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Mães da Praça de Maio

As Mães da Praça de Maio é uma associação argentina de mães que tiveram seus filhos assassinados ou desaparecidos durante o terrorismo de Estado da ditadura militar, que governou o país entre 1976 e 1983. Elas se organizaram tentando descobrir o que ocorreu com seus filhos e começaram a fazer passeatas em 1977 na Praça de Maio, em Buenos Aires, em frente a Casa Rosada, a sede do governo argentino, em desafio público ao terrorismo de Estado do governo, destinado a silenciar toda a oposição política. Usando lenços brancos em suas cabeças, procuravam simbolizar as fraldas de seus filhos perdidos e sensibilizar a população. Em um espaço do lenço foi escrito, em linhas de cor preta, o nome de seus filhos e a data em que desapareceram, essa foi uma forma de protesto pelas pessoas que foram vítimas da violência da ditadura. As mães marcharam em solidariedade para protestar contra as atrocidades cometidas pelo regime militar Eles responsabilizaram o governo pelas violações de direitos humanos que eles cometeram durante o período em que estiveram no poder.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/07/2026
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Origens do movimento

Em 30 de abril de 1977, Azucena Villaflor de De Vincenti e uma dúzia de outras mães foram à Praça de Maio, na capital argentina. As mulheres compartilharam a experiência de cada uma ter tido pelo menos uma criança que foi sequestrada pelo governo militar. As mães declararam que entre 1970 e 1980, mais de 30 mil pessoas se tornaram um dos "desaparecidos". Essas pessoas foram apagadas dos registros públicos, sem vestígios de prisões ou acusações feitas pelo governo. As mulheres decidiram protestar e caminharam do outro lado da rua do palácio-sede do governo, a Casa Rosada. As mães escolheram este local por sua alta visibilidade, na esperança de obter informações e recuperar seus filhos. Enquanto realizavam marchas semanais, as mães também iniciaram uma campanha internacional para desafiar a propaganda distribuída pelo regime militar. Esta campanha trouxe a atenção do mundo para a Argentina.

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Divisões e radicalização

Nos anos após a ditadura, a associação aumentou sua pressão sobre o governo, exigindo respostas sobre o destino e a localização das crianças desaparecidas. Depois que os militares entregaram sua autoridade a um governo civil em 1983, as Mães da Praça de Maio reacenderam as esperanças de que pudessem aprender o destino de seus filhos. Elas pressionaram por mais informações. A partir de 1984, equipes assistidas pela geneticista americana Mary-Claire King começaram a usar testes de DNA para identificar restos mortais, quando corpos dos "desaparecidos" foram encontrados. O governo conduziu uma comissão nacional para coletar depoimentos sobre os "desaparecidos", ouvindo centenas de testemunhas. Em 1985, iniciou o julgamento de homens acusados de crimes, começando com o Julgamento das Juntas, no qual vários oficiais militares de alta patente foram condenados e sentenciados. Os militares ameaçaram um golpe para impedir o alargamento dos processos.

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Marcha de Resistência

Imagem: Brasil de Fato · BY-NC-SA · Openverse

Em 26 de janeiro de 2006, os membros das Associação Mães da Praça de Maio anunciaram o que elas disseram ser a sua Marcha de Resistência final na Praça de Maio, dizendo que "o inimigo não está mais no palácio do governo". Eles reconheceram o significado do sucesso do presidente Néstor Kirchner em ter a Lei de Ponto Final e a Lei de Obediência Devida revogadas e declaradas inconstitucionais. Elas disseram que continuariam as marchas semanais de quinta-feira em busca de ação em outras causas sociais. A Linha Fundadora anunciou que continuaria as marchas de quinta-feira e as marchas anuais para comemorar a longa luta de resistência à ditadura. Após 26 de janeiro de 2006, outras mulheres entraram para o grupo. Entre elas, estavam mães que se tornariam cruciais para a consolidação e a constituição do movimento, como Nora de Cortiñas, Hebe Pastor de Bonafini, Juana Meller de Pargament, María Esther de Careaga e Angélica Sosa Mignone. Esther de Careaga e María Eugenia Bianco, duas das fundadoras das Mães da Praça de Maio, também foram dadas como “desaparecidas”.

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Envolvimento social e controvérsias políticas

Imagem: Marcio Cabral de Moura · BY-NC-ND · Openverse

A Associação permaneceu próxima do kirchnerismo. Elas criaram um jornal (La Voz de las Madres), uma estação de rádio e uma universidade (Instituto Universitário das Mães da Praça de Maio).A Associação administrou um programa habitacional financiado pelo governo federal, Sueños Compartidos, que foi fundado em 2008. Até 2011, o programa havia completado 5 600 unidades habitacionais destinadas a moradores de favelas, e numerosas outras instalações em seis províncias e na cidade de Buenos Aires. Seus orçamentos crescentes, que totalizaram cerca de US$ 300 milhões alocados entre 2008 e 2011 (dos quais US$ 190 milhões foram gastos), foram analisados. Houve controvérsia quando o diretor financeiro do programa, Sergio Schoklender, e seu irmão Pablo (advogado da empresa) foram acusados de ter desviado fundos. Os irmãos Schoklender haviam sido condenados em 1981 pelo assassinato de seus pais e cumpriram 15 anos de prisão. Depois de ganhar a confiança de Bonafini, eles estavam gerenciando as finanças do projeto com pouca supervisão das Mães da Praça de Maio ou do licenciante do programa, o Secretário de Obras Públicas. Sua amizade com a Associação terminou em junho de 2011, depois que Bonafini soube das irregularidades em lidar com as finanças do grupo. Após uma investigação ordenada pelo juiz federal Norberto Oyarbide, a Secretaria de Obras Públicas cancelou o contrato do programa em agosto de 2011. Os projetos pendentes foram transferidos para a Subsecretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano.

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Avós da Praça de Maio

Imagem: Marcio Cabral de Moura · BY-NC-ND · Openverse

Em 1977 foi criada a organização Avós da Praça de Maio (Abuelas de la Plaza de Mayo) com o objetivo de encontrar os bebês "roubados" cujas mães foram mortas durante a ditadura. O movimento passou a procurar os/as netos/as, nascidos/as das filhas que estavam grávidas durante o momento do sequestro, pois a maioria dos bebês, após o nascimento, eram doados para famílias, em geral de militares, que fossem consideradas "de bem" e estivessem distante dos "atos subversivos". O grupo foi formado por mulheres que eram mães e avós dos/as desaparecidos/as. Até julho de 2025, seus esforços resultaram na identificação de 140 netos/as. Sua presidente é Estela Barnes de Carlotto.

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