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Lev Chernyi

Pável Dimítrievich Turchanínov, conhecido pelo pseudônimo de Lev Chernyi, foi um teórico anarquista, ativista e poeta russo, figura de destaque na Terceira Revolução Russa. Inicialmente anarcoindividualista, rejeitou o anarcocomunismo interpretando-o como uma ameaça à liberdade individual. Foi preso em 1907 pelo regime imperial russo por conta de suas atividades revolucionárias. Em 1917, Chernyi foi libertado de sua prisão política, e rapidamente tornou-se uma das principais figuras do anarquismo russo. Após denunciar veementemente o novo governo bolchevique em publicações anarquistas e unir-se a vários movimentos de resistência clandestinos, Chernyi foi preso pela Cheka sob a acusação de falsificação e em 1921 foi executado sem julgamento.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Início da vida, filosofia e prisão

Chernyi nasceu Pável Dimítrievich Turchanínov, filho de um coronel do exército. Um "déclassé intelectual" que o historiador anarquista Paul Avrich compara com Volin, Chernyi defendeu uma nietzschiana derrubada dos valores da sociedade burguesa russa, e rejeitou as comunas voluntárias propostas pelo anarcocomunista Piotr Kropotkin, interpretando-as como uma ameaça à liberdade individual. Em seu livro intitulado Anarquismo associativo (Associational Anarchism), publicado em 1907, Chernyi defendia a "livre associação de indivíduos independentes". Estudiosos como Paul Avrich e Allan Antliff, interpretaram que esta sua visão da sociedade foi fortemente influenciada pelo anarquismo individualista de Max Stirner e Benjamin Tucker. Após a publicação do livro, Chernyi foi preso na Sibéria pelo regime czarista russo por suas atividades revolucionárias.

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Retorno a Moscou e oposição aos bolcheviques

Em seu retorno da Sibéria em 1917, Chernyi gozava de grande popularidade como conferencista entre os trabalhadores de Moscou e era um dos líderes dos anarquistas individualistas da Rússia e um dos principais ideólogos do anarquismo daquele país. Ele foi o secretário e líder teórico da Federação dos Grupos Anarquistas de Moscou, que foi formada em março de 1917 após a abdicação do czar Nicolau II, e era preocupado principalmente com a divulgação de propaganda para classes mais pobres de Moscou. Com conhecimento pessoal de Lev Kamenev e outros líderes bolcheviques, Chernyi denunciou a nascente República Soviética da Rússia em um comício em 5 de março de 1918, declarando que para os anarquistas, o Estado socialista era um inimigo igual ao seu antecessor burguês e prometeu "paralisar o mecanismo governamental". Defensor feroz de apreensão de casas particulares, Chernyi agitava contra o Estado nas páginas de Anarkhiia, seu periódico anarquista semanal, propondo meios cada vez mais detalhados de produção descentralizada e "a completa ausência de estruturas de poder internas".

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Prisão e execução

Tendo ajudado a estabelecer um grupo clandestino em 1918, Chernyi juntou-se a outro grupo chamado Anarquistas Clandestinos no ano seguinte. A organização, que tinha sido fundada por Kazimir Kovalevich e Sobalev Piotr, publicaram duas edições de um incendiário panfleto denunciando a ditadura comunista como a pior tirania da história da humanidade. Em 25 de setembro de 1919, juntamente com uma série de revolucionários esquerdistas, um grupo de anarquistas bombardeou a sede do Comitê do Partido Comunista de Moscou, durante uma reunião plenária. Doze comunistas foram mortos e outros cinqüenta e cinco ficaram feridos, incluindo o eminente teórico bolchevique e editor do Pravda Nikolai Bukharin. Logo após o atentado, Chernyi foi detido junto com Fanya Baron sob a acusação de falsificação. Em agosto de 1921, o jornal Izvestia, de Moscou, publicou um relatório oficial que anunciava que dez "bandidos anarquistas", entre eles Chernyi, foram fuzilados sem audiência ou julgamento. No entanto, o historiador anarquista Paul Avrich alega que Chernyi foi executado em setembro do mesmo ano, em vez de agosto. Embora ele não estivesse pessoalmente envolvido no atentado à sede do Partido Comunista, Chernyi era, por causa de sua associação com os Anarquistas Clandestinos, um provável candidato a uma falsa incriminação. Os comunistas recusaram-se a entregar o corpo de Chernyi à sua família para o enterro, e boatos persistiram de que ele de fato haveria morrido por conta de torturas.

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