Alma Siedhoff-Buscher
Alma Buscher foi uma artesã, fotógrafa e designer alemã, estudou na Elisabeth School for Women in Berlin, na Escola Reimann e depois no Instituto de ensino do Kunstgewerbemuseum Berlin, uma escola de artes aplicadas que integrava um departamento do Museu de Artes Decorativas de Berlim, onde ficou de 1920 até 1922. Nesse mesmo ano, decide ingressar na Bauhaus e permanece até o ano de 1927. Alma Siedhoff-Buscher, como ficou conhecida após se casar com o ator Werner Siedhoff, embarcou junto com o marido em suas expedições teatrais, morando em diversas partes da Alemanha. Em 1944, Alma faleceu em Frankfurt, vítima de um bombardeio americano.
Alma Buscher nasceu em 4 de janeiro de 1899 em Kreuztal, perto de Siegen, na Alemanha. O seu pai, um capataz do estaleiro Lichtenberg em Berlim, depois de perder seu filho na Primeira Guerra Mundial atribuiu grande importância a dar a sua filha a melhor educação possível, possibilitando a Alma frequentar as melhores escolas. Em 1916, concluiu seus estudos e foi para a universidade de Elisabeth School for Women in Berlin (Escola para Mulheres Elisabeth de Berlim). Posteriormente, em 1917, inicia seus estudos na Reimann School of Art and Design, uma escola privada de artes em Berlim onde fica até o ano de 1920. Tendo adquirido essa base de conhecimento sobre artesanato na escola de artes visuais de Reimann, começou seus estudos no Unterrichtsanstalt des Kunstgewerbemuseums Berlin, uma escola de artes que fazia parte do Museu de Artes Decorativas (Kunstgewerbemuseum) e ficou lá até o ano de 1922, quando decidiu nesse mesmo ano, ingressar na Bauhaus.
Em 1922, Alma iniciou seus estudos na Bauhaus em Weimar, passando primeiro pelo Vorkurs, que era o curso preliminar, ministrado por László Moholy-Nagy, Johannes Itten e Josef Albers em diferentes momentos. O curso acontecia paralelamente ao currículo e indicava o ensino elementar da forma, estudos da matéria e oficinas de iniciação de Arte e Design. [...] amadurecer a inteligência, o sentimento e a fantasia, e visava a desenvolver o “homem inteiro” que, a partir de seu centro biológico, pudesse encarar todas as coisas da vida com segurança instintiva e que estivesse à altura do ímpeto e do caos de nossa “Era Técnica” [...] ficou provado que ela (a formação geral), não apenas proporciona maior confiança no aluno, mas também aumenta consideravelmente a produtividade e a rapidez de seu ulterior treinamento especializado (GROPIUS, 1975, p. 38). No ano seguinte, foi direcionada à oficina de tecelagem como todas as mulheres eram recomendadas a fazer, porém com o apoio de Georg Muche e Josef Hartwig, mudou-se para a Oficina de Escultura em Madeira. Na primeira grande exposição da Bauhaus que aconteceu entre 15 de Agosto e 30 de Setembro de 1923 em Weimar, Alma Siedhoff-Buscher concebeu o mobiliário do quarto das crianças no protótipo da casa Haus Am Horn (casa construída para a exposição, desenhada por Muche) e participou nos "Jogos da Luz a Cores" de Ludwig Hirschfeld-Mack. Ela também criou vários brinquedos para crianças, tais como o "Jogo de Construção de Pequenos Navios" (Kleines Schiffbauspiel) e um teatro de fantoches.
Atraídas pela premissa de que a Staatliches Bauhaus, fundada em 1919 em Weimar por Walter Gropius, seria um lugar aberto a "qualquer pessoa de boa reputação, independentemente da idade ou do sexo", conhecidos na época como “sexo belo x sexo forte”, muitas mulheres se interessaram em ocupar este lugar, já que muitas vezes tentaram adentrar esses lugares anteriormente e tiveram seu acesso negado por conta de seu gênero. Todo esse pressuposto criado por Gropius, contribuiu para o fato do número de solicitações de matrícula ter sido maior por parte das mulheres do que por parte dos homens, tudo isso no primeiro ano de fundação. Mas, apesar do número maior de interessadas, a admissão de mulheres era mais rigorosa do que a dos homens e, mesmo as que conseguiam entrar, enfrentaram um comportamento hostil entre os seus colegas homens, como também eram destinadas a realizar tarefas subalternas e impedidas de frequentar certas oficinas. Esse impedimento acontecia pelo entendimento de Gropius de que elas seriam incapazes de lidar com problemas que envolvessem a tridimensionalidade (3D). Ele enxergava o mundo com tanta separação de gênero, que chegou a definir a cor vermelha e o triângulo como símbolos masculinos, enquanto a cor azul e o círculo seriam símbolos puramente femininos.
Armário de Brincar Para Crianças (Kinderspielschrank)
Na Haus Am Horn, Buscher fez o design de um quarto infantil, em anexo a cozinha. Assim, o responsável poderia tomar conta das crianças enquanto fazia as tarefas domésticas. Ela tornou o uso do espaço eficiente e compacto, projetando o armário do jogo para caber ao longo da parede e cantos. O armário poderia servir também como área de exposição ou para armazenamento. Há também uma porta recortada que se abre no armário do lado direito, revelando um palco para marionetes. Essa abertura permitia o uso como armário de exposição enquanto não é utilizado como brinquedo, ou mesmo quando as crianças deixarem de utilizá-lo quando crescidas. A série de caixas poderia servir como armazenamento e brinquedos em si ou como cubos de bancos improvisados.
Pequeno Jogo de Construção Naval (Kleines Schiffbauspiel)
Este brinquedo é um conjunto de blocos de madeira pintados e embalados em papel cartão. O conjunto veio originalmente em dois tamanhos. Os blocos são cortados em várias formas e pintados de branco, amarelo, azul, verde, e vermelho. Os blocos Buscher são retângulos, quadrados finos e grossos, peças mais altas em forma de torta com setores circulares de diversos ângulos e uma fatia maior de um quarto de círculo arredondado. O conjunto grande tinha 39 peças, e o conjunto pequeno tinha 22. A embalagem dos blocos é uma caixa longa e estreita que reflete um design contido e funcional. Os blocos encaixam de modo que a sua remontagem na caixa é concebida de forma semelhante a um quebra-cabeças. Vários dos objetos de Buscher são concebidos para fins lúdicos, mas os seus blocos e particularmente o seu armário de jogo levam em conta tanto o planejamento do espaço como a forma como uma criança seria motivada a arrumar as peças.
Bonecas de Ação (Wurfpuppen)
As bonecas de ação, masculinas e femininas, foram concebidas e criadas em 1924. Os corpos são tecidos de corda para formar dois braços e duas pernas, com um lote de palha puxada através de um cordão que indica o rosto e a cabeça. Os corpos são tecidos à corda para formar dois braços e duas pernas, com um lote de palha puxada através do talão que indica o rosto e a cabeça. Elas são uma clara indicação das suas crenças no processo criativo. Totalmente diferente de uma voz passiva, ela promove brincadeiras criativas, encorajando a criança através do título do seu brinquedo a animá-lo e a dar-lhe vida. A boneca feminina tem duas tranças de palha para o cabelo e usa uma saia. Ao boneco masculino não é atribuída nenhuma indicação específica de sexo. A roupa consiste num par de calças e uma camisa de manga comprida. É o pressuposto do espectador que indica que é uma representação masculina, como o oposto da boneca feminina.
Alma Siedhoff-Buscher é considerada a principal designer de brinquedos e móveis infantis da Bauhaus, tendo como maior feito o quarto para crianças, da Haus am Horn, que criou para a exposição da escola em 1923 e que passou por uma grande restauração em 2018 em comemoração ao seu centenário em 2019. Seus trabalhos mais conhecidos são: “Kleines Schiffbauspiel” (Pequeno Jogo de Construção Naval) e as Wurfpuppen (Bonecas de barbante flexível, com cabeças de madeira). Alguns de seus trabalhos continuaram a ser produzidos mesmo após a sua morte, como por exemplo o seu Pequeno Jogo de Construção Naval, que voltou a produção em 1977. E, embora suas bonecas de barbante flexível nunca tenham entrado em produção em massa por serem consideradas muito caras, um exemplar foi preservado por seu filho em sua casa. Sua vida, história e legado serviram de inspiração para a criação da personagem principal do filme “Lotte am Bauhaus”, lançado em 2019 em comemoração ao centenário da Bauhaus.


