Templo de fogo
Um templo do fogo é um local de culto dos zoroastristas.
A palavra em persa novo ātaškada, e seus correspondentes em persa médio ātaxš-kadag e kadag ī ātaxš, é traduzida literalmente como "casa do fogo". Esse conceito definia um edifício consagrado no qual um fogo sagrado (atar) permanecia permanentemente aceso. Esse termo é menos frequentemente atestado nos livros pálavis zoroastristas do que os sinônimos mān ī ātaxš e xānag ī ātaxš. O culto templário do fogo parece ter sido instituído apenas na parte final do Período Aquemênida (século IV a.C.), e não há alusão a ele no Avestá, nem é conhecida qualquer palavra em persa antigo para "templo do fogo". Os partas parecem ter chamado tal edifício de *ātarōšan, "lugar do fogo ardente" (o termo sobrevive como empréstimo no armênio atrušan), e há diversas referências literárias estrangeiras a templos em sua época. A natureza prosaica dos nomes em persa médio (kadag, mān e xānag são todos termos usados para uma casa comum) talvez reflita um desejo, por parte daqueles que promoveram o culto templário em Pérsis, de mantê-lo o mais próximo possível, em caráter, do antigo culto ao fogo doméstico da lareira, e de desencorajar elaborações. Após a conquista árabe, um nome diferente para "templo do fogo" passou ao uso geral entre os zoroastristas, a saber Dar-e Mehr (ou sua variante Darb-e Mehr), e eventualmente ele substituiu inteiramente os termos mais antigos entre os zoroastristas iranianos. Os parses, ao se estabelecerem na Índia, adotaram também o termo guzerate agiary (agiyārī), uma tradução literal de ātaškada, que utilizam lado a lado com Dar-e Mehr. No século XX, os faslis, um grupo reformista entre os parses, reviveram o termo ātaškada como nome para seu novo templo do fogo em Bombaim. Esse termo também é hoje usado pelos zoroastristas de Teerã para seu principal templo do fogo. Como designação descritiva, ele é compreendido pelos persas muçulmanos, que ao longo dos séculos o aplicaram localmente a várias ruínas consideradas restos de templos.
Os restos mais antigos identificados de um templo do fogo no Irã localizam-se no monte Caje, no Sistão, onde subsiste um altar pétreo dedicado ao fogo sagrado. Da construção original, atribuída de forma provisória aos períodos selêucida ou parto inicial, sobreviveram apenas traços da planta arquitetônica. O edifício foi posteriormente reconstruído durante o período parto e novamente ampliado e remodelado na era sassânida. Conhece-se um número relativamente elevado de ruínas de templos desse último período, sobretudo no sudoeste do Irã — em regiões como Pérsis, Carmânia e Iraque persa —, mas os vestígios mais grandiosos pertencem ao Adur Gusnaspe, no Azerbaijão. O elemento arquitetônico característico do templo sassânida era o santuário abobadado, chamado gombade, onde o fogo sagrado era instalado. Esse recinto tinha planta quadrada e quatro pilares angulares que sustentavam a cúpula mediante trompas arquitetônicas. Em muitos sítios, apenas o gombade sobreviveu, geralmente construído em alvenaria de pedra irregular intercalada com fiadas de pedra aparelhada; por isso, tais ruínas são conhecidas em Farse como čahār-ṭāq ("quatro arcos"). Evidências arqueológicas e literárias indicam que o gombade costumava ser circundado por um corredor ou deambulatório, utilizado tanto pelos sacerdotes encarregados do fogo quanto pelos fiéis. Um pequeno templo típico parece ter incluído o santuário do fogo acompanhado desse corredor, além de aposentos menores destinados ao armazenamento de lenha, incenso e utensílios rituais, e ainda um yazišn-gāh, ou "local de culto", onde os sacerdotes realizavam as cerimônias religiosas. Esses rituais jamais ocorriam dentro do gombade, espaço no qual nenhuma veneração era permitida além daquela dirigida diretamente ao fogo. Alguns sítios preservam ainda indícios de grandes salões destinados às assembleias comunitárias durante os gaambares e outras festividades religiosas. Brasas provenientes do fogo sagrado podiam ser levadas a esses salões para acender outro fogo destinado ao culto coletivo; contudo, não existe evidência literária, arqueológica ou tradicional de que o fogo principal, uma vez instalado em seu altar-pilar no gombade, fosse removido exceto em circunstâncias necessárias à sua preservação — como limpeza, reparos do santuário ou situações de perigo. Após ser "entronizado" (nišāst) mediante rituais solenes, o fogo devia permanecer ardendo "vitoriosamente" (pad wahrāmīh) para sempre, fixo em sua morada santificada, tal qual o fogo doméstico na lareira.


