Ilhas Selvagens
As Ilhas Selvagens são um subarquipélago do arquipélago da Madeira, Portugal, localizado no Oceano Atlântico. Administrativamente, fazem parte da freguesia da Sé, concelho do Funchal, Região Autónoma da Madeira. Situam-se a 165 km a norte da arquipélago das Ilhas Canárias, a 250 km ao sul da cidade do Funchal (Madeira), a cerca de 250 km a oeste da costa africana, a cerca de 1 000 km a sudoeste do continente europeu. As Selvagens são constituídas por duas ilhas principais e várias ilhotas, que, tal como quase todas as ilhas da Macaronésia, têm origem vulcânica. O arquipélago é um santuário para aves, é muito agreste e tem uma área total de 273 ha.
O arquipélago consiste em dois grupos. O grupo nordeste compreende a "Ilha Selvagem Grande" e três pequenas ilhotas, "Palheiro da Terra", "Palheiro do Mar" e "Sinho". O grupo sudoeste compreende a "Ilha Selvagem Pequena" e o "Ilhéu de Fora" entre numerosos ilhéus mais pequenos que incluem o "Alto", o "Comprido", o "Redondo", "Pequeno", "Grande", "Ilhéu do Sul" e o pequeno grupo dos "Ilhéus do Norte". Uma extensa barreira de recifes circunda o arquipélago e torna difícil ancorar nas costas das ilhas. As ilhas Selvagem Grande e Selvagem Pequena distam 15 km uma da outra. Existem dois países mais pequenos em área que as Selvagens: o Vaticano (44 hectares) e Mónaco (195 hectares).
As temperaturas das Ilhas Selvagens excedem as da Ilha da Madeira e a temperatura do mar permanece confortável durante todo o ano. O oceanógrafo francês Jacques-Yves Cousteau afirmou que ali encontrara as águas mais limpas do mundo. Em 2003 as ilhas foram seleccionadas para serem candidatas nacionais para Património Mundial da UNESCO. O seu acesso é restrito, devendo os candidatos a seus visitantes requerer previamente uma autorização especial passada pelo Parque Natural da Madeira. Na Selvagem Grande existe a chamada Casa do Governo, onde vivem os dois vigilantes da ilha, os únicos habitantes do arquipélago a tempo inteiro; a electricidade provém de painéis solares e a água das chuvas é guardada em grandes cisternas, permitindo enfrentar secas que podem durar três anos.
As Ilhas Selvagens foram assim baptizadas em 1438 por Diogo Gomes de Sintra e terão sido descobertas anteriormente por outros marinheiros portugueses ao serviço do infante D. Henrique em data anterior a 1375, pois já constavam nessa data numa carta catalã de Abraão Cresques, ou então segundo alguns historiadores estrangeiros, terão sido visitadas pela primeira vez pelos irmãos Pizzigani em 1364. A fazer fé nos poucos dados disponíveis, estas ilhas pertenceram inicialmente ao referido infante da Ínclita geração que, depois, a terá doado ou arrendado a alguém da sua Casa. A tradição diz que pertenceu a Gião Caiado, fidalgo da Casa Real e Comendador da Ordem de Cristo, natural de Estremoz, que se fixou em Santa Cruz (Madeira) em 1480. Sendo vendidas a João Cabral de Noronha em 1717 pelo cónego Manuel Ferreira Teixeira, descendente dos referidos Caiados.
Século XX
O último morgado das Selvagens foi Francisco Cabral de Noronha (-/1916) que as vendeu em 1904 ao banqueiro Luís da Rocha Machado. Em setembro de 1911, o Governo espanhol enviou uma nota ao Governo português comunicando que deliberara incorporar as Selvagens no arquipélago das Canárias e que ia montar nas ilhas um farol. A administração portuguesa protestou e foi acordado não praticar quaisquer actos que pudessem comprometer uma solução amigável da questão. Em 1938, a Comissão Permanente de Direito Marítimo Internacional confirmou a soberania portuguesa das ilhas, embora a Espanha não tenha tido a oportunidade de defender seus interesses por estar imersa na guerra civil espanhola (1936–1939). As Selvagens, em 1959, despertaram o interesse da World Wildlife Fund (WWF), levando-a a assinar um contrato de promessa de compra com o herdeiro Luís Rocha Machado.


