Hungria
A Hungria é um país vibrante localizado na Europa Central, na Bacia dos Cárpatos. Sua capital é Budapeste e faz fronteira com sete países: Eslováquia, Romênia, Sérvia, Croácia, Eslovênia, Áustria e Ucrânia. Membro da União Europeia, OTAN, OCDE, Grupo de Visegrád e Espaço Schengen, a Hungria tem o húngaro como sua língua oficial, sendo a língua não indo-europeia mais falada na Europa.
Pontos-chave
- Localizada na Europa Central, a Hungria é um país sem litoral na Bacia dos Cárpatos, com Budapeste como capital.
- É membro de importantes organizações internacionais como União Europeia, OTAN e Espaço Schengen.
- O húngaro é a língua oficial e a mais falada na Europa entre as não indo-europeias.
- Sua história é marcada por impérios, conquistas, períodos de ouro cultural e desafios políticos.
- A Hungria se destaca em áreas como matemática, invenções e esportes, com grande número de medalhas olímpicas.
O topônimo 'Hungria' chegou ao português através do francês 'Hongrie'. Acredita-se que o termo tenha surgido no século VII, quando tribos magiares faziam parte de uma aliança búlgara chamada On-Ogour, que significa 'dez flechas' em túrquico búlgaro. O gentílico 'húngaro' é registrado em português desde 1512.
A história da Hungria é um mosaico de povos, impérios e transformações, desde a antiguidade romana até os desafios do século XX e a integração europeia.
Antiguidade e Formação do Reino
A região a oeste do Danúbio foi a província romana da Panônia. No século IV, os hunos estabeleceram um império. Após a queda de Roma em 476, diversas ondas migratórias ocorreram, incluindo germanos, eslavos, ávaros, francos e búlgaros. No final do século IX, os magiares, liderados por Árpád, conquistaram a Bacia dos Cárpatos em 895. O Reino da Hungria foi fundado no ano 1000 pelo rei Santo Estêvão I, filho de Géza da dinastia dos Árpads, que recebeu uma coroa do Papa Silvestre II e consolidou o reino em 1006, eliminando opositores pagãos.
Independência e Conflitos Otomanos
O Reino da Hungria gradualmente conquistou sua independência de influências polacas, boêmias e papais. Matias Corvino, que governou de 1458 a 1490, fortaleceu o país, repeliu os otomanos e transformou a Hungria em um centro cultural renascentista. A independência húngara foi perdida em 1526, após a queda de Nándorfehérvár (Belgrado) e a derrota na Batalha de Mohács para os otomanos. O reino foi dividido: o terço meridional sob controle otomano, o ocidental sob controle austríaco, e a porção oriental, o Principado da Transilvânia, manteve uma independência nominal sob os Habsburgos, que retomariam toda a Hungria dos otomanos no final do século XVII.
A Hungria na Primeira Guerra Mundial
O governo húngaro, autônomo mas sujeito às regras austríacas, implementou políticas de marginalização contra outras etnias, alimentando o nacionalismo sérvio, eslovaco e romeno. Essa situação persistiu até o fim da Primeira Guerra Mundial, que resultou no colapso do Império Austro-Húngaro. Em novembro de 1918, a Hungria declarou-se uma república independente. Após um breve período comunista sob Béla Kun e uma invasão romena, forças de direita lideradas pelo Almirante Miklós Horthy assumiram Budapeste e estabeleceram um novo governo. Em 1920, uma assembleia unicameral de direita elegeu Horthy como Regente, restaurando a monarquia sem um rei designado.
Segunda Guerra Mundial e Pós-Guerra
Após uma década de instabilidade política nos anos 1920 e o suicídio do primeiro-ministro Teleki Pál, que se opunha a uma Hungria nazista, István Bethlen assumiu. Nos anos 1930, durante a Grande Depressão, a Hungria aliou-se à Alemanha Nazista, buscando recuperar territórios perdidos. Entre 1938 e 1941, retomou partes da Eslováquia, Rutênia, Transilvânia e Iugoslávia. Em 1941, declarou guerra à União Soviética, sofrendo pesadas derrotas e a aniquilação de cerca de 40.000 soldados. Após a mudança de lado de vários países, a Hungria tentou um acordo com os Aliados, mas não foi aceita. Temendo uma deserção, Adolf Hitler ordenou a invasão da Hungria em março de 1944. Após intensas batalhas, os alemães foram derrotados em 4 de abril de 1944.
Com 93.000 km², a Hungria é um dos maiores países da Europa Central, estendendo-se por 250 km de norte a sul e 524 km de leste a oeste. Possui 2.258 km de fronteiras com sete países e uma população estimada em 10.064.000 habitantes, com um decréscimo populacional recente. Sua densidade populacional é de 109 hab/km². Budapeste, a capital, tem 2.550.000 habitantes em sua região metropolitana, seguida por Debrecen (205.000) e Miskolc (179.000).
Relevo e Hidrografia
A Hungria é predominantemente composta por planícies, com altitudes abaixo de 200 metros. Apenas 2% do território possui montanhas acima de 300 metros. O ponto mais alto é o Monte Kékes (1.014 m), a nordeste de Budapeste, e o mais baixo é uma depressão próxima a Szeged, no sul (77,6 m). Os principais rios são o Danúbio (navegável por 418 km na Hungria) e o Tisza (navegável por 444 km). O Lago Balaton, com 592 km², é o maior da Europa Central e Oriental, conhecido como 'mar Húngaro'. Outros lagos incluem o Velence e o Neusiedl, este último com apenas 75 km² em território húngaro.
Clima e Questões Ambientais
A Hungria possui um clima temperado continental, com invernos frios e úmidos e verões quentes. A temperatura média anual é de 9,7 °C, com extremos entre 42 °C e -29 °C. A média pluviométrica é de 600 mm anuais, com chuvas mais intensas a oeste do Danúbio. Uma pequena vila perto de Pécs apresenta um clima mediterrâneo atípico. Desde os anos 1980, o país enfrenta os efeitos da poluição industrial e agrícola, com contaminação de reservatórios de água e alterações na fauna, sem grandes mudanças ambientais significativas até hoje.
Cerca de 94% da população húngara fala o húngaro, uma língua fino-úgrica com parentesco distante com o finlandês e o estoniano. O país abriga minorias étnicas como ciganos (2,1%), alemães (1,2%), eslovacos (0,4%), croatas (0,2%), romenos (0,1%), ucranianos (0,1%) e sérvios (0,1%). Devido à sua história, há significativas minorias húngaras em países vizinhos como Romênia, Eslováquia, Sérvia, Ucrânia, Croácia e Áustria. A Eslovênia, em particular, possui uma grande comunidade húngara em cidades fronteiriças, onde o húngaro é língua oficial.
Religião na Hungria
A maioria dos húngaros era cristã no século X, com a fundação do reino. Santo Estêvão da Hungria introduziu o cristianismo ocidental. No século XVI, o luteranismo e o calvinismo se espalharam, mas a Contrarreforma jesuíta na segunda metade do século buscou recuperar os fiéis, construindo escolas, igrejas e a Universidade Pázmány Péter. Os santos padroeiros da Hungria são Santo Estêvão (o principal), São Gerardo Sagredo e São Ástrico.
O Presidente da República, eleito pela Assembleia Nacional a cada 5 anos, é o comandante-chefe das forças armadas e nomeia o primeiro-ministro, cuja escolha também deve ser aprovada pela Assembleia. O primeiro-ministro seleciona o gabinete de ministros e tem poder para demiti-los, com nomeações formais pelo presidente. A Assembleia Nacional (Országgyűlés) é um parlamento unicameral com 386 membros eleitos diretamente. O sistema eleitoral envolve voto direto em distritos e representação proporcional. Dois partidos dominam o cenário: Fidesz (União Cívica Húngara) e MSzP (Partido Socialista Húngaro).
Forças Armadas Húngaras
As Forças Armadas da Hungria são compostas pelas Forças Terrestres (conhecidas como 'Corpo de Defensores da Pátria' ou Honvédség) e a Força Aérea. O termo Honvédség remonta ao exército revolucionário de 1848. A Hungria possui os navios de guerra fluviais mais bem equipados da Europa Central, sendo o único membro da OTAN a operar forças baseadas em rios. Na década de 2000, o exército adquiriu novos navios de guerra de minas, e em feriados nacionais, navios de guerra navegam no Danúbio em Budapeste.
Relações Internacionais da Hungria
A Hungria é membro das Nações Unidas desde dezembro de 1955 e foi signatária dos Acordos de Helsinque em 1975. Entre 1947 e 1989, sua política externa alinhava-se à União Soviética. A partir de 1989, o principal objetivo foi a integração em organizações econômicas e de segurança ocidentais. O país aderiu à Parceria para a Paz em 1994 e apoiou ativamente as missões da Força de Estabilização na Bósnia. Tornou-se membro da OTAN em 1999 e da União Europeia em 2004.
Administrativamente, a Hungria é dividida em 19 condados e a capital Budapeste, que é independente. Esses condados e Budapeste são agrupados em 7 regiões para fins demográficos e de desenvolvimento: Transdanúbia Ocidental, Transdanúbia Meridional, Transdanúbia Central, Hungria Central, Hungria Setentrional, Grande Planície Setentrional e Grande Planície Meridional. Os 19 condados são subdivididos em 173 sub-regiões, e Budapeste é sua própria sub-região. As sub-regiões podem ser classificadas como 'cidade', 'vila' ou 'condado urbano' (cidades com direitos de condado, mas subordinadas ao condado). Todas as capitais de condados são cidades com 'direitos de condado', além de Érd, Dunaújváros, Hódmezővásárhely, Nagykanizsa e Sopron.
Durante o Império Austro-Húngaro, a Hungria era um centro agrícola, favorecida por suas vastas planícies e terras férteis. No período socialista, a agricultura foi modernizada e mecanizada, mas sofreu uma crise após o fim da URSS, recuperando sua produção de grãos no século XXI. A Hungria também passou por uma forte industrialização no regime socialista, tornando-se um exportador de bens de consumo. Após a queda do regime, a transição para o capitalismo foi menos impactante do que em outros países ex-soviéticos devido à sua economia já orientada para a exportação.
Turismo na Hungria
A Hungria é um popular destino turístico europeu, com um crescimento de quase 7% na indústria entre 2004 e 2005. Mais de 98% dos turistas vêm de outros países europeus, principalmente Áustria, Alemanha e Eslováquia, chegando de carro e permanecendo por curtos períodos. Budapeste se tornou uma das atrações mais populares da Europa Central nos anos 1990, com destaques como o Castelo de Buda (que abriga museus), a Igreja de Matias, o Edifício do Parlamento, diversos museus, três casas de ópera e banhos termais. O Castelo de Buda, os diques do Danúbio e a Avenida Andrássy são Patrimônios Mundiais da UNESCO.
A Hungria se destaca em áreas como ciência e tecnologia, com uma forte tradição em matemática e diversas invenções notáveis. Seu sistema educacional é abrangente e flexível, e o sistema de saúde universal é amplamente financiado, tornando o país um polo de turismo médico.
Ciência e Tecnologia Húngara
A Hungria é reconhecida por sua excelência em matemática, produzindo cientistas como Paul Erdős (famoso por seus trabalhos em 40 línguas), János Bolyai (desenvolvedor da geometria não euclidiana) e John Von Neumann (pioneiro da computação digital). Muitos cientistas judeus húngaros, como Erdős e Von Neumann, contribuíram nos Estados Unidos devido à perseguição antissemita. Invenções atribuídas a húngaros incluem os fósforos sem barulho (János Irinyi), o Cubo de Rubik (Ernő Rubik) e a lâmpada de criptônio (Imre Bródy). Outras invenções de húngaros, registradas nos EUA, são a holografia (Dennis Gabor), a caneta esferográfica (László Bíró), a teoria da Bomba de Hidrogênio (Edward Teller) e a linguagem de programação BASIC (John Kemeny, com Thomas E. Kurtz).
Sistema Educacional Húngaro
O sistema educacional húngaro é obrigatório dos 5 aos 18 anos. Aos 6 anos, os alunos entram nas escolas primárias, com um currículo dividido em duas fases de quatro anos. Em seguida, podem escolher entre três tipos de ensino secundário: Liceu (para ensino superior), escola profissional secundária (para superior profissional) e escola profissionalizante (para o mercado de trabalho). O sistema é flexível, permitindo transições entre os diferentes tipos de ensino.
Saúde e Turismo Médico
A Hungria possui um sistema de saúde universal amplamente financiado pelo seguro nacional de saúde do governo, cobrindo 100% da população. É gratuito para crianças, estudantes, pensionistas, pessoas de baixa renda, deficientes e funcionários da igreja. O país gasta 7,2% do PIB em saúde (US$ 2.045 per capita, sendo US$ 1.365 do governo). A Hungria é um dos principais destinos de turismo médico na Europa, especialmente para odontologia e cirurgia plástica (30% dos clientes são estrangeiros). É também famosa por sua cultura de spa, com inúmeros spas medicinais, impulsionando o 'turismo de spa'.
A cultura húngara é rica e diversificada, com uma gastronomia marcante, uma literatura com raízes antigas e uma forte tradição esportiva, especialmente em polo aquático, natação e futebol.
A Culinária Húngara
A culinária húngara ocupa um lugar de destaque, com pratos tradicionais como o goulash, conhecido mundialmente. A batata é um ingrediente versátil, e sopas e guisados são elementos fundamentais. Os pratos são frequentemente temperados com páprica, cebola e pimenta preta. Guisados como o pörkölt utilizam carnes de porco e gado. Há também diversas sobremesas, como o somlói galuska, um doce coberto com creme de laranja ou rum, e muitas outras feitas com frutas, que são especialidades da cozinha húngara.
Literatura Húngara
Antigamente, o húngaro era escrito com um alfabeto rúnico, mas o país adotou o alfabeto latino após a cristianização sob Estevão I. Os documentos mais antigos datam do século XI; o fragmento mais antigo em húngaro é do documento de fundação da Abadia de Tihany (1055), contendo termos como 'feheruuaru rea meneh hodu utu rea' ('até a estrada militar de Fehérvár'). O texto completo mais antigo é o 'Sermão e Oração para Funeral' (1192–1195), uma tradução de um sermão em latim. O 'Lamentos de Maria', do século XIII, é o poema mais antigo e também o mais antigo poema fino-úgrico. Crônicas históricas incluem o 'Gesta Hungarorum' e o 'Gesta Hunnorum et Hungarorum' de Simon Kézai, que misturam história e lendas, e a 'Crônica Ilustrada' (Képes krónika), escrita por Luís, o Grande.
Esportes e Conquistas Olímpicas
A Hungria se destaca em esportes coletivos como o polo aquático e em modalidades individuais como o lançamento de martelo. A natação tem uma forte tradição, com nadadores renomados como Tamás Darnyi, László Cseh, Krisztina Egerszegi e Katinka Hosszú. A figura máxima do esporte húngaro é o futebolista Ferenc Puskás, que teve uma carreira brilhante no Real Madrid e na seleção húngara. A Hungria possui o terceiro maior número de medalhas olímpicas per capita e o segundo maior número de medalhas de ouro per capita no mundo. Com um total de 476 medalhas em Olimpíadas da era moderna, ocupa o oitavo lugar entre 211 países participantes.


