Giovanni Battista Ramusio
Giovan Battista Ramusio foi um humanista, cartógrafo, geógrafo e escritor de viagens veneziano. Considerado o autor do primeiro tratado geográfico da era moderna, notabilizou-se com a sua obra Delle navigatione et viaggi, na qual narra as descobertas marítimas dos europeus na sua época, considerada, a par da obra de Fracanzano da Montalboddo, uma das antologias mais importantes do século XVI.
Nascido em Treviso, cidade que ao tempo integrava a República de Veneza, Ramusio era filho de Paolo Ramusio, um magistrado da cidade-estado veneziana oriundo de Treviso. Ramusio começou por estudar em Pádua como aluno de Pietro Pomponazzi e Aldo Manuzzio. Com aqueles humanistas estudou principalmente as línguas latina e grega e provavelmente também aprendeu algumas línguas orientais, mas dedicou-se sobretudo à cosmografia e à geografia. Foi membro da Academia Aldina, colaborando com o seu fundador, o impressor Aldo Manuzzio, para quem preparou as edições aldinas de Quintiliano (1514) e da Terceira Década de Tito Lívio (1519). Em 1505, o jovem Giovanni assumiu o cargo de secretário de Aloisio Mocenigo, um destacado membro da família patrícia Mocenigo, também por vezes designado por Alvise Mocenigo, e por isso confundido com os seus parentes da época posterior que foram doges de Veneza, nomeadamente Alvise I Mocenigo, Alvise II Mocenigo e Alvise Giovanni Mocenigo. Aloisio Mocenigo servia então como embaixador da República de Veneza em França e em outubro de 1505 Ramusio acompanhou-o a Paris, permencendo na corte francesa até maio de 1507.
Foram conservados os prefácios de Ramusio às obras de Quintiliano e Lívio, publicados por Aldo Manuzzio em 1514 e 1519, respetivamente. Ramusio tornou-se famoso sobretudo por ter publicado a mais importante literatura de viagens do seu tempo na sua obra monumental Delle navigationi et viaggi (Das Navegações e Viagens), que foi publicada pela casa editora Giunti em Veneza. Embora ele próprio tenha viajado pouco, Ramusio publicou a obra Delle Navigationi et Viaggi, uma coleção de relatos em primeira mão dos exploradores coevos sobre as suas viagens. Esta foi a primeira obra do seu género. Incluía os relatos de Marco Polo, Niccolò Da Conti, Fernão de Magalhães, Álvar Núñez Cabeza de Vaca e Giosafat Barbaro. A descrição da China contém a primeira referência na literatura europeia ao chá. No segundo volume, livro terceiro, consta a ilustração do escambo realizado na costa do Brasil. O seu nome é referido na Relação do Piloto Anónimo.


