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Agonia de Doha

A "Agonia de Doha" (também conhecida por "Milagre de Doha" na Coreia do Sul ou "Tragédia de Doha" no Japão foi um evento futebolístico ocorrido no dia 28 de outubro de 1993 no Al-Ahli Stadium, em Doha, capital do Catar.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Contexto

A fase final das eliminatórias asiáticas para a Copa do Mundo de 1994 reuniu em um grupo final, além de Iraque e Japão, as seleções da Coreia do Sul, Arábia Saudita, Irã e Coreia do Norte. Sauditas, sul-coreanos, iranianos e japoneses (que haviam conquistado o título da Copa da Ásia em casa no ano anterior, e disputavam as Eliminatórias com praticamente o mesmo time) eram os favoritos à vaga, com os iraquianos correndo por fora na disputa por duas vagas asiáticas na Copa de 1994. Todas as partidas foram disputadas em Doha, a maioria no Khalifa International Stadium - na última rodada, as Coreias se enfrentariam no Qatar SC Stadium, Japão e Iraque jogariam no Al-Ahli Stadium. Restando o último jogo da fase eliminatória asiática, a Coreia do Norte já estava eliminada matematicamente. O Japão garantiria vaga caso vencesse seu último jogo; em caso de empate, dependeria de combinações dos outros resultados, estando classificado nos seguintes casos:

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O jogo

O jogo começou bem para os japoneses, com Kazu marcando um gol de cabeça aos cinco minutos do primeiro tempo - a bola bateu na trave antes de entrar. No decorrer do primeiro tempo, a seleção japonesa dominou a partida. Kenta Hasegawa quase ampliou com uma finalização que acertou a trave de Ibrahim Salim Saad. Depois do intervalo, o Iraque voltou mais forte e empatou aos dez minutos do segundo tempo, com um gol do capitão Ahmed Radhi. O Japão, contudo, conseguiu ainda desempatar 14 minutos depois com um gol de Masashi Nakayama. O Iraque persistiu e, já nos acréscimos, Ala Kadhim bateu um escanteio curto para Salim Hussein, que cruzou no primeiro pau para Jaffar Omran, que marcou de cabeça vencendo o zagueiro Tetsuji Hashiratani. Alguns jogadores japoneses (incluindo os reservas) se jogaram no chão após o empate. O jogo ainda continuou por alguns momentos, mas o placar final foi de 2 a 2, resultado que também eliminou os iraquianos.

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Consequências

Após a partida, o técnico do Japão, o neerlandês Hans Ooft, foi demitido do cargo, sendo sucedido pelo brasileiro Paulo Roberto Falcão. As consequências da perda da vaga foram muito sentidas por vários atletas da Seleção, principalmente o atacante Kazu e o meio-campista Ruy Ramos, que voltaria a jogar pela seleção apenas em 1995 e, já aos 38 anos, não voltaria a usar a camisa azul. No entanto, dois jogadores (Masami Ihara e Nakayama, autor do gol que daria a classificação para a Copa de 1994), mantiveram-se na Seleção que se classificou para a Copa de 1998, ao contrário do próprio Kazu, não lembrado por Takeshi Okada, apesar de ter sido peça importante na campanha que classificou o Japão para a Copa seguinte (disputou 13 dos 15 jogos, todos como titular - sendo os cinco últimos sob o comando do próprio Okada, que assumiu o comando em outubro de 1997 - , e marcou 14 gols). Nakayama jogaria também a Copa de 2002.

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Opinião dos jogadores do Japão após a eliminação

"Não consigo me recordar do vestiário após a partida, nem de ter falado com a imprensa, nem do trajeto do ônibus de volta para o hotel. Eu havia me entregado inteiramente ao meu sonho de disputar a Copa do Mundo. Passamos tanto tempo concentrados que fiquei mais tempo com os meus colegas de seleção do que com a minha família. Eu já conseguia ver a Copa do Mundo bem na minha frente, mas, quando fui pegá-la, ela desapareceu no ar." – Hajime Moriyasu, meio-campista do Japão. "Foi uma partida magnífica entre duas seleções desesperadas pela vitória. Embora não tenhamos vencido, foi uma das melhores atuações da minha carreira. O Iraque jogou duro e com muita raça, mas também com lealdade. Encontrei-os no hotel naquela noite. Lembro que eles disseram que o Japão era uma equipe maravilhosa. Agradeci e disse-lhes que o selecionado deles também era fantástico." "Estivemos vencendo, jogando tão bem, e havia muita crença em nosso time. O futebol tinha alcançado esse novo nível e os japoneses estavam empolgados com a chance de jogar a Copa do Mundo. O final do sonho, da forma como foi, foi devastador. Eu vi homens adultos chorarem."

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Fontes consultadas

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