Paquitas
As Paquitas foram um grupo brasileiro de assistentes de palco e cantoras criado em 1984 por Xuxa Meneghel ainda no Clube da Criança apresentado na época pela mesma. Ganharam projeção nacional ao acompanhar a apresentadora e cantora Xuxa Meneghel em diversos programas de televisão — sobretudo o Xou da Xuxa (1986–1992), exibido pela TV Globo. Reconhecidas pelos uniformes que remetiam às balizas — jaquetas azuis ou vermelhas com franjas douradas nos ombros, chapéus decorados e, nos primeiros anos, saias depois substituídas por shorts e botas brancas —, as Paquitas tornaram-se ícones visuais da cultura pop brasileira das décadas de 1980 e 1990. Mais do que assistentes de palco, elas consolidaram-se como um fenômeno cultural que influenciou a moda, o comportamento e o imaginário infanto-juvenil de toda uma geração.
Paquitas da Manchete (1984–1986)
A formação das Paquitas teve início em 1984, durante o período em que Xuxa Meneghel apresentava o programa Clube da Criança, exibido pela Rede Manchete. Nesse ano, durante uma viagem a Nova Iorque, Xuxa visitou um consultório dentário onde conheceu um papagaio chamado Paquito, que era mantido trancado no banheiro, pois a esposa do dentista não permitia que ele circulasse pela casa. Ao retornar para o Brasil, Xuxa, ainda fascinada pelo papagaio, incentivou a equipe do programa a criar um fantoche com as mesmas características de Paquito, que passou a ser usado no programa como uma espécie de mascote e recebeu o mesmo nome, em homenagem ao papagaio nova-iorquino.
Paquitas Primeira Geração (1986–1990)
Em 1986, após ser contratada pela TV Globo, Xuxa Meneghel estreou no programa Xou da Xuxa, o que trouxe mudanças significativas para o grupo de assistentes de palco. Em fevereiro de 1986, a assistente Heloísa Morgado, a "Paquita 2", a segunda Paquita da Xuxa no programa Clube da Criança, não foi contratada pela nova emissora e foi substituída por Andréa Faria, que recebeu o apelido de "Xiquita Sorvetão". A entrada de Andréa no grupo ocorreu após ela ser indicada pela mesma agência de modelos em que Xuxa já havia trabalhado. A produtora Marlene Mattos entrou em contato com a agência e pediu a produtora D. Aurora que indicasse uma menina loirinha de olhos claros e que lembrasse um pouco a Xuxa, e a D. Aurora, então, passou o telefone de Andréa para Marlene. E no dia da entrevista Andréa, acabou sendo aprovada após responder três perguntas feitas por Marlene, se gostava de dançar, se gostava de criança e principalmente se gostava da Xuxa, e o fato de Xuxa a reconhecer também facilitou a sua entrada no grupo porque anteriormente Andréa, já tinha frequentado diversas vezes as gravações do programa Clube da Criança, inclusive mesmo antes da existência das Paquitas. Inicialmente, o apelido de Andréa seria "Paquita 2", porém na mesma hora Xuxa achou que ela tinha mais cara de "Xiquita", ficando decidido que seria então, "Xiquita Sorvetão". O apelido "Sorvetão" foi dado por Xuxa em referência ao gosto de Andréa por sorvete e sua personalidade distraída. "Sorvetão" surgiu porque, além de atrapalhada, eu tomava muito sorvete. E o apelido pegou porque a minha ficha demorava para cair, eu não entendia de primeira. A Xu falava que eu era muito "Sorvetão", relembrou Andréa em entrevista à revista Quem em 2013. Andréa, estreou oficialmente como Paquita, no dia 30 de junho de 1986, junto com a estreia do programa Xou da Xuxa, tendo inclusive chegado a participar dos pilotos do Xou da Xuxa, ao lado de Andréa Veiga a primeira "Paquita" da Xuxa.
Paquitas Segunda Geração (1987–1995)
Com o sucesso crescente do Xou da Xuxa e o fortalecimento das Paquitas como ícones culturais no Brasil, uma renovação no grupo tornou-se essencial para acompanhar o entusiasmo do público e manter o programa dinâmico. Em dezembro de 1987, Priscilla Couto conhecida como "Catuxita Top Model", junto com Tatiana Maranhão conhecida como "Paquitita Loura", foram as primeiras integrantes a fazerem parte dessa nova fase. Priscilla Couto, apelidada de "Catuxita Top Model", chamou a atenção de Xuxa e Marlene Mattos ao se destacar em competições de desfile promovidas pelo programa, cativando o público com sua elegância e postura. Após dois meses de seletivas, Priscilla foi oficialmente coroada ao lado de Tatiana Maranhão a "Paquitita Loura", em dezembro de 1987, no programa especial de Ano Novo. Inicialmente, recebeu o título de "Pituxita", em homenagem à Paquita Luise Wischermann, que a coroou pessoalmente. Mais tarde, adotou o apelido definitivo "Catuxita Top Model", refletindo sua experiência como modelo da loja O Bicho Comeu. Priscilla tornou-se uma das integrantes mais duradouras do grupo, participando de projetos como discos, filmes, shows e campanhas publicitárias.
Paquitas Internacionais (1990–1996)
Com o estrondoso sucesso de Xuxa no Brasil, a marca "Xuxa" expandiu-se para outros países, impulsionando a criação das "Paquitas Internacionais". Essas assistentes de palco acompanhavam a apresentadora nas versões internacionais de seus programas, principalmente na América Latina e nos Estados Unidos. As "Paquitas Internacionais" desempenhavam funções semelhantes às Paquitas brasileiras: animar a plateia, participar de coreografias e auxiliar Xuxa na condução de brincadeiras e números musicais. Em cada apresentação internacional, seja em programas de televisão, promoções de músicas ou homenagens, as "Paquitas Internacionais" simbolizavam Xuxa e atuavam como suas representantes, levando sua imagem e mensagem a cada evento.
Paquitas New Generation (1995–1999)
Em 1995, após relatos de desabafos das Paquitas sobre assédio moral nos bastidores, o editor do programa, João Henrique Schiller, sugeriu transformar essas confissões em um livro, Sonhos de Paquitas — Nos bastidores do Xou, ideia que as integrantes ingenuamente aceitaram. Quando Marlene Mattos foi informada sobre o projeto por uma das próprias Paquitas, tomou a decisão de demitir todas as envolvidas. Em uma edição do Xuxa Park, exibida em 29 de abril de 1995, as integrantes da segunda geração se despediram oficialmente do público. Nesse mesmo programa, foi apresentada a nova formação, intitulada Paquitas New Generation ou também conhecidas como Paquitas Nova Geração, marcando o início de uma nova fase para o grupo.
Paquitas Geração 2000 (1999–2002)
Após a saída repentina de Diane Dantas (Lady Di) e o aviso prévio da saída de Bárbara Borges (Babunitona) das Paquitas New Generation, no final de 1998, iniciou-se a seleção para as Paquitas Geração 2000, também conhecidas como Geração Papinha ou simplesmente como Paquitas 2000 ou Geração 2000. As Paquitas Geração 2000, foram selecionadas após um processo rigoroso de testes, as candidatas passaram por testes de canto, dança, vídeo, idiomas e desfile de biquíni. O novo grupo de Paquitas foi apresentado ao público no dia 28 de março de 1999, no programa Planeta Xuxa. No entanto, a coroação oficial das Paquitas Geração 2000 ocorreu apenas no dia 9 de outubro de 1999, no programa Xuxa Park. Nessa ocasião, elas apresentaram a canção inédita "O Sonho Continua", que foi feita exclusivamente em homenagem à despedida das Paquitas New Generation.
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As Paquitas tiveram um papel essencial na música infantojuvenil brasileira, destacando-se não apenas como assistentes de palco, mas também como artistas reconhecidas. Suas produções musicais incluíram álbuns de sucesso, trilhas sonoras de filmes e temas para programas de televisão, o que ampliou sua presença e influência no entretenimento brasileiro.
Álbuns e singles
A trajetória musical das Paquitas teve início com sua participação como coristas nos álbuns de Xuxa Meneghel, experiência que serviu como base para o lançamento de suas próprias produções e as preparou para o sucesso no cenário infantojuvenil brasileiro. A presença do grupo nos discos de Xuxa introduziu as integrantes ao universo da música e estabeleceu uma fundação sólida para seu sucesso como artistas independentes. O primeiro álbum do grupo, intitulado [[Paquitas (álbum de 1989)|Paquitas], foi lançado em 1989 pela gravadora RGE e rapidamente conquistou popularidade com músicas como "Alegres Paquitas", "Playback", "Sorvetão", e o sucesso "Fada Madrinha (É Tão Bom)". Esse lançamento marcou um ponto de transição importante, consolidando as Paquitas como estrelas infantojuvenis e ampliando sua base de fãs. O sucesso do álbum gerou uma série de shows e turnês pelo Brasil, estabelecendo o grupo no cenário musical da época.
Shows e turnês
Desde o surgimento do programa Xou da Xuxa em 1986, as Paquitas, grupo de assistentes de palco e dançarinas da apresentadora Xuxa Meneghel, desempenharam um papel essencial não apenas como apoio, mas também como um grande atrativo para o público. Com coreografias marcantes e uma presença energética, as Paquitas conquistaram o público infantil e adolescente, sendo parte central das turnês e apresentações ao vivo de Xuxa. As turnês do Xou da Xuxa ocorreram principalmente entre o final dos anos 80 e o início dos anos 90, período em que o programa alcançou enorme popularidade. Com apresentações em capitais e cidades do interior de diversas regiões do Brasil, Xuxa e as Paquitas arrastaram multidões, quebrando recordes de público em várias ocasiões. As Paquitas estavam ao lado de Xuxa não apenas em palco, mas também na divulgação de shows e eventos, cativando o público com suas danças coreografadas e interações que reforçavam o vínculo com os fãs.
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Filmes
As Paquitas tiveram uma presença significativa no cinema brasileiro, participando de alguns dos principais filmes da carreira de Xuxa Meneghel. Com seu apelo entre o público infantil e juvenil, a participação das Paquitas nas telonas ajudou a ampliar sua popularidade. Além de acompanharem Xuxa na televisão, elas também integraram o universo dos filmes estrelados pela apresentadora, contribuindo para o sucesso dessas produções. O primeiro grande sucesso no qual as Paquitas participaram foi Lua de Cristal (1990). Este filme, estrelado por Xuxa, contava com as Paquitas em papéis de apoio, reforçando o ambiente familiar e a identidade visual associada ao Xou da Xuxa. Lua de Cristal se tornou um dos maiores fenômenos de bilheteria da época e é considerado um clássico do cinema infantil brasileiro. A música-tema, Lua de Cristal, foi um grande sucesso, e, embora as Paquitas não tivessem papéis principais, sua presença manteve a conexão com o público fiel de Xuxa.
Programas de TV
As Paquitas foram introduzidas inicialmente como assistentes de palco no programa Clube da Criança (1984–1986), exibido pela Rede Manchete, onde Xuxa começou sua carreira como apresentadora de programas infantis. No entanto, foi com a estreia do Xou da Xuxa, em 1986, na TV Globo, que as Paquitas realmente ganharam notoriedade. No Xou da Xuxa, as Paquitas eram responsáveis por ajudar na condução das brincadeiras, organizar as crianças da plateia, e participar das coreografias e números musicais. O programa se tornou um fenômeno de audiência, e as Paquitas passaram a ser vistas como modelos de comportamento para o público infantil e adolescente.
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Impacto emocional
O encerramento das Paquitas em 2002 marcou um momento de grande impacto emocional para as integrantes e para o público que acompanhava o grupo desde os anos 1980. Esse desfecho coincidiu com a ruptura profissional entre Xuxa Meneghel e sua diretora Marlene Mattos, que exerceu controle rígido sobre o grupo. Para muitas das ex-integrantes, o fim das Paquitas simbolizou o encerramento de uma fase marcada tanto por experiências gratificantes quanto por desafios emocionais intensos. As revelações que vieram a público após o encerramento destacaram o lado menos visível da fama, expondo as complexidades e tensões dos bastidores. Para as integrantes, o papel de Paquita era mais do que uma posição em um programa de televisão de sucesso; era a realização de um sonho e uma plataforma de aprendizado e visibilidade. No entanto, memórias compartilhadas em entrevistas e, mais recentemente, no documentário Pra Sempre Paquitas (2024), revelam um ambiente repleto de pressões. Relatos indicam que, ao longo dos anos, as jovens enfrentaram assédio psicológico e humilhações relacionadas à aparência física e ao comportamento. Marlene Mattos, responsável pelo gerenciamento do grupo, era conhecida por impor padrões estéticos rigorosos, incluindo o controle de peso e a obrigatoriedade de um visual padronizado, como o cabelo loiro. As consequências emocionais dessas exigências, segundo as ex-integrantes, foram severas e deixaram marcas profundas na autoestima e na saúde mental das jovens.
Carreiras pós-Paquitas
Após o encerramento do grupo das Paquitas, muitas ex-integrantes seguiram caminhos variados e bem-sucedidos, reinventando-se em diferentes áreas profissionais. Algumas continuaram no entretenimento, consolidando-se como atrizes e apresentadoras de destaque, enquanto outras exploraram novos campos, como Direito e ativismo. A experiência como Paquita, além de ser uma porta de entrada para o mundo artístico, serviu como um marco de aprendizado e crescimento pessoal para cada uma delas, deixando um legado significativo que se estende além do palco e da televisão. Após o encerramento do grupo das Paquitas, várias ex-integrantes se reinventaram como atrizes e consolidaram suas carreiras no teatro, na televisão e até no cinema.


