Sentinelas Silenciosas
As Sentinelas Silenciosas, também conhecidas como Sentinelas da Liberdade, eram um grupo de mais de duas mil mulheres a favor do sufrágio feminino. Organizado pela sufragista Alice Paul e pelo Partido Nacional da Mulher, o grupo fez protestos na frente da Casa Branca durante a presidência de Woodrow Wilson, iniciados em 10 de janeiro de 1917. Quase quinhentas mulheres foram detidas, e 168 foram cumpriram pena na prisão. Elas foram o primeiro grupo a fazer um piquete de greve na Casa Branca. Posteriormente as mulheres também protestaram na Praça Lafayette, em Washington, até 4 de junho de 1919, quando a décima nona emenda à Constituição dos Estados Unidos foi aprovada tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado.
Os protestos das Sentinelas Silenciosas foram organizados pelo Partido Nacional da Mulher (National Women's Party – NWP), uma organização militante pelo sufrágio feminino. O NWP foi fundado inicialmente como a União Congregacional pelo Sufrágio Feminino (Congressional Union for Woman Suffrage – CUWS) em 1913 por Alice Paul e Lucy Burns, após um desfile pró-sufrágio em Washington em março de 1913. A CUWS, por definição, era uma organização que adotou uma abordagem militante e rompeu com a Associação Nacional do Sufrágio Feminino Americano (National American Woman Suffrage Association – NAWSA), que era mais moderada. A CUWS durou apenas três anos, até suas fundadoras a fundirem com o Partido da Mulher para formar o Partido Nacional da Mulher. O partido ostentava uma quantidade menor de membros que a Associação Nacional do Sufrágio Feminino Americano (com cinquenta mil membros para um milhão da NAWSA), mas suas táticas chamavam mais atenção e tinham mais cobertura da mídia. As militantes do partido ficaram conhecidas, principalmente, por participar de piquetes na Casa Branca e de greves de fome enquanto estavam na prisão e na workhouse.
The Suffragist era o periódico semanal do Partido Nacional da Mulher. O jornal agia como uma voz para as Sentinelas Silenciosas durante a vigília do grupo e cobria o progresso das manifestações, entrevistas com as militantes, relatórios sobre a (não) reação do presidente Woodrow Wilson e ensaios políticos. Enquanto as Sentinelas estavam na prisão, alguns membros escreveram textos sobre suas experiências, que mais tarde foram publicados no The Suffragist. "Embora o jornal fosse destinado à circulação em massa, sua assinatura atingiu pouco mais de vinte mil edições em 1917. A maior parte das cópias foi para membros do partido, anunciantes, sedes de filiais e organizadores do Partido Nacional da Mulher, o que sugere que as próprias sufragistas eram um público importante do periódico.
As frases seguintes são exemplos de cartazes segurados pelas manifestantes: Todas as Sentinelas usavam faixas roxas, brancas e douradas, que eram as cores do Partido Nacional da Mulher. Seus cartazes também eram coloridos dessa maneira.
As reações do público às Sentinelas Silenciosas foram variadas. Algumas pessoas aprovaram incondicionalmente o trabalho que as Sentinelas estavam realizando. Homens e mulheres presentes na frente da Casa Branca demonstraram seu apoio às manifestantes, trazendo-lhes bebidas quentes e tijolos para elas se apoiarem. Às vezes algumas mulheres até as ajudavam a segurar os cartazes. Outras formas de demonstrar apoio incluíam escrever cartas com elogios às Sentinelas para o The Suffragist e doações em dinheiro. Por outro lado, uma parte da população desaprovava os protestos das Sentinelas Silenciosas. Isso incluía algumas das sufragistas mais moderadas. Por exemplo, Carrie Chapman Catt - então líder da Associação Nacional do Sufrágio Feminino Americano - acreditava que a melhor maneira de conquistar o sufrágio feminino era primeiramente ganhar o direito ao voto em estados individualmente, nos quais as mulheres poderiam eleger uma maioria pró-sufrágio para o Congresso. Até o final de 1915 Catt se opôs a defender uma emenda nacional para conceder o sufrágio feminino, como o Partido Nacional da Mulher fez. Membros da Associação Nacional do Sufrágio Feminino Americano temiam que os piquetes resultassem em uma retaliação dos eleitores do sexo masculino.
Em 22 de junho de 1917 a polícia prendeu as manifestantes Lucy Burns e Katherine Morey sob a acusação de obstrução de tráfego porque carregavam um cartaz com uma citação do discurso de Wilson ao Congresso: "Nós devemos lutar pelas coisas que sempre carregamos mais perto dos nossos corações — pela democracia, pelo direito daqueles que se submetem à autoridade de ter voz em seus próprios governos." Em 25 de junho, doze mulheres foram presas, incluindo Mabel Vernon e Annie Arniel de Delaware, novamente sob a acusação de obstrução de tráfego. Elas foram condenadas a passar três dias ou pagar uma fiança de dez dólares. Elas escolheram ir para a cadeia porque queriam mostrar compromisso com a causa e sua disposição de sacrificar seus corpos físicos. Em 14 de julho dezesseis mulheres, incluindo Matilda Hall Gardner, Florence Bayard Hilles, Alison Turnbull Hopkins e Elizabeth Selden Rogers, foram presas e condenadas a sessenta dias na cadeia ou pagar uma fiança de 25 dólares. Novamente as mulheres escolheram a cadeia. Lucy Burns argumentou que as mulheres deveriam ser tratadas como prisioneiras políticas, mas essa designação nunca havia sido usada nos Estados Unidos.
Em 9 de janeiro de 1918, Wilson anunciou seu apoio à emenda constitucional que garantiria o sufrágio feminino. No dia seguinte a Câmara dos Representantes aprovou a emenda por uma margem pequena, mas o Senado recusou-se a debatê-la até outubro. Quando o Senado votou a emenda em outubro, a proposta foi rejeitada por dois votos de diferença. E, apesar da decisão da Corte de Apelações do Distrito de Colúmbia, as prisões das manifestantes da Casa Branca foram retomadas em 6 de agosto de 1918. Para continuar com a pressão, em 16 de dezembro de 1918 as manifestantes começaram a queimar as palavras de Wilson em fogueiras na frente da Casa Branca. Em 9 de fevereiro de 1919 as sufragistas queimaram a efígie de Wilson na Casa Branca. Em outra frente, o Partido Nacional da Mulher, liderado por Alice Paul, exortou os cidadãos a votar contra os senadores anti-sufrágio nas eleições do outono de 1918. Após as eleições, a maior parte dos membros do Congresso era pró-sufrágio. Em 21 de maio de 1919 a Câmara dos Representantes aprovou a emenda e, duas semanas depois, em 4 de junho, o Senado finalmente tomou a mesma decisão. Com o trabalho feito no Congresso, as manifestantes voltaram suas atenções para que os estados ratificassem a emenda.
A vigília das Sentinelas Silenciosas foi retratada no filme Iron Jawed Angels, de 2004.


