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Literatura aljamiada

Por literatura aljamiada entende-se o conjunto de obras literárias escritas numa língua românica peninsular com grafias do alifato árabe ou alefato hebraico. A palavra aljamia deriva do árabe العجَميَّة, al'ajamiyya, que era o nome com o que denominavam as línguas estrangeiras.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/07/2026
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Descrição e etapas

A escrita aljamiada foi desenvolvida por Mudéjares submetidos a pagar importantes tributos a partir da conquista cristã e Mouriscos, pois a população de origem muçulmana, sobretudo nas camadas sociais mais baixas (camponeses especialmente), adotara a língua romance após ficar em zonas cristãs, mas conservava o alfabeto árabe por motivos religiosos e pela valoração que o Islão dá à caligrafia. Após a expulsão definitiva deste grupo populacional em 1609, a literatura aljamiada perdurou no Magrebe, na Europa e no Oriente Próximo, aonde foram obrigados a se exilarem. Até mesmo existe produção escrita sefardita aljamiada em caracteres hebreus e até mesmo árabes. A maior parte dos escritos aljamiados tratam de matérias religiosas ou jurídicas. Contudo, também se produziram textos de criação, tanto de literatura moral, sapiencial e didática como de ficção em prosa e em verso. A literatura aljamiada pode ser dividida em duas etapas. A primeira compreende desde o século XIV, em que se redige o primeiro texto de importância reconhecida, o Poema de Iúçufe; até princípios do século XVI, data da conversão forçosa dos muçulmanos, que a partir de então serão chamados mouriscos. Nesta etapa produzem-se textos aljamiados em Castela e Aragão.

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Época mudéjar

Da época mudéjar podemos destacar-se, além do Poema de Iúçufe citado, a redação da Soma dos principais mandamentos e debadamentos da Lei e Sunna, do mufti de Segóvia Içe de Gebir, que data de 1462. Trata-se de uma recopilação de leis, chamadas "leis de mouros", que vinha a culminar um corpo jurídico para a regulação da comunidade muçulmana mudéjar em Castela. Finaliza com a expulsão dos mouriscos de Castela em 1502, data na que muitos de eles assentam-se através do condado de Medinaceli nos vales do Jalón e Jiloca fugindo da repressão. No caso aragonês seria preciso retrotrair a época mudéjar até 1526, data na que as leis da conversão forçosa dos muçulmanos foi promulgada também para os mudéjares aragoneses. Destaca-se a produção do mais importante escritor aljamiado do período mudéjar de nome conhecido, o Mancebo de Arévalo, chegado em 1502 a Aragão. Escreveu livros de religião muçulmana : Tafçira, Sumário, Breve Compêndio e Calendário, descoberto em 2002 por Bernabé Pons. Estas obras foram vulgarizadas com frequência por mouriscos aragoneses, como amostra um Breve Compêndio onde se observa a intervenção de Baray de Reminyo, alfaqui de Cadrete.

Poema de Iúçufe

A mais importante obra de literatura aljamiada de época mudéjar é o Issa, escrito por um mourisco aragonês, cujo conteúdo reflete o comentário à sura XII do Alcorão (sura de Iúçufe), completado com a Lenda dourada. Menéndez Pidal datou-o no século XIV, e definiu a sua língua como romance aragonês. O texto narra a história de José do Gênesis, segundo a versão alcorânica. Deste poema apenas se conservaram uns trezentos oitenta versos. Destaca-se a sua capacidade para a expressão de momentos de grande lirismo.

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Época mourisca

Os mouriscos, obrigados a se converter, mantêm em privado a sua religião e costumes. Para não as perderem, apoiam-se na escrita destes textos numa grafia críptica para os cristãos, que intentam preservar a cultura religiosa, legal e literária muçulmana. Portanto, muitos destes códices, sempre manuscritos, encontraram-se nos lugares mais recônditos, escondidos entre as paredes de uma casa ou enterrados. A maioria destes textos têm-se descoberto ao fazer obras num edifício ou de jeito casual, como o Poema de Iúçufe, que foi achado numa caverna. A atividade centra-se nas comarcas ocidentais de Aragão: Calatayud, Tarazona, Daroca, ... Escrevem-se textos de todo tipo: Lendas bíblicas: História de Ayud (Job), Racontamiento de Sulayman (Salomão), Lenda de Musa (Moisés), História do sacrifício de Ismail, ou a lenda de Iúçufe (José, filho de Jacó), e que retoma esta história para contar o encontro de José e Jacó após oito décadas de ausência. Foi editada em 1888 por Guillén Robles e data da primeira metade do XVI.

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