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Era vitoriana

Na história do Reino Unido, a era vitoriana foi o período do reinado da rainha Vitória, de junho de 1837 até sua morte em janeiro de 1901. Localiza-se entre o período georgiano e o eduardiano, e a sua segunda metade coincide com o começo da Belle Époque na Europa continental. Alguns estudiosos poderiam estender o início do período à aprovação do Ato de Reforma de 1832, como a marca do verdadeiro início de uma nova era cultural.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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Economia

Nesta época, a indústria da Grã-Bretanha continuou a ser predominantemente têxtil e, juntamente com a indústria do vestuário empregava quase 40% da mão-de-obra industrial em 1880. A mecanização aconteceu de forma distinta nos setores: alguns, como o do algodão, adotaram-na mais rapidamente, enquanto outros, como o da lã, com um maior atraso. A indústria siderúrgica cresceu de forma bastante rápida, mas perdeu força ao longo da época. O nível de exportações britânicas foi maior na segunda fase da Revolução Industrial, entre 1840 e 1860. No período vitoriano, uma das mais importantes medidas econômicas adotadas foi a revogação dos Atos de Navegação, que foram instituídos por Oliver Cromwell no século XVII. Tal fato deu-se em razão do crescimento naval de outras nações o que estava afetando o comércio e a economia inglesa. O não envolvimento em questões de guerra na Europa também contribuiu para o efetivo desenvolvimento económico que já era acelerado. A participação mundo afora nos transportes públicos, com as companhias de capital, e produtos industrializados terminaram por consolidar o apogeu económico do período.

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População na era vitoriana

Na era vitoriana houve um aumento demográfico sem precedentes no Reino Unido. A população aumentou de 13,9 milhões em 1831 para 32,5 milhões em 1901. O Reino Unido foi o primeiro país a passar pela transição demográfica e pelas revoluções agrícola e industrial. A Grã-Bretanha era líder no rápido crescimento económico e populacional. Na época, Thomas Malthus acreditava que a falta de crescimento fora do Reino Unido se devia à “armadilha malthusiana” que dita que a população tem tendência a aumentar mais rapidamente do que os recursos materiais, o que resultava em crises (tais como fomes, guerras ou epidemias) que reduziam a população para números mais sustentáveis. O Reino Unido escapou à “armadilha malthusiana” devido ao impacto positivo da Revolução Industrial nas condições de vida da população. As pessoas tinham mais dinheiro e podiam melhorar as suas circunstâncias, portanto o aumento da população era sustentável.

Taxa de fecundidade

A taxa de fecundidade aumentou em todas as décadas da era vitoriana até 1901, ano em que começou a estabilizar. Existem várias razões que justificam o aumento da taxa de natalidade. Uma delas é biológica. Uma vez que as condições de vida melhoraram, a percentagem de mulheres capazes de engravidar aumentou. Uma outra explicação pode ser social. No século XIX, o número de casamentos aumentou e a população em geral casou-se em idades bastante jovens. As razões que levavam as pessoas a casarem-se tão jovens são incertas. Uma das possíveis explicações prende-se ao facto de a prosperidade económica permitir que as pessoas conseguissem pagar o casamento e as novas habitações mais cedo do que era possível anteriormente.

Taxa de mortalidade

A taxa de mortalidade no Reino Unido mudou bastante durante o século XIX. Não houve nenhuma catástrofe de fome ou surto epidémico na Inglaterra e na Escócia durante esse século, sendo a primeira vez na História do país que essa situação se verificou. As mortes por cada mil habitantes na Inglaterra e no País de Gales desceram de 21,9 entre 1848 e 1854 para 17 em 1901. O estatuto social teve um grande impacto na taxa de mortalidade uma vez que as classes mais elevadas tinham uma taxa mais baixa de morte precoce no início do século XIX do que as classes mais baixas. As condições ambientais e de saúde também melhoraram durante a era vitoriana. As melhorias na nutrição também tiveram um papel importante. As redes de esgotos foram melhoradas, assim como a qualidade da água. Com melhores condições ambientais, as doenças espalhavam-se mais dificilmente e as pessoas eram menos contaminadas. Houve também evoluções a nível da medicina uma vez que a população tinha mais dinheiro para gastar em inovações na área médica (tais como técnicas para prevenir a morte durante o parto, pelo que mais mulheres e crianças sobreviviam), o que também levou a que se encontrassem mais curas para as doenças. Porém, houve uma epidemia de cólera em Londres entre 1848 e 1849 que matou 14 137 pessoas e mais 10 738 quando voltou a surgir em 1853. Há quem atribua esta anomalia à substituição das fossas sépticas nos esgotos de Londres.

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Sociedade

A sociedade da era vitoriana era pródiga em moralismos e disciplina, com preconceitos rígidos e proibições severas. Os valores vitorianos podiam classificar-se como “puritanos”, e na época a poupança, a dedicação ao trabalho, a defesa da moral, os deveres da fé e o descanso dominical eram considerados valores de grande importância. Os homens dominavam, tanto em espaços públicos, como em privado e as mulheres deviam ser submissas e dedicar-se em exclusivo à manutenção do lar e à educação dos filhos. Existem vários exemplos de como a sociedade levava a moralidade ao extremo, mas um dos mais notáveis foi a condenação de Oscar Wilde e de Lord Alfred Douglas a dois anos de trabalhos forçados por sodomia, por terem mantido um caso. Talvez tenha sido esta moralidade acentuada que levou o psicanalista Jacques Lacan a dizer que sem a rainha Vitória não teria existido a psicanálise, uma vez que foi ela que fez com que fosse necessário o que Lacan apelidou de “despertar”.

As classes sociais

A imagem cotidiana da era vitoriana é a de uma sociedade burguesa e de classe média. Porém, as diferenças dentro desta classe não estavam muito definidas. A burguesia inglesa definia-se a si mesma como middle class, o que a distinguia da upper class, constituída pela nobreza e pelos aristocratas de grandes famílias. A alta burguesia era constituída por banqueiros, homens de negócios e financeiros que tinham conseguido a sua fortuna em virtude das novas características da economia. A classe média comum e a classe média baixa tentavam imitar os costumes das classes mais altas e os seus membros eram pequenos comerciantes e empresários, médicos e advogados, entre outros.

Prostituição

A dupla moral sexual era comum na era vitoriana. Se por um lado a rainha mandou aumentar as toalhas de mesa do palácio para que cobrissem as pernas da mesa na sua totalidade, uma vez que dizia que elas podiam fazer lembrar as pernas de uma mulher aos homens, por outro, desenvolvia-se um mundo sexual clandestino onde proliferava o adultério e a prostituição. Existiam ainda as cortesãs, mulheres que “cuidavam” exclusivamente dos monarcas. A noite encarregava-se de ocultar os vícios: no Este de Londres aglomeravam-se os bordéis, as salas de espetáculos e as salas de jogos. Nas ruas vendiam-se drogas, sexo e faziam-se apostas. Além disso, haviam orgias, espetáculos eróticos, abuso sexual e violência. Nesta Inglaterra, desenvolveu-se o primeiro preservativo em látex, numa época em que em público se defendia que as relações sexuais deveriam existir apenas com fins reprodutivos.

Trabalho infantil

O livro Oliver Twist de Charles Dickens é talvez o melhor reflexo da vida precária de muitas crianças na era vitoriana. Foi publicado em 1838 e caiu como um “balde de água fria” nos britânicos, fazendo uma crítica mordaz à hipocrisia social, às instituições e à justiça devido aos estragos que causaram e por terem levado a fome, o trabalho e a mortalidade às crianças. Charles Dickens começou a trabalhar na adolescência, aos 12 anos, numa empresa que produzia graxa de sapatos quando a sua família se encontrava detida numa prisão civil. Na época as crianças oriundas de famílias mais pobres deviam contribuir para o orçamento familiar e faziam muitas vezes trabalhos de alto risco em troca de ordenados bastante baixos. As fábricas procuravam crianças a partir dos 4 anos de idade para trabalhar. Os rapazes mais ágeis limpavam chaminés e as crianças pequenas eram contratadas pelas indústrias mineira e têxtil onde entravam por túneis demasiado estreitos e baixos para adultos e em máquinas em funcionamento para as limparem, procurar cones e encontrar linhas rotas nos teares. Os acidentes de trabalho eram comuns e muitas crianças morreram nos seus locais de trabalho. O pó e a humidade das fábricas faziam com que muitas crianças morressem de doenças contraídas no trabalho tais como tuberculose, asma e alergias. Um inquérito realizado em 1878 mostrou que as crianças trabalhadoras mediam em média menos 12 centímetros do que as crianças aristocráticas e burguesas. Além disso, as crianças eram açoitadas se a sua produtividade diminuísse. No Reino Unido, as crianças desfavorecidas pertenciam à igreja que as vendiam às fábricas através de anúncios publicados em jornais quando elas começavam a ser demasiadas e já não havia condições para tratar delas. Em muitos casos, as crianças eram vendidas sem o consentimento dos pais.

A cultura do ópio e de outras drogas

Apesar da rigorosa moral vitoriana, eram muitas as práticas não tão morais como a cultura do ópio, cujo relato mais significativo foi o de Thomas de Quincey no livro autobiográfico Confessions of an English Opium-Eater, que foi amplamente difundido e traduzido em várias línguas e no qual se retrata o uso e vício do ópio. Quincey consumiu ópio em forma de láudano para tratar uma nevralgia dental e ficou viciado. Tal não é muito estranho, uma vez que o ópio era distribuído livremente na corte real e até a própria rainha Vitória o consumia misturado com cocaína na forma de pastilhas e, na ficção, Sherlock Holmes (cujas histórias venderam milhões de cópias) injetava cocaína frequentemente, uma vez que esta droga era receitada a pessoas que pensavam demais e eram muito nervosas. O ópio era consumido como uma “droga social” e com o tempo a sua concessão mudou e passou a ser consumido nos mesmos locais onde se praticava a prostituição.

A obsessão para com a morte

A morte era algo que estava bastante presente na sociedade vitoriana. A esperança média de vida de 1830 em Londres das classes mais altas era de 44 anos, a dos homens de negócios era de 25 anos e a das classes trabalhadoras não ultrapassava os 22 anos de idade. Além disso, 57% das crianças das classes trabalhadoras morriam antes de completarem 5 anos. Ao contrário do que acontece nos dias de hoje, em que cerca de 80% das mortes ocorre em hospitais, na era vitoriana a maioria das pessoas morria em casa, o que fazia com que houvesse uma maior proximidade com a morte e que se criassem certos rituais em seu redor. Quando alguém estava às portas da morte, era costume chamar toda a família que se reunia à volta da cama e aguardava com expectativa as últimas palavras do falecido. Devido à elevada mortalidade infantil e ao facto de esta ser, em muitos casos, uma das poucas ocasiões em que a família estava toda reunida, começou a surgir o costume de tirar fotografias aos falecidos. No caso das crianças, estas fotografias eram muitas vezes a única recordação que a família tinha dos seus filhos e era costume colocá-las em locais de destaque da casa, como a sala de visitas.

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Cultura e entretenimento

O reflorescimento da arquitetura gótica sob a forma conhecida como neo-gótica tornou-se cada vez mais significativo nesse período, levando ao conflito entre os ideais góticos e clássicos. A arquitetura para o novo Palácio de Westminster (destruído em 1834 por um incêndio) planejada pelo arquiteto Charles Barry traz elementos góticos, inspirados nas partes intactas do edifício. A intenção foi construir uma narrativa de continuidade cultural, em oposição aos violentos rompimentos culturais e artísticos como a Revolução Francesa. O estilo gótico era apoiado pelo crítico John Ruskin, que argumentou que o mesmo sintetizava os valores sociais de comunidade e inserção, em contraste com o Classicismo, que o crítico considerava ser o epitomo da estandardização mecânica. Em meados do século XIX, Londres acolheu a Grande Exposição de 1851, a primeira Exposição Mundial que mostrou as maiores inovações do século. No seu centro esteve o Palácio de Cristal, uma estrutura modular de vidro e ferro que foi a primeira do género a nível mundial. John Ruskin criticou a desumanização mecânica do seu desenho, mas esta estrutura acabou por ser considerada o protótipo da arquitetura moderna. Na Grande Exposição, foram mostrados os primeiros exemplares da fotografia, algo que acabou por influenciar a arte vitoriana, tendo sido a rainha Vitória a primeira monarca britânica a ser fotografada. John Everett Millais foi bastante influenciado pela fotografia (principalmente no seu retrato de John Ruskin), assim como outros artistas pré-rafaelitas. Mais tarde, a fotografia foi associada às técnicas impressionistas e de realismo social que dominariam os últimos anos de atividade de artistas como Walter Sickert e Frank Holl.

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Fontes consultadas

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