Anastásia Nikolaevna da Rússia
Anastásia Nikolaevna da Rússia foi a quarta filha do czar Nicolau II da Rússia e da czarina Alexandra Feodorovna que, aos 17 anos, foi executada por soldados bolcheviques junto com outros membros da família imperial russa.
Infância
Quando Anastásia nasceu, os seus pais e família ficaram desapontados por terem tido uma quarta menina e não o desejado herdeiro. O czar Nicolau II deu um longo passeio para se recompor antes de visitar a czarina Alexandra e ver a bebé pela primeira vez. O seu nome tem vários significados, entre eles "aquela que se liberta das correntes" ou "ela reerguer-se-á". A grã-duquesa mais nova recebeu este nome porque, para celebrar o seu nascimento, o seu pai libertou um grupo de estudantes presos no inverno anterior. Outro significado do seu nome é "da ressurreição", uma coincidência que foi referida muitas vezes quando, mais tarde, muitos discutiram a sua possível sobrevivência.
Personalidade
Anastásia tinha uma personalidade diferente das de suas femininas e bem-comportadas irmãs. Às vezes fazia rasteiras aos empregados e pregava peças aos seus tutores. Quando criança, subia às árvores e recusava-se a descer. O único que conseguia convencê-la a fazê-lo era o seu pai, Nicolau. Anna Vyrubova referiu-se a Anastásia como "perspicaz e esperta, uma macaca para brincadeiras". Gleb Botkin recordou a simplicidade que Anastásia demonstrou certa ocasião, em que o seu pai tinha dito à grã-duquesa que ela era feita de ouro, ao que a jovem respondeu: "De forma alguma, sou feita do mais ordinário cabedal", Mas à medida que foi crescendo, o comportamento travesso de Anastásia foi diminuindo, como observou Pierre Gilliard: "Uma ingenuidade e simplicidade totais eram as maiores características de Anastásia Nikolaevna. Quando era pequena, era muito travessa, encontrava imediatamente as características cómicas das pessoas, e em seguida imitava-os muito habilmente, e isso era uma diversão irresistível. Mas, quando cresceu, esse hábito irreverente tornou-se menos comum".
A associação com Rasputin
A mãe de Anastásia dependia dos conselhos de Grigori Rasputin, um camponês russo e staretz peregrino ou "homem santo", e acreditava que tinha sido através da influência dele que o seu filho Alexei se tinha salvado de alguns dos seus mais preocupantes ataques de hemofilia. Anastásia e as suas irmãs aprenderam a chamar Rasputin de "o nosso amigo" e a partilhar os seus segredos com ele. No outono de 1907, a tia de Anastásia, Olga, foi levada até ao berçário pelo czar para conhecer Rasputine. Quando entrou no quarto, viu as suas sobrinhas e sobrinho vestidos com as suas camisas de dormir. "As crianças pareciam todas gostar dele," recordou Olga Alexandrovna. "Estavam completamente à vontade com ele". A amizade de Rasputin com os filhos do imperador era evidente em algumas mensagens que o camponês lhes enviou. Em fevereiro de 1909, Rasputine enviou-lhes um telegrama, onde os aconselhava a "amar toda a natureza de Deus, toda a Sua criação e, principalmente, esta terra. A Mãe de Deus estava sempre ocupada com flores e bordados".
Primeira Guerra Mundial e revolução
Durante a Primeira Guerra Mundial, Anastásia visitava soldados feridos num hospital privado em Czarskoe Selo na companhia da sua irmã Maria. As duas adolescentes, muito novas para se tornarem enfermeiras da Cruz Vermelha, como a sua mãe e as suas irmãs mais velhas, jogavam xadrez e bilhar com os soldados e tentavam animá-los. Felix Dassel, que foi tratado no hospital e conheceu Anastásia, recordou que a grã-duquesa "ria como um esquilo" e caminhava rapidamente "como se fosse sempre aos saltinhos". Em fevereiro de 1917, após a abdicação do Czar Predefinição:Lkb, Anastásia e a família foram colocados sob prisão domiciliária no Palácio de Alexandre em Czarskoe Selo durante a Revolução Russa. À medida que os Bolcheviques se aproximavam, Alexander Kerensky do Governo Provisório mandou-os para Tobolsk, na Sibéria. Pouco depois dos Bolcheviques se terem apoderado da maioria da Rússia, Anastásia, a família, alguns criados e o médico da família foram enviados para a cidade mineira de Ecaterimburgo, nos Montes Urais.
Cativeiro
A ansiedade e incerteza do cativeiro trouxeram sofrimento para Anastásia e para a família. "Adeus" escreveu ela a um amigo no inverno de 1917. "Não te esqueças de nós". Em Tobolsk, escreveu uma canção para o seu tutor de inglês, cheia de erros ortográficos sobre Evelyn Hope, um poema de Robert Browning, que falava sobre uma jovem da idade de Anastásia: "Quando morreu tinha apenas dezasseis anos. Havia um homem que a amava, sem nunca a ter visto, mas conhecia-a muito bem. E ela também tinha ouvido falar dele. Ele nunca lhe conseguiu dizer que a amava, e agora ela estava morta. Mas mesmo assim ele pensou que quando ele e ela vivessem [a sua] próxima vida, quando isso acontecesse (…)".
Segundo a Nota Yurovsky, um relato sobre o evento escrito por Yurovsky aos seus superiores Bolcheviques, imediatamente antes da alvorada do dia dos assassinatos, a família foi acordada e foi-lhes dito para se vestirem. Quando perguntaram o porquê dessa ordem, foi-lhes dito que precisavam de tirar uma fotografia para provar que ainda estavam vivos. Há também relatos de que foi lhes dito que havia um tiroteio, o que tornava os quartos superiores, onde dormiam, inseguros, e teriam que se mudar imediatamente para a cave. Uma vez vestidos, a família e o pequeno grupo de criados e profissionais da área de saúde que permaneceram com eles, foram levados para a cave e foi-lhes dito para esperarem. Anastásia seguiu a família, levando o seu cão Jimmy nos braços. Foi permitido a Nicolau, Alexandra e Alexei (no colo da mãe) que se sentassem em cadeiras providenciadas pelos guardas a pedido da imperatriz. Após vários minutos, os carrascos entraram na sala, conduzidos por Yurovski. Sem hesitação, Yurovski informou rapidamente o czar e a sua família que iam todos ser executados. O czar teve apenas tempo de perguntar "O quê?" e de se virar para a sua família, antes de ser abatido com vários tiros no peito (às vezes erroneamente se diz que foi baleado na cabeça, mas seu crânio não apresentava ferimentos de bala quando foi descoberto em 1991). A imperatriz e a filha Olga tentaram fazer o sinal da cruz, mas foram mortas na saraivada inicial de balas, atiradas pelos executores. Ambas foram feridas por tiros na cabeça. O resto da família e comitiva, foram mortos logo depois.
A suposta sobrevivência de Anastásia foi um dos mistérios mais celebrados do século XX. Anna Anderson, a impostora mais conhecida, apareceu publicamente pela primeira vez entre 1920 e 1922. Contou que tinha fingido estar morta quando estava entre os cadáveres da sua família e criados, e conseguiu fugir com a ajuda de um guarda que teve pena dela e a salvou depois de reparar que ela ainda estava viva. A sua batalha legal para ser reconhecida arrastou-se desde 1938 até 1970. A controvérsia durou o resto da sua vida e foi o caso mais longo dos tribunais alemães, onde foi oficialmente arquivado. A decisão final do tribunal foi a de que Anderson não tinha dado provas suficientes para poder reclamar a identidade da grã-duquesa. Anderson morreu em 1984 e o seu corpo foi cremado. Foram levados a cabo testes de ADN em 1994 numa amostra de tecido de Anderson, encontrada num hospital, e o sangue do príncipe Filipe, Duque de Edimburgo, sobrinho-neto da imperatriz Alexandra. Segundo Dr. Gill, que realizou estes testes, "Se for aceite que estas amostras pertencem a Anna Anderson, então ela não podia ser parente do czar Nicolau nem da czarina Alexandra", O ADN de Anderson era idêntico ao de um sobrinho-neto de Franziska Schanzkowska, uma operária polaca desaparecida. Alguns apoiantes de Anna Anderson reconheceram que os testes de ADN provaram que ela não podia ser uma das grã-duquesas tinham "vencido".
Em 1991, foi escavada a suposta vala comum onde tinham sido enterrados os corpos da família imperial e dos seus criados na floresta nos arredores de Ecaterimburgo. A vala tinha sido descoberta quase uma década antes, mas os investigadores decidiram manter a sua descoberta em segredo do governo comunista que ainda governava a Rússia na altura. Na vala, apenas se encontraram nove dos onze corpos esperados. Testes de ADN e aos esqueletos ligaram estes restos mortais a Nicolau II, Alexandra e três das quatro grã-duquesas. Os restantes corpos, cujo ADN não correspondia nem aos restantes nem entre si, pertenciam ao médico da família, Yevgeny Botkin, ao criado, Alexei Trupp, ao cozinheiro, Ivan Kharitonov, e à criada de Alexandra, Anna Demidova. O falecido especialista forense, Dr. William Maples, chegou à conclusão de que os corpos que faltavam pertenciam ao czarevich Alexei e à grã-duquesa Anastásia. Contudo, os cientistas russos contestaram esta conclusão e afirmaram que o corpo feminino que faltava era o da grã-duquesa Maria. Os russos identificaram Anastásia através de um programa informático que comparou fotos da grã-duquesa mais nova com as caveiras das vítimas descobertas na vala comum. Fizeram uma estimativa do peso e largura das caveiras onde faltavam partes do osso. Os cientistas americanos acharam que este método era pouco preciso.
Em 2000, Anastásia e sua família foram canonizados como Portadores da Paixão pela Igreja Ortodoxa Russa. A família foi anteriormente canonizada em 1981 pela Igreja Ortodoxa Russa no estrangeiro como Neomártires. Os corpos do czar Nicolau II, da czarina Alexandra e de três filhas foram finalmente enterrados na Catedral de São Pedro e Paulo em São Petersburgo em 17 de julho de 1998, oitenta anos após seu assassinato.
A possível sobrevivência de Anastásia tem sido assunto de vários filmes, peças de teatro e séries de televisão. O mais antigo, feito em 1928, chamava-se Clothes Make the Woman (As Roupas Fazem a Mulher). A história é sobre uma mulher que aparece para fazer o papel de uma Anastásia salva para um filme de Hollywood, e acaba por ser reconhecida pelo soldado russo que a salvou originalmente dos seus assassinos. O mais famoso é provavelmente o filme altamente fictício de 1956 Anastásia protagonizado por Ingrid Bergman que tinha o papel de Anna Anderson, Yul Brynner como general Bounine (uma personagem fictícia baseada num homem severo verdadeiro), e Helen Hayes como Dagmar da Dinamarca, avó paterna de Anastásia. O filme conta a história de uma mulher de um asilo que aparece em Paris em 1928 e é capturada por emigrés russos, que lhe dão informação de maneira a enganar a avó de Anastásia e fazê-la pensar que Anderson é a sua neta, para obter a fortuna do czar. À medida que o tempo passa, eles começam a suspeitar que esta "Madame A. Anderson" é realmente a grã-duquesa sobrevivente.[carece de fontes?]


