Pesquisa · Mapa mental

Crise na Armênia (2020–presente)

A crise armênia iniciou-se em 2020 com a ofensiva azerbaijana contra a autoproclamada República de Artsaque, o que desencadeou protestos em massa na Armênia. A crise se intensificou depois que a força de paz russa não se envolveu noutra guerra, deixando a Armênia isolada. A guerra terminou com a fuga de mais de 100.000 armênios do Alto Carabaque. Houve várias tentativas de golpe de Estado durante a crise. Em dezembro de 2023, partes da Armênia permaneciam sob ocupação azerbaijana.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
01

Contexto

Em 21 de setembro de 1991, a Armênia declarou oficialmente sua independência após a tentativa fracassada de golpe de Estado em agosto em Moscou. Desde a independência, a Armênia está envolvida em hostilidades com seu vizinho Azerbaijão devido a Alto Carabaque, uma região autônoma do Azerbaijão quase inteiramente povoada por armênios étnicos, incluindo a cidade de Stepanakert, um importante centro cultural armênio por ser o berço do movimento Carabaque. Temendo uma maior limpeza étnica sob um Azerbaijão turco e muçulmano independente, separatistas armênios se insurgiram e formaram a República de Artsaque, apoiada pelos militares armênios, que se envolveram em um conflito direto com o Azerbaijão, a Primeira Guerra de Alto Carabaque. Apesar do apoio soviético e dos numerosos voluntários turcos, o Azerbaijão perdeu, com Artsaque se expandindo para incluir os territórios fronteiriços etnicamente mistos entre eles e a Armênia.

02

Cronologia

Consequências da Segunda Guerra do Alto Carabaque

Após o cessar-fogo com o Azerbaijão em novembro, e apesar das forças de Artsaque estarem claramente perdendo o conflito e à beira do colapso total, quase dez mil pessoas protestaram pela renúncia de Pashinyan. Houve um número semelhante de contraprotestos. Esses manifestantes estavam amplamente divididos em dois grupos: nacionalistas pró-ocidentais, que consideravam Pashinyan muito leniente com a Rússia e exigiam a adesão imediata da Armênia à União Europeia (UE) para oferecer uma garantia de segurança que a Rússia não podia fornecer, e nacionalistas pró-russos, que viam Pashinyan como um fantoche do Ocidente que entregou Artsaque aos azeris, que queriam retomar o conflito aberto e direto.

Bloqueio de Lachin

A Segunda Guerra do Alto Carabaque reacendeu a crise fronteiriça entre a Armênia e o Azerbaijão, uma vez que as duas nações nunca demarcaram adequadamente suas fronteiras, com ambos os lados reivindicando aldeias controladas pelo outro e controlando aldeias reivindicadas pelo outro. Em 12 de maio de 2021, as forças azerbaijanas cruzaram vários quilômetros em território armênio nas províncias de Syunik e Gegharkunik, ocupando cerca de 215 quilômetros quadrados (83 milhas quadradas). Essa incursão levaria a confrontos esporádicos ao longo de toda a fronteira, resultando em pelo menos 300 mortes durante o auge dos combates em setembro de 2022. A Armênia, sendo atacada diretamente desta vez ao invés do seu aliado Artsaque, acionou o Artigo 4[a] da Organização do Tratado de Segurança Coletiva em 13 de setembro de 2022, o que deveria ter feito com que todas as nações membros da OTSC viessem em seu auxílio militar. Mas a Rússia, ainda preocupada com a invasão da Ucrânia e incomodada com a inclinação ocidental de Pashinyan, recusou-se não apenas a ajudar seu aliado, mas também a condenar as ações do Azerbaijão, que a essa altura incluíam reivindicar a maior parte, senão toda, a Armênia como "Azerbaijão Ocidental". Durante os combates, as forças de paz russas, enviadas especificamente para impedir o que estava acontecendo, mais uma vez se mantiveram à margem e nada fizeram para deter as forças azerbaijanas, que prosseguiram com a ocupação do corredor de Lachin, a única estrada que ainda ligava Artsaque à Armênia.

Colapso da República de Artsaque

Após deixar Artsaque em inanição por quase dez meses, em 19 de setembro de 2023, o Azerbaijão iniciou uma nova ofensiva contra o grupo armado fortemente enfraquecido. Após pouco mais de um dia de combates, concentrados principalmente em aldeias do norte, como Getavan, ficou claro que Artsaque e seu exército enfrentavam uma desintegração total e não seriam capazes de oferecer qualquer resistência significativa a uma ofensiva em direção a Stepanakert. Apesar de estarem posicionados lá justamente para evitar o que aconteceu, os 2.000 soldados russos de manutenção da paz permaneceram à margem e não ofereceram resistência ao exército azerbaijano. Durante os combates, um comboio de soldados russos de manutenção da paz foi bombardeado pelo Azerbaijão, resultando na morte de um capitão e de outros quatro soldados, mas, mesmo assim, a Rússia não interveio. O governo de Pashinyan também não comentou a invasão enquanto ela acontecia e, em 20 de setembro, Samvel Shahramanyan, o presidente de Artsaque, buscando minimizar as baixas civis, assinou um acordo de cessar-fogo que previa a dissolução do exército e a abolição da entidade até 1 de janeiro de 2024, embora, de 20 de setembro a 1 de janeiro, Artsaque tenha existido apenas no papel. Tal acontecimento marcou a primeira vez que o território voltou ao controle azeri desde o movimento Carabaque em 1988. Isso foi acompanhado pela fuga dos armênios do Alto Carabaque, onde 100.617 armênios étnicos, ou 99% da população de Artsaque, fugiram para a Armênia temendo a limpeza étnica azerbaijana. O governo armênio anunciou que não pretendia realizar nenhuma contraofensiva.

Desde 2024

Em 19 de abril de 2024, Pashinyan anunciou que havia chegado a um acordo com o governo do Azerbaijão para demarcar sua fronteira em conformidade com a Declaração de Alma-Alta de 1991. Esse processo implicaria a Armênia entregar aldeias abandonadas, anteriormente habitadas por azeris, na província de Tavush, ao longo da fronteira, para restaurá-las à sua condição em 1991, antes das guerras de Carabaque: Bağanis Ayrum, Aşağı Əskipara, Xeyrimli e Qızılhacılı. Em 23 de abril de 2024, eclodiram protestos contra a entrega das aldeias, com manifestantes tentando bloquear a rodovia para a Geórgia e outras rodovias ao redor da capital. Ao contrário dos protestos anteriores, a Igreja Apostólica Armênia se envolveu profundamente e assumiu um papel central nas mobilizações, em vez de ser apenas uma participante periférica. Pashinyan criticou a Igreja por se tornar politicamente ativa em 7 de maio, e em 9 de maio o Arcebispo Bagrat Galstanyan emergiu como líder dos protestos altamente organizados "Tavush pela Pátria". Galstanyan exigiu a renúncia de Pashinyan, dizendo que era "vontade de Deus" que ele se tornasse primeiro-ministro, embora legalmente não pudesse ocupar o cargo por ser cidadão canadense com dupla nacionalidade. Galstanyan coordenou os protestos com a Aliança Eu Tenho Honra e a Aliança Armênia, ambas russófilas, bem como com o governo de Artskha no exílio. O governo armênio começou a reprimir e prender manifestantes sob acusações que variavam desde a recusa em obedecer ordens policiais até "incitar a derrubada violenta da estrutura constitucional do país", incluindo vários políticos pró-Rússia de alto escalão. Vários partidos e políticos pró-ocidentais acusaram diretamente a Oposição Armênia e a Igreja Apostólica Armênia de serem financiadas e coordenadas pelo governo russo para derrubar Pashinyan por ousar chegar a um acordo pacífico com o Azerbaijão. Em maio de 2024, a Plataforma Unida das Forças Democráticas pediu ao governo armênio que solicitasse a adesão à UE e à OTAN e se retirasse da OTSC e da União Econômica Eurasiática (UEE). Em 8 de junho, Galstanyan pediu que a Armênia fortalecesse seus laços com a Rússia por meio da OTSC e da UEE, alegando que um alinhamento pró-Rússia era o "lugar natural" da Armênia. Em resposta, em 12 de junho, Pashinyan anunciou que seu governo se retiraria da OTSC em algum momento próximo. Isso levou manifestantes a tentar invadir a Assembleia Nacional, mas eles não conseguiram romper o cordão policial do lado de fora, atirando tijolos e garrafas contra os policiais. Em 14 de junho, Pashinyan acusou o governo de Artsaque no exílio de encorajar refugiados armênios de Carabaque a participar de protestos antigovernamentais. Em 23 de junho, após semanas de diminuição da participação e aumento das prisões, Galstanyan anunciou o fim dos protestos, afirmando que seu movimento mudaria para um "novo conceito".

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando