Anemia
A anemia é caracterizada pela diminuição dos glóbulos vermelhos ou da hemoglobina no sangue, o que reduz a capacidade de transporte de oxigênio. Seus sintomas variam conforme a velocidade de instalação: em casos lentos, são vagos como fadiga e falta de ar; em casos rápidos, são mais evidentes, incluindo confusão e desfalecimento. A palidez só se torna notável em estágios avançados, e outros sintomas dependem da causa subjacente.
Pontos-chave
- Anemia é a redução de glóbulos vermelhos ou hemoglobina, diminuindo o transporte de oxigênio no sangue.
- Os sintomas variam de fadiga e cansaço (aparecimento lento) a confusão e desfalecimento (aparecimento rápido).
- A classificação da anemia é feita principalmente pelo Volume Corpuscular Médio (VCM), dividindo-a em microcítica, normocítica e macrocítica.
- O diagnóstico envolve hemograma, contagem de reticulócitos e, em alguns casos, exames mais específicos como ferritina e eletroforese de hemoglobina.
- O tratamento é focado na causa subjacente, podendo incluir suplementos de ferro, transfusões de sangue ou, em casos extremos, transplante de medula óssea.
A classificação da anemia é baseada principalmente na contagem de reticulócitos e no tamanho das hemácias, inferido pelo Volume Corpuscular Médio (VCM). Anemias com sinais de destruição (hemólise) apresentam aumento de reticulócitos e DHL. O VCM normal em adultos varia de 80 a 100 fL, permitindo classificar as anemias como normocíticas (VCM normal), microcíticas (VCM < 80 fL) ou macrocíticas (VCM > 100 fL). Exemplos incluem anemia ferropriva (a mais comum), hemoglobinopatias e anemias secundárias a doenças crônicas.
Índices Eritrocitários
Os índices eritrocitários são cruciais para classificar as anemias em microcíticas, normocíticas e macrocíticas. Essa abordagem não só sugere a natureza do defeito primário, mas também pode indicar anomalias antes que a anemia se manifeste. Em recém-nascidos, o VCM é alto por algumas semanas, enquanto em lactentes é baixo, aumentando gradualmente. Na gravidez, pode haver um leve aumento do VCM, mesmo sem outras causas de macrocitose.
Outros Achados Laboratoriais
Além dos índices eritrocitários, o exame da amostra inicial de sangue pode fornecer informações adicionais importantes para o diagnóstico.
Contagem de Leucócitos e Plaquetas
A contagem dessas células ajuda a diferenciar anemias 'puras' de 'pancitopenia' (diminuição de eritrócitos, granulócitos e plaquetas), que pode indicar um defeito mais abrangente na medula óssea. Em anemias hemolíticas ou por hemorragia, neutrófilos e plaquetas geralmente estão altos. Em infecções e leucemias, a contagem de leucócitos pode estar elevada, com presença de células anormais.
Contagem de Reticulócitos
A contagem normal de reticulócitos varia de 0,5 a 2,5% (ou 25 a 125 x 10^9/L em termos absolutos). Ela aumenta na anemia devido ao estímulo da eritropoetina, refletindo a gravidade e a resposta da medula óssea, especialmente em hemólise crônica. Após uma hemorragia aguda, a contagem de reticulócitos eleva-se em 2-3 dias, atingindo o pico em 6-10 dias. A ausência desse aumento em pacientes anêmicos sugere disfunção da medula óssea ou falta de estímulo de eritropoetina.
Distensão de Sangue (Esfregaço)
O exame do esfregaço de sangue é fundamental em todos os casos de anemia. Ele pode revelar morfologia anormal dos eritrócitos ou inclusões, que sugerem diagnósticos específicos. Em casos de deficiência mista (ferro, folato ou B12), os índices podem ser normais, mas o esfregaço pode mostrar uma aparência 'dimórfica'. Durante o exame, também se avalia a contagem diferencial de leucócitos, morfologia das plaquetas e a presença de células anormais como normoblastos ou blastos.
Exame da Medula Óssea
Realizado por aspiração ou biópsia, o exame da medula óssea permite analisar células em desenvolvimento, avaliar a proporção de linhagens celulares (relação mieloide:eritroide) e identificar a presença de células estranhas. A celularidade da medula óssea pode ser estimada, e a coloração para ferro permite avaliar a quantidade de ferro nos depósitos reticuloendoteliais e eritroblastos em desenvolvimento.
Os sintomas da anemia variam conforme a gravidade, a velocidade de instalação, os níveis de hemoglobina e a doença subjacente. Em casos mais leves, os sintomas comuns incluem fadiga, cansaço e falta de ar. Em situações mais graves, podem surgir confusão, sensação de desfalecimento e perda de consciência.
Sinais Específicos
Alguns sinais são específicos de certos tipos de anemia: coiloníquia (unhas em colher) na deficiência de ferro; icterícia em anemias hemolíticas e megaloblásticas; úlceras nas pernas em anemia falciforme e outras anemias hemolíticas; e deformidades ósseas em talassemia grave. A presença de anemia associada a infecções frequentes ou equimoses sugere neutropenia ou trombocitopenia, possivelmente por insuficiência da medula óssea.
As causas da anemia são diversas e podem incluir deficiências nutricionais, doenças crônicas, perdas sanguíneas e condições genéticas.
Dieta e Anemia
O consumo de alimentos ricos em ferro é crucial para prevenir a anemia ferropriva. O ferro heme (origem animal) tem maior absorção (cerca de 30%) do que o ferro não-heme (origem vegetal, cerca de 10%). Fatores como pH ácido do estômago, vitamina C e proteína da carne favorecem a absorção de ferro, enquanto cereais (efeito quelante), chás, café, refrigerantes, proteína do leite e do ovo podem prejudicá-la.
As principais adaptações do corpo à anemia ocorrem no sistema cardiovascular (aumento do volume sistólico e taquicardia) e na curva de dissociação de oxigênio da hemoglobina. A manifestação clínica da anemia pode variar muito: alguns pacientes com anemia grave podem ser assintomáticos, enquanto outros com anemia leve podem apresentar incapacidade intensa. A presença ou ausência de sintomas clínicos depende de quatro fatores principais.
O hemograma é o exame principal para suspeita de anemia, avaliando a série vermelha (glóbulos vermelhos, hemoglobina, hematócrito, VCM, HCM, CHCM). Os valores de normalidade variam por sexo e idade. A análise morfológica das hemácias (esfregaço de sangue periférico) e a contagem de reticulócitos (normalmente até 2% ou 16.000-70.000/mm³) são úteis para o diagnóstico etiológico. Exames adicionais incluem dosagem de ferritina e ferro séricos, eletroforese de hemoglobina, teste da G6PD, teste da resistência globular osmótica, teste de Coombs e teste de HAM.
O tratamento da anemia deve ser direcionado à sua causa subjacente. Podem ser utilizados suplementos de ferro (sulfato, fumarato ou gluconato ferroso) em comprimidos ou intravenosos, ou transfusões de sangue, dependendo da gravidade e urgência. É crucial investigar causas como úlceras ou cânceres gastrointestinais que podem levar à perda de sangue. Deficiências de outras vitaminas e minerais também podem contribuir. Em casos de hemorragia intensa, transfusão sanguínea pode ser necessária. Se a medula óssea não produzir hemácias cronicamente, um transplante de medula óssea pode ser indicado. Oxigenoterapia hiperbárica e eritropoietina são opções quando a transfusão não é possível.
Imagem: euthman · BY · Openverse
Entre 1996 e 2007, no Brasil, cerca de 53% das crianças menores de 5 anos apresentavam deficiência de ferro (anemia ferropriva), com maior incidência em menores de 2 anos. Em 1997, o Ministério da Saúde tornou obrigatória a fortificação de farinhas de milho e trigo com ferro e ácido fólico. No entanto, o consumo de alimentos pobres em nutrientes agravou a situação. Em 2006, uma pesquisa governamental mostrou que os índices entre crianças eram piores no Sudeste (21%) e Nordeste (19%). A prevalência em mulheres de 15 a 49 anos é de cerca de 30%, sendo mais comum em áreas urbanas. Em Portugal, a anemia também é elevada em bebês, atingindo 42% dos menores de dois anos.


