Aljustrel
Aljustrel é um vila portuguesa sede do Município de Aljustrel pertencente ao Distrito de Beja, na região do Sul de Portugal.
Geologia
A geologia de Aljustrel é caracterizada por um soco paleozóico da Zona Sul Portuguesa, representado pela Formação de Mértola, com cerca de 340 a 330 milhões de anos, e por um complexo Vulcano-Sedimentar da Faixa Piritosa Ibérica, com cerca de 352 a 330 milhões de anos. As rochas do soco evidenciam uma orientação noroeste-sudeste, e apresentam um forte controlo estrutural manifestado por cavalgamentos vergentes para sudoeste e por falhas tectónicas de orientação norte-sul e nordeste-sudoeste. Estes sistemas são representados, respetivamente, pelos desligamentos subverticais de movimentação direita de Azinhal, Feitais, Represa e Castelo, e pela falha da Messejana, de componente normal esquerda. A noroeste da falha da Messejana, o soco Paleozóico encontra-se coberto por sedimentos da Bacia Terciária do Sado, representados por areias, argilas, conglomerados e carbonatos.
Clima
A localização do município de Aljustrel na região alentejana e a fraca influência atlântica acentuam uma situação contrastante típica desta região, com baixa pluviosidade (564 mm é a pluviosidade média anual), elevadas amplitudes térmicas (16.4 °C é a temperatura média), invernos frescos e verões quentes. Da diferenciação entre a estação seca e estação húmida, ressalta o domínio do clima mediterrânico. A temperatura média mensal varia entre 28 °C e os 30 °C no verão. No inverno, as temperaturas são relativamente baixas, sendo que a temperatura média anual situa-se entre os 15 °C e os 16 °C. As temperaturas médias do ar são máximas em julho e agosto, com valores médios que variam entre os 19 °C e os 24 °C na zona de Beja, e mínimas em janeiro, variando entre 9 °C e 12 °C.
Pré-história
A área correspondente ao concelho de Aljustrel terá sido local de passagem das comunidades de caçadores-recolectores, durante o período Paleolítico. Porém, as primeiras tentativas de povoamento só terão sido feitas a partir dos finais do terceiro milénio a.C., na colina de Nossa Senhora do Castelo, cujas populações extraíam e trabalhavam o cobre. Com efeito, devido à riqueza mineral e agrícola do território, a ocupação humana manteve-se de forma constante desde então.
Período romano
Nos finais do século I a.C., a região passou a ser controlada pelos romanos, iniciando uma nova fase na história de Aljustrel, com o forte crescimento da produção mineira, sendo a povoação então conhecida como Vipasca e a exploração mineira como Mettalum Vipascencis. Foram encontrados amplos vestígios da época romana, incluindo as ruínas de edifícios residenciais e uma oficina metalúrgica para o processamento do minério. Deste período destaca-se a descoberta das chamadas placas ou tábuas de Aljustrel, que são consideradas como os mais antigos textos jurídicos em território nacional.
Domínio islâmico e reconquista
O território continuou a ser ocupado após o final do domínio romano, embora sem deixar vestígios significativos, até ao século XI, quando passou a ser controlado pelos muçulmanos. A povoação islâmica, denominada inicialmente de Albasturil e posteriormente como Al-Lustre, foi constituída principalmente por habitantes oriundos do Norte de África. No século XI foi construído um castelo em taipa. Em 1234 o castelo foi reconquistado pelos cavaleiros da Ordem Militar de Santiago da Espada, aos quais o rei D. Sancho II doou os territórios recentemente tomados em 31 de Março de 1235, embora excluindo os direitos sobre os rendimentos das minas e das termas de São João do Deserto. O nome islâmico foi adaptado para o topónimo português Aljuster, tendo sido sob esta denominação que foi referida na carta de foral, emitida pela Ordem de Santiago em 16 de Janeiro de 1252, e confirmada pelo rei D. Afonso III, formando oficialmente o concelho. O nome de Aljustre perdurou até ao século XIX.
Séculos XV e XVI
Nos finais do século XV, a vila de Aljustrel conheceu um importante desenvolvimento sob a liderança do seu alcaide-mor, Fernão de Mascarenhas, que incrementou a exploração mineira. Em 20 de Setembro de 1510 foi concedida uma nova carta de foral a Aljustrel, pelo rei D. Manuel, sendo o concelho então formado pelas freguesias de Aljuster, igualmente conhecida como São Salvador, e de São João de Negrilhos. Em 1 de Julho de 1512 Messejana também recebeu uma carta de foral. Assim, a vila conheceu um forte impulso durante o reinado de D. Manuel, devido ao novo foral, ao reavivar da produção mineira, e à crescente procura pelas Termas de São João do Deserto, então conhecidas como Fonte santa.
Séculos XIX a XX
Em 1836 a freguesia de Ervidel passou a estar incorporada no concelho de Aljustrel, e em 1855 o município recebe parte do antigo concelho de Messejana. Foi também nessa época que se reavivou o interesse pelas minas, tendo em 1848 sido autorizada a concessão a um empresário espanhol, Sebastião Gargamala. Porém, acaba por perder a concessão, que é entregue à Lusitanian Mining Company, que igualmente teve pouco resultado. Estas primeiras tentativas fracassaram principalmente devido à falta de água e a graves problemas em termos de transportes. Em 1865 foi formada uma comissão para estudar os problemas das explorações mineiras em Aljustrel, que então se encontravam ao abandono, tendo-se considerado que uma das condições necessárias para o bom funcionamento das minas seria a ligação à rede ferroviária nacional. Em 1867 foi fundada a Companhia de Mineração Transtagana, que começou a operar no ano seguinte. Foi com esta empresa que se iniciou a exploração em larga escala, tendo construído uma rede ferroviária e equipamentos para o tratamento do minério. No entanto, algum tempo depois acabou por entrar em falência, tendo sido substituída pela Société Anonyme Belge des Mines d’Aljustrel. Esta foi constituída em 1898, precisamente para explorar os jazigos de Aljustrel, tendo herdado as infraestruturas da empresa anterior. A produção iniciou-se logo no ano seguinte, mas em 1901 a empresa entrou em conflito com os trabalhadores rurais, que acusavam as minas de prejudicar a agricultura, devido à forte poluição e consumo de água.
Século XXI
Em 2001 as minas de Aljustrel foram transferidas para a firma canadiana EuroZinc, que por seu turno as vendeu ao grupo português ALMINA em 2009. Em 16 de Junho de 2026 foi oficialmente inaugurada a variante a Aljustrel, consistindo num novo corredor rodoviário a Norte da vila, e que veio constituir uma alternativa ao trânsito automóvel pelo centro da vila, principalmente para o tráfego de veículos pesados das explorações mineiras, melhorando desta forma as condições de circulação e de vida das populações.
A gastronomia regional alentejana é extremamente rica e variada. Condicionada pela escassez de meios, os alentejanos tiveram de ser criativos: a base da gastronomia sul-alentejana são o pão, a água e os temperos. A diferença está: no bom pão alentejano, com fermento da massa e cozido em forno de lenha; nos condimentos e ervas aromáticas, dos quais se destacam a hortelã da ribeira, os orégãos, os coentros, a hortelã e a salsa; na qualidade dos ingredientes; e, sobretudo, na velha arte da confecção que passa de geração em geração. Estes fatores completam um todo que produz resultados conhecidos: os gaspachos, as migas, as açordas, os cozidos de grão e de feijão, e as sopas e ensopados são alguns dos pratos mais característicos da cozinha tradicional de Aljustrel.
Por decreto de 18/04/1871, foi desanexada deste concelho a freguesia de Alvalade, tendo passado para o concelho de Santiago do Cacém, distrito de Setúbal.


