexual da cidade era de 51% de homens e 49% de mulheres. Jericó tinha uma população jovem, com quase metade (49,2%) de seus habitantes estando abaixo de 20 anos. Pessoas entre 20 e 44 anos compunham 36,2% da população, 10,7% entre 45 e 64 anos, e 3,6% estavam acima de 64 anos de idade. Baseado nas projeções da PCBS, Jericó atualmente possui uma população árabe palestina acima de 20 000 pessoas. O prefeito atual é Hassan Saleh, um ex-advogado.


