Tommaso Mocenigo
Tommaso Mocenigo foi o 64.º doge de Veneza, eleito em 1413.
Homem de ação e e dotado de grande eloquência, Mocenigo distingue-se rapidamente em diversas atividades. Comandou a frota veneziana na Batalha de Nicópolis em 1396, e também em algumas batalhas contra os genoveses. Participou provavelmente na guerra de Chioggia (1378 – 1381) na qualidade de comandante de galera. Foi um fiel servidor do estado e obteve a procuradoria de São Marcos. Em 7 de janeiro de 1414, com o mínimo de votos necessários, 25 em 41, foi eleito doge.
O dogado
A eleição de Mocenigo foi o resultado de um acordo entre numerosos candidatos na liça e foi mantida secreta porque nesse momento Mocenigo estava em Cremona, em território estrangeiro administrado por Gabrino Fondolo, tirano da cidade. O temor pela sua vida impôs o silêncio e o seu rápido repatriamento. O seu dogado começou com grandes festas que fariam desaparecer a tradição veneziana que datava dos primeiros séculos da instituição ducal: um arauto na basílica de São Marcos de Veneza anunciava ao povo o nome do eleito perguntando sobre o seu consentimento. Em 1423 este costume foi retirado, sendo o último vestígio da democracia e desapareceu em favor do poder absoluto da oligarquia.
O testamento
O testamento do doge Mocenigo, redigido a 10 de março de 1423, é considerado como um dos documentos mais importantes da época porque exalta a força e o poder de Veneza estabelecendo a lista de meios e riquezas da cidade e dando uma boa descrição da vida quotidiana. O comércio representava então um valor anual 10 milhões de ducados de exportações e outro tanto em importações. O documento faz numerosas referências a todas as atividades industriais e comerciais de Veneza. Curiosamente, Mocenigo recomenda várias vezes no testamento que Francesco Foscari não seja eleito seu sucessor, pois conduziria a cidade à guerra em terra, sem que tal fosse necessário para Veneza. Em 15 de abril de 1423, apenas onze dias depois da morte de Mocenigo, Francesco Foscari foi eleito.


