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Aníbal Cavaco Silva

Aníbal António Cavaco Silva GCC • GColTE • GColL • GColIH é um economista, professor universitário e político português com acumulada experiência política e técnica.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 09/07/2026
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Infância e juventude

Filho de Teodoro Gonçalves [da] Silva (Loulé, Boliqueime, Maritenda, 30 de agosto de 1912 – 30 de setembro de 2007) e de sua esposa (Loulé, Boliqueime, 4 de março de 1935) Maria do Nascimento Cavaco (Loulé, Boliqueime, Maritenda, 27 de dezembro de 1912 – ?) e irmão de António Cavaco Silva (Loulé, Boliqueime, 1947 – Lisboa, 22 de abril de 2010) e Rogério Cavaco Silva, solteiro e sem geração, cresceu em Boliqueime, concelho de Loulé, onde o pai se dedicava ao cultivo de frutos secos e ao comércio de combustíveis. Em Faro fez o Ciclo Preparatório, na Escola Técnica Elementar Serpa Pinto, e depois o Curso Geral do Comércio, na Escola Comercial e Industrial de Faro. Em 1956 veio para Lisboa, onde tirou o curso de Contabilidade do Instituto Comercial de Lisboa (hoje ISCAL), em 1959. Em paralelo, frequentou as disciplinas exigidas para admissão ao Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (actual ISEG).

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Filhos

Do seu casamento nasceram dois filhos: Patrícia Alves Cavaco Silva, n. 1966, casada com Luís Manuel de Sá Montez, n. c. 1960, engenheiro, empresário e produtor de espetáculos, diretor da estação de rádio Antena 3, um dos adquirentes do Pavilhão Atlântico a 26 de julho de 2012, pais de Mariana Cavaco Silva de Sá Montez (1996), Afonso Cavaco Silva de Sá Montez (1998), António Luís Cavaco Silva de Sá Montez (2001) e João Maria Cavaco Silva de Sá Montez (2004); e Bruno Alves Cavaco Silva, n. 1967, casado com Perpétua da Conceição Gomes Anacleto e pai de João Vicente Anacleto Cavaco Silva (Lisboa, 13 de janeiro de 2009).

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Percurso académico

Imagem: European Parliament · BY-NC-ND · Openverse

No final de 1965 torna-se bolseiro do Centro de Economia e Finanças da Fundação Calouste Gulbenkian, onde se dedica à investigação, a partir de 1967. Publica então um primeiro título, O Mercado Financeiro Português em 1966 (1968). Entretanto iniciara funções como assistente de Finanças Públicas, no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras da Universidade Técnica de Lisboa, onde leccionou até 1978. Mantendo a bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, parte com a família para a Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, onde viria a doutorar-se em Economia Pública, na Universidade de York, em 1971. A sua dissertação, depois publicada, tem o título de A Contribution to the Theory of the Macroeconomic Effects of Public Debt (1973). Regressado a Portugal, pouco antes do 25 de Abril, manteve-se como investigador na Fundação Gulbenkian, integrando depois o respectivo Centro de Economia Agrária. Em 1977 mudar-se-ia para o Banco de Portugal, assumindo o cargo de director do Departamento de Estatística e Estudos Económicos. Ao mesmo tempo passou a integrar, como vogal, a Comissão Instaladora da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa. Pouco depois leccionaria também na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa. Em 1979 prestou provas públicas para professor extraordinário de Economia Pública na Universidade Nova de Lisboa, onde chegaria a professor catedrático.

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Entrada na política

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Com a vitória da Aliança Democrática, coligação partidária entre o Partido Social Democrata (PPD/PSD), o Partido do Centro Democrático e Social (CDS), o Partido Popular Monárquico (PPM) e o apoio do Movimento dos Reformadores, foi convidado a exercer funções como ministro das Finanças e do Plano (1980–1981) do VI Governo Constitucional, chefiado por Francisco Sá Carneiro. Porém, após a morte do primeiro-ministro, recusa-se a integrar o governo de Francisco Pinto Balsemão, abdicando também do lugar de deputado para o qual tinha sido eleito. Em fevereiro de 1981 é eleito, pela Assembleia da República, presidente do Conselho Nacional do Plano (órgão que antecedeu o Conselho Económico e Social), e que dava pareceres sobre as Grandes Opções do Plano. Militante do Partido Social Democrata desde a sua fundação, foi ao VIII Congresso onde encabeçou uma lista candidata ao Conselho Nacional. No mesmo ano é eleito presidente da Assembleia Distrital da Área Metropolitana de Lisboa do PSD.

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Primeiro-ministro

Cavaco Silva apostou em levar a cabo as reformas estruturais na administração e na direção económica do país, sendo as suas legislaturas muito marcadas pela entrada de Portugal às então chamadas Comunidades Europeias e, nomeadamente, à Comunidade Económica Europeia. Porém, as reformas em que apostava encontraram oposição firme na Assembleia da República onde (em abril de 1987) o Partido Renovador Democrático do antigo presidente da República António Ramalho Eanes, apresenta uma moção de censura, depois aprovada com os votos do PS, do Partido Comunista Português (PCP) e o do Movimento Democrático Português (MDP/CDE). Como consequência o governo caiu e Mário Soares (eleito em 1986 presidente da República) dissolveu a Assembleia e convocou eleições. Nas eleições de julho de 1987 os portugueses atribuem a primeira maioria absoluta a uma força política não coligada (com 50,2% dos votos para o PSD), que se havia de repetir nas eleições legislativas de 1991. Dessas vitórias resultaram, respectivamente, a constituição dos XI e XII Governos Constitucionais, apostados em transformar a economia de base socialista, edificada com o processo revolucionário subsequente ao 25 de Abril de 1974, numa economia social de mercado, aproximando-a dos outros países europeus. Para isso foi determinante o facto de em 1989 o PSD, com o apoio do PS, levar a cabo uma revisão constitucional que pôs fim ao princípio constitucional da irreversibilidade das nacionalizações, iniciando aí um longo processo de devolução da economia à iniciativa privada. O país conheceu um crescimento económico apreciável, acima da média europeia, o que fez subir a popularidade de Cavaco Silva.

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Presidência da República

Imagem: PSD - Partido Social Democrata · BY-NC-SA · Openverse

No dia 20 de outubro de 2005, numa declaração pública no Centro Cultural de Belém, apresentou-se oficialmente como candidato à Presidência da República. Já haviam sido publicadas várias sondagens de opinião que apontavam Cavaco Silva em primeiro lugar. Contra Jerónimo de Sousa, Mário Soares, Francisco Louçã, Garcia Pereira e Manuel Alegre, conseguiu a eleição à primeira volta (com 50% dos votos), marcando pela primeira vez, na democracia portuguesa, a eleição de um presidente oriundo do centro-direita. A 9 de março de 2006 toma posse como 18.º presidente da República Portuguesa. Tomou posse, jurando a Constituição, na Assembleia da República, em 9 de março de 2006, numa cerimónia a que assistiram os ex-Presidentes Ramalho Eanes e Mário Soares, os Príncipe das Astúrias, o antigo Presidente dos Estados Unidos, George Bush, o Presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, entre outras personalidades nacionais e estrangeiras. De salientar que regista para Portugal um facto inédito, de ser o primeiro Presidente da República, desde 1986, fora da área da esquerda socialista..mw-parser-output .quotebox{background-color:#F9F9F9;border:1px solid #aaa;box-sizing:border-box;padding:10px;max-width:100%}.mw-parser-output .quotebox.floatleft{margin:.5em 1.4em .8em 0}.mw-parser-output .quotebox.floatright{margin:.5em 0 .8em 1.4em}.mw-parser-output .quotebox.centered{overflow:hidden;position:relative;margin:.5em auto .8em auto}.mw-parser-output .quotebox.floatleft span,.mw-parser-output .quotebox.floatright span{font-style:inherit}.mw-parser-output .quotebox>blockquote{margin:0;padding:0;border-left:0;font-size:90%;font-style:inherit}.mw-parser-output .quotebox-title{text-align:center;font-size:110%;font-weight:bold}.mw-parser-output .quotebox-quote>:first-child{margin-top:0}.mw-parser-output .quotebox-quote:last-child>:last-child{margin-bottom:0}.mw-parser-output .quotebox-quote.quoted:before{font-family:"Times New Roman",serif;font-weight:bold;font-size:large;color:gray;content:" “ ";vertical-align:-45%;line-height:0}.mw-parser-output .quotebox-quote.quoted:after{font-family:"Times New Roman",serif;font-weight:bold;font-size:large;color:gray;content:" ” ";line-height:0}.mw-parser-output .quotebox .left-aligned{text-align:left;font-size:90%}.mw-parser-output .quotebox .right-aligned{text-align:right;font-size:90%}.mw-parser-output .quotebox .center-aligned{text-align:center;font-size:90%}.mw-parser-output .quotebox .quote-title,.mw-parser-output .quotebox .quotebox-quote{display:block}.mw-parser-output .quotebox cite{display:block;font-style:normal}@media screen and (max-width:640px){.mw-parser-output .quotebox{width:100%!important;margin:0 0 .8em!important;float:none!important}}

Roteiros

As "presidências abertas" de Cavaco Silva designam-se "roteiros" e são temáticos. O primeiro roteiro que o Presidente definiu visa promover a inclusão social. O Roteiro para a Inclusão foi lançado na sessão solene, na Assembleia da República, do aniversário do 25 de Abril. Cada tema ou problema focado no discurso corresponde a uma visita ou a uma iniciativa, que tem por objectivo tomar conhecimento directo e promover as boas práticas no combate à exclusão social. O Roteiro para a Inclusão foi iniciado com uma jornada sobre o tema Regiões Periféricas, Envelhecimento e Exclusão. O programa da jornada foi executando em maio de 2006. Futuras jornadas serão dedicadas a:

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Escola de pensamento macroeconómico

Imagem: Estonian Foreign Ministry · BY · Openverse

Tanto nas suas funções como economista, como na sua acção governativa e presidencial, Cavaco Silva foi adepto de políticas intervencionistas. Com efeito, ele designa-se a si próprio como um neokeynesiano. Defende que o Estado tem três funções: "a de afectação de recursos, traduzida pela provisão de bens e serviços públicos como a justiça, segurança, defesa, educação, saúde, protecção social", "a da distribuição, para alcançar uma distribuição socialmente justa do rendimento e riqueza" e, finalmente, "a da estabilização". Para além disso, Cavaco Silva acrescentou: "É aqui que vem a parte keynesiana de actuação de um Governo ou autoridade com poder executivo para combater a inflação, o desemprego, equilibrar as contas externas e promover o crescimento económico. Nenhum Governo pode deixar de dar atenção a estas três grandes funções em simultâneo".

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Controvérsias

Imagem: World Trade Organization · BY-SA · Openverse

Cavaco Silva preencheu em 1967 um "formulário pessoal pormenorizado", com o objetivo de ser autorizado a consultar documentos classificados no âmbito da Comissão Coordenadora da Investigação para a NATO, o que resultou no seu cadastro interno como "informador da PIDE", o estatuto vindo a ser controvérsia anos mais tarde. Durante o segundo governo e parlamento de maioria absoluta liderados por Aníbal Cavaco Silva, promulgou alguns documentos a atribuir pensões vitalícias a figuras do regime deposto, ou associadas a grupos de "extrema-direita". Em 1988, Alberto Rebordão de Pinto (ex-membro do Movimento Democrático de Libertação de Portugal) e Américo Paulo Maltez Soares (capitão Maltez da PSP, que encabeçou vários casos de brutalidade policial) estão entre os que recebem tal recompensa por "serviços excepcionais e relevantes prestados ao País". Em 1992, "Óscar Cardoso, ex-Inspector-Adjunto da PIDE, foi contemplado com uma pensão por serviços relevantes prestados a pátria." O PIDE, criador de forças especiais na guerra, estava presente quando agentes dispararam sobre a multidão no dia 25 de Abril de 1974, disparos ainda hoje de autoria desconhecida. Houve ainda um outro agente da PIDE, António Augusto Bernardo, com direito a essa pensão. Em contraste, Cavaco recusou a mesma anos antes a Salgueiro Maia, um dos capitães protagonistas do 25 de Abril de 1974.[nota 1]

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Fontes consultadas

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