Tirol
O Tirol é uma região histórica da parte ocidental da Europa Central que inclui o estado do Tirol, na Áustria, e a Região Autônoma Trentino-Alto Ádige (Trentino-Südtirol), na Itália. A porção meridional do Tirol subdivide-se desde 1920 em província autônoma de Bolzano e província autônoma de Trento (Trentino).
Antiguidade e Idade Média
A região situa-se na área da Áustria habitada pelos récios a partir do século I a.C. Mas a história do Tirol tem início nos séculos centrais da Idade Média, com o Principado Episcopal de Trento, cuja extensão original compreendia, além do atual Trentino, também grande parte do atual Tirol Meridional, e foi durante a Idade Média e Moderna um estado autônomo dentro do Sacro Império Romano-Germânico. As relações do principado de Trento com os condes do Tirol oscilaram entre a dependência político-militar e tentativas de usurpação do poder administrativo, até a queda do principado sob o domínio napoleônico e sua total administração pela dinastia Habsburgo.
Após 1918
No fim da Primeira Guerra Mundial, as tropas do Império Austro-Húngaro foram derrotadas na batalha de Vittorio Veneto, em 29 de outubro de 1918. Apesar do subsequente armistício firmado em 3 de novembro (que passaria a valer a partir do dia seguinte), o comando austríaco recuou imediatamente, o que permitiu que as tropas italianas capturassem 356 mil soldados austríacos (Kaiserjäger) e ocupassem o Tirol, incluída a parte setentrional (Tirol Meridional) formada pelas regiões Südtirol e Trentino (Welschtirol). Os territórios do Condado de Tirol ao sul da vertente alpina foram anexados ao Reino da Itália e assim o Condado de Tirol termina sua existência com a ocupação italiana, em 1918.
Após 1945
Depois da Segunda Guerra Mundial o Acordo de Paris chancelou que o Tirol do Sul tinha que permanecer italiano, com a condição de que se respeitassem os direitos da minoria de língua alemã e lhe fosse garantida uma ampla autonomia. O presidente do conselho italiano, Alcide De Gasperi, originário da província de Trento, decidiu estender a autonomia aos seus concidadãos, criando a região autônoma do Trentino-Alto Ádige. Dessa maneira, a auto-administração da minoria alemã tornou-se impossível. Este fato e a imigração de mais italianos provocaram uma resposta violenta, que culminou no terrorismo do BAS –Befreiungsausschuss Südtirol (Comitê pela liberação do Tirol do Sul), que queria a reunificação à Áustria. Numa primeira fase os atentados dirigiram-se contra edifícios públicos e monumentos fascistas. A segunda fase foi mais sangrenta: 21 pessoas foram mortas, entre elas 15 agentes da polícia italiana, quatro terroristas e dois cidadãos.
No norte, no estado austríaco do Tirol, o alemão é a língua oficial. No sul (Tirol Meridional) (Província autónoma de Bolzano), são idiomas oficiais, o alemão e o italiano. A eles se soma o ladino em alguns vales orientais (Val Badia, Val di Fassa e Val Gardena). No Trentino, existem duas minorias alemãs, em Val dei Mòcheni/Fersental e Luserna/Lusern. Todas as repartições públicas são bilíngues, cada cidadão tem o direito de utilizar a própria língua materna com a administração pública, também nos tribunais. As escolas são separadas em escolas alemãs, italianas e ladinas. Na repartição dos empregos públicos aplica-se o sistema da proporcionalidade étnica. Por ocasião do censo decenal cada habitante tem que declarar a sua pertinência a um dos três grupos linguísticos. Conforme os resultados, é possível proceder à repartição étnica. Os italianos que se estabeleceram na província durante o período da italianização fascista vivem principalmente nos centros urbanos. A capital Bozen/Bolzano e outros quatro municípios são majoritariamente italianófonos. Em 103 de 116 municípios a etnia dominante é a alemã – até 99,81% em San Pancrazio (Sankt Pankraz).


