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Variedade afim

Na geometria algébrica, uma variedade afim ou variedade algébrica afim é um certo tipo de variedade algébrica que pode ser descrita como um subconjunto de um espaço afim.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/07/2026
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Introdução

Um conjunto algébrico afim é o conjunto de soluções num corpo algebricamente fechado k de um sistema de equações polinomiais com coeficientes em k. Mais precisamente, se f 1 , … , f m {\displaystyle f_{1},\ldots ,f_{m}} são polinómios com coeficientes em k, eles definem um conjunto algébrico afim Uma variedade (algébrica) afim é um conjunto algébrico afim que não é a união de dois subconjuntos algébricos afins próprios. Tal conjunto algébrico afim é frequentemente dito ser irredutível. Se X é um conjunto algébrico afim, e I ( X ) {\displaystyle \mathrm {I} (X)} é o ideal de todos os polinómios que se anulam em X, então o anel quociente A ( X ) = k [ x 1 , … , x n ] / I ( X ) {\displaystyle A(X)=k[x_{1},\ldots ,x_{n}]/\mathrm {I} (X)} (também denotado por Γ ( X ) {\displaystyle \Gamma (X)} ou k [ X ] {\displaystyle k[X]} , embora este último possa ser confundido com o anel de polinómios numa indeterminada) é chamado de anel de coordenadas de X. O ideal I ( X ) {\displaystyle \mathrm {I} (X)} é radical, logo o anel de coordenadas é um anel reduzido, e, se X for uma variedade afim (irredutível), então I ( X ) {\displaystyle \mathrm {I} (X)} é primo, logo o anel de coordenadas é um domínio de integridade. Os elementos do anel de coordenadas A ( X ) {\displaystyle A(X)} podem ser pensados como funções polinomiais em X e também são chamados de funções regulares ou funções polinomiais na variedade. Eles formam o anel de funções regulares da variedade, ou, simplesmente, o anel da variedade; em termos mais técnicos (veja § Feixe estrutural), é o espaço das secções globais do feixe estrutural de X.

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Pontos racionais

Para uma variedade afim V ⊆ K n {\displaystyle V\subseteq K^{n}} sobre um corpo algebricamente fechado K, e um subcorpo k de K, um ponto racional sobre k (ou ponto k-racional) de V é um ponto p ∈ V ∩ k n . {\displaystyle p\in V\cap k^{n}.} Ou seja, um ponto de V cujas coordenadas são elementos de k. A coleção de pontos k-racionais de uma variedade afim V é frequentemente denotada por V ( k ) . {\displaystyle V(k).} Muitas vezes, se o corpo base for os números complexos C, os pontos que são R-racionais (onde R são os números reais) são chamados de pontos reais da variedade, e os pontos Q-racionais (Q sendo os números racionais) são frequentemente chamados simplesmente de pontos racionais. Por exemplo, (1, 0) é um ponto Q-racional e um ponto R-racional da variedade V = V ( x 2 + y 2 − 1 ) ⊆ C 2 , {\displaystyle V=V(x^{2}+y^{2}-1)\subseteq \mathbf {C} ^{2},} uma vez que está em V e todas as suas coordenadas são inteiras. O ponto (√2/2, √2/2) é um ponto real de V que não é Q-racional, e ( i , 2 ) {\displaystyle (i,{\sqrt {2}})} é um ponto de V que não é R-racional. Esta variedade é chamada de círculo, porque o conjunto dos seus pontos R-racionais é a circunferência unitária. Ela possui infinitos pontos Q-racionais que são os pontos

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Pontos singulares e espaço tangente

Seja V {\displaystyle V} uma variedade afim definida pelos polinómios f 1 , … , f r ∈ k [ x 1 , … , x n ] , {\displaystyle f_{1},\dots ,f_{r}\in k[x_{1},\dots ,x_{n}],} e seja a = ( a 1 , … , a n ) {\displaystyle a=(a_{1},\dots ,a_{n})} um ponto de V {\displaystyle V} . A Matriz jacobiana J V ( a ) {\displaystyle J_{V}(a)} de V {\displaystyle V} em a {\displaystyle a} é a matriz das derivadas parciais O ponto a {\displaystyle a} é regular se a característica da matriz J V ( a ) {\displaystyle J_{V}(a)} for igual à codimensão de V {\displaystyle V} , e singular caso contrário. Se a {\displaystyle a} for regular, o espaço tangente a V {\displaystyle V} em a {\displaystyle a} é o subespaço afim de k n {\displaystyle k^{n}} definido pelas equações lineares Se o ponto for singular, o subespaço afim definido por estas equações também é chamado de espaço tangente por alguns autores, enquanto outros autores dizem que não existe espaço tangente num ponto singular. Uma definição mais intrínseca que não usa coordenadas é dada pelo Espaço tangente de Zariski.

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A topologia de Zariski

Os conjuntos algébricos afins de kn formam os conjuntos fechados de uma topologia em kn, chamada topologia de Zariski. Isto decorre do facto de que V ( 0 ) = k n , {\displaystyle V(0)=k^{n},} V ( 1 ) = ∅ , {\displaystyle V(1)=\emptyset ,} V ( S ) ∪ V ( T ) = V ( S T ) , {\displaystyle V(S)\cup V(T)=V(ST),} e V ( S ) ∩ V ( T ) = V ( S , T ) {\displaystyle V(S)\cap V(T)=V(S,T)} (na verdade, uma interseção numerável de conjuntos algébricos afins é um conjunto algébrico afim). A topologia de Zariski também pode ser descrita por meio de conjuntos abertos básicos, onde os conjuntos abertos de Zariski são uniões numeráveis de conjuntos da forma U f = { p ∈ k n : f ( p ) ≠ 0 } {\displaystyle U_{f}=\{p\in k^{n}:f(p)\neq 0\}} para f ∈ k [ x 1 , … , x n ] . {\displaystyle f\in k[x_{1},\ldots ,x_{n}].} Estes conjuntos abertos básicos são os complementares em kn dos conjuntos fechados V ( f ) = D f = { p ∈ k n : f ( p ) = 0 } , {\displaystyle V(f)=D_{f}=\{p\in k^{n}:f(p)=0\},} o lugar geométrico dos zeros de um único polinómio. Se k for um anel noetheriano (por exemplo, se k for um corpo ou um domínio de ideais principais), então todo o ideal de k é finitamente gerado, de modo que todo o conjunto aberto é uma união finita de conjuntos abertos básicos.

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Correspondência Geometria–Álgebra

A estrutura geométrica de uma variedade afim está ligada de forma profunda à estrutura algébrica do seu anel de coordenadas. Sejam I e J ideais de k[V], o anel de coordenadas de uma variedade afim V. Seja I(V) o conjunto de todos os polinómios em k [ x 1 , … , x n ] , {\displaystyle k[x_{1},\ldots ,x_{n}],} que se anulam em V, e seja I {\displaystyle {\sqrt {I}}} o radical do ideal I, o conjunto de polinómios f para os quais alguma potência de f está em I. A razão pela qual se exige que o corpo base seja algebricamente fechado é que as variedades afins satisfaçam automaticamente o Nullstellensatz de Hilbert: para um ideal J em k [ x 1 , … , x n ] , {\displaystyle k[x_{1},\ldots ,x_{n}],} onde k é um corpo algebricamente fechado, I ( V ( J ) ) = J . {\displaystyle \mathrm {I} (\mathrm {V} (J))={\sqrt {J}}.} Ideais radicais (ideais que são o seu próprio radical) de k[V] correspondem a subconjuntos algébricos de V. De facto, para ideais radicais I e J, I ⊆ J {\displaystyle I\subseteq J} se e só se V ( J ) ⊆ V ( I ) . {\displaystyle \mathrm {V} (J)\subseteq \mathrm {V} (I).} Portanto V(I) = V(J) se e só se I = J. Além disso, a função que toma um conjunto algébrico afim W e devolve I(W), o conjunto de todas as funções que também se anulam em todos os pontos de W, é a inversa da função que associa um conjunto algébrico a um ideal radical, pelo Nullstellensatz. Logo, a correspondência entre conjuntos algébricos afins e ideais radicais é uma bijeção. O anel de coordenadas de um conjunto algébrico afim é reduzido (livre de elementos nilpotentes), uma vez que um ideal I num anel R é radical se e só se o anel quociente R/I for reduzido.

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Produtos de variedades afins

Um produto de variedades afins pode ser definido usando o isomorfismo An × Am = An+m, e depois mergulhando o produto neste novo espaço afim. Sejam An e Am os espaços com anéis de coordenadas k[x1,..., xn] e k[y1,..., ym] respetivamente, de modo a que o seu produto An+m tenha o anel de coordenadas k[x1,..., xn, y1,..., ym]. Seja V = V(f1,..., fN) um subconjunto algébrico de An, e W = V(g1,..., gM) um subconjunto algébrico de Am. Então cada fi é um polinómio em k[x1,..., xn], e cada gj está em k[y1,..., ym]. O produto de V e W é definido como o conjunto algébrico V × W = V(f1,..., fN, g1,..., gM) em An+m. O produto será irredutível se cada V, W for irredutível. A topologia de Zariski em An × Am não é a topologia produto das topologias de Zariski nos dois espaços. De facto, a topologia produto é gerada por produtos dos conjuntos abertos básicos Uf = An − V(f ) e Tg = Am − V(g ). Consequentemente, polinómios que estão em k[x1,..., xn, y1,..., ym] mas não podem ser obtidos como um produto de um polinómio em k[x1,..., xn] com um polinómio em k[y1,..., ym] definirão conjuntos algébricos que são fechados na topologia de Zariski em An × Am , mas não na topologia produto.

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Morfismos de variedades afins

Um morfismo, ou aplicação regular, de variedades afins é uma função entre variedades afins que é polinomial em cada coordenada: mais precisamente, para variedades afins V ⊆ kn e W ⊆ km, um morfismo de V para W é uma aplicação φ : V → W da forma φ(a1, ..., an) = (f1(a1, ..., an), ..., fm(a1, ..., an)), onde fi ∈ k[X1, ..., Xn] para cada i = 1, ..., m. Estes são os morfismos na categoria das variedades afins. Existe uma correspondência biunívoca entre morfismos de variedades afins sobre um corpo algebricamente fechado k, e os homomorfismos de anéis de coordenadas de variedades afins sobre k na direção oposta. Por causa disto, e juntamente com o facto de haver uma correspondência biunívoca entre as variedades afins sobre k e os seus anéis de coordenadas, a categoria das variedades afins sobre k é dual à categoria dos anéis de coordenadas de variedades afins sobre k. A categoria dos anéis de coordenadas de variedades afins sobre k é precisamente a categoria das álgebras finitamente geradas e livres de elementos nilpotentes sobre k.

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Feixe estrutural

Equipada com o feixe estrutural descrito abaixo, uma variedade afim é um espaço localmente anelado. Dada uma variedade afim X {\displaystyle X} com anel de coordenadas A {\displaystyle A} , o feixe de k {\displaystyle k} -álgebras O X {\displaystyle {\mathcal {O}}_{X}} é definido fazendo com que O X ( U ) = Γ ( U , O X ) {\displaystyle {\mathcal {O}}_{X}(U)=\Gamma (U,{\mathcal {O}}_{X})} seja o anel das funções regulares em U {\displaystyle U} . Seja D ( f ) = { x ∣ f ( x ) ≠ 0 } {\displaystyle D(f)=\{x\mid f(x)\neq 0\}} para cada f {\displaystyle f} em A {\displaystyle A} . Eles formam uma base para a topologia de X {\displaystyle X} e assim O X {\displaystyle {\mathcal {O}}_{X}} é determinado pelos seus valores nos conjuntos abertos D ( f ) {\displaystyle D(f)} . (Veja também: Feixe de módulos#Feixe associado a um módulo.) O facto chave, que depende do Nullstellensatz de Hilbert de maneira essencial, é o seguinte:

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Teorema de Serre sobre a afinidade

Um teorema de Serre fornece uma caracterização cohomológica de uma variedade afim; ele afirma que uma variedade algébrica é afim se e só se H i ( X , F ) = 0 {\displaystyle H^{i}(X,F)=0} para qualquer i > 0 {\displaystyle i>0} e qualquer feixe quase-coerente F {\displaystyle F} em X {\displaystyle X} . (cf. Teorema B de Cartan.) Isto faz com que o estudo cohomológico de uma variedade afim seja inexistente, num forte contraste com o caso projetivo no qual os grupos de coomologia de fibrados em retas são de interesse central.

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