Escândalo de exploração sexual infantil de Rotherham
O escândalo da exploração sexual infantil de Rotherham consistiu no abuso sexual organizado de crianças que ocorreu na cidade de Rotherham, no Norte de Inglaterra, desde o final da década de 1980 até à década de 2010, e no facto de as autoridades locais não terem agido com base em relatos do abuso durante a maior parte desse período.
Com uma população de cerca de 110 mil habitantes em 2011, Rotherham é a maior cidade dentro do Burgo Metropolitano de Rotherham, em South Yorkshire. Cerca de 11,9 por cento dos citadinos pertencia a grupos étnicos negros e minoritários, cerca de oito por cento da população do burgo. Três por cento do bairro pertenciam à comunidade de origem paquistanesa. Havia 68.574 cristãos na cidade em 2011, 23.909 sem religião, 8.682 muçulmanos, 7.527 não declarados, e um pequeno número de hindus, sikhs, judeus e budistas. O desemprego era superior à média nacional, e 23% das casas eram habitação social. A área tem sido tradicionalmente um reduto do Partido Trabalhista, e até Sarah Champion ter sido eleita em 2012, nunca tinha tido uma deputada. O conselho era igualmente dominado por homens; uma fonte interna, trabalhista, disse ao The Guardian em 2012: "A classe política de Rotherham é masculina, masculina, masculina". Em Maio de 2014 havia 63 membros eleitos no Conselho do Concelho Metropolitano de Rotherham: 57 Trabalhistas, quatro Conservadores, um UKIP e um independente. As eleições de Agosto desse ano assistiram a uma mudança para o UKIP: 49 Trabalhistas, 10 UKIP, 2 Conservadores e 2 independentes. O governo dissolveu o conselho em 2015 após o relatório Casey e substituiu-o por uma equipa de cinco comissários.
Terminologia
O termo "exploração sexual infantil" (CSE: child sexual exploitation) foi utilizado pela primeira vez em 2009 num documento do Departamento de Educação do Reino Unido. Tinha a intenção de substituir o termo "prostituição infantil" , que implicava um nível de consentimento. A CSE é uma forma de abuso sexual infantil em que é oferecido às crianças algo -- dinheiro, drogas, álcool, comida, um lugar para ficar, ou mesmo apenas afeto - em troca de atividade sexual. A violência e a intimidação são comuns.
Os primeiros relatos de aliciamento localizado em Rotherham datam do início dos anos 90, quando vários gestores de lares de crianças locais criaram um grupo para investigar relatos de que táxis conduzidos por homens paquistaneses estavam a chegar a lares para levar as crianças. Em 1997 o Conselho de Rotherham criou um projecto local para jovens, o Risky Business, para trabalhar com meninas e mulheres com idades entre os 11-25 anos que se pensava estarem em risco de exploração sexual nas ruas. Jayne Senior, mais tarde (2016) galardoada com a Ordem do Império Britânico pelo seu papel na descoberta do abuso, começou a trabalhar para a Risky Business como coordenadora por volta de Julho de 1999. As utilizadoras eram maioritariamente brancas: das 268 que utilizaram o projeto de Março de 2001 a Março de 2002, 244 eram brancas, 22 eram as assim chamadas "britânico-asiáticas", e 2 eram negras. Jayne Senior começou a encontrar provas, por volta de 2001, do que parecia ser uma rede de aliciamento localizada. A maioria dos clientes do Risky Business vinham anteriormente de Sheffield, que tinha um "distrito de luz vermelha". Agora, as meninas eram mais jovens e vinham de Rotherham. Meninas com apenas 10 anos faziam amizade, talvez com crianças da sua idade, antes de serem passadas para homens mais velhos que as violavam e se tornavam os seus "namorados". Muitas das meninas eram de famílias perturbadas, mas não todas. As crianças recebiam álcool e drogas e em seguida diziam-lhes que tinham de pagar a "dívida", fazendo sexo com outros homens. Os perpetradores começavam a obter informações pessoais sobre as meninas e as suas famílias - onde os seus pais trabalhavam, por exemplo - detalhes que eram usados para ameaçar as raparigas se elas tentassem retirar-se. As janelas das casas das famílias eram partidas; foram feitas ameaças de violar as mães e as irmãs mais novas. As crianças passavam a acreditar que a única forma de manter as suas famílias seguras era cooperando.
Estudo piloto do Ministério do Interior
Em 2000, Adele Weir, uma advogada de Yorkshire, foi contratada pelo Conselho de Rotherham como oficial de investigação e desenvolvimento num estudo piloto do Programa de Redução da Criminalidade do Ministério do Interior, "Tackling Prostitution": What Works" Uma secção do estudo foi dedicada aos "jovens e prostituição", e três cidades - Bristol, Sheffield e Rotherham - foram destacadas nessa secção. Weir foi contratada para escrever o relatório sobre Rotherham. Parte do objectivo do seu projecto era: "Recolha de informações e provas sobre homens alegadamente envolvidos na coacção de mulheres jovens à prostituição, com as quais a polícia poderia prosseguir investigações e/ou processos judiciais".
Mapeamento
Em resposta a uma queixa da polícia de que as provas de abuso de crianças em Rotherham eram episódicas, Weir compilou um mapeamento de 10 páginas em 2001, mostrando o que aparentacva ser uma rede de abuso local. Em prova submetida à Comissão dos Assuntos Internos (Home Affairs Committee) em 2014, escreveu que tinha encontrado "um pequeno número de suspeitos de abuso que eram bem conhecidos de todos os serviços importantes em Rotherham" Usando matéria obtida pela Risky Business, e dos serviços de saúde, serviços sociais, registos policiais, um projecto de sem-abrigo, e serviços de "abuso de substâncias", o relatório de Weir incluiu nomes de suspeitos, matrículas dos carros usados para transportar as crianças, as ligações dos suspeitos a negócios locais e a pessoas fora da área, e as relações entre os suspeitos e as meninas. Os suspeitos incluíam membros da família Hussain, que se pensava estarem entre os cabecilhas da rede, que foram presos em 2016. Weir estimava nessa altura que haveria mais de 270 vítimas.
Relatório ao Ministério do Interior
O relatório de Adele Weir para os avaliadores do Home Office ligava 54 crianças abusadas à família Hussain, a partir de Outubro de 2001. Dezoito crianças tinham nomeado um desses homens, Arshid Hussain (então com cerca de 25 anos), como seu "namorado", e várias tinham engravidado Uma das 18 meninas de 14 anos de idade na altura engravidou duas vezes. Em 2014 ela disse ao programa Panorama que os assistentes sociais tinham manifestado preocupação por Hussain estar perto de um bebé devido à sua história de violência, mas não tinham, segundo a vítima, manifestado a mesma preocupação por ela; disse ao Panorama que a sua relação com ele era consensual. (Em Fevereiro de 2016 Arshid Hussain foi condenado por múltiplas violações e encarcerado durante 35 anos). O relatório Weir acrescentou que os membros da família Hussain eram "alegadamente responsáveis por grande parte do crime violento e do tráfico de drogas na cidade". Utilizavam telemóveis indetetáveis - dizia o relatório - tinham acesso a carros caros, estavam ligados a uma empresa de táxis, e podem ter estado envolvidos em hotéis que eram utilizados pelos serviços sociais para alojamentos de emergência. Várias meninas enviadas para esses hotéis queixaram-se de lhes ter sido oferecido dinheiro, logo após a sua chegada, caso tivessem relações sexuais com vários homens. Outras meninas foram visadas em estações de comboios e autocarros.
Ficheiros desaparecidos
A seu pedido, Adele Weir enviou os seus dados aos avaliadores do Home Office em Bedfordshire, em Abril de 2002, o que aparentemente perturbou o gestor do Risky Business. Na segunda-feira, 18 de Abril de 2002, ou cerca dessa data, quando chegou ao trabalho, Weir descobriu que durante o fim-de-semana os seus dados piloto do Home Office tinham desaparecido dos arquivos do escritório do Risky Business. Segundo o relato de Weir, durante o fim-de-semana alguém tinha obtido acesso ao escritório do Risky Business, aberto os arquivos e removido todos os dados relacionados com o trabalho do Home Office. Isso envolveu : o acesso ao edifício, o desarme do alarme, a passagem por uma porta de segurança codificada e trancada, destrancar mais duas portas, destrancar uma secretária, encontrar as chaves dos arquivos e descobrir os ficheiros em causa e fazê-los desaparecer. Não havia sinais de uma entrada forçada. O computador do escritório, protegido por uma palavra-passe, também tinha sido acedido, e alguém tinha criado, no computador, novos ficheiros: actas de reuniões a que a Weir supostamente teria assistido, mostrando que concordara com determinadas condições, tais como não submeter dados aos avaliadores do Home Office sem o expresso consentimento do seu superior hierárquico. Mas Weir não tinha sequer participado em nenhuma dessas reuniões; na data indicada para uma delas, ela estava em férias no estrangeiro.
Relatório de 2002
Em 2002-2007 a polícia de South Yorkshire contratou Angie Heal, uma analista estratégica de drogas, para realizar pesquisas sobre o uso e fornecimento de drogas na área. Colocada na unidade estratégica de drogas com dois agentes da polícia, Heal escreveu vários relatórios durante este período. Durante a sua pesquisa em 2002 sobre o fornecimento local de crack, ela encontrou pela primeira vez exemplos de abuso sexual infantil organizado, e consultou Jayne Senior, do Risky Business e Anne Lucas, a responsàvel da secção de exploração infantil em Sheffield. Lucas explicou que parte do processo de aliciamento era dar drogas às crianças. O primeiro relatório de Angie Heal em 2002 recomendava que se tratasse das redes de abuso de crianças; se faltassem as provas necessárias para processar os homens por crimes sexuais, estes poderiam, em vez disso, ser processados por crimes relacionados com drogas, mantendo assim as crianças seguras e tirando as drogas das ruas. Heal escreveu em 2017 que o seu relatório foi bastante lido, mas ela "não podia acreditar na completa falta de interesse" nas ligações que tinha apontado entre o comércio local de drogas e o abuso de crianças.
Relatório de 2003
Heal decidiu continuar a investigar a questão e incluiu a exploração sexual de crianças nos suas reunioes semestrais. Enquanto Heal estava a preparar o seu segundo relatório, Sexual Exploitation, Drug Use and Drug Dealing: Current Situation in South Yorkshire (2003), Jayne Senior partilhou secretamente com ela o relatório da Adele Weir ao Home Office em 2002. Heal contou que se sentiu realmente assustada depois de o ter lido, dado o nível de detalhe, a falta de interesse, e o afastamento de Weir. O relatório de 2003 de Heal observou que Rotherham tinha "um número significativo de meninas, e alguns rapazes, que estão a ser explorados sexualmente"; que as vítimas estavam a ser violadas, raptadas e sujeitas a outras violências; que um número significativo tinha engravidado, e que estavam deprimidas, zangadas e autolesionadas; e que o Risky Business tinha identificado quatro dos perpetradores como irmãos. Angie Heal criou duas versões do seu relatório: uma era para uma distribuição mais ampla entre os funcionários, a segunda, apenas para a polícia, continha os nomes dos perpetradores, obtidos do Risky Business.
Relatório de 2006
Em 2005 foi criado um novo departamento de serviços para crianças e jovens, com o Conselheiro Shaun Wright nomeado membro do gabinete do departamento, e em Março de 2006 realizou-se uma conferência em Rotherham, "Every Child Matters, But Do They Know it?", para discutir a exploração sexual de crianças. O terceiro relatório de Heal, Violence and Gun Crime: Links with Sexual Exploitation, Prostitution and Drug Markets in South Yorkshire (2006), observou que a situação continuava e envolvia "violência física e sexual sistemática contra mulheres jovens". As vítimas estavam a ser traficadas para outras cidades, e a violência utilizada era "muito severa". Se as raparigas protestassem, os perpetradores ameaçavam envolver as irmãs mais novas das meninas, amigos e família. Tinha havido também um aumento de relatos de que os perpetradores tinham sido vistos com armas.
Em 2008, a Polícia de South Yorkshire criou a Operação Central para investigar as alegações. Como resultado, oito homens foram julgados no tribunal superior de Sheffield em Outubro de 2010 por ofensas sexuais contra meninas com idades entre os 12-16 anos. Quatro das vítimas testemunharam. Cinco homens foram condenados, incluindo dois irmãos e um primo. Um dos irmãos, Razwan Razaq, timha uma condenação prévia por agressão indecente a uma jovem no seu carro, e violou uma ordem anterior de prevenção de delitos sexuais. O seu irmão Umar Razaq recorreu da sentença e foi libertado após nove meses. Todos os cinco foram inscritos no registo de delinquentes sexuais.
Antecedentes
Andrew Norfolk do The Times escreveu pela primeira vez sobre o aliciamento localizado em 2003, depois de se mudar de Londres para Leeds, quando escreveu uma breve história sobre a rede de abuso sexual infantil de Keighley. Ann Cryer, deputada por Keighley, queixou-se de que homens de ascendência paquistanesa estavam a visar meninas adolescentes fora das escolas, enquanto os pais alegavam que a polícia e os serviços sociais nao estavam a actuar. Desde então até 2010, Norfolk ouviu falar de processos judiciais no norte de Inglaterra e nas Midlands, relatando um padrão semelhante. Grupos de homens lisonjeavam raparigas jovens em locais públicos, oferecendo-lhes álcool, cigarros e passeios em carros luxuosos. Um homem tornar-se-ia o "namorado", e em breve era esperado que as meninas tivessem relações sexuais com todo o grupo, incluindo contactos fora da cidade. Norfolk escreve que a maioria dos agressores sexuais no Reino Unido são homens brancos e agressores solitários; estes casos eram distintos porque a maioria dos homens tinham nomes muçulmanos e trabalhavam em grupos.
Assassinato de Laura Wilson
Em 2012, o Conselho de Rotherham requereu ao Supremo Tribunal uma ordem judicial para impedir Norfolk de publicar uma versão não editada de uma revisão judicial do assassinato de uma jovem local, Laura Wilson. L. Wilson (a "Criança S" nos documentos) tinha 17 anos em Outubro de 2010 quando foi esfaqueada 40 vezes e atirada a um canal pelo seu ex-namorado de 17 anos, Ashtiaq Asghar, um acto a que a polícia chamou crime de honra". Ela tinha tido um bebé quatro meses antes com um homem casado de 21 anos. As famílias dos homens, ambos de ascendência paquistanesa, aparentemente desconheciam as relações e a existência da criança. Cansada de guardar segredo, Wilson decidiu contar-lhes. Dias mais tarde, o ex-namorado assassinou-a. Ambos os homens foram julgados; o homem mais velho foi absolvido, e Asghar foi preso durante 17 anos e seis meses.
Setembro de 2012
A 24 de Setembro de 2012, Norfolk afirmou que o abuso em Rotherham era muito mais generalizado do que reconhecido, e que a polícia tinha conhecimento do mesmo há mais de uma década. A sua história, "Os ficheiros da polícia revelam um vasto escândalo de protecção infantil", baseava-se em duzentos documentos divulgados, alguns de Jayne Senior, tais como ficheiros de casos e cartas da polícia e dos serviços sociais. Os documentos incluíam o relatório de 2001 de Adele Weir para o Ministério do Interior, que ligava 54 crianças maltratadas à família Hussain; 18 das crianças tinham chamado Arshid Hussain de "namorado". Os casos destacados por Norfolk incluíam o de uma menina de quinze anos de idade com uma garrafa partida inserida ; uma criança de catorze anos de idade presa num apartamento e forçada a ter relações sexuais com cinco homens; e uma menina de treze anos de idade, com roupas rasgadas, encontrada pela polícia numa casa às três da manhã com um grupo de homens que lhe tinham dado vodka. Um vizinho tinha chamado a polícia depois de ouvir a rapariga gritar; ela foi presa por estar bêbeda e desordeira, mas os homens não foram sequer interrogados.
Audiências
A Comissão dos Assuntos Internos da Câmara dos Comuns começou a ouvir provas sobre o aliciamento localizado em Junho de 2012, como resultado das condenações de Rotherham em 2010 (Operação Central), dos artigos de Andrew Norfolk no Times, e da rede de abuso sexual infantil de Rochdale (Operação Span), que condenou doze homens em Maio de 2012. A comissão publicou o seu relatório, "Exploração sexual infantil e a resposta ao aliciamento localizado", (Child sexual exploitation and the response to localised grooming), em Junho de 2013, com um segundo relatório em Outubro de 2014, em resposta ao relatório Jay. Em Outubro de 2012, a comissão criticou o chefe de polícia de South Yorkshire, David Crompton, e um dos seus oficiais superiores, Philip Etheridge. O comité ouviu as provas de que três membros de uma família ligada ao abuso de 61 raparigas não tinham sido acusados, e não foi tomada qualquer medida quando um homem de vinte e dois anos foi encontrado num carro com uma menina de 12 anos, com fotos indecentes dela no seu telemóvel. Crompton afirmou que a "origem étnica" não foi um factor a ter em conta na decisão de acusar ou não os suspeitos. A comissão disse que eles estavam muito preocupados, tal como o público.
Relatório de Outubro de 2014
O seguinte relatório da comissão, a 18 de Outubro de 2014, detalhava o desaparecimento dos ficheiros de Adele Weir contendo dados sobre os abusos do escritório do Risky Business em 2002. As alegações foram feitas em audições privadas. Keith Vaz afirmou: "A proliferação de revelações sobre ficheiros que já não podem ser localizados levanta a suspeita pública de um encobrimento deliberado. A única forma de abordar estas preocupações é com uma investigação completa, transparente e urgente". O relatório apelava a uma nova legislação que permitisse a remoção dos comissários da Polícia eleitos, na sequência de um voto de desconfiança.
Relatório
Em Outubro de 2013, o Conselho de Rotherham Council encarregou a Professora Alexis Jay, ex-conselheira chefe do sector social do governo escocês, de conduzir um inquérito independente sobre o tratamento dos relatórios de exploração sexual de crianças desde 1997. Publicado a 26 de Agosto de 2014, o relatório Jay revelou que cerca de mil e quatrocentas crianças, segundo uma estimativa baixa, tinham sido exploradas sexualmente em Rotherham entre 1997 e 2013. De acordo com o relatório, crianças com 11 anos de idade foram "violadas por múltiplos perpetradores, raptadas, traficadas para outras cidades em Inglaterra, espancadas e intimidadas". Os taxistas eram um "fio comum", apanhando crianças para sexo nas escolas e lares. A equipa de inquérito encontrou exemplos em que "uma criança foi molhada em gasolina e ameaçada de ser incendiada, crianças que foram ameaçadas com armas, crianças que testemunharam violações brutalmente violentas e foram ameaçadas de serem a próxima vítima se contassem a alguém. Meninas com apenas 11 anos de idade foram violadas por um grande número de homens, um após o outro". Segundo o relatório:
Demissões
O relatório Jay motivou as demissões de Roger Stone, líder trabalhista do Conselho de Rotherham, e Martin Kimber, o seu chefe executivo. Apesar de ter sido fortemente criticada durante as comparências perante a Comissão de Assuntos Parlamentares, Joyce Thacker, directora dos serviços infantis do conselho, e Shaun Wright, Comissário da Polícia e do Crime (PCC) para a Polícia de South Yorkshire a partir de 2012 - e conselheiro trabalhista responsável pela segurança infantil no conselho de 2005 a 2010 - não se demitiria. Acabaram por se demitir, em Setembro, sob pressão: Shawn Wright foi convidado a demitir-se por Theresa May, então Secretária do Interior e por membros do seu próprio partido, entre eles a deputada trabalhista Sarah Champion. Renunciou também ao Partido Trabalhista, em 27 de Agosto de 2014, após um ultimato do partido para o fazer ou enfrentar a suspensão.
Reações
Houve espanto em todo o mundo com as descobertas do relatório Jay e extensa cobertura noticiosa. Dez dos jornais mais populares do Reino Unido apresentaram o relatório em suas primeiras páginas, incluindo o Times, Guardian, Daily Telegraph e o Independent. David Crompton, chefe da Polícia de South Yorkshire de 2012 a 2016, convidou a Agência Nacional do Crime a conduzir um inquérito independente. Keith Vaz, então presidente da Comissão dos Assuntos Internos, disse a Meredydd Hughes, chefe da Polícia de South Yorkshire de 2004 a 2011, que Hughes tinha falhado às vítimas de abuso. Theresa May,na altura Secretária do Interior, acusou as autoridades de um "incumprimento do dever". Ela culpou vários factores, incluindo a institucionalizaçao do "políticamente correto" no Conselho de Rotherham, o escrutínio inadequado pelos conselheiros e a cultura de encobrimento, combinados com o medo de ser visto como racista e uma "atitude de desdém" em relação às crianças. Denis MacShane, deputado por Rotherham desde 1994 até à sua demissão em 2012 por alegar falsas despesas, culpou uma cultura de "não querer abanar o barco da comunidade multicultural" Disse ter tido consciência do que ele via como os problemas do casamento de primos e a opressão das mulheres dentro de partes da comunidade muçulmana na Grã-Bretanha, mas "como um verdadeiro leitor do Guardian, e esquerdista liberal, suponho que não queria levantar essa questão com demasiada força." Simon Danczuk, deputado trabalhista de Rochdale, onde casos semelhantes foram processados, argumentou que a etnia, a classe e a economia nocturna eram todos factores, acrescentando que "uma minoria muito pequena" na comunidade "asiática" tem uma visão pouco saudável das mulheres, e que uma " política doentia 'importada' do Paquistão", que envolvia "cuidar dos seus", era parcialmente culpada.
Na sequência do relatório Jay, o Secretário de Estado das Comunidades e do Governo Local, Eric Pickles, encomendou uma inspecção independente do Conselho de Rotherham. Dirigida por Louise Casey, directora-geral do programa de Famílias Conturbadas do governo, a inspeção examinou o governo do conselho, os serviços para crianças e jovens, e o licenciamento de táxis e de aluguer privado. Publicado em Fevereiro de 2015, o relatório Casey concluiu que o Conselho de Rotherham "não estava adequado ao objectivo". Casey identificou uma cultura de "bullying, sexismo ... e 'politicamente correto' deslocado", juntamente com uma história de encobrimento de informação e silenciamento de denunciantes. A equipa de luta contra a exploração sexual das crianças era mal dirigida, sofria de excesso de casos, e não partilhava informações. O conselho tinha um historial de falhar em lidar com questões relacionadas com a raça: "O pessoal percebeu que havia apenas um pequeno passo entre mencionar a etnia dos perpetradores e ser rotulado de racista". Os conselheiros de ascendência paquistanesa foram deixados encarregues de todas as questões relativas a essa comunidade, o que lhes permitiu exercer uma influência desproporcionada, enquanto os conselheiros brancos ignoravam as suas responsabilidades. O conselheiro Jahangir Akhtar, em particular, foi indicado como demasiado influente, inclusive no que dizia respeito a assuntos policiais.
Dezembro de 2015
A polícia de South Yorkshire criou a Operação Clover em Agosto de 2013 para investigar os casos históricos de abuso sexual de crianças na cidade. Como resultado, seis homens e duas mulheres foram a julgamento perante a juíza Sarah Wright a 10 de Dezembro de 2015 no Sheffield Crown Court, com a Procuradora Michelle Colborne. Quatro eram membros da família Hussain - três irmãos e o seu tio, Qurban Ali, mencionados no relatório de 2001 de Adele Weir. Dizia-se que a família Hussain "possuía" Rotherham. Qurban Ali possuía uma empresa local de minitáxis, a Speedline Taxis; uma das mulheres acusadas tinha trabalhado para a Speedline como operadora de rádio. Um quarto irmão Hussain, Sageer Hussain, foi condenado em Novembro de 2016. Foi alegado em finais de 2018 que Arshid Hussain foi contatado pelo conselho de Rotherham enquanto estava na prisão em relação a um processo de cuidados ao seu filho, concebido durante uma violação. A mãe da criança e vítima de Hussain, Sammy Woodhouse, acusou o conselho de colocar o seu filho em risco e uma petição online apelando a uma mudança na lei atingiu mais de 200 mil assinaturas.
Setembro de 2016
Oito homens foram julgados em Setembro de 2016 e condenados a 17 de Outubro desse ano. Um quarto irmão Hussain, Sageer Hussain, foi preso durante 19 anos por quatro acusações de violação de uma rapariga de 13 anos e uma agressão sexual. A família da menina, então proprietária de uma estação de correios e loja local, tinha denunciado as violações na altura à polícia, ao seu deputado, e a David Blunkett, o Secretário do Interior, mas em vão. A jovem foi aliciada pela primeira vez quando tinha 12 anos de idade, e disse ao tribunal que tinha sido violada várias vezes desde os 13, na primeira ocasião em Novembro de 2002 por nove homens, que tiraram fotos. Numa outra ocasião, ela foi trancada numa sala enquanto os homens faziam fila no exterior. Foi ameaçada com uma arma, e disseram-lhe que violariam a sua mãe em grupo, matariam o seu irmão e incendiariam a sua casa. Sempre que os casos aconteciam, ela escondia as roupas que tinha vestido. Em Abril de 2003, quando tinha 13 anos, contou à sua mãe, que alertou a polícia; Foi mostrado ao tribunal o vídeo de uma entrevista que a polícia fez com ela nesse mês. A polícia recolheu os sacos de roupa como provas, depois telefonou dois dias mais tarde para dizer que os tinha perdido. A família recebeu uma indemnização de 140 Libras pelas roupas e foi aconselhada a desistir do caso. Incapazes de encontrar alguém para os ajudar, venderam o seu negócio em 2005 e, com medo, mudaram-se para Espanha durante 18 meses.
Janeiro de 2017
Seis homens, incluindo três irmãos, foram a julgamento em Janeiro de 2017 perante a juíza Sarah Wright, e a procuradora Sophie Drake. Todos foram condenados por 21 delitos relacionados com agressões entre 1999 e 2001 a duas meninas, com 11 e 13 anos de idade, quando o abuso começou. As crianças foram agredidas numa loja de fogo-de-artifício e num apartamento por cima de uma fila de lojas, ambas propriedade do pai dos irmãos. Uma jovem, na altura com 12 anos de idade, foi trancada no apartamento "extremamente sujo" durante a noite, sem electricidade nem água corrente. Uma violação por Basharat Hussain foi denunciada à polícia em 2001; ele foi interrogado mas libertado sem acusação. Uma das crianças engravidou aos 12 anos, mas tinha sido violada por cinco homens e não sabia quem era o pai; testes de ADN estabeleceram que era um dos arguidos Após a sentença, dois dos homens gritaram "Allahu Akbar" enquanto eram conduzidos para fora do tribunal.
Maio de 2017
Em Maio de 2017 houve mais uma condenação:


