Neolítico
Neolítico ou Período da Pedra Polida é o período histórico que vai aproximadamente do X milênio a.C. quando a agricultura apareceu no Oriente Próximo e Mesopotâmia e mais tarde no resto do mundo. Durou no Oriente Próximo até o período de transição do Calcolítico de cerca de 6.500 anos atrás, marcado pelo desenvolvimento da metalurgia, levando à Idade do Bronze e à Idade do Ferro. O Neolítico marcou o início da sedentarização e surgimento da agricultura, ao III milênio a.C., dando lugar à Idade dos Metais. Não se aplica à pré-história americana, subsaariana, nem oceânica. Em outros lugares, o Neolítico sucedeu o Mesolítico e se estendeu até períodos posteriores. No Egito Antigo, o Neolítico perdurou até o período Protodinástico, por volta de 3150 a.C. Na China, durou até cerca de 2000 a.C., com a ascensão da cultura Erlitou pré-Shang, assim como na Escandinávia.
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Por volta de 10 000 a.C., ou seja, há cerca de 12 mil anos, no Período Mesolítico, deram-se várias transformações climáticas que viriam a criar condições favoráveis para a prática da agricultura e criação de animais. A invenção da agricultura ocorreu nos vales férteis dos grandes rios do Oriente Próximo, em uma região chamada Crescente Fértil. No VIII milénio a.C. já se cultivavam cereais como trigo e cevada. O feijão, a lentilha, a ervilha, o grão-de-bico, a ervilhaca-amarga, o linho, o milho, o arroz e etc. estão inclusos entre as primeiras espécies cultivadas por humanos. Na mesma época animais como o cão, o carneiro ou a cabra já eram domesticados. Humanos passaram assim de nômades a pastores, horticultores e agricultores. Cria-se, assim, um novo tipo de economia, chamada de economia de produção, em que os seres humanos já sabem produzir os alimentos necessários à sua sobrevivência, graças à criação de animais e ao cultivo da terra.
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Essas mudanças de comportamento foram consideradas tão importantes que o arqueólogo Gordon Childe designou este momento de Revolução neolítica, ou Revolução agrária, fator decisivo para a sobrevivência dos povos nesse período. A Revolução Neolítica durou por volta de 10.000 anos, e seus principais pontos são: O Neolítico, pelo fato de ter sido o último período da Idade da Pedra, terminou com o surgimento da Idade dos Metais. Mas a transição do Neolítico para a Idade dos Metais (Idade do Cobre, Bronze e Ferro) caracterizou a transição da Pré-História para a História em alguns locais, já que a escrita surgiu quase na mesma época.
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Europa
No sudeste da Europa, as sociedades agrárias apareceram pela primeira vez no sétimo milênio a.C. atestada por um dos primeiros locais agrícolas da Europa, descoberto em Vashtëmi, sudeste da Albânia e que remonta a 6500 a.C. Na maior parte da Europa Ocidental em seguido nos próximos dois mil anos, mas em algumas partes do noroeste da Europa é muito mais tarde, durando pouco menos de 3.000 anos a partir de c. 4500 a.C.–1700 a.C. Os recentes avanços na arqueogenética confirmaram que a disseminação da agricultura do Oriente Médio para a Europa estava fortemente correlacionada com a migração de agricultores primitivos da Anatólia há cerca de 9.000 anos, e não era apenas um intercâmbio cultural.
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Em geral
As primeiras aldeias eram criadas em proximidade de rios, de modo a usufruir da terra fértil (onde eram colocadas sementes para plantio) e água para seres humanos e animais. Também nesse período começou a domesticação de animais (cabra, boi, cão, dromedário, etc.). A disponibilidade de alimento permite também às populações um aumento do tempo de lazer; e a necessidade de armazenar os alimentos e as sementes para cultivo leva à criação de peças de cerâmica, que vão gradualmente ganhando fins decorativos. Surge também o comércio com o aparecimento do dinheiro, que facilita a troca de materiais e que começou por ser, na época, baseado em sementes. Estas, diferenciadas umas das outras, tinham cada tipo o seu valor. Uma aldeia, ao produzir mais do que o necessário e, para não perder grande parte da produção que não iria ser utilizada, troca o excesso por peças de artesanatos, roupas e outros utensílios com outras aldeias.
Religião
A arqueologia registra certas descobertas relativas aos períodos Paleolítico e do Neolítico que são por alguns interpretadas — embora em caráter um tanto subjetivo — pela possibilidade de ter havido a primeira manifestação humana de uma religião a qual baseou-se no culto à mulher, ao feminino e a associação desta à Natureza, ao poder de dar a vida. Foram descobertas, no abrigo de rochas Cro-Magnon em Les Eyzies, conchas cauris, descritas como "o portal por onde uma criança vem ao mundo" e cobertas por um pigmento de cor ocre vermelho, que simbolizava o sangue e que estavam intimamente ligados ao ritual de adoração às estatuetas femininas. Constatou-se por escavações que estas estatuetas eram encontradas muitas vezes numa posição central, em oposição aos símbolos masculinos, localizados em posições periféricas ou ladeando as estatuetas femininas.
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O Neolítico foi marcado por uma série de transformações técnicas relacionadas às novas formas de subsistência e à progressiva sedentarização das comunidades. O desenvolvimento da agricultura e a domesticação de animais estimularam a produção de novos instrumentos e utensílios destinados ao cultivo, ao processamento e ao armazenamento de alimentos, bem como às atividades domésticas e artesanais. Entre as principais inovações encontram-se o aperfeiçoamento das ferramentas de pedra, especialmente com a pedra polida, e o desenvolvimento de técnicas como a cerâmica, a tecelagem, a cestaria e a moagem. Essas atividades permitiram a fabricação de recipientes, tecidos, cestos e instrumentos destinados ao processamento de produtos agrícolas. Em períodos posteriores do Neolítico, algumas comunidades também desenvolveram ou difundiram tecnologias relacionadas à tração animal e à roda, utilizadas principalmente no transporte e nas atividades agrícolas.
Agricultura
Uma mudança significativa e abrangente na subsistência e no estilo de vida humano ocorreu nas áreas onde a agricultura e o cultivo foram desenvolvidos pela primeira vez: a dependência anterior de uma técnica de subsistência essencialmente nômade de caçadores-coletores ou da transumância pastoral foi inicialmente complementada e, posteriormente, cada vez mais substituída pela dependência dos alimentos produzidos em terras cultivadas. Acredita-se também que esses desenvolvimentos tenham incentivado consideravelmente o crescimento de assentamentos, visto que a crescente necessidade de dedicar mais tempo e trabalho ao cultivo exigia moradias mais localizadas. Essa tendência continuou na Idade do Bronze, dando origem, eventualmente, a cidades agrícolas permanentemente estabelecidas e, mais tarde, a cidades e estados cujas populações maiores podiam ser sustentadas pelo aumento da produtividade das terras cultivadas.
Cerâmica
A cerâmica no Neolítico representa um marco significativo no desenvolvimento tecnológico das sociedades pré-históricas, refletindo tanto avanços na produção material quanto mudanças socioeconômicas. Trata-se da confecção de recipientes de argila moldada e posteriormente cozida, destinados principalmente ao armazenamento, preparo e transporte de alimentos e líquidos. Os vasos cerâmicos neolíticos apresentavam diferentes formas e tamanhos, muitas vezes decorados com padrões geométricos ou impressões obtidas por instrumentos rudimentares, como cordas ou dentes de pedra. O cozimento da argila em fogo controlado conferia resistência e durabilidade aos objetos, permitindo maior segurança no armazenamento de grãos, sementes e água.
Tecelagem
A tecelagem no Neolítico constitui um avanço técnico relevante, vinculado à produção de tecidos a partir de fibras vegetais ou animais. Esse processo envolvia a preparação das fibras (como linho, cânhamo, algodão ou lã), o entrelaçamento sistemático por meio de técnicas manuais ou com auxílio de instrumentos rudimentares, como teares simples, e a obtenção de tecidos com diferentes densidades, texturas e padrões. O desenvolvimento da tecelagem está associado à necessidade de vestuário, proteção, armazenamento e utensílios domésticos, além de ter implicações econômicas e sociais, como a diferenciação de status e o comércio de produtos manufaturados. Evidências arqueológicas, como restos de fibras, fragmentos de tecidos e impressões em cerâmica, permitem identificar a prática da tecelagem em diversas regiões neolíticas, incluindo o Crescente Fértil, a Europa e a China.
Cestaria
A cestaria refere-se à confecção de recipientes, cestos e esteiras a partir de fibras vegetais ou outros materiais naturais, como juncos, cipós, canas e palha, utilizando técnicas de entrelaçamento, trançado ou urdidura. Essa tecnologia é considerada uma das mais antigas formas de manufatura de objetos funcionais, precedendo e, muitas vezes, coexistindo com a tecelagem de tecidos. No Neolítico, a cestaria estava intimamente ligada à sedentarização e à agricultura, já que cestos e recipientes trançados permitiam o armazenamento, transporte e proteção de sementes, grãos e outros alimentos. Além disso, a cestaria tinha aplicações domésticas e utilitárias, como a confecção de esteiras, tapetes e armadilhas, e também desempenhava papel econômico e social, servindo em trocas, comércio e na diferenciação de status entre indivíduos ou grupos.
Moagem
A moagem consiste no processamento mecânico de plantas, principalmente cereais e leguminosas, com o objetivo de obter farinha, flocos ou sementes descascadas, facilitando o consumo e o armazenamento. No registro arqueológico, essa prática é documentada pelo conjunto de ferramentas denominado lítica de moagem, incluindo pedras de mós, mós superiores ou manuais (manos), mós do tipo vai‑e‑vem (saddle quern) e, posteriormente, mós rotativas, além de microresíduos de amido e fitólitos e sinais de desgaste nas superfícies das pedras. No Neolítico, as técnicas mais comuns incluíam o uso de mós do tipo vai‑e‑vem, compostas por uma laje inferior e uma pedra manual superior utilizada em movimento recíproco, e conjuntos portáteis de mão e base (mano e metate). Em algumas regiões, surgem mós rotativas, mais eficientes, permitindo moagem contínua. Estudos experimentais demonstram diferenças de esforço e produtividade entre os tipos de moagem.
Roda
A roda é considerada uma das inovações tecnológicas mais importantes do período pré-histórico, surgindo de forma gradual. Inicialmente, o conceito de disco rotativo foi aplicado em torno de oleiro, antes de ser adaptado a veículos com eixo. Os primeiros indícios arqueológicos do uso da roda datam do IV milénio a.C., no Crescente Fértil e em áreas da Europa central. O vaso de Bronocice, encontrado na Polônia, apresenta motivos incisos interpretados como um veículo de quatro rodas, datados do meio do IV milénio a.C. A roda preservada mais antiga, com eixo completo, foi descoberta nos Pântanos de Liubliana (Eslovénia) e data de aproximadamente 3200–3350 a.C. A partir do II milénio a.C., surgem as rodas com raios, associadas a veículos leves e carros de guerra na Anatólia e no Cáucaso, indicando evolução técnica contínua conforme novas funções surgiam.
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Durante o Neolítico, a transição de sociedades caçadoras-coletoras para comunidades agrícolas sedentárias teve impacto significativo na saúde humana. Evidências osteoarqueológicas indicam que, embora a agricultura tenha permitido o aumento populacional e a estabilidade alimentar, ela também trouxe consequências negativas à saúde das populações.
Problemas dentários e nutricionais
O consumo intensivo de cereais processados levou a um aumento de cáries dentárias e desgaste dentário, em comparação com populações caçadoras-coletoras que apresentavam dieta mais diversificada e rica em proteínas animais. Além disso, a dependência de poucos tipos de plantas cultivadas pode ter causado deficiências nutricionais, como anemia por deficiência de ferro.
Doenças infecciosas
O sedentarismo e a densidade populacional mais elevada favoreceram a propagação de doenças infecciosas. Enteroparasitoses, tuberculose e outras infecções foram mais frequentes em assentamentos permanentes, devido à proximidade entre indivíduos e ao contato mais constante com animais domésticos.
Alterações esqueléticas
A análise de esqueletos neolíticos revela alterações musculoesqueléticas relacionadas ao trabalho agrícola, como degeneração articular, deformidades vertebrais e sobrecarga em membros superiores e inferiores. Tais modificações refletem a intensificação de atividades físicas repetitivas, como a moagem, o cultivo e o transporte de cargas pesadas.
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A habitação dos primeiros humanos mudou drasticamente do Paleolítico Superior para o Neolítico. No Paleolítico, as pessoas normalmente não viviam em construções permanentes. No Neolítico, começaram a surgir casas de tijolos de barro revestidas com gesso. O aumento do uso de argila na construção, juntamente com o desenvolvimento da cerâmica e de outros artefatos feitos de argila, levou alguns a se referirem ao período Neolítico como a Era da Argila. O crescimento da agricultura tornou as casas permanentes muito mais comuns. Em Çatalhöyük, há 9.000 anos, as entradas eram feitas no telhado, com escadas posicionadas tanto na parte interna quanto na externa das casas. Os assentamentos com casas sobre palafitas eram comuns na região dos Alpes e da Planície Padana (Terramare). Restos mortais foram encontrados no pântano de Ljubljana, na Eslovênia, e nos lagos Mondsee e Attersee, na Alta Áustria, por exemplo.
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Aparentemente, a maior parte das roupas era feita de peles de animais, como indicam os achados de um grande número de alfinetes de osso e chifre, ideais para prender couro. Tecidos de lã e linho podem ter se tornado disponíveis durante o Neolítico tardio, conforme sugerem as descobertas de pedras perfuradas que (dependendo do tamanho) podem ter servido como fusos ou pesos de tear.


