Aleixo Belov
Aleixo Belov, nascido Alexey Dimitrievitch Belov, é um empresário, engenheiro, navegador e escritor ucraniano radicado no estado da Bahia, Brasil.
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Aleixo Belov nasceu Alexey Dimitrievitch Belov, no dia 9 de janeiro de 1943, em Merefa, na Ucrânia. Sua mãe, Zinaida Belov, era uma médica ucraniana, e seu pai, Dimitri Belov, um engenheiro agrônomo russo que serviu no Exército Vermelho em Moscou. Com a ocupação da Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial, viver na Ucrânia, à época de seu nascimento, era muito difícil: fome, mortes, desemprego. Muitos parentes, entre eles o irmão de sua mãe, foram mortos na guerra. Foi assim que Dimitri, que sempre teve vontade de conhecer o mundo, resolveu levar a esposa e os dois filhos – Alexey, com sete meses de idade, e Olga, com dois anos – em direção a outros países da Europa. Amarrou uma vaca na carroça, colocou a família em cima e saiu andando em busca de uma vida melhor. Mais adiante, vendeu a vaca e a carroça, e eles continuaram de trem um percurso pela Polônia, Alemanha e Itália. Passaram muitas dificuldades fugindo da guerra.
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Aleixo Belov tinha 16 anos quando ganhou, sem saber do que se tratava, uma máscara de mergulho. Quem o presenteou foi o jovem Jadiel Oliveira, que frequentava a faculdade e depois se tornou diplomata. Talvez Jadiel não soubesse, mas aqueles óculos de mergulho mudariam por completo a vida de Aleixo, que perguntou ao colega: “para quê serve isso?” E Jadiel respondeu: “para olhar os peixinhos”. Num determinado dia, Aleixo resolveu ir à praia, com a água na cintura, para ver como funcionava o presente. Além de pequenos peixes, se impressionou com outro habitante do mar nunca antes visto por ele: um polvo. Ficou impressionado, mas o bicho resolveu se esconder. Apareceu ali Antonio Góes Magalhães, vizinho de Aleixo que se transformou num dos principais mergulhadores de Salvador e seu grande parceiro. Mas, nem Aleixo, nem Góes, juntos, conseguiram tirar o polvo da toca. A frustração foi tamanha, mas deu importante resultado: os dois resolveram criar um grupo de mergulho, aproveitando que Aleixo tinha os óculos. E era uma dupla de um par de óculos só. Enquanto um mergulhava, o outro observava. Aprenderam a usar o pé de pato, fizeram um bicheiro – anzol com vergalhão –, depois compraram um arpão e assim progrediram como mergulhadores.
Primeira volta ao mundo
Aleixo Belov decidiu que faria uma volta ao mundo num barco, em solitário, em 1965. Levou 15 anos para conseguir realizar o seu objetivo. Voltando de Porto Seguro, onde fez seu primeiro mergulho, escreveu, num caderno de capa-dura, o seu projeto de vida, com tudo o que teria que aprender, inclusive outras línguas. E seguiu esse projeto à risca. Às 8h do dia 16 de março de 1980, Aleixo deixava Salvador a bordo do Três Marias para uma viagem que duraria 14 meses, por Natal, Trinidad e Tobago, Aruba, Panamá, Galápagos, Marquesas, Tuamotus, Taiti, Rorotonga, Nova Caledônia, Estreito de Torres, Bali, Cape Town, Rio de Janeiro e Salvador. Saiu apenas com 10 mil dólares incompletos a bordo. Tinha muito medo de perder o barco, e evitava se arriscar em lugares rasos, porque não poderia fazer outra embarcação. Durante o percurso, o navegador enviava reportagens sobre a viagem para serem publicadas no jornal A Tarde. Posteriormente, publicou o seu primeiro livro no qual conta a aventura, A volta ao mundo em solitário, inaugurando também um outro ofício que desempenha com paixão: o de escritor.
Segunda volta ao mundo
Na segunda volta ao mundo em solitário, Aleixo já tinha mais segurança e intimidade com o barco Três Marias. Resolveu estender a viagem e aproveitar ainda mais. Foram 21 meses viajando até o Oriente, parando em 46 portos, e percorrendo 30 mil milhas. O roteiro da primeira volta ao mundo foi repetido até Bali, e dali em diante ele seguiu pelo sul da África. Foi para o Ceilão, hoje Sri Lanka, Índia, Iêmen do Sul e, via Mar Vermelho, foi para o Mediterrâneo. Aleixo atravessou o Mar Vermelho sozinho, com dificuldade, e conseguiu atravessar o Canal de Suez e chegar a Chipre, onde deixou o barco. A viagem aconteceu entre os dias 15 de março de 1986 e 19 de dezembro de 1987.
Terceira volta ao mundo
Quando resolveu fazer a terceira viagem para levar os filhos aos lugares que ele mais tinha gostado, Aleixo já tinha ampliado significativamente a sua empresa, Belov Engenharia, e havia escrito quatro livros (1ª viagem e trilogia da 2ª viagem) sobre suas experiências no mar. Nas outras viagens ele precisou hibernar a empresa enquanto viajava. Nesta viagem, com o apoio do engenheiro e sócio Petrônio Achiles Ribeiro Rosa, a empresa pôde continuar funcionando enquanto ele estava fora. A viagem aconteceu 14 anos depois da segunda volta ao mundo: entre os dias 23 de setembro de 2000 e 2 de março de 2002, portanto, durante 18 meses. Aleixo tinha 59 anos à época.
Quarta volta ao mundo
A quarta viagem de Aleixo Belov aconteceu a bordo do veleiro-escola Fraternidade. A primeira após os cinco anos de construção desse barco feito com casco de aço para permitir viagens a mares gelados e especialmente com o propósito de dar a jovens brasileiros a oportunidade de vivenciar o mar de forma intensa. A primeira viagem foi pelo desafio, a segunda pelo prazer, a terceira pela família e a quarta foi para dividir essa paixão com outros. A viagem aconteceu entre 16 de janeiro de 2010 e 22 de outubro de 2011. Na seleção para os alunos que participariam dessa primeira viagem apareceram 150 candidatos. Desses, restaram 15 na pré-seleção, que foram entrevistados pelo comandante Aleixo, que também explicava a cada um o programa educacional do Fraternidade.
Viagem à Antártica
Em 1991, Aleixo Belov fez parte de uma expedição a bordo do Kotic 2 comandado por Oleg Bely rumo à Antártica. Foram visitadas várias bases estrangeiras, e os tripulantes tiveram contato com os mais diversos animais que vivem nas regiões geladas e milhares de pinguins. Por esta razão, quando Aleixo Belov resolveu projetar o veleiro escola Fraternidade, optou por um veleiro polar, todo revestido com 12 cm de isolamento térmico e munido de um aquecedor ambiente. Seria um veleiro adequado para navegar em todos os Oceanos, de Norte a Sul. Ao preparar o barco para ir à Antártica, trocou sua âncora mais leve por uma Rocna de 150 kg, a Corrente de 16mm por uma de 18mm com travessão e foi instalado um novo guincho adequado para a nova corrente.
Quinta volta ao mundo - Viagem ao Alasca
A quinta viagem de Aleixo Belov teve como destino o Alasca, em função de uma promessa feita ao amigo velejador também de origem russa Oleg Belly, pouco antes dele vir a falecer. No dia 3 de dezembro de 2016 o navegador deixou o porto de Salvador, só retornando em 4 de agosto de 2018. O itinerário seguiu pelo Caribe, Canal do Panamá, Polinésia, Havaí, até chegar ao Alasca. A equipe que o acompanhou no Fraternidade pôde subir as montanhas geladas, visitar lugares habitados por ursos polares, viram halibuts e tiveram contato com a escassa população do local. Especialmente preparado para o gelo, o veleiro Fraternidade seguiu pelas geleiras, entrou pelos canais, chegou em florestas. Aleixo foi para Sitka, criada ainda pelos russos e que já foi capital do Alasca, onde o navegador ainda pôde conversar em russo com alguns moradores; de lá voltou para o México e não mais que de repente resolveu fazer dali a quinta volta ao mundo. Seguiu para o Havaí, via Pacífico Norte, foi para Majuro, Pohnpei e Lamotrek.
O veleiro Três Marias é um projeto de Robert Bruce, de 36 pés, adquirido por Aleixo em 1976. Sua construção foi feita pelo próprio Aleixo, com a ajuda de um carpinteiro, e levou três anos, pois o barco foi feito no quintal da casa do navegador nos dias e horários disponíveis, usando peças novas e recuperadas. Sem poder ter o molde por motivos financeiros, Aleixo fez um plug de madeira, forrou de plástico, encerou e laminou a fibra de vidro por cima desse plug. Depois lixou o barco todo por fora. Depois de um ano de testes, correndo várias regatas locais, Aleixo saiu para fazer a sua primeira volta ao mundo em solitário. Era 16 de março de 1980. Assim nasceu o Três Marias, cujo nome homenageia as três Marias da vida de Aleixo Belov: Maria da Graça, Mariana e Marúcia, respectivamente, sua primeira esposa e as duas primeiras filhas.
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Quando terminava a sua terceira volta ao mundo a bordo do Três Marias, Aleixo Belov começou a desenhar as primeiras ideias do que viria a ser, alguns anos depois, o veleiro-escola Fraternidade. O navegador queria um barco que fosse projetado por ele mesmo. O veleiro-escola Fraternidade surgiu como um projeto com o qual poderia dar oportunidade a jovens estudantes de conhecer muito do que já havia experimentado como navegador. Esse “tanque de guerra” das águas, como costuma ser chamado por vários profissionais que trabalharam na construção do Fraternidade, especialmente projetado para fazer viagens polares, tem 21,5 metros de comprimento, 70 toneladas, quilha retrátil de 13 toneladas, boca do barco de 6,70 metros, dois motores e um gerador, dois lemes, dois mastros, dois pilotos automáticos, 12 centímetros de isolamento térmico em todo o barco, salão para acomodar 20 pessoas sentadas, decorado com pinturas e esculturas de todo o mundo. É um veleiro com alta tecnologia em termos de segurança, navegação e conforto.
Inaugurado no dia 1 de dezembro de 2021, o Museu do Mar Aleixo Belov tem sua origem intimamente atrelada às aventuras marítimas do velejador que lhe dá o nome. Localizado num casarão histórico no Largo do Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador, na Bahia. O museu traz obras adquiridas por Aleixo Belov durante suas cinco viagens ao redor do mundo, sendo três delas em solitário no veleiro “Três Marias”, o qual faz parte do acervo do museu. Além dos objetos, estão expostas no museu as memórias pessoais e profissionais que Aleixo produziu ao longo da vida. Assim, é possível ver e apreciar o veleiro Três Marias e as histórias e memórias criadas em torno dele e de muitos outros objetos, assim como do Veleiro Escola Fraternidade. Em seus 540 metros quadrados de exposição permanente e 110 metros quadrados de exposições temporárias, o museu abriga as cartas náuticas e os aparelhos de navegação utilizados nas viagens, uma sala de projeção de filmes, fotos, diferentes objetos trazidos durante as viagens, documentos e é um espaço interativo para se conhecer mais sobre o mar. O Museu do Mar é administrado pela Fundação Aleixo Belov, instituída em 2019, e que funciona como um centro de pesquisa e fomento de temas ligados ao mar.
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Aleixo Belov é engenheiro, construtor de portos, de plataformas de petróleo e de serviços subaquáticos. Fundou em 1981 a Belov Engenharia Ltda., e posteriormente mais três empresas passaram a constituir o grupo. Em 2020, o grupo estava formado por quatro sócios e 1300 funcionários. Destes, mais de 300 eram mergulhadores dando apoio na indústria de óleo e gás. Aleixo Belov desenvolveu uma técnica que permite fazer concreto no fundo do mar, com a mesma qualidade que se faz em terra. A Belov Engenharia é uma das principais empresas de engenharia portuária, subaquática e apoio offshore do Brasil.
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Foi casado com a advogada e psicóloga Maria da Graça Diniz Gonçalves da Costa Belov (c. 1969 div. 1980), com quem teve duas filhas (Marúcia e Mariana) e com a advogada Lygia Ruston Beck (c. 1983. div. 2016), com quem teve três filhos (Lara, Alana e Alexey).


