Almuzafar I de Badajoz
Maomé Almuzafar (Muhammad al-Muzaffar, também conhecido como Modafar I, de seu nome completo Abacar Maomé ibne Abedalá Almuzafar foi rei da Taifa de Badajoz desde 1045 até à sua morte em 1068, sucedendo ao seu pai Abedalá ibne Alaftas, que em 1022 fundou a dinastia aftácida.
Durante o reinado do pai
Durante o reinado do seu pai, participou ativamente nas campanhas militares das guerras com a Taifa de Sevilha, tendo comandado o exército que Abedalá enviou em 1030 para a defesa de Beja, tomada nesse mesmo ano. Maomé Almuzafar seria derrotado e feito prisioneiro no assalto seguinte a Beja liderado por Abulcacim e Maomé I de Carmona. Ao ser libertado, regressou a Badajoz, ignorando o conselho de Maomé I que passasse por Sevilha para cumprimentar reverentemente Abulcacim.
Ascensão ao trono e guerras com Sevilha e Niebla
Em 1045, quando seu pai morreu, Maomé herdou um reino que incluía, além de grande parte da atual Estremadura espanhola, as terras que iam desde o rio Douro a norte, até ao sul de Évora, incluindo Coimbra, Santarém e Lisboa. Tomou imediatamente os títulos honoríficos de Almuzafar ("o vitorioso") e Ceife Adaulá ("espada do Estado"). Logo no início do reinado, entrou em guerra com Almutadide, que tinha acabado de anexar a Taifa de Mértola e estava empenhado em conquistar a Taifa de Niebla. Em 1050, ibne Iáia, o monarca de Niebla pediu ajuda a Almuzafar contra os Abádidas sevilhanos. Maomé Almuzafar dirigiu-se então para Niebla à frente de um exército, intensificando desta forma a guerra com o reino sevilhano. Abu Amir Abade aproveitou a ausência do exército de Badajoz em Niebla para atacar terras aftácidas. Posteriormente houve um confronto direto entre os exércitos aliados de Niebla e Badajoz e as forças abádidas junto às muralhas de Niebla. Embora no princípio da batalha os sevilhanos tivessem marcado a sua superioridade, Almuzafar conseguiu reagrupar as suas tropas e acabou por vencer. A seguir a esta vitória, as tropas aliadas entraram no reino de Sevilha e assolaram e destruíram tudo quanto encontraram no caminho.
Guerras com Fernando I de Leão
Poucos anos depois, Fernando I de Leão aproveitou a debilidade do reino aftácida após a derrota frente a Sevilha e atacou Lamego em 1057, Viseu em 1058 e ocupou as fortalezas da linha do Douro. Almuzafar não teve condições de oferecer resistência a esses ataques cristãos devido à grande distância entre aquelas terras e as bases de aprovisionamento, além da resistência moçárabe em numerosos locais entre o Douro e o Mondego. Contudo, quando Fernando I enviou tropas contra Santarém, Almuzafar viu-se obrigado a reagir, pois a cidade tinha uma importância crucial; reuniu um exército e marchou em direção ao Tejo. Quando chegou a Santarém, a cidade estava prestes a render-se aos cristãos. Foi negociado um armistício, com Almuzafar num barco no Tejo e o capitão cristão a cavalo, que previa o pagamento de um tributo a Fernando I pelas terras do Tejo no valor de 5 000 dinares anuais.


