Nitrato de amônio
O nitrato de amônio (NH4NO3) é um composto químico formado pelos íons amônio (NH4+) e nitrato (NO3–). Amplamente utilizado na agricultura por fornecer nitrogênio de duas formas essenciais para as plantas, ele também possui aplicações industriais, mas exige cuidados devido aos seus riscos.
Pontos-chave
- O nitrato de amônio é um sal inorgânico com a fórmula NH4NO3.
- Na agricultura, fornece nitrogênio nas formas nítrica (NO3–) e amoniacal (NH4+).
- É um forte oxidante, podendo reagir perigosamente com materiais incompatíveis ou sob certas condições.
- A contaminação ou exposição ao calor pode levar à decomposição e liberação de gases tóxicos.
- Acidentes históricos demonstram o potencial destrutivo do nitrato de amônio quando mal manuseado ou armazenado.
O nitrato de amônio puro é branco, mas pode apresentar colorações cinza claro ou marrom quando impuro. Cristais grandes se assemelham ao sal grosso. É inodoro e sua dissolução em água é endotérmica (absorve calor). Sua grande vantagem agronômica é fornecer nitrogênio em duas formas: a nítrica (NO3–), que é negativa e pode ser perdida por lixiviação, e a amoniacal (NH4+), que é positiva e se liga aos colóides do solo (como argilas), permanecendo mais disponível para as plantas.
Este composto pode ser sintetizado pela reação da amônia gasosa com uma solução de ácido nítrico. Outros métodos incluem a neutralização do ácido nítrico com hidróxido de amônio ou a reação entre nitrato de sódio e hidróxido de amônio.
O nitrato de amônio tem múltiplos usos: como fertilizante (principalmente), herbicida, inseticida, absorvente para óxidos de nitrogênio e na fabricação de óxido nitroso. É também um oxidante em propelentes sólidos para foguetes e na composição de explosivos. Na agricultura, destaca-se por ter menor volatilização e acidificação do solo comparado a outros fertilizantes nitrogenados. Com cerca de 34% de nitrogênio, é ideal para misturas NPK e fertirrigação. Foi o fertilizante nitrogenado mais usado mundialmente até o final dos anos 80, quando seu uso foi mais controlado devido ao seu emprego na fabricação de explosivos (ANFO). Seu índice de acidez é baixo, necessitando de 62 kg de carbonato de cálcio para neutralizar a acidez de 100 kg de nitrato de amônio.
Por ser um forte oxidante, o nitrato de amônio pode reagir perigosamente com outros produtos, especialmente materiais orgânicos ou redutores. Sob aquecimento, confinamento e com agentes iniciadores, pode detonar. A contaminação com matéria orgânica, cloretos, fluoretos e certos metais (cobre, bronze, cromo, zinco) pode promover sua decomposição, tornando-o imprevisível e perigoso. A inalação pode irritar o trato respiratório, e o contato causa irritação na pele e olhos. Em altas temperaturas, sua decomposição libera gases tóxicos como amônia e óxidos de nitrogênio (NOx), que causam problemas respiratórios agudos.
O íon nitrato, essencial para plantas, pode ser transportado pelo solo até atingir águas subterrâneas e superficiais, causando saturação de nitrogênio. A legislação brasileira estabelece limites para a potabilidade da água (Portaria nº 518/GM/2010) e para concentrações de nitrato em corpos d'água (Resolução CONAMA de março de 2005). A elevação da temperatura e aeração do solo, mesmo sem água, podem facilitar a oxidação do nitrogênio e a decomposição do composto. A decomposição do nitrato de amônio no solo pode ser acelerada por íons como Cl-, Fe, Co, Ni, Zn, Cu ou pelo aumento da temperatura. Para remover nitrato da água, usam-se técnicas como osmose reversa e permuta iônica. No solo, inibidores de nitrificação podem retardar a conversão de amônio em nitrato.
O nitrato de amônio esteve envolvido em acidentes catastróficos. O Desastre de Texas City (1947) causou a morte de 581 pessoas após a explosão de 2.086 toneladas do composto em um navio. Mais recentemente, em 4 de agosto de 2020, a explosão de 2.750 toneladas armazenadas no porto de Beirute, Líbano, resultou em mais de 100 mortos, 5.000 feridos e danos extensos. A força dessa explosão foi comparada a um terremoto de magnitude 3,3.
Em 16 de abril de 1947, ocorreu o Desastre de Texas City, considerado o mais mortífero acidente industrial da história dos EUA. A causa do acidente foi o calor devido a um incêndio no cargueiro francês, SS Grandcamp, que levou cerca de 2.086 toneladas de nitrato de amônio a entrarem em combustão, gerando uma explosão de enormes proporções que destruiu o porto e grande parte da cidade de Texas City, causando a morte de 581 pessoas. Em 4 de agosto de 2020, na cidade de Beirute, capital do Líbano, uma sequência de explosões de uma carga de 2 750 toneladas do composto, que estava armazenada no porto da cidade, deixou mais de 100 mortos e 5 000 feridos e inúmeros danos materiais nas imediações atingidas, com efeitos sentidos até no Chipre, a mais de 200 km do local. Segundo captações de sensores da USGS (Instituto Americano de Geofísica) o impacto das explosões foi considerado como terremoto de magnitude 3,3 e potência de aproximadamente 1,8 quilotons de TNT.


