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André Ventura

André Claro Amaral Ventura é um jurista, professor universitário, político e ex-comentador desportivo português. Atualmente, desempenha as funções de Presidente do Partido Chega, Conselheiro de Estado e Deputado à Assembleia da República Portuguesa, sendo o atual líder da oposição em Portugal.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Biografia

Infância e juventude

André Ventura nasceu em Algueirão, Sintra, em 15 de janeiro de 1983, filho de João Manuel dos Santos Ventura, dono de uma loja de bicicletas, e de Ana Maria da Cruz Claro Ventura, empregada de escritório. Aos catorze anos, tornou-se um católico entusiasta, batizou-se e fez a primeira comunhão e o crisma. Quis ser padre e frequentou o Seminário de Penafirme, seminário menor do Patriarcado de Lisboa, mas não prosseguiu a formação eclesiástica, por se ter apaixonado. Licenciou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa, com dezanove valores. Em 2013, defendeu a tese de doutoramento em Direito Público pela Faculdade de Direito da Universidade de Cork, na Irlanda, financiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. Nesta, criticou o "populismo penal" e "estigmatização de minorias", revelando preocupação com a "expansão dos poderes policiais".

Carreira profissional

Lecionou na Universidade Autónoma de Lisboa, de 2013 até 2019, e na Universidade Nova de Lisboa, de 2016 até 2018. Foi consultor na Caiado Guerreiro, Sociedade de Advogados, de 2018 até 2019, e comentador desportivo no canal de televisão CMTV, da entidade Cofina Media, de 2014 até 2020. É também inspetor da Autoridade Tributária, mas com licença sem vencimento desde 2014. Foi consultor na empresa 'Finpartner', na qual trabalhou de 2019 a 2020, acumulando por 9 meses com o salário de cargo político. Em maio de 2020, na sequência de uma polémica com o futebolista Ricardo Quaresma, que descreveu o discurso de André Ventura como "populismo racista", advindo de uma proposta de André Ventura para um "plano de confinamento específico para a comunidade cigana" com o intuito de combater a propagação do SARS-CoV-2, foi dispensado como comentador na CMTV, acumulando o vencimento desse cargo com o salário de cargo político até ao dia 31 do mesmo mês.

Escritor

Antes de ingressar na política, André Ventura foi autor dos romances Montenegro e A Última Madrugada do Islão, publicados pela Chiado Editora. As obras, marcadas por conteúdo explícito e temáticas controversas, geraram atenção mediática, especialmente o segundo livro, cuja primeira edição foi retirada do mercado em 2009 após ameaças não fundamentas alegadas pelo próprio autor. No seguimento das alegadas ameaças, André Ventura fez um comunicado onde revela ter estado proximo a doutrina Islamista. Ambas as obras são de qualidade considerada dúbia e o estilo literario e narrativo de baixa qualidade.

Vida pessoal

É casado desde 2016 com Dina Marques Nunes, fisioterapeuta pediátrica, sem geração.

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Política no Partido Social Democrata

Imagem: Agencia LUSA · BY · Openverse

Em junho de 2015, afirmou que provavelmente seria candidato pelo PSD à Câmara Municipal de Sintra, o que acabou por não se concretizar. Em 2016, criou, com Rui Pereira, antigo ministro da Administração Interna, e o antigo futebolista António Simões, um movimento de apoio à recandidatura de Luís Filipe Vieira à liderança do Sport Lisboa e Benfica. Em julho de 2016, na sequência do atentado em Nice, André Ventura afirmou no Facebook defender "a redução drástica da presença islâmica na União Europeia".

Vereador em Loures

Em abril de 2017, foi escolhido pelo PSD para liderar a candidatura à Câmara Municipal de Loures nas eleições autárquicas desse mesmo ano, enfrentando o candidato do PCP, Bernardino Soares. Apesar de ter perdido, foi eleito vereador, renunciando em 2018. Numa entrevista, em julho de 2017, em resposta às declarações de André Ventura acerca dos povos ciganos, José Pinto Coelho, do PNR, escreve "Infelizmente, ao que parece, alguns dos 'meus' ainda andam pelos partidos do sistema". Ventura, de seguida afirmou "repudiar veementemente o apoio da extrema-direita". No decurso da mesma campanha, André Ventura fez várias afirmações polémicas sobre a comunidade cigana do concelho de Loures, tendo passado a ser alvo de uma queixa-crime apresentada pela candidatura do Bloco de Esquerda a Loures, encabeçada por Fabian Figueiredo. Acabou acusado por José Pinto Coelho de roubar o discurso do PNR. Em outubro de 2017, Ventura afirmou estar pronto a disputar a liderança do PSD, caso mais ninguém avançasse contra Rui Rio.

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Política no Chega

Imagem: Rodrigospascoal · BY-SA · Openverse

Pré-eleição

A 9 de abril de 2019, fundou o partido político Chega, e, a 12 de abril de 2019, associou-se à Coligação Basta! para as eleições europeias de 2019. Não conseguindo eleger qualquer Eurodeputado, a coligação foi dissolvida a 30 de julho de 2019. Concorreu às eleições legislativas de 2019 pelo Chega, como cabeça de lista pelo círculo eleitoral de Lisboa, acabando por ser eleito como o primeiro deputado do partido por si fundado. Afirma ter posições "liberais economicamente, nacionalistas culturalmente e conservadoras em questões de costumes", e define-se como um "político antissistema". Academicamente, é descrito como um Partido de direita radical, movimento que tem estado marginalizado desde a revolução de 25 de abril de 1974. Foi criado a partir pequenos grupos dentro do Partido Social Democrata. A carreira de André Ventura teve destaque nos meios de comunicação social quando acusou as comunidades ciganas de viverem num estado de benefícios. Visto por comentadores como uma tentativa de importar o discurso xenófobo que estava a aparecer noutros países da Europa, teve destaque por ser um representante do segundo maior partido de então (assim como por ser um comentador de futebol, o que aumentou a sua visibilidade), tendo a sua fundação menos ligações ao movimento de extrema-direita tradicional.

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Deputado na Assembleia da República

XIV Legislatura

André Ventura foi eleito deputado da Assembleia da República Portuguesa pelo circuito de Lisboa. Em setembro de 2020, apresentou uma proposta da diminuição do número de deputados de 230 para 100, declarada inconstitucional pela Comissão de Assuntos Constitucionais. Em novembro, abdicou destas propostas para acompanhar o PSD. Em janeiro de 2020, propôs a diminuição de 5 a 7,5% nos salários dos deputados. A 6 de dezembro de 2019, apresentou na Assembleia da República um projeto de lei para a agravação de penas para crimes de abuso sexual de menores de 14 anos, que incluía a implementação da castração química. O parecer do Conselho Superior de Magistratura indica que a redação proposta teria como resultado descriminalizar abuso sexual de menores dependentes dos 14 aos 18 anos. André Ventura responde na sua página do Facebook dizendo que esta não seria a sua intenção, defendendo também uma interpretação distinta do projeto de lei:

XV Legislatura

Nas eleições legislativas de 2022, o Chega subiu de 1,3% para 7,2% e de 1 para 12 deputados, tendo André Ventura sido reeleito deputado à Assembleia da República, pelo círculo eleitoral de Lisboa. No discurso da tomada de posse, Ventura prometeu que o Chega será a voz "dos portugueses comuns". "Será a voz daqueles que perderam a voz num sistema que não permitiu que não fossem representados". Na primeira vez que tomou a palavra, respondeu ao novo presidente do grupo parlamentar da bancada socialista, lembrando a Eurico Brilhante Dias que teve mais de meio milhão de votos e que "merecem respeito". Após o discurso do novo Presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, respondeu que o Chega "ama a sua pátria e não tem medo de o dizer", “Não nos incomoda nada que ache que o nacionalismo é negativo. Orgulhamo-nos da nossa História e do que Portugal foi nos vários séculos” terminando com uma citação do poeta, Fernando Pessoa: “Estamos aqui para cumprir Portugal”.

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Políticas internacionais

Imagem: Vox España · CC0 · Openverse

Partido Identidade e Democracia

A 2 de julho de 2020, anunciou enquanto presidente do Chega, que o partido aceitou o convite do partido integrar no grupo parlamentar do Parlamento Europeu, Identidade e Democracia. No dia 23 de junho de 2022, teve um encontro com a Ministra da Justiça da Hungria, Judit Varga, para a preparação de um encontro com o Primeiro-Ministro da Hungria, Viktor Orbán.

Viva 21 - Espanha

Nos dias 9 e 10 de outubro, esteve reunido com Santiago Abascal e Giorgia Meloni em Madrid, no evento Viva 21 organizado pelo Vox. Os três lideres partidários concordaram com a importância da existência de fronteiras seguras para a proteção dos povos da União Europeia, o respeito pelas soberanias nacionais, e a defesa da família, da cultura da vida, e na liberdade dos pais para a escolha na educação dos filhos. No final do dia 10 discursou no evento destacando, que Portugal, Espanha, Grécia e Itália “decidiram estreitar os laços porque existe uma ameaça real para as nossas sociedades". Ventura, Abascal e Giorgia Meloni comprometeram-se a lançar um fórum de colaboração de patriotas do sul da Europa com semelhanças em termos de identidade, história, costumes, valores e vocação geopolítica com o objetivo de dar um impulso alternativo ao projeto europeu.

Viva 22 - Espanha

A 8 e 9 de outubro, reuniu-se com Santiago Abascal, Javier Milei e Mateusz Morawiecki, primeiro-ministro polaco, no evento Viva 22 em Madrid. No seu discurso criticou o socialismo e apoiou os valores ocidentais. Afirmando que Pedro Sánchez e António Costa, "são os piores governantes da Europa". Defendeu o direito dos europeus a defenderem as suas nações contra a imigração e contra Bruxelas: "O futuro pertence a nós europeus, aos povos europeus. Não pertence a Bruxelas ou à imigração. Na sua intervenção, também defendeu a identidade dos povos europeus e a luta “para que Espanha e Portugal sejam países europeus e não países árabes na Europa”.

Eleição presidencial no Brasil em 2022

Durante a eleição presidencial no Brasil em 2022, Ventura declarou apoio ao então Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro para sua reeleição. Ventura disse que "Bolsonaro é a escolha certa" em sua manifestação de apoio. Após o ex-presidente Lula da Silva ter sido eleito com a maioria dos votos, Ventura em sessão da Assembleia Nacional chamou Lula de "bandido". Na ocasião, Ventura foi repreendido por Augusto Santos Silva, presidente da Assembleia, porém Ventura continuou a dizer que entendia os bolsonaristas que faziam protestos em frente aos quartéis do Exército, nas manifestações golpistas, por não aceitarem o resultado das eleições.

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Primeira candidatura à Presidência da República Portuguesa

Eleição presidencial de 2021

No dia 8 de fevereiro de 2020, André Ventura anunciou a sua candidatura à presidência da república nas eleições de 2021, em Portalegre. André Ventura convidou a atriz Maria Vieira para ser a sua mandatária presidencial junto das comunidades portuguesas no estrangeiro e escolheu Patrícia Sousa Uva para mandatária nacional. Posteriormente, com a demissão da ex-mandatária, Ventura convidou então Rui Paulo Sousa, vogal da direção nacional, para mandatário nacional. No dia 18 de dezembro de 2020, André Ventura entregou 10 250 assinaturas no Tribunal Constitucional, para a formalização da sua candidatura a Belém. No dia 22 de dezembro de 2020, pediu a suspensão temporária do mandato de deputado, para se candidatar às eleições presidenciais portuguesas de 2021, sendo esta suspensão impedida pela Assembleia da República a 29 de dezembro de 2020. No dia 31 de dezembro de 2020, após a decisão da maioria dos grupos parlamentares de não autorizar a suspensão de mandato, André Ventura avançou com uma intimação contra a Assembleia da República e Ferro Rodrigues, Presidente da Assembleia, no Supremo Tribunal Administrativo. No dia 30 de dezembro de 2020, a sua candidatura foi aceite pelo Tribunal Constitucional.

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Eleições autárquicas de 2021

Imagem: VOX España · PDM · Openverse

A 17 de junho de 2021, anunciou a sua candidatura à presidência da Assembleia Municipal de Moura nas eleições autárquicas de 2021, tendo sido eleito deputado municipal após ficar em 3.º lugar, com 25,3% dos votos, não lhe permitindo assumir a presidência da Assembleia Municipal. Para este efeito, requereu suspensão do mandato de deputado à Assembleia da República entre 9 de setembro e 8 de outubro de 2021, tendo sido substituído por Diogo Pacheco de Amorim, candidato em 2.º lugar na lista do Chega pelo círculo eleitoral de Lisboa às eleições legislativas de 2019.

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Posição sobre temas sociais

Alguns temas frequentemente abordados pelo deputado André Ventura têm suscitado bastante mediatismo nos órgãos de comunicação social, sendo as suas declarações muitas vezes conotadas, tanto mediaticamente como academicamente, com anticiganismo, islamofobia, xenofobia, machismo, e racismo.

População cigana

Em 2017, enquanto candidato à Câmara Municipal de Loures, pelo PSD, André Ventura afirmou que existia para com algumas minorias étnicas, em Portugal, "uma excessiva tolerância", dizendo ainda que, no caso concreto da "etnia cigana", estes "ocupam espaços ilegalmente e ninguém faz nada". Disse ainda que estas comunidades têm um "problema de integração" e que a "maioria não se quer integrar". Em 2020, confrontado com acusações sobre se "isso não é xenofobia ou racismo" Ventura respondeu existir "um estudo de 2014 que diz que só 15% dos ciganos vivem do seu trabalho". Esta declaração foi avaliada pelo polígrafo SAPO como "imprecisa, além de descontextualizada". Afirmou ainda existir "uma excessiva tolerância com alguns grupos e minorias étnicas", que "pessoas à espera de reabilitação nas suas habitações, quando algumas famílias, por serem de etnia cigana, têm sempre a casa arranjada" e que "ocupam espaços ilegalmente e ninguém faz nada", afirmando ainda que "[i]sto não é racismo nem xenofobia, é resolver um problema que existe porque há minorias no nosso país que acham que estão acima da lei". Numa matéria análoga, com a premissa "[c]iganos têm direito exclusivo a RSI, apartamento mobilado e outras regalias oferecidas pelo Estado", esta é avaliada como falsa pelo polígrafo SAPO, no sentido de que "não há regras diferentes ou tratamento discriminatório entre os 'portugueses'" sendo que "qualquer cidadão português, independentemente da respetiva etnia, pode requerer a atribuição de RSI".

População islâmica

Em 2017, após os atentados de Orlando e Nice, André Ventura afirmou que "este tipo de terrorismo que vimos em Orlando ou em Nice obriga-nos a um olhar diferente sobre as comunidades islâmicas na Europa", sugerindo uma "redução drástica da presença islâmica na União Europeia". Em 2018, após o atentado de Estrasburgo, recuperou as declarações anteriores, considerando que a Europa voltava a estar "ensanguentada pelo terrorismo fundamentalista", considerando que "o problema da presença massiva de islâmicos na Europa é precisamente o controlo da radicalização e a diferenciação entre os que estão por bem e os que estão para nos converter ou destruir". O artigo de opinião de sua autoria, "A injustiça islâmica", foi descrito pela cientista política Verónica Ferreira, em sua tese de mestrado, como "o retrato mais acabado do pensamento islamofóbico ocidental".

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Fontes consultadas

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