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Batalha de Faqueque

A Batalha de Faqueque foi travada em 11 de junho de 786 entre as forças do Califado Abássida e os apoiadores de uma rebelião pró-álida em Meca sob Huceine ibne Ali, um descendente de Haçane ibne Ali.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/07/2026
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Antecedentes

Em 748-750, a Revolução Abássida derrubou o Califado Omíada (661–750) e estabeleceu a dinastia abássida no comando do mundo islâmico. A mudança de dinastia não foi uma mera luta de sucessão, mas o culminar de um amplo movimento social e político que rejeitou o regime omíada, que foi amplamente considerado opressor, muito dependente e favorecedor de seu centro sírio com a exclusão de outras áreas, e mais preocupado com os aspectos mundanos do califado do que com os ensinamentos do Islã. Uma crença generalizada na época favorecia a substituição do governo dinástico omíada pelo de um "escolhido da família de Maomé" (al-Riḍā min Āl Muḥammad), que sozinho teria a orientação divina necessária para interpretar o Alcorão e criar um verdadeiro governo islâmico que traria justiça à comunidade muçulmana, tratando todos os muçulmanos igualmente, independentemente de sua origem. No primeiro caso, isso significava os álidas, ou seja, aqueles que afirmavam ser descendentes de Maomé via Ali. No entanto, os abássidas exploraram a imprecisão do mote ao retratarem-se também como membros da alargada "Família do Profeta" por meio de sua descendência comum do clã dos haxemitas. Esta afirmação foi rejeitada por escritores xiitas posteriores, que restringiram a participação na Família do Profeta aos álidas e, portanto, consideraram os Abássidas como usurpadores, mas esta distinção não era tão clara na época, e as afirmações abássidas parece que foram amplamente aceitas quando chegaram ao poder.

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Eclosão da revolta

Pouco depois da morte de Almadi em julho de 785, Huceine e seus seguidores se revoltaram em Medina, na esperança de tirar vantagem da posição ainda instável do sucessor de Almadi, Alhadi. O historiador Atabari do início do século X registra várias tradições que sugerem que a causa imediata da revolta foi uma disputa entre Huceine e o governador abássida de Medina, Omar ibne Abezalazize ibne Abedalá, conhecido como Alumari. Alumari tentou regulamentar os movimentos dos álidas na cidade e fez com que três homens, incluindo Abul Zifete, filho de Maomé Nafes Zaquia, fossem açoitados e humilhados publicamente por desrespeitar a proibição islâmica contra o consumo de álcool; isso causou indignação entre os álidas. A situação piorou quando foi descoberto que Abul Zifete, a quem Huceine e Iáia ibne Abedalá (um meio-irmão de Muhammad Nafes Zaquia) deram garantias, havia fugido da cidade. No confronto que se seguiu com Alumari, Iáia e o governador trocaram insultos e ameaças, tornando a situação insustentável para Huceine e seus seguidores. Embora esta possa ter sido a faísca imediata para o levante, a partir das passagens subsequentes de Atabari, é evidente que um levante havia sido planejado há algum tempo, incluindo o recrutamento de cufanos que estavam secretamente à espera na cidade, e a esperança de ajuda dos simpatizantes que realizaram a peregrinação. A motivação para a revolta não é clara; escritores xiitas posteriores afirmam que isso resultou da postura antiálida do novo califa, mas há indícios de que em seus últimos anos o próprio Almadi passou de uma política conciliatória à hostilidade em relação aos álidas, causando grande descontentamento entre os xiitas.

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Confronto em Faqueque

Com seus 300 homens, Huceine rumou para Meca. No caminho, foi acompanhado por simpatizantes daquela cidade. Nesse ínterim, Alhadi montou uma resposta armada à revolta de Huceine. Vários príncipes abássidas estavam retornando de sua peregrinação a Meca, e um deles, Maomé ibne Solimão ibne Ali (primo de Almançor), havia levado uma forte escolta para proteger sua caravana dos ataques beduínos. Alhadi nomeou Maomé para lidar com os rebeldes; voltou para Meca, onde se juntou ao séquito armado de todas as elites abássidas que haviam estado na cidade: as fontes referem-se a 130 homens montados em cavalos e algumas mulas, 200 em jumentos e um número não especificado de infantaria. Depois de um desfile pela cidade que provavelmente foi planejado para intimidar qualquer simpatizante pró-álida, o exército abássida acampou em Du Tua, nos arredores da cidade. À medida que os álidas e seus apoiadores se aproximavam, os dois exércitos se confrontaram em 11 de junho, no uádi de Faqueque, cerca de 4 quilômetros (2,5 milhas) a noroeste de Meca. A força abássida era liderada pelos príncipes Alabás ibne Maomé e Muça ibne Issa à esquerda, Maomé ibne Solimão à direita e o comandante coraçani Muade ibne Muslim no centro. A batalha começou ao amanhecer, e as forças álidas se concentraram na ala esquerda dos abássidas. Quando Maomé ibne Solimão foi vitorioso em sua ala, liderou a direita e centro abássidas contra o grosso do exército álida, que havia sido "reunido como se fosse uma bola compacta de linha", nas palavras de Atabari , resultando numa derrota álida. Durante a batalha, os abássidas ofereceram clemência (amã), mas Huceine recusou, lutando até ser morto. Sua cabeça decepada foi levada para Alhadi, que a enviou para o Coração como um aviso aos xiitas locais.

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Impacto

Fontes xiitas proclamam que o levante de Huceine teve um caráter "zaidita", ou seja, uma dimensão social que o distingue da revolta principalmente "legitimista" de Maomé Nafes Zaquia. A fórmula do juramento de lealdade prestado a Huceine era semelhante à de Zaíde ibne Ali em 740, incluindo promessas de defender os oprimidos e reparar as injustiças. A historiadora Laura Veccia Vaglieri destaca que na fórmula de Huceine, "o dever dos súditos de obedecê-lo dependia dele cumprir as promessas que havia feito", algo emulado um século depois por Alhadi Ila Alhaque Iáia, quando fundou um Estado zaidita no Iêmem. Durante sua breve residência em Medina, também prometeu liberdade aos escravos que se juntaram a ele, mas diante dos protestos de seus senhores de que este era um ato ilegal, teve que devolver alguns deles. O uádi de Faqueque passou a ser conhecido como Axuada ("os mártires") e assumiu uma posição de destaque no martirologia xiita, já que em número de álidas caídos, perdia apenas para a Batalha de Carbala. O fracasso da revolta exemplificou a fraqueza da posição dos álidas e também o relativo sucesso das políticas de Almadi em reduzir o perigo que representavam para o regime. Em suas consequências, muitos álidas se dispersaram do Hejaz para a periferia do mundo islâmico, em áreas como o Magrebe e o norte do Irã, com repercussões de longo alcance, pois trouxeram aliados álidas para essas regiões.

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