Carlos Alberto de Menezes
Carlos Alberto de Menezes foi um engenheiro civil, industrial e líder católico pernambucano. Destacou-se na arregimentação das forças católicas, particularmente no terreno social. Foi responsável pela criação dos sindicatos no Brasil, fundando o primeiro sindicato no país, em Camaragibe, e escrevendo as duas primeiras leis sindicais brasileiras, apresentadas na Câmara dos Deputados por seu aliado Joaquim Inácio Tosta. Organizou em sua fábrica a primeira vila operária da América Latina.
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Carlos Alberto de Menezes nasceu em 15 de outubro de 1855, sendo o segundo filho do engenheiro carioca Camilo Maria de Menezes e de Dona Maria Gertrudes de Figueiredo. Finalizou os estudos iniciais no Colégio Pedro II em 1872, recebendo o título de bacharel em letras. A partir de 1874, cursou a Escola Politécnica Fluminense, pela qual obteve o título de engenheiro civil em 1878. Uma formação profissional altamente qualificada de engenheiro, categoria que então não estava na vanguarda do desenvolvimento do Brasil. Através de contatos, foi introduzido na Sociedade de São Vicente de Paulo, ingressando nas fileiras dos vicentinos. Participou intensamente da Conferência Vincentina, o que marcou profundamente sua sensibilidade para com os pobres e menos privilegiados.
Carreira na engenharia ferroviária
Nessa época, trabalhou primeiro como fiscal na construção dos serviços ferroviários que de Recife se faziam na direção do rio São Francisco. Em 1880, voltou para o Sul e casou-se com Maria Angélica Lacerda, filha de Antônio Francisco de Lacerda (filho), ilustre industrial baiano que construiu o Elevador Lacerda, primeiro elevador de Salvador. Casado, regressou para Pernambuco, passando a trabalhar como fiscal na construção da chamada Estrada de Ferro Central de Pernambuco. Fixou residência em Jaboatão. Nasce em 1881 Maria Adélia e, em 1883, Camilo, seus primeiros filhos. No ano de 1884, volta Carlos Alberto para o Rio de Janeiro, onde constrói um trecho da estrada de ferro do Norte do Estado do Rio. Trabalha depois em Tingui, no serviço de abastecimento d'água, nascendo Luis, seu terceiro filho.
Fundação da Companhia Industrial Pernambucana e ação social
Em 1889, seu amigo e empreendedor argentino, Pereira Carneiro, sabia que as tecelagens no Rio de Janeiro eram muito rentáveis, mesmo com a concorrência estrangeira. Juntamente com Antônio Muniz Machado e outros sócios, fundou a Companhia Industrial Pernambucana em 23 de janeiro de 1891. Carneiro, que já era dono de uma Usina em Goiana no mesmo estado, estabeleceu a Fábrica de Tecidos de Camaragibe no engenho Camaragibe, no então município de São Lourenço da Mata. Carlos Alberto foi convidado a ser o diretor gerente da Fábrica de Tecidos. Convenceu, então, Carneiro a incluir nos estatutos da nova companhia um parágrafo, garantindo um tratamento mais cristão para seus futuro operários. Antecipou assim as orientações da enclíclica Rerum Novarum, do papa Leão XIII, promulgada em 15 de maio.
Morte
Faleceu em 1º de novembro de 1904. Seu enterro teve o acompanhamento de 78 carros, 6 bondes especiais e aguardavam no cemitério centenas de pessoas. A fábrica foi repassada a seu genro Pierre Collier, e em seguida a seus filhos. Em 1987 foi adquirida pelo grupo Braspérola, desativada e logo depois revendida ao grupo Vivabrás, iniciando mais uma vez a lembranças dos saudosos pioneiros.


