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Oscar Wilde

Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde, ou simplesmente Oscar Wilde, foi um influente escritor, poeta e dramaturgo irlandês. Conhecido por sua sagacidade mordaz, pelas vestimentas extravagantes de dândi, pela habilidade de conversação e de ditos espirituosos e ricos em sarcasmo, ironia e cinismo, Wilde tornou-se uma das personalidades mais famosas de sua época e um dos dramaturgos mais populares de Londres, em 1890, após escrever de diversas formas na década de 1880.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Biografia

A última peça escrita por Wilde — sua obra-prima da comédia, nas palavras de Daniel Mendelsohn e em entendimento crítico geral — satiriza a moral vitoriana e retorna ao tema das identidades trocadas: dois protagonistas envolvem-se em "bunburying" (estratagema usado por pessoas que precisam de uma desculpa para evitar as obrigações sociais em seu dia a dia; termo cunhado pelo próprio Wilde a partir de Bunbury, o amigo fictício do personagem Algernon), o que lhes permite escapar dos costumes sociais tradicionais. A peça The Importance of Being Earnest (traduzida para o português com diferentes títulos: A Importância de ser Honesto, A Importância de ser Prudente, A Importância de ser Ernesto) tem tom ainda mais leve do que as comédias anteriores de Wilde. Enquanto seus outros personagens frequentemente assumem temas sérios em momentos de crise, esta peça carece dos personagens wildeanos já conhecidos: não há "mulher com um passado", os protagonistas não são nem vilões nem astutos, simplesmente cultivés ociosos e as jovens idealistas não são tão inocentes. Ambientado principalmente em salas de estar e quase completamente desprovido de ação ou violência, A Importância... não traz a decadência autoconsciente encontrada no romance O Retrato de Dorian Gray ou em Salomé.

Primeiros anos

Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde nasceu na cidade de Dublin, em 16 de outubro de 1854, quando a atual República da Irlanda ainda pertencia ao Reino Unido, na forma do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. O segundo de três filhos, foi criado numa família protestante (depois convertendo-se à Igreja Católica), estudou na Portora Royal School de Enniskillen e no Trinity College de Dublin, onde se sobressaiu como latinista e helenista. Ganhou depois uma bolsa de estudos para o Magdalen College, de Oxford. Wilde saiu de Oxford em 1878, pouco antes de ter ganhado o prêmio "Newdigate" com o poema "Ravenna". Passou a morar em Londres e começou a ter uma vida social bastante agitada, sendo logo caracterizado pelas atitudes extravagantes.

Conferências nos Estados Unidos e Canadá

Foi convidado a realizar uma extensa turnê de conferências nos Estados Unidos e no Canadá em 1882, abordando o esteticismo e a decoração doméstica em palestras como “House Decoration” e “The Decorative Arts”, nas quais defendia a presença do belo na vida cotidiana. Em 1883, vai para Paris e entra para o mundo literário local, o que o leva a abandonar seu movimento estético. O melhor período intelectual de Oscar Wilde é o que vai de 1887 a 1895.

Matrimônio, filhos e descendentes

Depois de se formar no Magdalen College, Oscar Wilde retornou a Dublin, onde conheceu Florence Balcombe, por quem se interessou. Pouco depois, ela iniciou um relacionamento com o escritor Bram Stoker, futuro autor de Drácula, com quem se casou em 1878. Ao saber do noivado, Wilde escreveu a Balcombe anunciando sua decisão de deixar a Irlanda definitivamente. No mesmo ano, partiu para a Inglaterra, regressando ao país natal apenas duas vezes, e sempre por motivos profissionais. Nos anos seguintes, viveu entre Londres, Paris e os Estados Unidos, para onde viajou em 1882 para realizar uma série de conferências sobre arte e estética. De volta à Inglaterra, conheceu Constance Lloyd, filha do advogado irlandês Horace Lloyd, conselheiro da Rainha Vitória. Durante uma visita de Constance a Dublin, coincidindo com uma palestra de Wilde no Teatro Gaiety, ele aproveitou a ocasião para pedi-la em casamento. O matrimônio ocorreu em 29 de maio de 1884, em Paddington, Londres. O casal instalou-se em Chelsea, bairro londrino associado a artistas e intelectuais. Como ambos haviam escrito e lecionado sobre decoração, esperava-se que a casa na Rua Tite, número 16 (atual 34), se tornasse um exemplo de bom gosto e estilo vitoriano.

O sucesso

Em 1892, começa uma série de bem sucedidas histórias, hoje clássicos da dramaturgia britânica: O leque de Lady Windermere (1892), Uma Mulher sem Importância (1893), Um Marido Ideal e A importância de ser Prudente (ambas de 1895). Nesta última, o ar cômico começa pelo título ambíguo: Earnest, "fervoroso" em inglês, tem o mesmo som de Ernest, nome próprio. Publica contos como "O Príncipe Feliz", "O Gigante Egoísta" e "O Rouxinol e a Rosa", que escrevera para os seus filhos, e "O crime de Lord Artur Saville". O seu único romance foi O Retrato de Dorian Gray. A situação financeira de Wilde começou a melhorar, e, com ela, conquista uma fama ainda maior. O sucesso literário foi acompanhado de uma vida bastante mundana e suas atitudes tornaram-se cada vez mais excêntricas.

Salomé

O censo de 1891 registra a residência dos Wildes na rua Tite, número 16, onde ele morava com sua esposa Constance e seus dois filhos. Wilde, porém, não satisfeito em ser mais do que nunca conhecido em Londres, voltou a Paris em outubro de 1891, desta vez como um escritor respeitado. Era bem recebido nos salões littéraires, incluindo os famosos mardis de Stéphane Mallarmé, renomado e inovador poeta simbolista. As duas peças de Wilde durante a década de 1880, Vera, ou Os niilistas e A Duquesa de Pádua, não tiveram muito sucesso. Continuou interessado em escrever para teatro e, depois de encontrar sua voz na prosa, seus pensamentos voltaram-se novamente para a forma dramática enquanto a iconografia bíblica de Salomé permeia sua mente. Uma noite, depois de discutir em um de seus encontros as representações de Salomé ao longo da história, voltou ao hotel e notou um caderno em branco sobre a mesa, e lhe ocorreu escrever nele o que estava dizendo. O resultado foi uma nova peça, Salomé, escrita rapidamente e em língua francesa.

Alfred Douglas

Em meados de 1891, o poeta, ensaísta e crítico Lionel Johnson apresentou Wilde a Lord Alfred Douglas, primo de Johnson e, à época, estudante de graduação em Oxford. Conhecido por sua família e amigos como "Bosie", Douglas era um jovem belo e mimado. Uma amizade íntima brotou entre Wilde e Douglas, e em 1893 o autor estava apaixonado por Douglas e eles se relacionavam regularmente em um caso tempestuoso. Se Wilde era relativamente indiscreto, até mesmo extravagante, na maneira como agia, Douglas era imprudente em público. Wilde, que ganhava até £ 100 libras por semana com suas peças (e seu salário na revista The Woman's World era de £ 6 libras), conseguia atender a todos os caprichos de Douglas: materiais, artísticos, sexuais.

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A obra

No seu único romance, O Retrato de Dorian Gray, considerado por muitos críticos uma obra-prima da literatura britânica, Oscar Wilde explora temas como a arte, a vaidade, o hedonismo e as manipulações humanas. Publicado inicialmente em 1890 na revista Lippincott's Monthly Magazine, o texto causou polêmica por suas alusões homoeróticas e pela defesa do esteticismo como princípio de vida e de criação artística. Na edição revista e ampliada de 1891, Wilde acrescentou o célebre prefácio em forma de aforismos, no qual declarava que “não há livros morais ou imorais, apenas livros bem ou mal escritos”. Misturando elementos góticos e decadentistas, a obra reflete a tensão entre aparência e essência e expressa a crítica de Wilde à hipocrisia moral da sociedade vitoriana. Além desse romance, Wilde escreveu diversas novelas e contos nos quais combina crítica social e humor refinado. Em O Fantasma de Canterville, satiriza o patriotismo e os costumes ingleses através do contraste entre uma família americana e uma velha mansão aristocrática. Já nos contos infantis, como O Filho da Estrela e O Príncipe Feliz, procurou transmitir lições morais por meio de uma linguagem simples e simbólica, acessível ao público jovem.

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Posição política e The Soul of Man under Socialism (1891)

Embora amplamente conhecido por seu esteticismo e pela defesa da arte pela arte, Oscar Wilde também elaborou uma reflexão política original sobre a liberdade individual e a justiça social. Essa dimensão aparece sobretudo no ensaio The Soul of Man under Socialism, publicado em 1891 no periódico The Fortnightly Review. Nele, Wilde propõe uma forma de socialismo individualista, em que a abolição da propriedade privada e a mecanização do trabalho permitiriam ao ser humano dedicar-se plenamente à criação e à vida estética. Influenciado por pensadores como William Morris e Peter Kropotkin, Wilde critica o capitalismo por degradar a individualidade e a caridade cristã por perpetuar a miséria. Para ele, a verdadeira emancipação não viria de reformas morais, mas de uma transformação social que libertasse cada pessoa do trabalho alienante e das normas da sociedade vitoriana. Essa visão aproxima-se de correntes anarquistas e libertárias do século XIX, embora mantenha o foco no indivíduo e na criatividade, mais do que na ação coletiva.

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Cronologia

Sai da Prisão e em 28 de maio, aparece no Daily Chronicle, a primeira carta sobre o regime penitenciário britânico, sob o título O Caso do Guarda Martin.

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