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Além do Que os Olhos Podem Ver

Além do que os Olhos Podem Ver é o sexto álbum de estúdio da banda brasileira de rock cristão Oficina G3, lançado em fevereiro de 2005 pela gravadora MK Music. Produzido por Geraldo Penna, a obra é caracterizada pela formação reduzida do grupo, sendo o primeiro álbum de sua discografia a conter Juninho Afram como principal vocalista nas canções.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 19/07/2026
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Antecedentes

Em 1997, após o êxito do álbum Indiferença, o vocalista Luciano Manga precisou deixar a banda, colocando, em seu lugar, o cantor PG. Durante esta época, o grupo resolveu lançar um trabalho acústico, sucedido por um acústico gravado ao vivo, que obteve grande popularidade. Em 2000, o conjunto ingressou na gravadora MK Music, e lançou o inédito O Tempo, que possui um direcionamento musical mais próximo do pop. A mudança de sonoridade foi geralmente associada ao novo vocalista, no entanto, os membros sempre negaram as considerações da imprensa, afirmando que a estética musical do grupo sofreria mudanças independentemente de novos integrantes. Em 2002, o baterista Walter Lopes anunciou sua saída, e declarou que sua desistência foi motivada por desentendimentos musicais e interpessoais. Em entrevista dada na época ao Super Gospel, Walter evitou dizer se tinha ocorrido algum conflito entre ele e o grupo. Com isso, Juninho Afram tornou-se o único integrante da banda remanescente da formação original. Para ocupar o lugar de Walter, o grupo contratou o baterista Lufe, que gravou a maioria das faixas de Humanos. Apesar de ser definido por Afram como o trabalho "mais pesado" do G3, com influências de nu metal, o álbum dividiu opiniões acerca da quantidade de baladas pop rock. Do ponto de vista de composição, o disco deu estreia a um novo processo criativo para a banda: a partir de Humanos, as músicas seriam creditadas a todos os integrantes. Juninho, anos mais tarde, afirmou que tomou essa atitude para incentivar a composição coletiva entre os membros e para evitar conflitos por créditos que enxergava em outros grupos.

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Composição

As primeiras composições inicialmente destinadas a Além do que os Olhos Podem Ver foram escritas ainda com a participação de PG. O ex-vocalista, em entrevista fornecida em 2004 ao portal Universo Musical afirmou que, no momento de sua saída, o cantor tinha escrito oito melodias com a banda e, embora acreditasse que não as utilizariam, disse desconhecer o que os músicos fariam com o material já escrito. Nesta época, o músico disse que estava insatisfeito a respeito da Oficina G3, e que os demais não demostravam apoiar completamente suas novas atividades como pastor. "Comentaram muitas coisas erradas quando eu saí. Não houve briga, não saí porque queria ganhar dinheiro. Saí exatamente porque queria continuar cantando e me dedicar a outros propósitos. Onde estava eu não conseguia". Anos mais tarde, ao revisitar sua saída da banda, PG contou que o grupo tinha um foco em fazer apresentações em locais menos religiosos e grandes. O cantor, por sua vez, estava vivendo uma fase mais intimista, em que queria cantar em igrejas e contar seu testemunho de vida. O vocalista avisou sua saída em um dos ensaios e processos de composição do álbum, o que contribuiu para o tom de insatisfação do grupo. O tecladista Jean Carllos, por exemplo, defendeu que a saída de PG foi atravessada.

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Gravação

O lançamento de Além do que os Olhos Podem Ver estava previsto para os primeiros meses de 2004. No entanto, a saída de PG mudou todos os planos da banda e atrasou o projeto, o que causou especulações do público. A principal incerteza estava acerca do substituto para os vocais. O guitarrista Juninho Afram afirmou que, naquela época, a banda recebeu vários discos de cantores para se integrarem à banda, mas o trio não esteve satisfeito com nenhuma proposta. Para o instrumentista, a escolha deveria ser feita com calma, pois além de ter um bom desempenho nos vocais, precisava ter uma compatibilidade de ideias com os demais membros. O ex-vocalista PG, por sua vez, tinha certeza que Juninho seguiria como o vocalista e considerava o músico completamente capaz de fazer a função. Para os shows que o grupo cumpria agenda na época, os tons das músicas foram alterados para se adequarem à extensão vocal de Juninho Afram. A tendência para o álbum permaneceu a mesma, com Duca Tambasco preferindo esta forma. Para o baixista, a sonoridade tenderia a ser mais "pesada" assim. "A gente abaixou o tom de algumas músicas, pois é mais confortável, e nós gostamos muito de cantar em dó. Ficou animal, muito pesado, é legal de ouvir. Ainda não sabemos se vamos gravar o CD em dó ou em ré, mas estamos fazendo as músicas com uma linha vocal que funcionaria dos dois jeitos", afirmou Juninho Afram.

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Projeto gráfico

O projeto gráfico do álbum foi desenvolvido por Marcelo Rossi, um designer gráfico que trabalhou por vários anos com a banda. A capa do álbum mostra uma combinação de tons azuis com vermelhos e o logotipo em marca d'água. Na parte interna do encarte, o designer, juntamente com Ed. Carranque, utilizaram fotografias de uma cidade e outros locais combinando com fotos dos integrantes, que prestaram agradecimentos à gravadora, músicos envolvidos na gravação e patrocinadores. A crítica especializada definiu a arte como uma concepção mais pautada no rock, utilizando um "visual nebuloso, seco, meio caótico".

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Lançamento e divulgação

Apesar de Além do que os Olhos Podem Ver ter sido inicialmente proposto para ser lançado nos primeiros meses de 2004, seu lançamento foi adiado para setembro do mesmo ano. No entanto, o disco chegou a ser lançado apenas em fevereiro de 2005. Em seus dois primeiros dias de lançamento, vendeu mais de vinte mil cópias no Brasil. Tal alta venda de um álbum de rock em pouco tempo foi o reflexo da expectativa do público para a obra após as mudanças internas do grupo. Em menos de três meses, o trabalho vendeu mais de cinquenta mil unidades. Após o lançamento do álbum, a banda publicou em seu portal um hot site para o álbum, com imagens utilizadas na arte do disco, com notícias relacionadas ao novo trabalho, fotos e informações de contato. A canção "Lugar Melhor" foi escolhida para divulgar o projeto, que recebeu versão em videoclipe. Em junho de 2005, a banda iniciou uma série de apresentações no exterior, a começar nos Estados Unidos. A Oficina G3 fez eventos em Everett, Boston, São Francisco, Newark, Miami, Dallas, Orlando, Houston e Boca Raton. Os shows realizados fizeram parte da chamada Turnê Além do que os Olhos Podem Ver, que também passou por vários estados do Brasil de 2005 até o final de 2006.

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Recepção da crítica

Imagem: Ester Tambasco, MG Assessoria · BY · Openverse

Além do que os Olhos Podem Ver recebeu cobertura significativa da mídia especializada que, em maioria, foi favorável ao álbum. Márcio Heck, do Super Gospel, apontou que o projeto superou o "infeliz" Humanos, e que Afram como vocalista não o fez sentir saudades de PG. Também destacou os solos rápidos e virtuosos, além das distorções, destacando a letra de "A Lição" e "Amanhã", sendo a última citada a melhor do disco. A análise de Éber Dias Freitas, no Dot Gospel, destacou as atuações de Duca Tambasco no baixo e de Jean Carllos no teclado. Segundo Freitas, o disco está mais "pesado" do que em toda a história da banda, superando Indiferença em tal quesito, trazendo uma sonoridade que rompe as barreiras do "som abobado cristão que estamos acostumados a ouvir". A obra também recebeu uma análise do Whiplash.net, um site especializado em rock. O jornalista Maurício Gomes Ângelo atribuiu nota 9 pontos de 10 ao trabalho, e destacou o fim de álbuns "açucarados e mornos" com a participação de PG, e a renovação que fez a banda demonstrar seu talento. O dueto entre Marcão e Juninho em "Sem Trégua", a falta de exagero e estrelismos, o projeto gráfico e as letras das canções, consideradas mais realistas que nas obras anteriores por Maurício, foram pontos positivos apontados pelo autor. Na opinião do crítico, até o momento em que o texto foi escrito, Além do que os Olhos Podem Ver foi o melhor álbum da história do rock cristão no Brasil e um disco singular para o rock nacional contemporâneo, retornando ao posto de vanguarda, abandonado anteriormente.

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Estilo musical e letras

Além do que os Olhos Podem Ver não segue a linha musical de seu antecessor, mas traz em sua ficha técnica a parceria com Geraldo Penna, o mesmo produtor de Humanos, além de Lufe, o baterista. O álbum é predominantemente influenciado pelo metal progressivo, embora outras vertentes do rock e metal sejam notadas na obra. Segundo o guitarrista Juninho Afram, a concepção instrumental na obra foi diferente dos trabalhos anteriores, com a proposta de criar arranjos mais livres e evidentes, para que contassem histórias durante a música. "Isso deixou um espaço bem amplo para se trabalhar, não só para a guitarra, mas para todos. Muitos desses 'espaços' nós já pensamos durante a composição, fora as coisas que 'pintaram' no estúdio." Duca e Juninho ainda tentaram trabalhar em faixas instrumentais, semelhantemente ao que fora feito em Indiferença, mas segundo Afram, a banda não teve tempo disponível.

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Reconhecimento

Além do que os Olhos Podem Ver recebeu indicações em dois prêmios da música: Grammy Latino e Troféu Talento. No primeiro, a banda concorria na categoria Melhor álbum cristão em Língua portuguesa, e perdeu para o disco Deixa o Teu Rio me Levar, de Soraya Moraes, da gravadora Line Records. No Troféu Talento, a Oficina G3 recebeu três indicações, sendo uma à banda, uma ao clipe de "Lugar Melhor" e outra ao trabalho. O conjunto ganhou duas das categorias ao qual foi indicado. Em 2015, vários sites do meio protestante publicaram uma lista dos 100 maiores álbuns da música cristã brasileira, compilada por músicos, historiadores e jornalistas especializados, que colocaram Além do que os Olhos Podem Ver na 97.ª posição, afirmando que a banda "Oficina G3, como um trio, exorcizava todas as especulações de que era seu fim sem PG". Em 2016, o disco foi eleito o 13.º melhor disco da década de 2000, de acordo com lista publicada pelo Super Gospel.

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Legado

Além do que os Olhos Podem Ver é apontado como um dos melhores trabalhos da banda. Após o lançamento da obra, a Oficina G3 estava prestes a completar 20 anos de carreira, e por conta disso produziu o álbum Elektracustika, que contém regravações das canções "Além do que os Olhos Podem Ver", "Mais Alto" e "A Lição". Juninho Afram afirmou que sua posição como vocalista da banda era provisória, e continuaria nela até que encontrassem um novo integrante. Em 2008, durante as gravações de Depois da Guerra, o trio efetivou Mauro Henrique como o novo vocalista, com Juninho tendo papel secundário nas vozes como ocorria antigamente. O guitarrista Déio Tambasco voltou para o Katsbarnea, na qual fora integrante, e em novembro de 2006, Lufe deixou de trabalhar com o grupo, dando espaço para os músicos contratados Alexandre Aposan e Celso Machado. Aposan, anos mais tarde, disse que seu teste com a banda foi baseado nas canções mais complexas de Além do que os Olhos Podem Ver, o que deu base para sua participação no grupo. O repertório do projeto continuou presente em turnês posteriores, e a banda chegou a regravar "Mais Alto", "De Olhos Fechados" e "Ver Acontecer" no DVD D.D.G. Experience, lançado em 2010.

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Faixas

A seguir está a lista de faixas do disco Além do que os Olhos Podem Ver, segundo o encarte do disco.

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Fontes consultadas

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