Alfredo Botelho de Sousa
Alfredo Botelho de Sousa foi um oficial da Armada Portuguesa e um prestigiado político e intelectual que se destacou como estudioso de estratégia naval e como historiador do desenvolvimento naval português. Terminou a sua carreira no posto de vice-almirante.
Concluiu os seus estudos preparatórios e secundários no Liceu de Ponta Delgada, que cursou com especial brilhantismo. Ingressou na Escola Politécnica em 1896, transitando em 1898 para a Escola Naval, onde assentou praça, vindo a concluir o curso em 1901 como primeiro classificado. Entre 1898 e 1899 fez parte das guarnições do cruzador D. Carlos I e das canhoneiras Sado, D. Luís e Tâmega, tendo a bordo desses navios realizado comissões de serviço que o levaram aos mares dos Açores e de Cabo Verde. Em 1903 foi colocado na Estação Naval do Índico, servindo na guarnição dos navios que estavam afectos a Moçambique e à Índia Portuguesa, viajando extensivamente pelo Oceano Índico. Durante esta fase da sua carreira naval, o então segundo-tenente Botelho de Sousa viveu intensamente a decadência imperial portuguesa no Oriente, confrontando-se com um poder naval em desagregação, sem meios que permitissem uma aceitável presença naquele oceano e sem qualquer capacidade de projectar forças em caso de ameaça aos interesses de Portugal na região.
Foi um autor prolífico, produzindo dezenas de obras e largas centenas de artigos. Nas suas obras revelou-se um notável analista da situação internacional, com relevo para as políticas do mar e do poder marítimo, conquistando um papel determinante na definição das linhas mestras da Marinha Portuguesa ao longo do século XX. A sua obra escrita que conta-se por mais de 500 crónicas no Diário dos Açores e largas centenas de artigos nos jornais O Século (Lisboa) e O Comércio do Porto (Porto), nos Anais do Clube Militar Naval e outras publicações periódicas. Para além dessa obra dispersa, deixou trabalhos de história naval de qualidade ímpar, bem como obras onde explana a sua visão estratégica da Armada Portuguesa e da defesa nacional de Portugal. Entre as suas obras mais notáveis contam-se:


